Nao sou a Mulher Perfeita sou eu
Até que fui obrigada a chegar à conclusão de que sou daqueles que rolam pedras durante séculos, e não daqueles para os quais os seixos já vêm prontos, polidos e brancos.
Sou a paz!!!
Visto-me de branco cor da pureza
Busco a luz para fazer-me resplandecer
No teu sorriso amigo quero me estabelecer
Em teu coração intento permanecer!
Sou a Paz...
Tantas vezes violada
Por dias e noites desejada
Em profunda agonia muitas vezes alcançada.
Sou a Paz...
Fazem guerras em meu nome
Matam e acabam com a esperança
Forjam armas para a minha defesa
Arruinam vidas e inundam o planeta de fome e tristeza.
Sou a PAZ
Desejo que me busquem sem descanso
Quero para todos ser o remanso
Aqui nesse plano ser concretizada
Dependo da tua ajuda para ser conquistada!
Wanda Ayala
Sou pior que tua própria sombra, te sigo te persigo, te ataco ao menor vacilo. Sou o consolo das almas atormentadas e atormento as almas sossegadas
Sou Lenda,
porque as lendas são envoltas em Mistérios e Magias.
São uma criação dos caminhos da mente, da vaga imaginação da liberação dos silêncios da alma...
Sou uma espécie estranha e rara, que às vezes se encolhe de medo da vida até quase sumir. Mas, quando resolvo me reerguer, sou capaz de me tornar grande, bem grande... Na verdade, enorme em minha infinda capacidade de auto recomposição.
Sou como uma velha águia, que se esquiva e se esconde... Envergonhada, se isola do mundo á sua volta, esperando pelo fim e prepara-se para morrer. Solitariamente, entra em um processo de auto flagelo, rogando apenas para que ninguém chegue tão perto, a ponto de perceber as suas fragilidades.
Ás vezes, me mutilo emocionalmente e arranco as minhas vontades e expectativas a unha. E, quando penso que já vivi tudo e que vou morrer, brota em meu ser uma força descomunal. Subo ao topo da montanha da vida, levanto voo, e recomeço novamente.
Nasci com a costura torta —
o ponto que falhou
no tear dos bem-nascidos.
Sou o objeto sem função
na prateleira dos vivos:
nem útil como faca,
nem belo como flor.
Nunca fui feito para o brilho fácil,
para os abraços que não doem,
para os dias que se encaixam certos.
Até que Ela chegou.
Não com luz,
não com promessas,
mas com uma presença que não exigia nada, que não pedia luta nem resistências vãs.
Seus dedos traziam o frio
das últimas maçanetas tocadas.
Veio como o óxido vem —
sem pressa, sem aviso,
apenas a certeza
de que tudo que é ferro
um dia lhe pertence.
Se me quiseres triste, sê-lo-ei sem drama.
Se me quiseres calado, darei o silêncio como prece.
Pois és tu, afinal,
a única que não me cobra explicações,
nem julga o vazio que me habita,
nem exige máscaras para ocultar o cansaço.
Não me seduzes com promessas de alívio,
não me ameaças com a eternidade.
És apenas o alívio concreto,
o abraço que não exige
que eu me reconstrua.
Quando Ela abriu os braços,
eu já estava nu de esperanças,
leve de despedidas.
Deitei-me em seu colo de sombra,
e Ela não me pediu
que fingisse ser feliz.
Deitei-me ao seu lado,
como quem enfim encontra onde repousar a dor.
Ela me acolheu sem palavras,
e eu a beijei.
Lábios de fibra de carbono.
Língua de chumbo fundido.
O sabor:
sal de lágrimas não choradas
e o cobre dos últimos
segundos.
O Silêncio Entre Nós
por você
O silêncio me assusta.
Nunca quis ser como sou com você.
Você me fez mudar.
Antes, eu gostava do silêncio.
Quando ouvia vozes,
vinham dores agudas,
agonias escondidas,
principalmente nas tristezas.
Mas quando você chegou,
tudo mudou.
Aprendi a falar com o olhar,
com beijos quentes,
com abraços que diziam mais
do que qualquer palavra.
Entendi, então,
que o amor vai além do desejo.
Amor é prosa.
O amor nos torna patéticos.
