Nao me faz Andar pra Tras e nem Ficar Parado

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A morte não é um tormento, é o fim de um tormento.

Havia o escuro
mas eu não sabia onde;
teu rosto era sol.

O cientista não traz nada de novo. Só inventa o que tem utilidade. O artista descobre o que é inútil. Traz o novo.

Ser marido é um emprego a tempo inteiro. É por isso que tantos maridos fracassam: não conseguem dedicar a isso toda a sua atenção.

O homem não pode fazer-se sem sofrer, pois é ao mesmo tempo o mármore o escultor.

Caso não ponha fim à guerra, esta não será uma vitória.

Um crítico é alguém que conhece a estrada mas não sabe conduzir.

Não há progresso se este não surgir através das dúvidas.

Não falar para o seu século é falar com surdos.

Se ofenderes o teu vizinho, é melhor não o fazeres pela metade.

Não há livro tão mau que não tenha algo de bom.

Quando presto algum serviço a um amigo ou lhe zelo os interesses, não há motivo para que me louvem; pois creio que apenas pratiquei um ato indigno de censura.

Não se pode chamar leitura a essa tremenda quantidade de tempo que se perde com os jornais.

O homem honrado não morre nunca.

O exagero é sempre a exageração de algo que não o é.

Ao planearmos para a posteridade, deveríamos lembrar-nos de que a virtude não é hereditária.

Não julgue um homem pelas suas opiniões e sim pelo que ele se tornou em virtude delas.

Fica provado que uma inovação não é necessária quando se torna demasiado difícil implementá-la.

A sabedoria é geralmente reputada como pobre, porque não se podem ver os seus tesouros.

Canção de Primavera

Eu, dar flor, já não dou. Mas vós, ó flores,
Pois que Maio chegou,
Revesti-o de clâmides de cores!
Que eu, dar, flor, já não dou.

Eu, cantar, já não canto. Mas vós, aves,
Acordai desse azul, calado há tanto,
As infinitas naves!
Que eu, cantar, já não canto.

Eu, Invernos e Outonos recalcados
Regelaram meu ser neste arrepio…
Aquece tu, ó sol, jardins e prados!
Que eu, é de mim o frio.

Eu, Maio, já não tenho. Mas tu, Maio,
Vem com tua paixão,
Prostrar a terra em cálido desmaio!
Que eu, ter Maio, já não.

Que eu, dar flor, já não dou; cantar, não canto;
Ter sol, não tenho; e amar…
Mas, se não amo,
Como é que, Maio em flor, te chamo tanto,
E não por mim assim te chamo?

José Régio
Filho do Homem