Nao me Peca pra te Esquecer
Tentei abrir a porta
de um mundo que não era o meu,
forcei a fechadura com a alma,
achei que ali morava o céu.
Entrei descalço, com fé,
achei que era amor,
mas lá dentro não tinha meu nome,
só tinha esplendor que não era pra mim.
Foi tudo ilusão,
um filme lindo que eu criei sozinho.
Eu e você...
dois caminhos bonitos,
mas que nunca se cruzam no fim.
Cada um com seu destino já traçado,
e eu aqui,
aprendendo a fechar portas
que nunca deveriam ter sido abertas.
Saul Beleza
Essas noites de insônia,
não são à toa.
É a cama grande demais
pro meu corpo sozinho.
Esses dias longos,
não é o relógio.
É o tempo que não passa
quando você não tá.
Essa saudade que machuca,
não é drama meu.
É o peito sentindo
o espaço que era seu.
Essa vontade de querer sonhar,
é porque acordado
eu não te tenho mais.
Isso tudo se explica,
nem precisa de muito:
é falta de você.
Só falta de você.
(*Saul Beleza*)
Eu não digo "o amor chegou".
Eu digo:
o MEU amor chegou.
Estou aqui,
olha pra mim,
meu amor.
Não é qualquer amor,
é o meu,
feito do seu jeito,
com seu nome,
com seu cheiro.
Chegou e ficou aqui,
na porta do seu coração,
esperando você abrir.
(*Saul Beleza*)
Não sou um macho na essência da palavra.
Sou tua cia,
alguém que só quer estar contigo,
teu companheiro de sofá,
de riso bobo,
de silêncio bom.
De pescaria, sem pegar nada, de coceira de carrapatos, de coçar tuas costas em altas horas.
Macho eu serei
só na intimidade
que não nos faz mal.
Naquela que nos faz bem,
que nos cuida,
que nos acolhe.
Lá eu sou teu,
inteiro.
Saul Beleza
— Posso dormir aí?
— Melhor não.
Vamos nos ofender,
vamos nos ferir sem querer,
e eu não tô afim disso.
Não agora,
não assim.
A gente tem afeto demais
pra se machucar de bobeira.
Não podemos ser assim,
tão perto a ponto de doer,
tão longe a ponto de fazer falta.
Saul Beleza
Pela primeira vez eu disse não a ela.
Foi difícil,
foi dolorido,
minha voz tremeu,
meu peito doeu.
Mas eu disse.
E depois do não,
eu não morri.
Descobri que posso lutar em igualdade,
que meu não também tem valor,
que meu limite também é amor.
Pela primeira vez,
eu me escolhi.
Saul Beleza
" Cada pessoa é um mundo"
Eu vejo,
você vê.
Eu sinto,
você sente.
Mas não somos iguais,
somos diferentes.
Faço uma escolha,
você toma uma decisão.
Reflito sobre mim,
você reflete — ou não.
Você é um mundo,
eu sou mudo.
Faça acontecer
o que aconteceu.
Há uma razão
para cada solução.
Há um exemplo
para cada explicação.
Há pensamentos
para todos os pensadores.
A depressão começa pelo não, que em vão passa pelo tempo e mesmo assim, enfim não tem fim e nem volta a ser sim, parece ser no exato momento o fim de algo que não se lembra bem como foi o começo mas arde em tropeços nos becos escuros e tenebrosos bem dentro mim.
Não se nasce patriota, torna se os nascidos em todos os lugares por amor ao lugar, que chama de seu.
Dormir juntos, acordar juntos e comer o conjunto, um pedacinho de cada vez, tudo junto, como se não tivesse hora no mundo, só um paraíso a dois livre, solto e profundo.
O nosso sonho não tem hora certa para começar mas uma vez começado, daí não tem hora certa, mesmo para acabar.
Os sonhos quanto mais impossíveis, nos parecem verdadeiramente muito felizes.
Conhece a ti mesmo já dizia Sócrates e eu prossigo se não for possível espelha se nas vidas dos outros.
Tenho muito medo de tudo que faz, eu perder meu tempo e não tornar este tempo em que vivo, um lugar mais digno, colorido, justo, feliz e com amor.
Todo mundo um dia passa por um sentimento, uma reflexão ou uma sensação que não sabemos explicar. Relaxe, respire fundo, pegue tintas e comece a criar coloridamente o que sente. A arte que fazemos instintivamente, pergunta e responde a maior parte de nossas dificuldades camufladas com a maior exatidão.
Os pigmentos são os caracteres da vida, quentes e frios, claros e escuros. A clara de ovo não tão aquosa é a gema da criação. O pincel o vigor impetuoso do artista diante a sagrada exata conjunção e concepção entre uma em um milhão de possibilidades mas que unicamente fecunda e pelo milagre da vida em nove atos nasce uma nova obra de arte.
A arte, a educação e a cultura abrange tudo e quem não pensa assim, não passa de um fazedor e mascate de imagens.
Cabe sempre ao governo federal como poder central diminuir as diferenças e não destaca las para que lado for.
"Eu nunca quis, não quero e nunca serei seu amigo"
Eu transito.
Entre países,
fronteiras,
bairros,
cidades,
entre uma fumaça e outra,
entre amores que chegam
e amores que viram saudade.
Sou homem de passagem,
de mala, de rua, de miragem,
de beijo que acende a noite
e de adeus que muda a paisagem.
Acendo um cigarro
no Hard Rock Café de Santa Cruz de la Sierra
e, por alguns minutos,
me sinto como um deus.
Não porque conquistei alguém,
mas porque ninguém me pertence
e eu não pertenço a ninguém.
