Não Tenha Medo de Mim

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Retorno à minha essência e volto a ser de mim,
ainda que enlutada,
percorra sozinha no grito das gaivotas
as vagas do nosso amado mar.


Saber-te em mim será sempre a minha maior alegria,
ter sido tua um dos melhores e maiores êxtases que alguma vez uma mulher possa ter experimentado.
Em ti me enrosco todas as noites lambendo-te as feridas dos dias onde te deixei liberto, à deriva de todos os meus caprichos,
e foram tantos!


Por vezes tenho a sensação de que ainda estás presente
e a saudade fervilha nesta ausência de nós.
É como se te visse e ouvisse boquiaberto e feliz
enquanto eu tentava arranjar os desalinhados cabelos
no temporal dos sentidos:
“ meu amor, como és linda! A mais bela das mulheres, é minha!”


É por aí que eu vou quando tudo o que ouço agora é uma cruel e inoportuna mente gritando-me exactamente o oposto
quase até à loucura!


Perdoo-te teres partido, mas nunca te teres tornares silêncio,
cobardia e bicarbonato de sódio
neste corpo onde explodem lavas,
corpo de primícias tuas
onde navegaram navios
e tuas mãos de menino.


Célia Moura, poesia

Silêncio


Há um silêncio dentro de mim,
depois de você...
Um silêncio traduzido em inquietação...
Minha vida não pode ser dividida,
quero de volta a parte
que você pra bem longe levou...
Música sem melodia
é assim o meu dia
sem alegria.
É impossível bater pela metade o coração...
Silêncio dentro de mim,
onda suave que me acalma,
eco sereno na alma faz,
refúgio eterno, enfim, quero-lhe, amor meu, volta para ter novamente paz.
Palavras se desfazem no ar,
sussurros mudos a dançar,
no peito, uma paz sem fim,
o silêncio reside em mim...
Traz isso de volta pra mim!
Como brisa leve a tocar,
segredos prontos a revelar,
na quietude, encontro a luz,
silêncio que me conduz.
Você de novo aqui do meu lado... a tristeza que se desfaz...
Volta... eu sei que o caminho você sabe... eu sei que você é capaz!

Quando a Voz da Eternidade emudeceu em mim o sussurro da terra, respondi ao Teu chamado; dEle provém toda a minha vida e sustento.

As últimas pesquisas eleitorais criaram em mim certa preocupação e dúvida... Não sei se elejo Lula pela manhã ou à tarde! Tetra!

⁠Mesmo se um milhão de pessoas sorrissem para mim enquanto eu sei que Deus está descontente comigo, eu não estaria feliz.

⁠"Sem mim nada podeis fazer!" absoluta, positivamente nada! Nele todas as coisas vivem e se movem, bem como têm o seu ser; Ele não é somente a verdadeira primeira causa, contendo todo o arcabouço da criação, mas também o princípio interno, sustentador e ativo, na verdade, o único agente no universo. Os espíritos criados necessitam de que Ele lhes comunique uma fagulha da sua natureza ativa e de movimentos próprios. Mas de modo mais especial, "vós nada podeis fazer" de reto, de sábio, de bom, sem a agência direta e imediata da Primeira Causa.

John Wesley
BURTNER, Robert W.; CHILES, Robert E. Coletânea da Teologia de João Wesley. Rio de Janeiro: Editora Metodista, 1960.
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⁠Não sou ninguém, não tenho nada e não posso nada. Pois quando estou vazio de mim mesmo, então sei com certeza que nem amigos, nem inimigos, nem qualquer criatura podem me impedir de ser tomado de toda a plenitude de Deus.

John Wesley
POTTS, J. M. Seleção das cartas de João Wesley. São Bernardo do Campo: Imprensa Metodista, 1991.

Nota: Carta para a mãe (agosto de 1733).

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⁠Temo mais a mim mesmo do que os perigos desse mundo caído e das potestades do mundo tenebroso; por isso ó Deus, rogo-Te que me livre de mim mesmo.

⁠Como que Jesus morreu por mim se eu nem havia nascido?

Cristo, na cruz, pagou o preço de sangue o valor dos nossos pecados; Ele não precisava esperar você nascer para fazer isso, assim como a Lei áurea assinada pela princesa Izabel serviu para os negros ainda não nascidos.

A cruz revela o amor infindável de Deus por mim e o custo extremo de Sua graça para resgatar o meu valor corrompido pelo pecado.

A Escritura não aponta para o poder do eu, mas para a dependência de Deus: ‘sem Mim, nada podeis fazer’.

Se há frutos de justiça, é Cristo operando em mim; se há obras da carne, sou eu me afastando da Videira.

Toda virtude em mim é a graça de Cristo operando; minhas falhas, contudo, decorrem da fragilidade da minha natureza humana.

A lei de causa e efeito diz que todas as coisas equivocadas que eu faço voltarão para mim como benfeitorias e estímulos a que eu continue valorizando tudo o que há de bom na vida.

A melhor parte de mim nasceu do que eu observei quando era criança, depois me encheram de palavras e eu me transformei num robô.

O sedutor ama o mundo. Ao procurar o amor eu descobri a mim mesmo.

O mundo se repete por mim, os números são a essência.

Uno


Deus nos espanta com o passado,
doce e cruel a mim foi arremessado.
A vida guia a minha pena vibrante
para aqui ficar,
sem ir adiante.
Como mil centopéias,
tenho braços que te abraçam,
e tu, minha velha,
meu coração trespassa.
O ouro me tenta.
A carne me suberge.
A vida que é lenta,
da corrida me perde.
Ao não dizer, não digo.
Minh’alma fere quem pouco entende.
Para falar, um perigo,
ao proferir mudo, à toda gente.

