Nao Ligo pra o que Voce Pensa
Acontece que eu quero você, apesar de seus defeitos, do seu jeito bagunçado, de suas frases de efeito que me deixam louca. Quero você de um jeito Dolores O`Rian de ser, sendo toda doce e sentimental , gritando aos quatro ventos os versos que fiz para você. Quero você de um jeito Samuel Rosa, buscando Sutilmente Resposta aos Amores imperfeitos e também de um modo Emily Brönte, com toda a vida e toda a alma. Quero você de todas as formas que alguém pode querer e ainda mais, com todas as maneiras juntas e misturadas com explosões de cores e sensações e principalmente, de uma forma única que no fim acaba sendo só minha e que você jamais irá entender.
Com você eu viveria tudo de novo: te amaria de novo, te abraçaria de novo, reviveria nossas brigas, dramas, mensagens e reconciliações e por fim lhe diria um até logo como quem diz " fica mais um pouco amor" ao estilo Adoniran Barbosa de ser.
Você é a incógnita, o X elevado na décima potência coberto por uma rede de ambiguidades. Você é a charada, o mistério , é o ponto de interrogação , a pedra no meio do caminho . Você é a turbulência na minha calmaria , a lógica que falta na minha poesia , com cortes nos tês e pingos nos is. Você me completa de um jeito como se fosse pra ser, sabe?
Ele compreende minha poesia, afinal , ele é pura poesia, como eu . Ele é romântico como você nunca foi. Você é prático da maneira como ele nunca será . Vocês são dois lados da mesma moeda e eu quero os dois. Isso é errado , eu sei , mas não sei como escolher , não sei quem é melhor para mim.
É como se minha alma tivesse criado asas e alçado voo! Você abriu minha alma para a beleza e para as pessoas e a cada dia vou me apaixonando mais pelas pessoas e menos por você . Vou descobrindo beleza nas coisas mais simples como dentes de leão a voar no ar ou pássaros a voar no entardecer .
Você tem exatamente uma semana para vir falar comigo antes de eu desistir de você , da esperança , dos sonhos , do futuro que sonhei para nós , da sua bagunça e de todas as coisas lindas que você me faz sentir . É um ultimato , é uma ameaça , um pedido , um apelo , uma súplica .
Eu estava perfeitamente bem, perfeitamente feliz até ver aquela foto e lembrar que você existe, que você é o cisco no meu olho, a pedra no meio do caminho, a porcaria do "X" nas contas de matemática que eu não sei resolver.
Parece uma brincadeira dos deuses que você apareça em todo canto na minha vida quando estou perfeitamente bem, perfeitamente feliz e não quando estou na solidão, não quando eu mais preciso, não quando sou uma drogada em abstinência e você é minha droga. Nesses momentos você some, some e fica longos meses fora, fazendo eu tremer de frio já que você é meu sol.
E agora eu me renovo, eu lavo minha alma, eu me liberto...E eu quero você, quero acordar com você em um domingo de manhã, quero te beijar na chuva, quero filmes bregas em um sábado a noite, quero suas crises de ciúmes e seu riso acolhedor. Quero você. Hoje. Amanhã. Sempre.
Com o tempo falar com você foi ficando mais fácil e as vezes eu tinha a impressão de que podia te contar tudo . Mas não podia . Não podia te contar como depois de falar com você ficava toda boba e vendo flores no ar, nem que ficava com aquele frio na barriga que parecia que ia me consumir mas não consumia e nem que você me tirava o sono e me deixava acordada por horas e horas pensando em você . Eu não podia te falar nada disso que você ia sair correndo assustado pelo excesso de sentimentos que havia em mim , como que para compensar a falta que havia no resto do mundo .
