Nao me Importo com o que Pensam a meu Respeito

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Ou é dor ou é alegria, meu coração não aceita o vácuo.


Sonia Solange da Silveira
Ssolsevilha
Poetisa do cerrado

Faço eu mesmo o meu caminho. Não culpo ninguém pela minha falta de sorte. Afinal, a morte não é o fim de tudo.

“Meu berço de nascimento é o mundo. A ignorância foi quem criou fronteiras. Não cultivo falsos patriotismos.”

"O que guardo no meu íntimo não são bons pensamentos. Verbalizo e materializo apenas aquilo que fará o outro nunca me esquecer."

"Para quem não me compreende: 'Não há dinheiro que valha a minha privacidade, o meu sossego, a minha paz!"

Quimera Cinza

Dizem que o mundo nasceu em sete cores.

O meu esqueceu uma.

Não a mais bonita. Não a mais rara. Apenas aquela que fazia todas as outras parecerem vivas.

Desde então, tudo aqui existe em tons de cinza. O céu não ameaça chuva, ameaça permanência. As árvores não morrem; apenas desaprendem a crescer. As pessoas sorriem como quem assina um recibo.

Passei anos acreditando que algum caminhão estava atrasado.

Um simples lápis de cor.

Deveria chegar em qualquer manhã, descarregado por alguém distraído, e bastaria um risco torto sobre o papel da realidade para que tudo finalmente lembrasse que era primavera em algum lugar.

Mas os dias passavam.

E toda entrega vinha sem o pacote que importava.

Comecei a desconfiar que o atraso não era da estrada.

Era do próprio universo.

Então continuei andando.

Porque também me disseram outra coisa: existia um caracol. Um único. Em algum lugar impossível de encontrar. E quem tocasse sua concha deixaria de carregar o próprio peso. Não morreria do corpo primeiro. Morreria da espera. Como uma vela que finalmente entende que foi feita para apagar.

Passei a procurar o caracol.

Em cidades cheias demais para perceber o silêncio.

Em pessoas que juravam possuir mapas.

Em espelhos.

Principalmente nos espelhos.

Às vezes eu achava que estava perto. Via um brilho úmido no concreto, diminuía o passo, prendia a respiração…

Era apenas chuva.

Outras vezes confundia rastros com destino.

O curioso sobre perseguir uma quimera é que ela nunca precisa correr.

Você faz todo o trabalho por ela.

Enquanto isso, a tinta cinza continuava secando sobre tudo.

Descobri que o cérebro inventa cores quando passa tempo suficiente olhando para a ausência delas. Chama isso de esperança. Um defeito elegante da percepção. A mesma ilusão que faz marinheiros enxergarem terra antes da costa existir.

Talvez seja por isso que eu ainda acordava.

Não porque acreditasse.

Mas porque a imaginação sempre chega alguns segundos antes do desespero.

No fim, encontrei um velho caderno.

Folheei página por página procurando aquele lápis perdido.

Não havia espaço vazio onde ele deveria estar.

Nem marcas de que alguém o tivesse roubado.

Apenas uma observação escrita numa caligrafia que parecia ser minha, embora eu não lembrasse de tê-la feito:

“Você não está esperando uma entrega atrasada.

Está esperando uma lembrança de algo que nunca foi fabricado.”

Foi quando entendi.

O lápis não estava preso em alguma estrada.

Não havia caminhão.

Não havia fábrica.

Não havia catálogo.

Assim como o caracol.

Passei a vida procurando uma saída desenhada por alguém que jamais existiu.

E talvez seja essa a crueldade mais sofisticada do mundo:

não é que algumas pessoas morram sem encontrar o caracol.

É que certas almas sobrevivem para sempre porque perseguem uma criatura que o universo nunca teve a intenção de criar.

A cidade continuou cinza.

Eu também.

Mas agora já não olho para o horizonte esperando uma entrega.

Apenas caminho.

Como quem finalmente percebeu que algumas ausências não são atrasos.

São a arquitetura inteira do lugar.

Minha menina, não chore , não fique triste, apenas se apoie no meu peito e descansse seus pensamentos.

⁠Tático Móvel
PapaMike

Oh, Senhor, meu Deus
Que em nosso peito não nos falte a coragem
Que em nossos braços não nos falte a força
Que nossas mãos sejam hábeis na batalha
Que a guerra não afaste a bondade dos nossos corações
Que a justiça e a honra sejam conselheiras do nosso juízo
E que cada cidadão mineiro saiba
Que a águia está altiva e vigilante
Zelando pelo sono daqueles que praticam o bem

Somos tático móvel
Somos tático móvel

Do tático sou fanático, frio como ártico
Certeza de matemático que o mal não avança
O crime fica estático, frente os dogmáticos
Doutrinadas no fogo, somos a ponta da lança

Tenta, mas não alcança nosso peso na balança
É feito de carcaça que não cansa os pulmões
Se faltar gás nas ações respiramos perseverança
Fisicamente mutações, o homem evolução

Darwinismo, criacionismo, erraram na previsão
Pois a ascensão humana são militares do TM
Homens indiferentes a dor, ao medo e a compaixão
Se tromba na escuridão, quem deve até treme


