Nao quero Viver na Ilusao
“Diziam os argonautas que navegar é preciso, mas que viver não é preciso. Argonautas, nós, da sensibilidade doentia, digamos que sentir é preciso, mas que não é preciso viver”.
(do livro em PDF: Do Livro do Desassossego - Bernardo Soares)
E ele queria
Apenas viver
Embora não tivesse
Medo de sofrer
Porque aprendera
Em Deus crer
Por isso não tinha
Nada a temer
Quando criança
Teve de crescer
Fazendo companhia
Ao alvorecer
Responsabilidade
Teve de ter
Até sua infância
Ele perder
Adulto agora
Teve de ser
Desaprendera então
Em Deus crer
Pois em sua vida
Há de sofrer
E ele queria
Apenas viver
Prefiro a saudade dos momentos que vivi e não mais irão voltar, do que arrepender-me se não os tivesse vivido.
Viver, todos nós vivemos. Mas ser feliz ou não, é consequência da perspicácia e competência de cada um.
Não olhe para trás, jamais se permita olhar para trás. Se você conhece os riscos de ter que reviver o passado, não o permita ser revivido.
Você que é ou está uma pessoa azeda e muitas das vezes asperge palavras ácidas, não faça da vida esse suco amargo, mas extraia dela o doce da sabedoria, porque em meio a esse viver, sempre há um novo aprendizado.
Não viva no "nunca é tarde", mas viva no ainda é tempo, porque infelizmente as vezes é tarde demais pra concertar alguns erros !
Na arte e na cultura não poderia ser diferente. A colonia brasileira só pode perceber o valor e a importância com a aprovação e a indicação clara das metrópoles estrangeiras.
Deus lhe deu inúmeros pequenos dons que ele não usou nem desenvolveu por receio de ser um homem completo e sem pudor.
Queremos errar, pois somos humanos, entretanto não assumimos as consequências advindas desses erros. Pensamos que isso seja viver, pois bem, o autoengano é uma forma de ilusão e sobrevivência.
Escolhas
Porque escolhemos o que somos e não necessariamente o que desejaríamos ser, felizes ou não, insatisfeitos ou resignados, inquietos, buscando incessantemente explicações para o que nos cerca, ou na condição de viver intensamente o hoje, aqui e agora, pouco importando o que e porque fazemos?
Nada em nossas vidas é por acaso, temos muito a aprender diariamente com o que pensamos saber, com nossos familiares, com companheiros de trabalho ou completos desconhecidos.
Ao admitirmos, a cada novo saber sobre nós mesmos, que não sabemos quase nada, ampliamos nossas possibilidades de melhor entender o que nos cerca.
Herdamos de nossos pais, além do conteúdo genético, alguns modelos de comportamento que, na maioria das vezes, inconscientemente, teimamos em repetir, especialmente quando sabemos que não deu certo para eles e nós, protagonistas ou espectadores, ainda pouco dimensionávamos do que estava em curso.
Conhecer mais sobre nossos pais e antepassados é uma rica oportunidade de crescimento e aprendizado, valorizando-os, entendendo suas limitações à época em que viveram, quando nos propiciaram ou não as supostas e desejáveis "boas condições" de vida, dentre elas, educação, moradia, interesse ou indiferença pelo que passávamos e até os excessos no rigor quando no trato, às vezes com palmadas e sermões.
Quantos de nós nutrimos pelos pais um misto de amor e ódio por questões mal resolvidas ou não compreendidas?
Reverenciar, detestar ou sermos indiferentes aos nossos antepassados, seja em sua sabedoria e experiência, seja em sua quase ignorância, pode se tornar menos doloroso se, e só se, com outro olhar.
Importante ao admitir seus erros e acertos, permitir-lhes o benefício da dúvida, porque agiram daquela maneira?
O que os levou a serem infelizes, com ou sem sucesso na vida material, e porque eram tão distantes e indiferentes?
A cada geração podemos aprender com o passado, num contínuo processo de mais conhecer, nos propiciando romper com círculos viciosos de ações que por vezes levam ao sofrimento e à dor, para um círculo virtuoso de atentar para o ontem, entendê-lo, desconstruí-lo e construir para nossas vidas, familiares e amigos uma nova história.
Se optarmos por uma condição de vítimas, condenadas à infelicidade, não nos permitiremos experimentar outras escolhas que podem mudar para melhor nossas vidas.
Passado, presente e futuro, somos uma soma de fragmentos, resultados de nossas opções ao longo desse e de outros tempos.
Construir a nossa biografia é, pois, uma sequência de opções a exigir algum sacrifício e perseverança, com acertos e erros, afinal somos seres falíveis, mas com o tempo necessário para mudar, um pouquinho a cada dia, a cada mês e ano, até a nossa finitude de apenas mais uma vida e uma nova oportunidade que Deus nos concede.
O tempo está passando e eu não tenho muito tempo. Vejo as pessoas trabalhando em empresas dos sonhos, tendo carros, se casando e tendo filhos, eu simplesmente não consigo me encaixar nesse perfil de gente desinteressante. Não consigo viver sob essa ideia de ter um destino pré-determinado, de ter que fazer o que a sociedade em si espera. Preciso ter a coragem de pegar meus sonhos engavetados e torná-los reais, tenho a necessidade de fugir de tudo que é padronizado pelos fiscais de "SUA VIDA TEM QUE SER ASSIM E ASSADO E É ASSIM E PRONTO". Tenho a obrigação comigo mesmo de sempre manter essa enorme interrogação na minha vida, essa roda de novas experiencias. Até porque toda vida é pouca diante dessa grande loucura que é VIVER.
