Nao me Peca pra te Esquecer
Entrelinhas
Ela diz que não gosta quando escrevo sobre ela.
Diz com a voz firme,
mas com os olhos curiosos.
É curioso isso:
quem não quer ser verso
não pergunta se é poema.
Ela passa por perto quando escrevo,
finge desatenção,
mas desacelera o passo.
Não lê,
mas tenta.
Não pergunta,
mas espera.
Existe nela um desejo discreto
de se reconhecer nas entrelinhas,
de descobrir se o segredo mora em alguma metáfora, se o nome dela cabe em sinônimos,
se o amor sabe se esconder.
Meus segredos ela conhece.
Não os detalhes,
mas a essência.
Sabe que quando escrevo sobre o vento,
é o jeito dela passar.
Quando falo de calma,
é o silêncio que ela deixa.
Quando escrevo sobre amor,
é porque não sei escrever outra coisa
que não seja ela.
Ela diz que não gosta,
mas pergunta.
Diz que não quer,
mas procura.
Diz que não lê,
mas sente.
E talvez amar seja isso:
respeitar o limite que a boca impõe
e continuar falando com o coração.
Se ela se reconhecer,
não foi porque escrevi sobre ela.
Foi porque ela sempre esteve
em tudo que eu escrevo.
“Se tudo o que você ofereceu não foi suficiente,
ofereça sua ausência.”
Se o seu amor não foi percebido,
se o seu cuidado virou costume,
se a sua presença deixou de ser encontro
e passou a ser apenas conveniência,
vá.
Não como quem castiga.
Não como quem deseja vingança.
Mas como quem finalmente compreendeu
que também merece ser escolhido.
Você ofereceu tempo,
e tempo é pedaço de vida.
Ofereceu colo,
quando o mundo do outro desabava.
Ofereceu silêncio,
quando nenhuma palavra poderia curar.
Ofereceu perdão,
até para feridas
que jamais deveria ter recebido.
E ainda assim,
não foi suficiente.
Então não ofereça mais.
Há momentos em que permanecer
é uma forma silenciosa
de abandonar a si mesmo.
E nenhum amor merece
que você desapareça de si
para continuar existindo
na vida de alguém.
Por isso, vá.
Leve consigo aquilo
que o outro não soube reconhecer:
a sua delicadeza,
a sua lealdade,
a sua maneira inteira de amar.
Talvez somente no vazio
a sua presença seja finalmente percebida.
Talvez seja no silêncio da casa,
na cadeira vazia,
na mensagem que não chega,
no telefone que não toca,
que alguém descubra
o tamanho daquilo que tinha.
Mas não vá esperando que sintam sua falta.
Vá porque você finalmente
sentiu falta de si mesmo.
Porque chega um momento
em que o último presente
que podemos oferecer a quem
não soube cuidar da nossa presença
é exatamente este:
a nossa ausência.
O Que Falta aos Nossos Olhos e Sobra à Nossa Vida
Há coisas na vida de que não gostamos, mas que precisamos fazer: realizar certos exames, limpar a sujeira do nosso animal, cuidar de um adulto doente ou dar banho em um idoso. Nesses momentos, reclamar muda alguma coisa? Não. Apenas gasta energia que poderia ser usada para agir.
O problema começa quando a reclamação deixa de ser uma reação e passa a ser um hábito. Aos poucos, acostumamo-nos a enxergar primeiro o que falta, o que incomoda e o que está errado. E, quando olhamos a vida por essa lente, até pequenos problemas parecem enormes.
Como bem disse minha filhinha Beatriz: “Talvez valha a pena ressaltar o quanto as pessoas reclamam de tudo, e quase ninguém vê o quão ricas já são. Ter saúde, poder escolher o que comer, ter uma cama, ter pais que nos amam e ao menos um amigo com quem contar já é algo tão grande que não faz sentido reclamarmos tanto.”
E ela continua: “Às vezes, lamentamos o emprego que não temos, o corpo que gostaríamos de ter ou aquilo que ainda não conseguimos comprar, enquanto esquecemos de agradecer pelos olhos que contemplam a natureza, pelas pernas que nos levam a tantos lugares, pela boca que experimenta novos sabores e, principalmente, pela vida que ainda temos. Podemos ter muito, mesmo tendo pouco. Basta aprender a perceber.”
Talvez esteja aí uma das grandes escolhas da vida: olhar para o que falta ou perceber o que já temos.
A reclamação fixa os olhos no problema; a gratidão amplia o olhar para a vida. Se algo precisa ser mudado, que busquemos soluções. Se a insatisfação for inevitável, que saibamos expressá-la sem transformá-la em um modo de viver.
No caminho, aprendi que reclamar não encurta a distância, não diminui a subida e não torna a caminhada mais leve. Mas a gratidão muda a maneira como caminhamos.
Por isso, antes de reclamar daquilo que falta, talvez devêssemos agradecer por aquilo que permanece.
Afinal, pode haver alguém, em algum lugar, desejando exatamente a vida que hoje temos.
Peregrino Nino Carneiro
A violência não desaparece porque foi proibida; ela diminui quando suas causas deixam de encontrar espaço para crescer.
A eficiência da polícia não se mede apenas pelo número de prisões, mas pelo número de vidas que deixou de ser necessário salvar depois.
Segurança pública não é a suspensão dos direitos em nome da paz; é a proteção dos direitos que torna a paz legítima.
Segurança pública não é o Estado protegendo-se do cidadão; é o Estado protegendo o cidadão da violência.
O Suave Ritmo da Persistência
Persistir não significa correr sem parar ou carregar o mundo nas costas com desespero. A verdadeira persistência é mansa: é a decisão silenciosa de dar mais um passo, por menor que ele seja, logo após um dia de cansaço. A desistência sempre nos oferece um caminho que parece mais fácil e sem esforço, mas ela também apaga a nossa luz e estaciona a nossa alma. Quando as forças parecerem poucas, não desista; apenas diminua o passo, respire fundo e confie que o Criador renova as energias de quem escolhe continuar caminhando no bem.
Deixe sua estrela brilhar e não ligue para invejosos, pois quem tem luz se destaca na escuridão, mas sempre atrai alguns insetos.
A igreja é igual um hospital, todos que procuram estão doentes, mas muitos não se curam; Também existem aqueles que não querem ser curados e dizem que não precisam se consultar com o médico.
A vida não é justa! Não espere satisfação plena em nada; Os que aproveitam demais, desperdiçam tempo e dinheiro.Os que só trabalham lamentam que não aproveitaram nada.
Um milhão de lâmpadas não tem valor para um cego, assim como a ignorância não enxerga a luz da sabedoria.