Aqueles que causam dor a fala é com pontapés
Cão pastor sou caçador, clamor desses fieis
Que pedem pelo amor de Deus um protetor sagaz
E Deus mandou direto do céu o tático de Minas Gerais

Zelando pelo sono de quem pratica o bem
De S10 acelerado na curva a mais de cem
Com armamento pesadão, semblante de ignorante
Postura de táticão, sempre altivo e vigilante

No convés da S10 abro mar feito moisés
Bato bota uso os pés com a tropa incursionada
Os (mérreis) dos cartéis são papeis de infiéis
Acham ser ramsés, mas minha fé é inabalada

Tropa centrada com caráter tradição BRP
Se for na mão é karatê, jiu-jítsu contra a praga
O crime é uma doença quem soluciona tem o brevê
Tupi maré, pra tripanosoma-cruzi, sou Carlos Chaga

De uzi estão os cabras da peste, lampiões
Eis que surgi na mata o que mata guerrilheiros
Mais venenosos que escorpiões são os monstrões
Em formações de motorista, comandante e patrulheiro

Três guerreiros o necessário pra barrar o avanço
Do inimigo, correm perigo ao trombar com a viatura
De seres destemidos, desenvolvidos sem descanso
Com ouvidos aguçados e olhos cheios de bravura

Contra o tráfico eu sou mais neurótico
Rústico, sistemático, contra o mundo caótico
Combato os narcóticos, sou fanático
Contra os sintéticos, eu sou tipo ácido

Cibernético, biônico, sou águia de aço
Genética de um taticano se define pelo braço
Traço plano, causo danos para boca, sou Listerine
Não passo pano pra quem está jogando em outro time

Zelando pelo sono de quem pratica o bem
De S10 acelerado na curva a mais de cem
Com armamento pesadão, semblante de ignorante
Postura de taticão, sempre altivo e vigilante.

Olho o mundo com lentes que não são minhas,
e chamo de meu o que ecoa do outro,
como quem tece, no fio imaginário,
uma pele compartilhada.

A vida, meu amigo, não é um problema a ser resolvido com uma equação ou estrutura, mas uma realidade a ser testemunhada.

"Mesmo se o chão tremer e a gente se magoar,


o meu amor por você não sabe como terminar.


Não quero encerrar a história, nem dizer adeus,


porque o meu lugar mais bonito ainda é ao lado dos seus."

Não trabalho para ser o melhor do mundo, trabalho para ser a melhor solução para o meu cliente hoje.

Não terceirizo meu destino a um Deus que tem o mundo inteiro para socorrer.
Prefiro eu mesmo governar meus planos existenciais; afinal, em um planeta devastado por flagelos e injustiças, o privilégio individual de esperar o amanhã de braços cruzados é uma afronta ao sofrimento alheio.⁠

Meu coração não aceita recurso.

Meu silêncio não é dor, é maturidade escolhendo paz.

⁠Não confunda meu silêncio com fraqueza. Às vezes a maior resposta é assistir de camarote quem tropeçou na própria arrogância.

Posso não chorar mais com as lágrimas mas meu corpo chora; ao senti-lo pesado quando tento resistir ao choro de lágrimas.

LIVROS DE INFÂNCIA

Eia em marcha meu Rocinante,
Vamos em busca de sonhos, vamos avante,
Não tenho tempo para bobagens ou inimigos,
Apenas quero viver e cuidar dos amigos,

Daqueles que me cativaram,
Isto o príncipe me ensinou,
Em nossas viagens,
Ou navegando rios com perigos,
Com Huckleberry Finn,
Ou em visitas as princesas de nossos sonhos,
São muitas aventuras e estórias sem fim,
Tempos felizes e risonhos.

Ah! Branca, Cinderela e Rapunzel,
Cachinhos e minha pequena Sereia,
Brincávamos debaixo do sol com nuvens por véu,
Construindo castelos de areia,
Sonhando acordados,
Dormindo felizes e inocentes,
Sem especiais cuidados.

Aventuras mil com Simbad, João e Maria e o Gato de Botas,
Protegidos pelo Soldadinho de chumbo, em todas as rotas,
Abrigados na casa de tijolos e fazendo guerra de travesseiros,
Fomos na meninice grandes felizes e arteiros.¹
As vezes enfrentando vilões,
Como em Ali Babá e os quarenta ladrões
Em outras ficamos no meio,
Da vida do patinho feio,
Ouvimos a resposta do espelho,
Corremos com Chapeuzinho Vermelho,

E o medo do Saci, da Mula e do Caipora,
Do Curupira, da Cuca e outros bichos,
Que enfrentamos em duelos,
Dentro e fora do Sítio do Pica-pau Amarelo,
Ah! Seu Bento,
Por sua causa e de outros,
Tive muito passatempo.

Agora saímos desse cenário,
Pra trás ficam sonhos, feiticeiras e leões
Ficam também armários,
Assim como imaginações.
Ai que saudades eu tenho...²

Meu segredo não habita na equação do átomo, mas no instante em que a decifra; pois até o próprio tempo curva-se diante das linhas invisíveis que moldam o inevitável.
Reno Fioraso

Não desisti de tudo. Nem deixei para trás meu sonho. Apenas, dei uma pausa para fazer o que era necessário.