Começou a tocar "por você"na voz de Frejat no rádio e se eu já estava derretida, eu caí, eu mergulhei, eu me afoguei nas calmarias arrasadoras do amor. Eu o beijei com doçura e ele correspondeu, e eu segurei o "eu te amo" para não explodir em palavras, em versos insanos e em sentimentalismo. Segurei porque a menor demonstração de sentimentalismo poderia estragar tudo, podia fazê-lo nunca mais me querer, já que o mundo é dos que não sentem, não amam,praticam a lei do desapego como se fosse essencial para a sobrevivência da espécie humana. O que eu queria mesmo era gritar que eu o amava, que ele era minha fraqueza, meu delírio, minha droga preferida, que por ele eu faria todas as coisas que Frejat dizia na música e ainda mais, que devíamos ser felizes agora porque amanhã ninguém sabe...Mas só o que consegui foi deitar a cabeça no ombro dele e ficar sufocando com as palavras que eu não disse.
E querido, talvez a gente nem dure, talvez você cometa o mesmo erro, talvez dure uma semana, um mês, ou talvez dure mais...Talvez seja uma tragédia, mas talvez seja a melhor coisa que poderia acontecer. Talvez é um advérbio de dúvida cruel, mas a verdade é que eu nunca vou saber como poderia ter sido se não tentar.
Por que demorou tanto? Eu estive esperando por você a minha vida inteira! E me perdoe se tenho dificuldade em demonstrar sentimentos, se os demonstro apenas por minha escrita; minha forma de fazer arte. É o meu jeito de amar, amar de um jeito poético, colorindo o mundo e descendo do meu pedestal de orgulho para demonstrar amor quando você menos espera, quando o amor explode e fala por si mesmo, não obedecendo as regras de comportamento e conveniência, coesão e coerência.
Eu havia trancado o restante do amor que sentia por você em uma caixa escura dentro do meu coração. Porém, nesse momento há qualquer coisa, como o céu, o mar, o sopro do vento, que abriram essa caixa e levaram um sopro de oxigênio ao amor que sufocava. E agora esse amor está forte, agora esse amor está vivo, e grita. Grita em desespero para você voltar, grita em desespero para não morrer.
Ultimamente, querido, ando cansada de pensar em assuntos inúteis, como você por exemplo. Porque sinceramente, ainda há tanto para fazer: lugares para conhecer, amigos para visitar, festas para ir, comidas para experimentar e um mundo todo para descobrir...E diante dessa infinidade de coisas que passam a me preencher e ser o meu mundo, você deixa de fazer parte dele, mesmo nos cantinhos mais insignificantes.
Somos feitos de "quases" eu e você . Feitos de quase beijos , quase toques, quase romance, quase amor. Porém, eu sou egoísta e não me contento com migalhas. Não gosto do ameno , o morno me entedia e o opaco me dá sono. Não posso ser sua quase amiga ou seu quase amor. E no meio de toda essa confusão de afabilidades, obséquios e cortesias somos o que, afinal ? Futuros amantes, talvez. Amor parcelado, chove não molha, beijos tácitos e devaneios...
Querido Josh, eu primeiramente queria dizer que eu odeio, odeio você! Eu pensei, por um breve momento de felicidade, que você de fato gostasse de mim- sim, eu acreditei nisso! Eu pensei que poderíamos ser como Baby e Johnny em Dirty Dancing, apesar de eu não saber dançar, mas você poderia me ensinar! Eu pensei que você me lançaria diversos olhares, como estava fazendo, e certo dia diria algo como “ninguém deixa Baby de lado” e me puxaria para uma dança, para um beijo e tudo ficaria bem entre a gente. Eu...eu realmente acreditei em você e isso me dói. A consciência clara me liberta da cegueira do amor, da ilusão que eu acreditei ser verdade. Por alguns dias eu cri que você estivesse sendo verdadeiro comigo. Eu cri que você fosse verdadeiro, mas agora vejo como é falso como bijuteria e isso me dói. A consciência de que fui enganada me dói como uma faca cravada nas costelas e me arde com a fúria do sol do meio dia. Eu odeio! Meu Deus, como eu o odeio, Josh! Eu o odeio por ter me beijado e tirado minha inocência, como se eu fosse uma donzela que tivesse perdido sua virtude e estivesse destraçada e perdida para sempre! Você foi quem me deixou à mercê da ruína e eu odeio por isso! Eu o odiarei para sempre! Meu Deus, como eu o odeio! Odeio mais do que posso suportar escrever! Eu odeio o fato de eu ter gostado de ter te beijado, odeio o fato de eu ainda te amar e desejar beijá-lo de novo. Eu odeio a mim mesmo de modo que quero vomitar! O pior é que eu quis, eu realmente insisti nessa história e eu achei que tudo seria diferente quando a gente ficasse. Eu achei...eu prefiro vomitar do que ver sua cara novamente! Eu o odeio por ter estragado Dirty Dancing e Blck Eyed Peas para mim para sempre e ter feito com que minha mente associasse a música a você de algum modo e não sei se algum dia vou poder ouvir “the time” sem me lembrar de você! Arg, eu o odeio mais do que suporto escrever Adeus!