O amor é latifúndio.
O amor é divino.
O amor... é para sempre.
Quando não escuto seu amor,
sei que está longe.
E isso... nunca me aconteceu antes.
Sem o som estranho e doce da sua voz,
não sei quem sou.
Mas mesmo com o silêncio entre nós,
sei que você está aqui —
no meu coração,
fazendo barulhos de amor.
Vulnerável
Sou vulnerável, sim —
às bobagens que dançam no ar,
às palavras miúdas que ninguém quis guardar,
a um olhar que escapa, sem querer,
e às ideias que invento sem saber.
Sou feito de brechas e de vento,
de silêncios que gritam por dentro,
de gestos que não se explicam,
de sonhos que se multiplicam.
Basta um riso torto, um suspiro alheio,
e já me desfaço inteiro.
Não é fraqueza, é excesso de sentir,
é viver com o coração sempre a descobrir.
Imagino mundos em cada gesto,
crio histórias onde só há restos,
e me perco — doce e profundo —
no que talvez nem exista neste mundo.
Sou vulnerável, e nisso há beleza:
ser tocado pela leveza,
ser inteiro na incerteza,
ser humano na delicadeza.
REENCONTRAR
Versos soltos pelo vento,
Vago no mar do tempo,
Sou sombra do que já fui,
Em caminhos que desencontro.
Essência evaporada, perdida,
Num caleidoscópio de sonhos,
Colorido que se esvai,
Preciso me reencontrar.
Pintar de novo as manhãs,
Com cores de esperança,
Coração que pulsa vida,
Em harmonia e dança.
Sigo nessa estrada incerta,
Procuro em mim o brilho,
Faço da jornada a meta,
Renascer é meu trilho.
E em cada passo, revivo,
Nas notas de uma canção,
Buscando o que é perdido,
Em eco e ressurreição.
Roberval Pedro Culpi
Sou quem virou, homenageou,
Pra agora tomara, virará.
Sem homenagem, sem ninguém,
Partiu que ninguém viu.
Básico e ocupado, predestinado,
Fuga da manhã amanhã.
Escuro de fim muro,
Mostrou, começou e terminou...
Gosto de dormir até tarde, sou preguiçoso — mas ainda assim, ninguém me supera.
Tudo que você faz, eu também posso fazer.
E se for com dedicação, Fasso mil vezes melhor.
Estude o seu inimigo, porque assim ele não terá outro além de você.
No fim, todos saberão quem ele é:
o reflexo do que nunca conseguiu ser.
Ao longo da vida, descobri que sou uma pessoa independente, mas que ainda assim preciso de alguém ao meu lado.
Poema do solito.
Sou assim, tenho muy pouco,
por sinal, quase nada;
me basta uma payada
num galpão ao anoitecer,
vendo uma estrela se perder,
quase se apagar na coxilha.
Eu, deitado na encilha,
com cheiro do colorado,
o candeeiro enfumaçado,
pendurado no travessão,
que sustenta a velha quincha,
apertada como sincha
na coberta do galpão.
Minha cama é um catre,
pelego é o meu colchão;
e nas noites de invernada
tenho a alma abrigada
e amadrinhada no xergão.
Por vezes, no imaginário,
nessa coisa de solidão,
penso em outros tempos
enquanto sopra o vento,
assoviando no oitão.
Nesse silêncio velado
de campo e alambrado,
quase no fim da pampa,
donde o gaúcho é estampa
que mantém a tradição.
Quis assim o destino:
que eu, paisano e fronteiriço,
índio, guasca mestiço,
fosse guardião destas terras.
A tropilha, o gado que berra,
o tarrã no banhado,
o quero-quero entonado
no ofício de posteiro,
desconfiado do orneiro
que segue barreando o ninho,
pra não terminar sozinho
igual este rude peão.
Não quis china nem cria,
mas me contento solito:
companheiro, o mate, o pito
e o colorado que fiz pra mim.
Enfrenei, domei e, por fim,
vivo nele enfurquilhado.
Às vezes vou ao povoado
ou no bolicho da ramada,
onde se junta a indiada
pra carpeta, algum bichinho…
E o meu pingo, ao relincho,
me espera na madrugada.
Renato Jaguarão
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