Nao Magoe um Alguem
😔 Parece que o mundo todo apertou e você só quer desaparecer
um pouco pra não
sentir tudo de uma vez.
Ser sincera é um dom, não um defeito. Quem não gosta da sua verdade, não merece a sua presença. É como se você fosse um espelho claro: Alguns fogem do reflexo, outros se aproximam justamente porque precisam enxergar.
A sinceridade pode afastar os fracos, mas atrai os fortes, os que querem caminhar na mesma luz que você. 🌹
A FEBRE
Quando o sol se despede,
uma chama se acende em mim,
não de calor do dia,
mas de um fogo que vem de dentro,
sutil, insistente,
que me envolve no escuro.
Durante o dia, rio e caminho,
o mundo me segura, me distrai,
mas a noite… ah, a noite
me consome como brasa viva,
sussurra meus medos,
faz dançar a febre que carrego.
Procuro a calma nos lençóis,
na respiração que estica e solta,
no silêncio que às vezes dói,
mas que me ensina a ouvir
a voz do meu próprio peito,
a poesia da minha febre,
que queima e revela
quem eu sou quando ninguém me vê.
No peito, um quarto vazio,
paredes brancas esperando cor.
Não dói, mas lateja em silêncio,
como chão que pede passo.
Ontem vi que foste embora,
não em palavras, mas em ausência.
O vazio então se acendeu,
me pedindo dono, me pedindo vida.
Não vou preenchê-lo com sobras,
nem com migalhas de outros amores.
Vou preenchê-lo comigo:
minhas canções, minhas tintas,
meu riso fora de hora,
meu corpo que insiste em existir.
O vazio não será falta,
será território meu.
E onde era eco,
vai nascer voz.
Um perfume invadiu a sala e, num segundo, ela estava ali. Não em carne, mas em memória.. no ar, no canto do tempo, no friozinho que arrepia.
Era o mesmo cheiro, e com ele vieram os risos, os silêncios, o jeito de existir dela. Fechei os olhos e sorri, mesmo que a saudade apertasse. Porque às vezes o passado chega perfumado, só pra nos lembrar que certas pessoas nunca nos deixam de verdade.
A espera é um mar sem fim,
a alma se perde,
dias viram séculos,
e o coração não mede.
Cada hora é fogo,
cada instante é chão,
mas ainda pulsa a esperança,
teimosa no coração.
Tem coisa que faz a gente lembrar que é... viva e doída,
um eco que não se cala,
um fio solto no tempo
que puxa a gente pra casa.
Que é... riso que arde,
lágrima que dança,
um cheiro, uma cor,
um instante que nunca se cansa.
Um amor não se esquece de verdade,
mas se solta aos poucos.
Não é apagar, é deixar de sangrar.
Cada lembrança vai doer menos, até virar só uma parte da sua HISTÓRIA... Uma que te fez sentir tudo, e agora te ensina a se Erguer de novo.
Cometa
Eu me ergo de um lugar
onde não quero estar.
Não por orgulho.
Por sobrevivência.
Não sou faísca.
Sou cometa.
Não passo rápido.
Deixo rastro.
Minha vida cigana
não é fuga,
é chamado.
Há um propósito que me move
mesmo quando ninguém entende o mapa.
Quero ser muito mais.
Agora não pros outros.
Não pra provar.
Não pra caber.
Quero ser, pra mim mesma,
tudo o que me devo.
E isso basta
pra seguir.
Um dia vou te encontrar de novo. Não por acaso. Por destino atrasado.
Já não serei a mesma pessoa.
Nossas vidas estarão diferentes.
Outros caminhos, outras versões, outras cicatrizes.
Mas algo em mim ainda vai reconhecer você.
Moça do Wi-fi
Ela é bela, com um ar europeu e um mistério que não se explica.
Índia de longas madeixas, pele clara marcada pelo sol e pelo tempo.
Ama tatuagens porque entende o corpo como território de memória, não de enfeite.
Carrega nas costas o peso do mundo, não por escolha, mas porque alguém tinha que segurar.
E ainda assim caminha com a alegria de quem decidiu viver, mesmo atravessada por experiências que nunca pediu, nunca chamou, nunca mereceu.
Tem olhos que já viram demais e um silêncio que diz tudo.
Não é frágil, é cansada.
Não é distante, é profunda.
E segue, porque parar nunca foi uma opção oferecida a ela.
Dizer não também é um ato de amor.
