Nao Magoe um Alguem
Renovando a Esperança...
A esperança não é um desejo vago. É uma força poderosa que acende a determinação nascida da adversidade. Acredite que cada passo, por menor que seja, o aproxima de seus objetivos.
Encontrar uma lacuna não significa encontrar um negócio. Uma oportunidade só se torna negócio quando pode ser transformada em valor de forma repetível e sustentável.
Evolução não é aumentar indefinidamente a força de um sistema, mas descobrir quanto dessa força jamais precisaria ter sido utilizada. A verdadeira eficiência começa quando inteligência substitui esforço.
A medicina não é a solução para o Bozo! Seria mais eficaz a presença de um padre! Para exorcizá-lo ou dar-lhe a extrema unção.
O atleta tem menos saúde que o cachaceiro? Por isso bebo! O mito não passa de um playboy mimado, chorão e covarde! Herói de tolos!
Não existe palavra para definir uma mãe que perde um filho. Porque nenhuma palavra foi criada para explicar uma dor que não deveria existir.
O revolucionário é um homem condenado antecipadamente. Ele não deve ter relações românticas, nem coisas ou seres amados. Ele deveria despojar-se até de seu nome. Nele, tudo deve concentrar-se em uma única paixão: a revolução.
A juventude é apenas ansiedade. Igualmente quando você não consegue esperar um açúcar derreter no café.
Quero dizer-te coisas,
mas tu e eu sabemos que
as palavras não passam de um fluxo de ar complicado.
Só o silêncio diz a verdade.
“Todos os caminhos levam ao lar.”
Verdade, mas não em um sentido linear, não como um meio para um fim.
O lar não é um destino encontrado no limiar do tempo.
A verdade é o reconhecimento sem caminhos do que é.
Não apenas um reconhecimento, mas simplesmente as gargalhadas existenciais que surgem quando a busca desmorona o sujeito buscador e o caminho se aniquila.
“Todos os caminhos levam a lugar nenhum” tem um tom melhor de verdade.
A maioria dos ensinamentos espirituais objetiva a verdade que o deixa preso na dualidade sutil de sujeito/objeto.
A mente o ama, pois é diviso em sua própria natureza.
Tudo o que ela faz é conceituar o absoluto.
Ele evoca um assunto de um acontecimento contínuo e diz
"este sou eu,
o resto não é"
como pegar uma onda do oceano ... fofo, mas impossível na realidade.
A maioria dos ensinamentos lança a ilusão de um caminho que obscurece o verdadeiro olhar do supremo e o deixa engolido pela inquietação envolvente da linearidade - a imitação da chegada.
E mais cedo cada caminho que você trilhar será deixado abandonado,
mais frequentemente julgado por tê-lo enganado.
Você então atesta seu caminho recém-descoberto.
"Esse é o novo caminho. Eu encontrei o caminho."
Então, por que ensinar?
não ensine.
Simplesmente compartilhe o que mexe com sua alma, humildemente.
Minha descrição favorita de um verdadeiro professor é transmitida pelas palavras de Laozi
“ele/ela ensina sem um ensinamento, para que as pessoas não tenham nada a aprender”
A verdade não precisa de caminho nem de ponteiro.
É o dedo e a lua, pois nunca houve distância entre sua existência aparente.
A verdade se manifesta em todas as coisas.
Mesmo objetos inanimados tentam nos revelar Deus.
Para saborear a verdade irrevogavelmente,
todos os caminhos ou a ilusão deles devem desaparecer,
toda conceituação deve ser abandonada,
... incluindo o mito do "eu".
Existe realmente um caminho certo
Houve um tempo em que ele acreditava que pisaria num foguete. Não porque gostasse de ciência. Porque toda criança precisa inventar um céu onde a vida pareça valer a pena. O foguete nunca foi um veículo. Era uma mentira bonita. Daquelas que se contam para não perceber cedo demais que o mundo costuma distribuir mais boletos do que milagres.
Depois vieram os quarenta.
A idade em que o espelho deixa de fazer gentilezas.
Ali ficou claro que nenhum foguete pisaria o quintal daquela casa. Restou o café frio, os bares de luz amarela, algumas mulheres que passaram como chuva de verão e amigos que aprenderam a sorrir para fotografias enquanto enterravam silenciosamente a própria fome de existir. Ele ainda procurava alguma coisa. Não sabia o nome. Chamava de sentido porque qualquer palavra menor pareceria covardia.
Agora vieram os sessenta e dois.
A essa altura, não dói apenas o corpo. Doem as expectativas que sobreviveram tempo demais.
