Nao posso te Ajudar
Quando alguém espera de mim toda insanidade contida no grito que posso dar sem pensar, abaixo o pano para o meu silêncio e encolho-me dentro dele para ouvir outras palavras.
Ah! O meu amor por você. O que posso dizer? É bonito; é! E como é. É brisa, vento mansinho, que chega devagarinho e acaricia a face virgem que dispensa qualquer lágrima que não seja cúmplice do teu sorriso. Pois tudo é leve! Céu azul, alaranjado, tudo encanta. Acha-se criança numa cantiga de ninar. Encosta-se no peito, suspira, ri manso, fechando os olhinhos gradualmente pra sonhar. Pra quê? Se a realidade já é doce que desmancha na boca ainda mais doce pelo gloss de melancia. Que tu, somente tu, sejas meu amor, minha flor, meu afago em que me afogo e ainda vivo, respiro, fundo, o mundo de coisas belas, singelas, amadas, queridas por toda estação. Que nós, quase que sós, sussurremos carinhos como que canções em dias de verão precipitado, e fixemos esse amor por tempo indefinido.
Se quer que eu fale com fantasmas, enganou-se, mas se preciso for, posso perguntar ao Padre Quevedo se ele tem tempo disponível para isso.
Sonhos... O que é real, ou ilusório?
Diante deste dilema arrisco dizer que é tudo o que posso entender, ou dar a entender.
Sem pré-conceitos acerca desse emaranhado de pensamentos que na verdade não faz sentido algum, cujo produto final é a essência de seu percurso. Em meio a tanta complexidade que se tem, o difícil é apenas a falsa cognição que temos. Dotada de um ângulo diferente, entre tantas e possíveis percepções, a lei geral dos signos, do imaginável ou to tangível me vem a explicar uma coisa, a vontade de ser e se fazer representar.
"Eu, um ser tão simples, ainda posso me dar ao luxo de dizer que eu... Tenho inimigos, sim, os tenho, mas garanto a todos... Eles não estão no poder"
Celebro o cheiro de café recém-coado, que me faz perceber que posso distinguir os deferentes aromas que surgirão ao longo do dia. Celebro o olhar ainda sonolento de meu companheiro porque vendo-o sei que muitos olhares se cruzarão aos meus e me farão ver presenças junto a mim. Celebro o prrim do telefone, pois me dá a certeza de ouvir vozes amigas e familiares. Celebro o ato de abrir as janelas, testemunho de poder avistar o céu e imaginar que será um belo dia. Celebro o meu vagar lento pelas ruas onde ao cruzar com pessoas desconhecidas tenho a oportunidade de me igualar a elas numa ciranda feliz. Celebro o findar do dia como se fosse o final de meus poemas de amor, reacendendo os momentos de alegria e minimizando os que me trouxeram dor.
A morte de Bento Rodrigues
O que eu posso fazer é um poema,
Já que o meu dilema
Ninguém vai escutar.
A lama lambeu Mariana
E numa atitude insana
Passou também a vomitar.
Ficou tudo dejetado
Que até o meu compadre
Veio a se afogar...
Pobre de Bento Rodrigues
Que morreu soterrado
Na Barragem do Fundão.
O culpado, segundo atestado
Foi um tal de Samarco
Que fazia a exploração...
Agora ficou complicado
Pois até em Espírito Santo
Essa lama chegou.
Tudo foi contaminado
Pelo pior dos pecados
Que é a ganância
Desse povo explorador.
Leandro Flores
BH, 09/11/2015
*Em solidariedade as vítimas no desastre ambiental em Mariana-MG.
Fico muito feliz por dar, sempre que posso, uma gorjeta generosa. Entendo que essa gratificação espontânea que pouco me custa, pode ter enorme importância na vida daquele que a recebe...
Sou apenas um pequeno floco de neve, que com outros milhões formam a neve. Posso ser irrelevante, mas ao menos faço parte de algo maior.
Como eu posso votar na Dilma, se a Cerveja de garrafa no ano de 2000 custava em media R$ 1 e o salario mínimo era de R$ 151. Eu comprava 151 garrafas de cerveja. Hoje a cerveja é em média R$ 7 e o salario mínimo é de R$ 724, só compro hj 103 garrafas. Roubaram 48 garrafas de cerveja minhas nesses 12 anos. Fora PT
SAUDADE
Hoje já encontro em meu peito um pequeno aperto
Ele dói e nada posso fazer
Mesmo antes que eu pudesse impedir a sua entrada
Ela entrou sem permissão
Fez morada em meu pequeno coração
Agora, o que me resta é olhar
No caderno de recordações
Ali conter minhas lágrimas
E encontrar entre umas e outras lembranças
Uma saudade derradeira
Quando revivo esses momentos
Sinto o passado voltar
Nele me infiltro
Assim me consolo
De repente as lágrimas rolam
Molham meu rosto
Não dá para conter o sentimento
As mãos trêmulas
Reclamam a sua ausência
A saudade se faz grande
Que não posso conter em escrever
Estas linhas para você