13 de maio
Querido Josh, hoje é meu aniversário. Claro que você sabe disso porque a prof. Mia fez todo mundo cantar parabéns para mim na aula de literatura. Todos cantaram parabéns e na hora do “com quem será? ” Disseram seu nome. Eu quis que um buraco se abrisse no chão para me engolir. Você retrucou a disse para a professora Mia que se casaria com uma velha rica. Ela te chamou de idiota por abrir mão de “uma jovem bela” como eu por uma velha rica. Eu ri no momento, mas agora eu sinto a depressão se arrastando sobre mim. Eu fico pensando se ter feito você esperar pelos meus 15 anos para me beijar teria tornado as coisas diferentes. Teria feito você me amar? Eu creio que não. Eu não sei se certas coisas são evitáveis e você escolheu mentir para mim e isso é imperdoável. Mesmo te amando eu me pergunto se um dia eu poderei confiar em você novamente pois o fato de você mentir para mim quebrou qualquer confiança que eu poderia ter em você ao longo do tempo. Eu ando pela sala e olho um retrato do ano passado-semanas antes da formatura- e acaricio seu rosto. Maria Bethânia canta no rádio e eu choro pensando que “no nosso retrato pareço tão linda”. Eu estava linda. Eu estava feliz. Eu estava inundada de amor e poesia e...esperança. Eu era completamente diferente na época e nem sabia! Eu nem sabia que te amava, Josh! Eu nem sabia que dentro de mim cabia tanto sentimento! Josh, estamos tão felizes na fotografia e eu era feliz, eu era feliz, Josh! Tom Jobim e Chico Buarque não leram minha alma ao comporem a música pois eu não existia na época, mas eu agora me sinto desnuda como se Bethânia revelasse todo sentimento em mim. É como se eu visse toda minha dor de uma vez só exposta no rádio, exposta em carne viva para qualquer um que passar na rua ver. Ver que eu te amo. A minha dor é tão evidente que eu até tenho olheiras. Eu, no auge dos meus 15 anos tenho olheiras e eu nem sei quando ao certo elas surgiram. Elas surgiram do dia para a noite tal qual meu amor por você e como ele elas me ferem continuamente e me maltratam, como me maltratam! Pensei em te ligar e dizer confusões no gravador, algo para você me notar, para pensar em mim e para certamente me achar tão ou mais ridícula do que você já acha, do que você já pensa de mim. Ano passado era dezembro de um ano dourado, era amor, era primavera, era verão, era poesia, era calor, era delírio. E hoje eu já nem sei o que é. Eu já não me reconheço mais, eu não pareço fazer mais parte desse mundo como Marilia de Dirceu a procurar seu amor, seu amante que nunca voltará. Quando a prof. Mia contou a história de Marília eu quis chorar pois Josh eu sou a Marília de Dirceu do século XXI! Eu sou a moça esperando na janela para o cavalheiro vir busca-la, vir amá-la para tirá-la do sofrimento e ela chora! E ela sou eu e eu já não sou a moça sorridente do retrato. Eu já não sou tão linda e meu sorriso não é mais luminoso e meus olhos estão sempre molhado e eu sinto uma dor que eu não sabia ser possível sentir! Eu queria gritar com você e dizer que você me desgraçou para sempre e que eu te quero tanto! Eu gostaria de poder voltar...voltar para dezembro, para o bolero, para um tempo em que minha alma exalava Tom Jobim e bossa nova e eu amava sem saber, mas já amava você. Eu sinto que não terei teus beijos nunca mais e penso que não é justo, não é justo porque eu te amo. Era para você ser meu e eu ser tua! Era para você