Nao quero Viver na Ilusao

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A história julga só os resultados e não os propósitos.

Faço um brinde à ciência: enquanto ela não fizer mal ao povo.

A poesia é algo tão íntimo que não pode ser definida.

É de admirar que um adivinho não ria ao ver outro adivinho.

Ser-se livre não é nada fazer, é ser-se o único árbitro daquilo que se faz ou daquilo que se não faz.

Há duas coisas que não se perdoam entre os partidos políticos: a neutralidade e a apostasia.

Lá onde a identidade individual se apaga, não há nem punição nem recompensa.

Um braço vigoroso não é mais aguerrido contra a lança do que um braço frágil; são o caráter e a coragem que fazem o guerreiro.

Faz-me o favor...

Faz-me o favor de não dizer absolutamente nada!
Supor o que dirá
Tua boca velada
É ouvir-te já.

É ouvir-te melhor
Do que o dirias.
O que és nao vem à flor
Das caras e dos dias.

Tu és melhor -- muito melhor!--
Do que tu. Não digas nada. Sê
Alma do corpo nu
Que do espelho se vê.

Não tenha medo de dar grandes saltos. Você não consegue atravessar um abismo dando dois pulos pequenos.

Honramos a vida quando trabalhamos. O tipo de trabalho não é importante: sua realização é. Todo trabalho alimenta a alma se ele é honesto e feito para o melhor das nossas habilidades e se ele traz alegria aos outros.

Seja amigo ou inimigo, não fale sobre as vidas dos outros homens.

Talvez a juventude seja apenas este
Amar perene dos sentidos e não arrepender-se.

Sandro Penna
PENNA, S., Poesie, Garzanti, 1989

O valor que não tem por fundamento a prudência chama-se temeridade, e as façanhas dos temerários devem atribuir-se mais à sorte do que à coragem.

Ninguém alcança o que não possui de nascença, e o que te é estranho não o podes cobiçar.

Não há pai nem mãe a quem os seus filhos pareçam feios; nos que o são do entendimento ocorre mais vezes esse engano.

A subtileza ainda não é inteligência. Às vezes os tolos e os loucos também são extraordinariamente subtis.

Não prometas mais do que podes oferecer.

O objetivo da oratória considerada isoladamente, não é a verdade, mas a persuasão.

Não há baliza racional para as belas, nem para as horrorosas ilusões, quando o amor as inventa.

Camilo Castelo Branco
BRANCO, C., Amor de Perdição, 1862