Nao posso te Ajudar
Todo dia é uma luta. Do nada, bate aquela saudade… e o pior é saber que nem um ‘oi’ posso dar. No fim, viramos isso: estranhos que já se conheceram demais.
Você é como uma droga e, nesse lado sombrio e repleto de desejos, sei que posso estar arriscando uma viagem ao inferno. No entanto, todo viciado deve ter a liberdade de escolher como deseja morrer.
Escrevo agora a minha liberdade enquanto saio do poço. Sim, posso senti-la me chamando, sussurrando bem aqui no meu ouvido. Já sinto sua presença. Sim, finalmente posso voar. Adeus, noites insones; bem-vindo, aroma fresco da liberdade. Posso ouvi-la claramente me dizendo que este é o momento certo para partir. E é exatamente por isso que, sim, eu sinto que agora posso voar livre como uma ave.
Ei moço, ao invés
de dizer eu te amo...
Seja atrevido e pergunte,
o que posso fazer para te amar melhor...
eu sei que nada posso falar
desesperadamente
inconsequentemente
na impossibilidade de um dia te amar
só quero um sorriso seu, um abraço quente e eterno, mesmo sem a magia de sua tentadora e louca nostalgia.
Uma constatação que posso verificar, para meu próprio pesar, a cada instante: somente são felizes aqueles que não pensam – ou, dito de outra forma –, aqueles que pensam apenas o estrito necessário para viver. O verdadeiro pensamento se parece com um demônio que atormenta as fontes da vida, ou antes, com uma doença que afeta as sua próprias raízes. Pensar o tempo todo, colocar-se problemas capitais a cada instante e experimentar uma dúvida permanente quanto ao seu destino; estar cansado de viver, esgotado por seus próprios pensamentos e por sua própria existência para além de todo limite; deixar atrás de si um rastro de sangue e fumaça como um símbolo do drama e da morte do seu ser – isto tudo é ser infeliz a ponto de que o problema do pensar dê ânsias de vômito e a reflexão apareça como uma danação.
Tenho me afogado em vinhos baratos, para esquecer a dor da solidão, posso ter todas as coisas, só não posso perder a mim, pudera um dia em clara noite fria, andar sem rumo, pensando em nada e tudo, com lágrimas quentes e salgadas marcando meu rosto que já desistira de acreditar.
Posso eu, ser desse mundo? Onde o certo é disfarçar, no sorriso dolorido todos os cacos de vidros mordidos na força do maxilar ansioso?
Quando escrevo posso sentir, um alívio cerebral, eu consigo sentir um conforto na alma. É como se escrever fosse um calmante para o corpo e mente.