O que eu gosto em mim, eu projeto nos outros.

“A Versão de Mim Que Mora nos Olhos de Quem Me Ama”

Existe uma versão de nós que talvez nunca consigamos conhecer completamente.

Ela não mora no espelho.
Não aparece quando nos examinamos em silêncio.
Não se revela nas noites em que contamos nossos erros, nossas perdas e tudo aquilo que ainda não conseguimos ser.

Essa versão mora nos olhos de quem nos ama.

É curioso: passamos a vida inteira dentro de nós mesmos e, ainda assim, talvez sejamos as pessoas menos imparciais para dizer quem somos.

Conhecemos demais as nossas fraquezas.

Sabemos onde escondemos nossos medos, lembramos das palavras que gostaríamos de retirar, das oportunidades que desperdiçamos, das promessas que fizemos a nós mesmos e não cumprimos.

Carregamos os bastidores da própria existência.

Os outros, porém, muitas vezes enxergam o palco.

Enquanto eu me lembro das vezes em que quase desisti, alguém se lembra de que continuei.

Enquanto eu me condeno por ter sentido medo, alguém me considera corajoso justamente porque me viu caminhar apesar dele.

Enquanto eu penso que fiz tão pouco, talvez exista alguém guardando na memória uma palavra minha que chegou exatamente quando precisava.

E talvez seja essa uma das maiores ironias da existência:

somos capazes de transformar a vida de alguém sem perceber que fizemos isso.

Há pessoas que carregam uma versão nossa muito mais bonita do que aquela que carregamos dentro de nós.

Não porque estejam cegas.

O amor verdadeiro não é cegueira.

Talvez seja justamente o contrário.

Amar alguém é enxergar suas imperfeições e, ainda assim, não reduzir essa pessoa a elas.

Nós fazemos isso conosco o tempo inteiro: pegamos um erro e transformamos em identidade.

“Eu fracassei” lentamente se transforma em “eu sou um fracasso”.

“Eu tive medo” transforma-se em “eu sou covarde”.

“Eu não consegui” transforma-se em “eu não sou capaz”.

É assim que a consciência, quando ferida, falsifica nossa própria biografia.

Esquecemos todas as páginas e ficamos relendo justamente aquela em que caímos.

Mas quem nos ama talvez esteja lendo o livro inteiro.

Lembra-se das vezes em que fomos generosos quando ninguém estava olhando.

Das vezes em que permanecemos quando seria mais fácil partir.

Das pequenas bondades que nós mesmos esquecemos.

Das batalhas que vencemos sem comemorar.

Dos dias em que achávamos que estávamos apenas sobrevivendo, mas alguém, olhando de fora, enxergava coragem.

Talvez por isso existam momentos em que precisamos cometer um pequeno ato de humildade:

emprestar os olhos de alguém.

Quando nossa visão estiver turva, quando a tristeza diminuir aquilo que somos, quando a culpa exagerar aquilo que fizemos, talvez seja necessário perguntar silenciosamente:

Como me enxergaria alguém que verdadeiramente me ama?

Não para alimentar o ego.

Não para fugir das nossas responsabilidades.

Mas para recuperar a proporção das coisas.

Porque humildade não significa pensar menos de si.

Significa também não se condenar injustamente.

Às vezes acreditamos que conhecer a nós mesmos significa conhecer nossas sombras.

Mas conhecer-se verdadeiramente é ter coragem de reconhecer também a própria luz.

E essa talvez seja a parte mais difícil.

Aceitamos facilmente quando alguém aponta nossos defeitos, mas desconfiamos quando alguém reconhece nossa beleza.

Talvez porque exista dentro de nós um juiz muito antigo, acostumado a recolher provas contra nós mesmos.

Por isso, quando alguém disser:

“Você é mais forte do que imagina.”

Talvez não seja necessário responder imediatamente:

“Você não me conhece.”

Talvez conheça.

Talvez conheça uma parte sua que você perdeu de vista.

Talvez tenha testemunhado sua coragem justamente nos momentos em que você acreditava estar apenas tentando sobreviver.

Talvez tenha encontrado generosidade em gestos que para você pareciam pequenos.

Talvez enxergue possibilidades onde você só consegue enxergar limites.

Existe uma versão de você vivendo na memória das pessoas que você tocou.

Uma versão feita das palavras que ficaram depois que você foi embora, dos abraços que chegaram na hora certa, das conversas que impediram alguém de desistir, das risadas que tornaram determinado dia suportável.

Você talvez nunca conheça completamente essa pessoa.

Mas ela existe.

E haverá dias em que o espelho não será suficiente.

Dias em que a nossa própria consciência estará coberta pela neblina das decepções, do cansaço ou das culpas.

Nesses dias, talvez não seja fraqueza pedir emprestado o olhar daqueles que nos amam.

Às vezes precisamos enxergar a nós mesmos através de outros olhos até que os nossos voltem a reconhecer quem somos.

Porque talvez exista uma verdade muito simples escondida nisso tudo:

há pessoas que acreditam em nós não porque desconhecem nossas fraquezas, mas porque conheceram algo em nós que nossas fraquezas jamais conseguiram destruir.

E, algumas vezes, acreditar no amor de alguém também significa acreditar que aquilo que essa pessoa enxerga em nós pode ser verdade.