Não por eles,
mas por quem depende de ti
e por quem tu quase esqueceu de proteger:
tu mesma.
Silêncio, às vezes, não é ausência.
É fronteira.
É o corpo dizendo “chega”
antes que a alma precise gritar.
E quem só te vê como recurso
não entende quando tu vira limite.
Novo Começo
Não vem pronto.
Se constrói em gesto pequeno, repetido, teimoso.
Um passo hoje. Outro amanhã.
E quando vê, já não é mais o mesmo chão.
Novo começo é isso.
Não mudar o mundo.
É mudar de direção.
Existe um tipo de descanso que não vem do sono,
vem de permitir pensamentos inúteis,
daqueles que não rendem conclusão,
não viram lição,
não servem pra nada além de existir por alguns segundos.
Lembrar de uma música antiga sem saber por quê.
Reparar no jeito que a luz bate na parede.
Pensar numa cena que nunca aconteceu.
É aí que o corpo afrouxa e a cabeça desarma.
Porque nem tudo precisa de sentido imediato.
Algumas coisas só precisam passar.
Pensar também é brincar.
E quem não brinca com a própria mente
acaba sendo dominado por ela.
Às vezes, clareza não vem do esforço.
Vem do intervalo.
O Dia em Que Escolhi ir
Capítulo: Eu Disse Sim
Eu disse sim.
Não foi um sim gritado.
Não teve fogos, nem testemunhas.
Foi um sim quase sussurrado, desses que mudam o eixo da vida sem fazer barulho.
Eu disse sim
quando meu instinto dizia cuidado.
Disse sim
mesmo sabendo que intensidade cobra juros.
Não foi ingenuidade.
Foi escolha.
Eu vi o risco.
Vi o abismo.
E ainda assim, avancei.
Porque havia algo no olhar dela..
não promessa,
não segurança,
mas verdade crua.
E eu prefiro a verdade que arde
à mentira que acalma.
Eu disse sim
para o desejo,
para a confusão,
para a possibilidade.
Disse sim
para aquilo que não tinha manual.
Não foi submissão.
Foi entrega consciente.
Eu sabia que podia doer.
Sabia que podia quebrar.
Mas também sabia que viver pela metade
é morrer aos poucos.
Então eu disse sim.
E naquele instante
eu não estava escolhendo só uma pessoa.
Eu estava escolhendo ser inteira.
Sem garantias.
Sem contrato.
Sem anestesia.
Só eu,
o risco,
e a coragem de não fugir.
Esse foi o meu sim.
E ele mudou tudo.
A vida não avisa.
Ela arranca.
Me tirou de um lugar às pressas, sem tempo de pensar, sem tempo de sentir.
Quando vi, já tava com o coração na mão e o corpo em outro canto..
outro teto, outra rua…
o mesmo peso.
E como se não bastasse, o destino foi irônico.
Me deixou exatamente onde eu não pisaria de novo.
Não por saudade.
Não por escolha.
Mas por necessidade.
A rua é a mesma,
o silêncio é diferente.
Eu passo sem olhar.
Não por fraqueza...
Mas porque dessa vez eu aprendi.
Tem portas que não se batem mais.
Tem nomes que não se chamam mais.
Tem histórias que não se reescrevem.. se enterram.
Eu já me dei demais.
Já fiquei demais.
Já insisti onde só eu existia.
Agora não.
Agora eu passo.
Fria por fora, inteira por dentro.
Porque ir embora, às vezes, não é sair do lugar.
É sair de quem a gente era quando aceitava tão pouco.
"Frio que Sente"
Tem um frio
que não vem do mundo,
vem de dentro.
É quando você ainda sente tudo,
mas já não consegue demonstrar nada.
O coração não para de bater…
só aprende a se proteger.
E, às vezes,
se proteger
é esfriar.
Não é só no peito, é em mim inteira,
um peso que chega e nunca beira.
Feito de tudo que eu não soltei,
de tudo que senti e nunca falei.
Dias parados, querendo voltar,
coisas em mim sem saber onde ficar.
Eu sigo firme, mesmo cansada,
carrego o mundo sem dizer nada.
E no silêncio onde ninguém vê,
eu luto comigo pra não me perder.
Talvez hoje eu não tenha “um mundo” pra entregar. Mas talvez o problema nunca tenha sido faltar mundo. Talvez tenha sido carregar o universo inteiro nas costas tentando ser indispensável pra alguém.
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