Nao sou a Mulher Perfeita sou eu
Se sou sua, é porque me entrego.
Se sou seu, é porque você me acolhe.
E nesse equilíbrio doce de pertencimento, eu te amo sem grades— só com alma.
Me pergunto
Às vezes me pergunto se sou escolha ou consequência,
se minhas paredes foram erguidas por mim
ou levantadas à força pelas mãos que partiram.
Não sei se sou frio (a),
ou se apenas aprendi a não queimar mais por ninguém.
Não sei se gosto do silêncio
ou se ele foi a única resposta quando precisei falar.
Talvez eu não seja forte —
talvez só tenha continuado
porque parar
ninguém percebeu que doía mais.
Entre pedidos não atendidos,
fui virando ausência dentro de mim.
E se no fim eu não for vazio (a),
apenas cheia demais de marcas?
Não feita de falhas,
mas moldada por tudo que sobrevivi.
Talvez eu não seja o que me tornei —
talvez eu seja o que restou
depois que o mundo tentou me quebrar.
"Sou vento forte no calor intenso
Sou chuva fraca em meio ao fervor
Te queria perto mas te tenho longe
Não te ouço a voz mas te sinto amor."
- Pekenah
Arqueiro
Sou arqueiro do silêncio,
aponto flechas de intenção no escuro,
meu arco é feito de espera
e a mira, do que sinto por você.
Tensiono o peito como corda,
respiro fundo antes do disparo—
sei que toda verdade lançada
pode ferir ou libertar.
Minhas flechas não pedem sangue,
buscam o centro do teu medo,
querem pousar no teu coração
sem fazer barulho.
E se eu errar o alvo, tudo bem:
arqueiro também aprende com o vento.
Mas se eu acertar, que seja amor
cravado, definitivo, inteiro.
Sou tudo...
Já fui muito, já fui pouco,
Já fui tudo, já fui nada,
As mudanças são repentinas, as pessoas passam,
No fim, sou tudo sem nada.
Fiel
Fiel a mim,
sou bom em renascer devagar,
ao mesmo tempo que colho os frutos com uma velocidade extrema.
Versões
Hoje sou uma versão minha de muitas entregas com propriedade,
Foram tantas passagens, portais, fantasias e loucuras,
Em quantos lugares pernoitei?
Quantas almas me deixaram entrar?
Foram tantos olhares, tantos sorrisos e imaginar os perfumes e o tato,
Em cada porta aberta fui recebido com paixão e admiração e isso me contaminou podendo ser devolvido no ato em dobro,
Minha inspiração de vida vêm de tantas versões minhas anteriores que me deram aprendizado ao mesmo tempo que me dão um banquete de saudades.
Sim, sou um tanto ruim.
Mas prefiro minha ruindade autêntica
a uma bondade emprestada.
Pelo menos assim,
quando alguém me amar,
saberá exatamente o que está abraçando: um ser intrinsecamente ruim.
Sou a luz e a sombra
O bem e o mal
A união de todas as coisas
O caos e a paz
Sou o infinito de um universo
Finito em sua limitação
Em um mundo de prisões e correntes
Me jogo no mais profundo dos abismos
Para encontrar a libertação
Do caos, renasço em fogo e sangue
Trocando de pele como uma serpente
Mas mesmo que a essência se mantenha
Eu já não sou a mesma
Caminhando na escuridão da noite
Não aceito as algemas do carcereiro
E quando for o momento
Sairei do meu próprio jeito
Com a cabeça erguida
Por jamais ter sido submissa
E muito menos subordinada a todo esse teatro
A essa peça de marionetes mal acabadas.
- Marcela Lobato
Sou barco sem rumo
Sempre a deriva
Pela tempestade de tua vida na minha,
Vento forte, devastador...
Vento das paixões tardias...
Por que de mim então fugías?
A ave alba dos meus sonhos
Deu- me adeus e foi embora
Chuva sempre mansa e constante
Coração derrete, amolece e esvazia
Na busca incessante dessa hegemonia
Na prática da louca fantasia
Que consome e incendeia
Mas que sublima e desfolha
Eterna noite chuvosa..
Que transborda o coração
Sossega essa alma lânguida...
Que a paz somente quer ter.
O Vaso
Sou cercada de aplausos sempre que por ruas alheias passo,
Sou eco quente nas mãos de quem não me conhece, sou sorriso devolvido,
Por todo lado tem olhos que me vestem de encanto como se eu fosse primavera permanente.
Elogiam minha beleza como quem acende fósforos, rápidos, breves, ardem e esquecem-se do frio depois.
Dizem amar-me sem nunca terem atravessado o meu inferno.
Mas em casa, onde o silêncio devia ser abrigo,
Me torno num mero objeto pousado no centro da mesa, um vaso que não escolheu ser decoração.
Todo ele rachado em quedas repetidas, nas mãos de um artista em negação, e o mesmo insiste em colar-me como se remendar fosse amar.
Duzentas vezes quebrada, duzentas vezes inteira por obrigação.
Não por cuidado, não por ternura,
mas porque lhe convém manter-me junto dele.
Ele não me ama,
não pergunta se o mundo me pesa, não escuta o som fino das minhas fissuras.
Importa-lhe apenas que eu ainda sirva, que eu ainda ceda, que eu ainda esteja viva.
E eu,
Exaltada por estranhos, rainha de palmas vazias,
regresso sempre ao palco onde não existo.
Sou multidão fora, e ausência dentro.
Sou escolha para quem não me escolhe, certeza para quem me trata como hipótese.
E no fim de cada aplauso,
quando o som morre e o eco se dispersa, fico eu, inteira só na aparência, a aprender devagar que nenhum vaso nasceu para viver colado.
Escritora: Paula Maureth Adriano Soares
Sou péssimo em recomendar metades.
Apraz-me pretender atingir a inteireza, elevar-me a completude do sentir e bem dizer de sua amplidão.
Almejo postular sua infinitude, como tecelão do tempo que não esta à beira da impermanência do fazer-se.
Às vezes sou um oceano dentro de um copo d'água, transbordando por motivos que ninguém vê.
SerLucia Reflexoes
“Em pensamentos insólitos repousam meus pecados e minha redenção. Sou anjo e demônio, e caminho entre a luz e as trevas, porque assim me convém.”
ELE É IMPLACÁVEL
Se o tempo soubesse
que sou seu amigo
e que conto sempre com ele,
talvez não passasse tão rápido,
nem demorasse.
Se, quando quero algo,
ele corresse apenas para realizar,
e, quando pudesse, estivesse pronto a voltar...
Eu sou amigo do tempo,
mas ele não é meu,
pois está sempre disposto
a me matar.
Se a chuva fosse sempre de verão,
o frio sempre presente no inverno,
e a primavera fosse perfumada
como a mais bela dama...
Se eu pudesse superar o tempo,
sendo forte para não me abalar
e rígido para não permitir o que
não seja bom para mim...
Seria eu escravo do tempo
ou mestre dele?
Seria eu feliz,
ou tudo se tornaria desespero
por tudo que se vai?
Tempo, seja você idêntico,
e eu jamais me curvarei.
Sou amante da natureza! Campos do Jordão e Ilhabela comportam a extensão da minha alma.
Reno Fioraso
"Percebi o quão vazio sou e quão vazio somos, tudo é meramente comparativo para preencher aquilo que sequer compreendemos dentro de nós".
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