ser Dirceu e eu Marília e você cantaria para mim ao pôr do sol e diria “carpe diem” porque o dia acaba e precisamos vive-lo antes que seja, tarde, antes que ele vá. E no fim de tudo a minha carta é um lamento, um pedido, uma súplica. É um pedido para você me amar antes que seja tarde pois a adolescência é um pôr do sol e quando a gente pisca é adulto sem perceber. Eu quero que você aceite meu pedido e me abrace ao pôr do sol porque logo anoitece e sinto frio. Segure minha mão e vamos ver o pôr do sol antes que ele morra, antes que eu cresça e te esquece, antes que eu desfaleça. Ao invés disso seus olhos fogem dos meus e eu não sei se te esqueço ou se olho o retrato, mas rezo para que a música não seja uma profecia e que eu ainda te beije, que ainda haja esperança para nós dois.
Com amor, Annie.
31 de julho
Querido Josh, agora você sabe. Agora você sabe do amor que me embala o sono e me atormenta a vida. Você sabe desse sentimento que mudou tudo para mim. O mundo mudou quando eu passei a te amar e agora mudou de novo. As mudanças são sutis e ocorrem mais internamente do que extremamente, acredite, mas eu as sinto a um nível profundo. Quando a gente ama tudo passa a acontecer dentro de nós pois nós somos nosso próprio universo. Nosso coração passa a bater não por nós e sim por outra pessoa e uma mudança profunda se opera em nosso ser. É transformador. Radical. Revolucionário. Não espero que você entenda uma palavra do que eu falo, pois afinal, o que você entende de amor? Eu, por outro lado, poderia escrever livros e livros sobre o amor, sobre a dor, e mais recentemente, sobre rejeição. A rejeição fere. A rejeição destrói. A rejeição nos transforma para sempre. Eu posso não entender de muita coisa, mas eu entendo de palavras, de músicas, de livros e de sentimentos. Isso é todo meu inverso particular. Eu adoraria que você fizesse parte desse meu universo particular pois nesse universo você seria o sol e iluminaria uma série de planetas. Gostaria que você entendesse, que quisesse voluntariamente participar da minha vida. Você me daria a mão e correríamos em direção ao pôr do sol. Você me diria que não é vaqueiro, vivendo de guardar gado alheio, tal como Dirceu e nós poderíamos aproveitar o dia, a vida e o amor. Você diria “Inutilia Truncat”, eu diria “Carpe diem” e nós seríamos felizes, amor! De fato, o livro “Marília de Dirceu” repousa em meu colo pois passei a lê-lo ontem e isso me entristeceu e me alegrou com a intensidade de um relâmpago pois eu sou tão Marília! Eu sou a moça esperando na janela. Aquela que espera uma palavra de amor, e tal como Marília, vivo presa a um amor platônico que não tem como se realizar. A diferença é que você não está preso ou exilado como Tomás Antônio Gonzaga. Você apenas não me ama e uma parte muito maquiavélica em mim gostaria de te ver preso ou exilado para expurgar o pecado que comete ao não me amar. Uma parte minha te odeia e quer que você sofra para sempre. Uma parte minha deseja que nada dê certo na sua vida, mas eu sei que isso é só minha dor falando. Peço desculpas, por isso. Eu deveria ser mais civilizada, eu sei, mas você não me deu escolha pela maneira como tem agido. Acho que o melhor que eu tenho a fazer é tomar juízo e parar de lhe escrever, deixando a música guiar minha dor, conduzi-la, transformá-la e glorifica-la em forma de poesia.
-Annie.
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