Nao me Peca pra te Esquecer
O que mais espanta num homem
não é a sua franca erudição, a sua extraordinária capacidade de aprimorar-se cada vez mais — mas,
a sua insistência emcomportar-se como um ser inferior e, sobretudo, indiferente àquilo
que sabe!
Um opressor
não seria tão poderoso e devastador
sem a cumplicidade deum expressivo contingente de pessoas
supostamente
oprimidas!
Ninguém foge de si mesmo,sentenciam
os 'deuses da razão', uma vez que não haverá qualquer melhoria ou acréscimo de valores
à nossa interioridade como espíritos que
dispense ou supere nosso
protagonismo!
Se não muda o mundo,é porque nós, homens,
até aqui nos mostramos pouco interessados em sua natureza inspiradora, originado tão singulares oportunidades de aperfeiçoamento ao nosso
espírito — antes, porém, entregues aos
seusrasospretextos e vícios!
Quando os 'deuses da razão'
tramam nos punir,
eles atendem nossas preces!
Não com aquilo que desejamos,
mas com aquilo que
precisamos!
O objetivo da vida
não é ser feliz; é ser útil!
Na verdade, é essa percepção de utilidade que nos permite
ser permanentemente
felizes!
Entre concordar ou discordar; crer ou não crer, mais salutar o argumento. Sobretudo porque, sem um justo argumento, também não encontraremos qualquer razão para
crer ou não crer, concordar ou discordar!
Ter consciência do divino,
não significa dobrar joelhos a qualquer
personagem ou doutrina...
Mas continuamente revestir-se
de consistentes saberes - dos graciosos
hálitos da prudência - que
nos mantenham de pé
e caminhando!
“A Parte de Mim Que Ninguém Domou”.
Há coisas que não aprendemos. Nascem conosco.
Correm no sangue, misturam-se à água que bebemos, escondem-se em algum lugar profundo onde ninguém consegue chegar para nos dizer quem devemos ser.
Tentaram me ensinar a caber.
A diminuir meus sonhos, moderar meus excessos, domesticar minhas vontades. Disseram que amar também era ceder, que viver ao lado de alguém exigia abandonar algumas partes de nós pelo caminho.
E talvez seja verdade.
Mas ninguém deveria precisar desaparecer para permanecer.
Durante muito tempo, encontrei abrigo onde acreditava estar protegido do mundo. Ali, entre certezas aparentemente indestrutíveis, pensei que pudesse descansar. Pensei que finalmente havia encontrado um lugar onde minha alma não precisaria pedir para existir.
Eu tinha uma mente selvagem.
E gostava dela assim.
Gostava daquela parte de mim que ainda sabia se espantar, que atravessava madrugadas imaginando futuros impossíveis, que acreditava que algumas pessoas poderiam caminhar juntas sem transformar o amor numa gaiola.
Mas o tempo tem uma maneira silenciosa de revelar aquilo que o coração insiste em esconder.
Um dia, acordei na beira de alguma coisa.
Você dormia tranquilamente.
Eu, não.
Você parecia ter todas as respostas.
Eu carregava perguntas demais.
Foi então que compreendi que duas pessoas podem dividir a mesma cama e estar vivendo em mundos completamente diferentes.
Podemos esconder aquilo que não queremos que ninguém descubra.
Podemos fechar as janelas para não ouvir o barulho da rua.
Podemos recolher os pedaços quebrados, colocá-los dentro de uma taça bonita e brindar como se nada tivesse acontecido.
E podemos chamar isso de amor.
Se quisermos.
Mas existe uma pergunta que nenhuma palavra consegue silenciar:
quando foi que amar passou a significar deixar de ser quem éramos?
Talvez o amor verdadeiro não seja aquele que nos doma.
Talvez seja justamente aquele diante do qual podemos permanecer indomáveis e imperfeitos, intensos, inquietos, inteiros.
Porque eu realmente acreditava em um amor sem fim.
Acreditava que nós dois acreditávamos.
E talvez seja essa a parte mais dolorosa de todas:
não descobrir que o amor terminou,
mas descobrir que, enquanto eu ainda acreditava no infinito,
você já havia encontrado o fim.
Às vezes, a vida nos leva por direções que não planejamos, e o silêncio acaba virando rotina. Mas existem sentimentos que o tempo não apaga, e o que eu sinto por você é um deles.
Hoje, entendo que cansei de guardar esse amor apenas como uma lembrança distante. Durante muito tempo, eu não soube dar o passo certo, não soube lutar pelo que eu sonhava e acabei aceitando que seguíssemos caminhos diferentes. Mas a verdade nua e crua é que, mesmo quando eu parecia ausente, você nunca saiu do meu pensamento. Olho para trás e vejo o quanto o tempo passou, mas o meu sentimento permaneceu intacto, como se estivesse esperando por um sinal.
Eu sei que hoje sua vida tomou outro rumo e que existe outra pessoa ao seu lado. Respeito o seu momento e o seu espaço, de verdade. Mas não consegui mais sufocar essa esperança que ainda pulsa aqui dentro. A gente tenta seguir, tenta esquecer, mas o coração insiste em me questionar: será que aquele amor que você sentiu por mim foi verdadeiro? Ou será que ele nunca existiu da forma que eu guardei aqui? Essa dúvida é o que mais dói, porque, para mim, o que vivemos foi único e insubstituível.