Os dias se parecem com copos vazios esperando por uma bebida que nunca chega. Não é exatamente tristeza. É um cansaço antigo. Um animal velho dormindo no peito.
Às vezes, observa uma folha cair da árvore.
E sente um impulso ridículo de colocá-la de volta no galho.
Como quem pudesse devolver um casamento ao começo, uma amizade ao primeiro abraço, um pai à juventude, um amor ao instante em que ainda não conhecia a despedida.
Mas folhas não voltam.
Nem pessoas.
Nem o tempo.
Todo mundo merece um dia melhor, pensa ele. O problema é que ninguém ensina o caminho. Ensinam a produzir, competir, acumular, parecer feliz. Nunca a existir.
Durante muitos anos procurou sua rainha da beleza.
Não a mulher das revistas.
Essa morre quando a maquiagem encontra a primeira lágrima.
A rainha que procurava tinha outra anatomia. Beleza sentimental. Inteligência que abraça sem tocar. Capacidade de permanecer em silêncio sem transformar o silêncio em distância. Uma mulher cuja alma não estivesse à venda por curtidas, status ou conveniências.
Ainda procura.
Talvez ela também esteja perdida em algum balcão de bar, fingindo que o gelo do copo basta para resfriar a solidão.
Olha para antigos amigos.
Todos parecem brilhar.
Casas maiores.
Carros melhores.
Viagens.
Sorrisos impecáveis.
Mas ele já não acredita tanto na luz.
Aprendeu que existe um sol artificial iluminando a terra da normalização.
Lá, o verbo ser foi lentamente assassinado pelo verbo ter.
As pessoas compram identidades em prestações.
Vendem a própria autenticidade em troca de aprovação.
Sorriem como quem cumpre expediente.
Abraçam como quem assina um contrato.
A empatia virou artigo de luxo.
A delicadeza, uma excentricidade.
A verdade, inconveniente.
Talvez seja por isso que se sinta preso numa bolha.
De um lado, o mundo do faz de conta.
Do outro, um mundo real que quase ninguém parece querer habitar.
Nesse lugar antigo, os valores ainda tinham peso. A palavra ainda valia mais que uma assinatura. O afeto não precisava produzir conteúdo. A dor podia existir sem virar espetáculo.
Talvez o erro nunca tenha sido do mundo.
Talvez tenha sido nascer acreditando que honestidade seria suficiente.
Ainda assim, todas as manhãs ele acende um cigarro imaginário para conversar com as próprias ruínas. Serve um copo como quem brinda aos mortos, aos amores que não vieram, aos sonhos que explodiram antes da decolagem.
E continua vivo.
Não porque espere um foguete.
Nem porque a felicidade esteja logo ali na esquina.
Continua vivo porque existe uma estranha dignidade em permanecer inteiro quando tudo ao redor insiste em ensinar a arte de apodrecer por dentro.
Talvez seja isso envelhecer.
Descobrir que o mundo nunca prometeu salvação.
E, mesmo assim, recusar-se a chamar de vida essa enorme coleção de sorrisos emprestados
Continuar
Há um tipo de cansaço que não aparece nos olhos. Ele mora entre uma tragada e outra, entre o café frio e a louça esquecida na pia. É o cansaço de quem acorda todos os dias e percebe que o mundo continua exigindo o mesmo espetáculo de entusiasmo, quando por dentro só restou o silêncio.
A morte deixa de ser um monstro. Torna-se apenas uma vizinha discreta. Você sabe que ela existe. Ela sabe que você existe. Mas nenhum dos dois bate à porta.
O problema nunca foi morrer.
O problema sempre foi continuar.
Continuar pagando contas. Continuar respondendo "está tudo bem" para pessoas que não esperam uma resposta verdadeira. Continuar alimentando relógios, calendários e compromissos enquanto alguma parte de você resolveu abandonar o navio há muito tempo.
É curioso como a sobrevivência deixa de ser um instinto e passa a ser uma disciplina. Respirar vira uma decisão. Levantar da cama vira uma pequena rebelião contra o vazio. O coração bate sem pedir licença, como um velho motor teimoso que se recusa a desligar, mesmo depois de percorrer estradas demais.
Há quem chame isso de esperança.
Eu não.
Esperança é um luxo. O que sobra é insistência. Uma insistência quase vulgar. Um cigarro aceso, um gato dormindo no sofá, o gosto amargo do uísque barato, uma música tocando baixo enquanto a madrugada faz o que sempre fez: lembrar que ninguém escapa de si mesmo.
