Nao sou a Mulher Perfeita sou eu
O que você supõe a meu respeito, não condiz com a verdade.
Pela tua boca, sou o que você quiser, mas na íntegra, até você sabe do meu valor.
Não sou poeta e muito menos compositor.
Um sonho seria, poder compor a mais bela canção de amor e a mais linda poesia.
Sou de demonstrar sentimentos, não consigo ser diferente, meu coração demonstra o que sente, seja puro ou inocente, sempre estarei contente. Loucura seria ter por perto um cara que não demostra o que sente.
Sabe-se bem que sou humilde;
Não me visto de luxo,
não me calço de mentiras,
Não subo o muro de escadas,
Não bebo agua filtrada,
Não preciso de comida fresca,
Sequer ando de carro,
Comigo é tudo no popular
Quem me leva ao meu destino, (pobre destino)
É o expersso canelinha, ou o trem do meu povão.
De Guaianazes a Brás,
é esta minha vida Paulistana,
Que não troco pela vida puritana
Como carne aos montes,
Bebo vinho de 5°
Bato papo com mendigos,
Fumo cigarro barato,
Tudo isso, não por que amo de paixão minha vida comum.
Mas por que, nada me tira o gostinho de ver,
Os cidadãos que fazem minha cidade.
De sentir os Odores de sua Poluição matinal,
De sentir o ventinho do Metro batendo em meu rosto,
Enquanto fecho os olhos para poder senti-los.
De olhar as moças bonitas em grandes quantidades, e qualidades. De participar da vida das pessoas,
como o "homem bonito", o "feio rapaz",
O sujo, ou o limpinho que viram hoje.
Nada me tira o gostinho de ouvir a avó, no trem
falando do neto que nasceu, e é bonito.
Da mãe falando da mãe que se recuperou do acidente,
ou da doença.
Do pai brincando com a filha no colo,
com os olhos brilhantes de felicidade...
De ver os amigos se sorrindo,
num flerte diferente, e interessante.
De sentir o ar condicionado do TREM,
congelando minhas mãos...
De andar pelas ruas de SÃO PAULO,
e ver quem são as Impuras,
desdonzeladas, mulheres da rua...
Que dão os prazeres encubados aos pais de familia,
a tantos solteiros, e pessoas não tão comuns...
Essas que falo eu, que em muitos casos são o alicerce entre os casais, que ja não dormem juntos mais.
Ninguem me impede de viver, sem sentir o cheirinho nos cabelos das mulheres no metro apertadinho.
De sorrir e me sentir bem em dar lugar a uma senhora, a um deficiente, ou de pedir as bolsas das moças bonitas até o destino de um dos Dois.
E poder olhar admirado para tantas belezas.
E de ter minha namoradinha, linda namoradinha.
No descanço do meu colo, e seus lindos cabelos tão negros quanto a propria escuridão.. brilhando...
escorridos, feito macarrão.
O Interessante de tudo isso,
não é a vida mesquinha.
São os prazer que - a vida mesquinha - nos proporciona nesta cidade esquisita, que é a MINHA CIDADE.
Sou um ser forte que chora
Sou um ser carente que se revolta e luta
Sou uma voz calada que não se escuta
não sou fria.
não sou triste.
não sou tantas coisas.
sobre raridade, se deu usufruto e adjetivou rara.
inspirou-se-me para o amor.
deveria ser criativo e usar as suas palavras...
... sem direito algum apropriou-se das minhas, escritas e ditas.
– não ouse escrever o meu ditado de palavras.
(ao seu amor as suas palavras)
não sou pública.
não sou geral.
sou única.
para que fique registrada minha não-tolice em meio a tantas coisas vagas fiz poesia.
e agora que se fez poesia é de todo amor, de qualquer um, para qualquer serventia, ganhou esse valor.
FELINO
Subo no telhado as vezes
Só pra não esquecer que sou gato,
Mio lembranças
Só pra não esquecer que sou criança
Mio meus medos
Mas não conto meus segredos
Tomo banho de lua e de estrelas
Porque tê-las, porque contê-las
É a amplitude de um felino
Mas essa tristeza, essa perda,
Esse desatino é o meu destino
Alguma coisa entre nós aconteceu
Mesmo que não tenha acontecido coisa alguma
Alguma coisa se perdeu nessa lacuna
Reviro telhas, essa centelha ainda periga um incêndio
Não sei de tudo não sou compêndio
Sou só um bicho no teto olhando uma ave no castelo
Contemplando em silencio
O que não é bonito só por ser belo,
É ansioso não por ser aflito,
É sereno e suave não por ser passivo
É perene não por ser perpétuo
Mas por ser completo e extenso
Mil poetas habitam em mim,
Muitos deles vêm das trevas,
Podem ver não tenho estilo,
Sou uma espécie de purgatório
Até os seus dias de juízo...
latifundiário
Não tente entender o que sou
O mar é o mar e quem vai entender
Tanta profundidade, tanta imensidão..
A solidão tem seus próprios motivos
apenas navegue, navegue e assim mistérios
deixarão de ser mistérios...
navegar é preciso o poeta falou,
não tente entender as flores
por mais belas que sejam, os espinhos lá estão
não tente entender o que sou
o tempo é o tempo, a história o provém
o fato é a história feita no tempo
mas tempo eu não tenho
não sou escravo nem senhor de engenho
não tente entender o que sou
o verbo amar no gerúndio
se querer é quintal, amar é latifúndio
não queira entender o que sou
não sou malandro nem otário
sou latifundiário...
AUTOBIOGRAFIA
Uns me chamam de vagabundo...
Outros me chamam de anjo...
Não sou isso nem aquilo
Pelas esquinas do mundo
Eu vivo tocando banjo
Fingindo que estou tranquilo...
as vezes penso que sou triste,
as vezes não penso em nada,
as vezes tenho saudade do que nunca tive,
mas era tudo o que eu tinha
quando eu não tinha nada...
agora nem tenho essa ilusão...
Nessa pele que tu tocas há sentimentos. Não sou essa aparência, mas aquilo que habita essa forma de modo tão profundo que somente a sensibilidade seria capaz de decifrar.
FEIOSO DE BRIO
Queira tudo que trago;
não se faça de lua,
que não sou lago,
só a quero se for
pra ter mais que o perfume;
o fruto e a flor...
Jamais fui abstrasto,
afinal tenho corpo,
não só extrato;
sua voz não me acalma
no discurso profundo
sobre minh´alma...
Nunca mais enalteça
minha musculatura
da cabeça
nem me dê de presente
afirmar que sou belo...
mas "diferente".
CARÊNCIA DE PAI
Quando saio de nós não vejo vida;
sou a duna que o vento varre ao léu;
é um tombo do céu, do sonho bom
que me abriga dos velhos temporais...
Há um caos que me aguarda feito bonde
para onde não sei nem faço caso,
toda vez que as desato e me desprendo
rumo ao nada, no rastro da saudade...
Reconheço a carência deste afeto;
muitas vezes deploro a transparência
que lhes cobra respostas viscerais...
A minh´alma desaba, tem vertigens,
falta fundo, esta queda não tem fim;
quando volto pra mim acaba o mundo...