Peço desculpas se minhas palavras te pegarem de surpresa ou causarem qualquer desconforto, mas eu precisava desabafar. Guardar tudo isso estava me sufocando. Quero apenas que você saiba que eu nunca te esqueci.
E, mais do que isso, quero que saiba que, se um dia você se sentir cansada, esgotada ou sentir que está carregando o peso do mundo sozinha nas costas, em algum lugar desse horizonte existe alguém pensando em você. Alguém que nunca te tirou da cabeça e que, silenciosamente, sempre te amou e te cuidou em pensamento.
Sempre estarei aqui, torcendo pela sua felicidade, mesmo que de longe. Mas saiba que meu coração continua pronto e meus braços abertos, caso um dia você decida olhar para trás e redescobrir o que deixamos pelo caminho.
Sua dor é a minha dor. Mesmo longe de você, eu sinto você. Não estou te vendo, mas há coisas que você está passando que eu sinto... porque o nosso laço não depende dos olhos para ver, ele já aprendeu a respirar no escuro do silêncio.
A Geografia da Perdição
“Eu não me perdi, mas experimentei a perdição.”
(Clarice Lispector)
Talvez exista uma distância imensa entre perder-se e conhecer a perdição. Quem se perde já não sabe para onde vai. Quem experimenta a perdição, porém, pode saber exatamente onde está e, mesmo assim, caminhar por territórios onde a razão aconselharia não entrar.
Viver também pode ser isso: chegar perto do abismo sem fazer dele morada. Conhecer a noite sem desistir da manhã. Provar o gosto amargo de certas escolhas e compreender, muito depois, que algumas cicatrizes não anunciam derrota; apenas testemunham que atravessamos lugares difíceis e conseguimos regressar.
Existem lugares dentro de nós onde não deveríamos morar.
Às vezes damos voz aos nossos medos, oferecemos cadeira às dúvidas e permitimos que determinadas tristezas permaneçam além do necessário. Há dias em que a esperança parece apenas uma palavra inventada para tornar a existência suportável. E, ainda assim, alguma coisa permanece acesa.
Por isso, talvez a frase seja tão poderosa:
Eu não me perdi.
Experimentei a perdição.
Há uma estranha sabedoria nisso. Quem conheceu suficientemente a escuridão talvez compreenda que a luz não serve apenas para iluminar o caminho ela também nos chama de volta.
A vida não exige que atravessemos o mundo intactos. Talvez exija apenas que, depois de cada tempestade, ainda sejamos capazes de reconhecer o nosso próprio nome.
Porque existem viagens das quais regressamos diferentes.
Há quedas que nos ensinam a dimensão da altura.
Há silêncios que nos devolvem a voz.
E existem perdições que, paradoxalmente, acabam revelando um caminho.
Eu não me perdi.
Apenas fui longe o bastante para descobrir onde, dentro de mim, ainda morava a vontade de voltar.
Existem amores que não pertencem ao tempo comum; pertencem à eternidade. O nosso amor foi exatamente assim: uma paixão visceral, forte e inesquecível, daquelas que marcam a alma para sempre. Quando estávamos juntos, o mundo parecia fazer sentido. Mas a vida, com suas curvas e ironias, nos separou. Os anos passaram rápido, transformaram-se em mais de uma década, e você foi levada para uma nova realidade. Você mudou de sobrenome, construiu um novo lar e passou a dividir os seus dias com outra pessoa.No entanto, o vazio que a sua ausência deixou nunca foi preenchido. Pelo contrário, ele começou a queimar no meu peito de forma insuportável. Eu não conseguia mais carregar esse sentimento em segredo. Por isso, deixei o orgulho de lado e procurei você. Abri o meu coração por inteiro e confessei a mais pura verdade: o tempo não apagou absolutamente nada. Você nunca saiu da minha mente. Eu posso tentar seguir em frente, posso conhecer outras mulheres e sorrir para novos caminhos, mas a verdade é que nenhuma outra pessoa conseguirá ocupar o seu lugar. Tudo o que vier depois de você será apenas uma tentativa pálida de preencher um espaço que tem o formato exato do seu sorriso. Você sempre será o meu único e verdadeiro amor.Nossa história poderia ter parado por ali, mas há um drama que me persegue todas as noites e rasga a minha alma: a imagem do seu casamento. Eu vi a foto daquele dia. No momento em que você deveria ser a noiva mais feliz do mundo, vestida de branco e caminhando para o altar, os seus olhos transmitiam uma tristeza profunda. Você não parecia alguém indo ao encontro da felicidade; parecia uma alma condenada, caminhando em silêncio em direção ao próprio matadouro. Aquele olhar de sofrimento e aquele pedido mudo de socorro acabaram comigo. Onde estava o brilho que nós dois conhecíamos? Por que aceitar aquele casamento se o seu rosto gritava que você queria estar em outro lugar?Tomado por essa angústia, eu quebrei as regras e te fiz essa pergunta. Implorei por uma resposta, por qualquer explicação que acalmasse a tempestade no meu peito. Mas, em vez de palavras, você me entregou o vazio. Você escolheu o silêncio absoluto. Há mais de 14 anos eu carrego essa dúvida comigo. Esse seu silêncio se tornou a resposta mais dolorosa e inesquecível de todas: a história de um amor que nunca morreu, onde eu fui condenado a te amar na incerteza, e você seguiu adiante guardando o segredo do que fomos.
Quem chora por amor não demonstra fraqueza, mas sim a coragem de ter se entregado por inteiro a um sentimento grande demais para caber no coração.