Talvez a luta nunca termine da forma que imaginamos. Talvez ela apenas fique mais leve em alguns dias e mais pesada em outros. Talvez o segredo não seja vencer, mas atravessar.
Porque existe uma estranha dignidade em permanecer de pé quando já não há aplausos, quando ninguém percebe o esforço gigantesco necessário para simplesmente colocar um pé diante do outro.
No fim, a coragem raramente grita.
Ela apenas respira.
E, por mais absurdo que pareça, às vezes isso basta para sobreviver a mais uma noite.
O sujeito da mesa ao lado bebia como quem carregava um funeral dentro do peito.
Não havia enterro algum.
Só um ego grande demais para caber na cadeira.
Batia o copo no balcão com força suficiente para avisar ao mundo que sofria. Achava que o silêncio do bar era respeito.
Não era.
Era apenas gente ocupada demais tentando sobreviver para desperdiçar atenção com a tragédia particular de um desconhecido.
Pedi outro uísque.
A garçonete nem olhou para mim.
Nem para ele.
Estava cansada.
Os pés doíam.
O aluguel venceria na segunda-feira.
Mas aquele sujeito sairia dali convencido de que a indiferença dela era mais um capítulo da sua epopeia sentimental.
As pessoas têm um talento extraordinário para transformar o universo em um espelho.
Se chove, é contra elas.
Se alguém vai embora, é por causa delas.
Se um estranho não sorri, já imaginam um julgamento.
Se a mulher demora a responder, escrevem um romance inteiro antes do café esfriar.
Nunca lhes ocorre a hipótese mais ofensiva de todas:
Talvez ninguém esteja pensando nelas.
É engraçado.
Ele acreditava ser o protagonista.
Mal conseguia um papel de figurante.
Olhei para as mãos dele.
Tremiam um pouco.
Não pelo álcool.
Pelo medo.
O medo de descobrir que sua dor era comum.
Nenhuma dor gosta de ser chamada de comum.
A cidade inteira estava cheia de homens iguais.
Sentados em bares diferentes, convencidos de que eram a obra-prima da própria desgraça.
O mundo, porém, nunca teve vocação para plateia.
Continuou girando com a indiferença impecável de quem jamais prometeu assistir ao espetáculo.
Sorri.
Não dele.
De mim.
Porque, anos antes, eu também fazia discursos silenciosos para um copo de uísque, esperando que o teto, a fumaça ou qualquer divindade escondida no mofo do bar confirmasse que o universo tinha uma implicância particular comigo.
Demorei muito para descobrir a verdade.
O universo nunca soube meu nome.
E isso, estranhamente, foi um alívio.
O pior é que aquele homem nem podia ser culpado por completo.
Nem eu.
Você não escolhe nascer.
Não escolhe quem lhe ensina o medo.
Não escolhe a primeira humilhação.
Não escolhe o cérebro que insiste em acordá-lo às três da manhã para reabrir feridas antigas.
Nem escolhe o corpo que, um dia, começa a enferrujar sem pedir licença.
Recebemos tudo isso como quem herda uma casa velha.
Telhado furado.
Canos estourados.
Paredes rachadas.
E uma conta que nunca fecha.
Depois batizamos a herança de "eu".
Como se tivesse sido construída pelas nossas próprias mãos.
Que piada.
Boa parte do que chamamos personalidade é apenas a cicatriz tentando convencer a pele de que nasceu desenho.
O homem terminou a bebida.
Vestiu o casaco.
Foi embora acreditando que aquela noite havia sido escrita especialmente para ele.
A noite não percebeu sua partida.
Nem o bar.
Nem a lua.
Nem os carros.
Apenas a cadeira vazia permaneceu onde sempre esteve, esperando outro infeliz disposto a acreditar que o mundo acompanha seus pensamentos.
Acendi um cigarro.
O gosto era horrível.
Como sempre.
Continuei fumando.
Algumas coisas não melhoram.
Você apenas se acostuma.
Foi então que compreendi por que envelhecer cansa tanto.
Não é o peso dos anos.
É o esforço ridículo de sustentar um personagem chamado "eu", quando a vida inteira está ocupada demais para aplaudir a atuação.
Ainda assim, amanhã eu acordaria.
Pagaria contas.
Escreveria alguma coisa.
Talvez amasse alguém.
Talvez errasse de novo.
Porque a única maneira decente de atravessar este desastre é cuidar da própria vida como se tudo dependesse de nós...
...e aceitar, entre um gole e outro, que quase nada depende.
Penso em você como penso em Deus,
às vezes, porém um pouco.
Porque não quero atrapalhar Deus.