Em Letícia, na Colômbia,
danço cumbia amazônica
entre mulheres, fumaça e madrugada,
e descubro, mais uma vez,
que há coisas que acabam
sem jamais terem sido fracassadas.
Pedalo por São Paulo
e sou imbatível.
A cidade passa por mim,
os carros passam por mim,
as pessoas passam por mim,
e eu continuo.
Acendo um cigarro diante da Fundação Mario Benedetti
e a poesia me satisfaz.
Porque aprendi alguma coisa
sobre o amor,
sobre a vida
e sobre essa estranha mania humana
de chamar de definitivo
aquilo que nasceu transitório.
Eu sou rei na arte de transitar.
Sei chegar.
Sei partir.
Sei encontrar pessoas.
Sei reconhecer seus rostos anos depois
e fingir que o tempo não fez seu trabalho.
Grande parte das mulheres que conheci
dividiu comigo uma cama.
Hoje,
muitas são estranhas.
E tudo bem.
Não transformo o passado em mentira
só porque ele passou.
Houve amor.
Houve desejo.
Houve pele,
risada,
cigarro,
madrugada,
promessa que parecia eterna
até a manhã seguinte provar o contrário.
E depois?
Depois, seguimos.
Distintos.
Como duas gotas de água.
É assim que a vida me ensinou.
Eu não preciso possuir o que amei
para admitir que amei.
Não preciso voltar
para reconhecer que estive lá.
Não preciso transformar uma mulher que foi amor
em amiga
só para fingir que alguma coisa permaneceu.
E é aqui que você entra.
Porque eu nunca quis ser seu amigo.
Não naquela noite.
Não depois daquele beijo.
Não quando deitei ao seu lado.
Não quando imaginei você ao meu lado
para além de uma noite,
de um bar,
de uma cidade,
de uma estação.
Eu queria você.
Não sua amizade.
E eu não vou cometer agora
a covardia elegante
de chamar de amizade
aquilo que um dia chamei de amor.
Eu já tenho amigos.
Tenho muitos.
Tenho amigos suficientes
para encher uma mesa de bar.
Não me faz falta
mais uma cadeira.
Estou acostumado à solidão.
A solidão nunca me assustou.
Já atravessei fronteiras sozinho.
Já atravessei cidades sozinho.
Já atravessei países sozinho.
Já atravessei amores sozinho.
E sobrevivi.
Então não me ofereça
o prêmio de consolação.
Eu não quero.
O amor é arrogante.
Tão arrogante
que prefere perder
a fingir que ganhou.
Ele não aceita sobras.
Não aceita redução.
Não aceita que aquilo que desejou inteiro
seja apresentado depois
em pequenas porções
com o nome bonito de amizade.
Eu não quero a sua amizade
como quem recebe uma medalha
por ter perdido a guerra.
Prefiro a derrota limpa.
Prefiro a ausência verdadeira.
Prefiro que você passe por mim
num bar
acompanhada ou desacompanhada,
com alguém segurando sua mão
ou segurando apenas o próprio copo.
Já não me importa.
Você pode me cumprimentar.
Pode não cumprimentar.
Pode sorrir.
Pode seguir reto.
Pode estar com outro homem,
com outro amor,
com outra vida.
Nada disso me abala.
Porque o que me importa agora
não é ter você.
É não mentir sobre você.
Eu quis sua boca.
Quis sua presença.
Quis você ao meu lado.
E não vou fingir
que queria apenas uma amizade
porque foi isso que restou.
Não.
Te ganhar ou te perder.
Mas sem engano.
Sempre sem engano.
Porque a maior vitória
não é possuir aquilo que se deseja.
A maior vitória
é não se possuir pela mentira.
É poder perder alguém
sem perder a própria verdade.
Então vá.
Atravesse a rua.
Atravesse a cidade.
Atravesse a fronteira.
Faça da sua vida
o que quiser.
Eu farei da minha
o que sempre fiz:
transitarei.
Com meu cigarro.
Minha bicicleta.
Minha poesia.
Meus bares.
Minhas cidades.
Minhas mulheres.
Minha solidão.
E essa estranha capacidade
de amar profundamente
sem precisar transformar
todo amor perdido
em amizade.
Porque algumas pessoas
não foram feitas para permanecer.
Foram feitas para passar.
E algumas histórias
não precisam de amizade
depois do fim.
Precisam apenas
de honestidade.
Por isso,
se algum dia você me encontrar
naquela mesa de bar,
não procure uma cadeira vazia para mim.
Eu já aprendi a sentar sozinho.
E se quiser me chamar de amigo,
não.
Eu nunca quis.
Não quero.
E nunca serei.
Porque entre te perder
e me enganar,
eu escolho perder.
Entre a sua amizade
e a minha verdade,
eu escolho a verdade.
Entre ter você pela metade
e não ter você de jeito nenhum,
eu escolho o vazio.
Porque o vazio passa.
A mentira fica.
E eu,
que sou tão acostumado a partir,
não tenho medo de partir de você.
Tenho medo apenas
de permanecer
onde nunca quis estar.
Te ganhar ou te perder.
Mas sem engano.
Essa é a vitória.
Vou fazer um rango aqui...
Não vai ser um banquete,
sem toalha de linho,
sem taça cara.
Mas vai ter cheiro de casa,
panela chiando,
arroz soltinho.
Será o suficiente
para que eu me sinta um rei.
Rei do meu cantinho,
do meu prato simples,
da minha paz.
(*Saul Beleza*)
O perdão e a compaixão que não atenua as dores de retorno no meu inimigo, fere e queima a fogo no meu coração.