E você eu não quero pensar muito
pra não te puxar de volta,
porque quando a gente pensa muito em alguém
o pensamento chama,
encosta,
move as coisas de lugar.
Tem gente que volta pelo sentimento,
outras pela saudade.
Você eu acho que voltaria pelo pensamento.
Então eu evito.
Às vezes ocupo a cabeça com rua,
ônibus, fumaça, moedas estrangeiras,
vitrines acesas em esquina vazia,
gente passando sem saber meu nome,
celular no bolso vibrando sem importância,
barulho de cidade que não espera resposta,
noite que não pede explicação,
qualquer coisa que faça o meu pensamento
não aprender novamente o caminho até você
E é isso, vou parar por aqui,
vou até escrever sobre trajeto, fronteira,
ou qualquer outra coisa que não me remeta a você
pra não me contradizer de novo —
como quem risca o próprio mapa
pra não reconhecer a estrada.
Vamos manter essa fronteira invisível,
ainda que estejamos tão perto e tão longe ao mesmo tempo —
como duas margens do mesmo silêncio
que nunca se encostam, mas se reconhecem de longe.
Você em cima no céu,
eu embaixo no inferno,
(um inferno que não é de Dante,
só de quem aprendeu a nomear distância como lugar)
A inspeção escolar não é apenas fiscalização; é um elo de apoio que orienta caminhos, garante a legalidade e zela pela qualidade do ensino na rotina das instituições."
O meu auge não é um lugar onde eu chego. É o fogo que me consome e me reconstrói todos os dias. Eu não busco a perfeição do agora; eu sou a fúria constante de quem se recusa a caber no próprio passado.
Eu não pedi que você ficasse.
Há um momento exato em que o amor deixa de ser tragédia
e passa a ser apenas clima.
Como garoa em roupa esquecida no varal.
Como cheiro de cigarro preso no banco de um carro antigo.
Como aquela dor de cabeça que já não preocupa ninguém
porque aprendeu a morar no corpo.
Você arrumava as coisas lentamente
e eu pensei, com uma serenidade quase ofensiva:
ela finalmente cansou de mim.
Não de mim inteiro —
isso seria grandioso demais —
mas desse homem pela metade
que chega do hospital cheirando antisséptico e cidade,
que fala de literatura latino-americana
como quem tenta salvar alguma dignidade do mundo,
que coleciona moedas estrangeiras
porque nunca conseguiu pertencer completamente ao próprio país.
Escorei no Renault noventa e um.
O carro estalava baixo, esfriando o motor,
como um animal velho respirando durante o sono.
Acendi um tabaco ruim.
Misturei mate uruguaio no fumo.
Não por boemia.
Nem estética.
Por superstição.
Alguns homens rezam.
Outros adulteram o cigarro.
Você passou por mim sem dizer nada
e eu gostei disso.
As grandes despedidas são profundamente constrangedoras.
Ninguém deveria transformar amor falido em espetáculo.
Pensei em Manuel Bandeira olhando janela de pensão barata.
Pensei em Benedetti entendendo tarde demais
que Montevidéu sempre foi uma maneira elegante de sofrer.
Pensei em Clarice,
naquela coisa terrível dela de perceber a alma das coisas
até quando elas já estavam mortas.
E então percebi uma coisa pequena,
quase ridícula:
eu tinha sobrevivido tempo demais.
Sobrevivi aos problemas.
Às cobranças que pareciam ser infinitas.
À vergonha de pedir ajuda.
À escola sugando meus últimos gestos humanos.
À fumaça.
À exaustão.
À sensação humilhante de fracassar devagar.
Sobrevivi até mesmo à esperança,
o que talvez seja a forma mais adulta de tristeza.
Você abriu o portão.
O barulho do ferro ecoou na rua vazia
como ecoam certas decisões irreversíveis:
sem dramaticidade,
apenas definitivas.
Eu poderia dizer que ainda te amava.
Mas seria inútil.
O amor, às vezes, não acaba.
Ele apenas perde utilidade prática.
Então fiquei ali,
encostado naquele Renault cansado,
fumando um cigarro adulterado com erva estrangeira,
olhando você ir embora
como quem observa um país desaparecer pelo retrovisor.
Sem raiva.
Sem poesia suficiente.
Sem salvação.
Só aquela melancolia fronteiriça
dos homens que aprenderam tarde
que viver também é perder território.
Habilidade não é um dom estático, mas a paciência lapidada pela repetição diária.
É a ponte invisível que transforma a intenção crua em execução precisa.
Enquanto o talento apenas abre portas, é o treino constante que sustenta a permanência.
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