Nao Gosto do que Vejo
Não importa qual dos extremos você acabe defendendo nem a falta de opção que use para justifica-lo, que sempre será lembrado não apenas como “um deles”, mas tendo ainda o agravante de que o lado escolhido pelo menos tinha vontade e ideias próprias, e você, indigna e covardemente, abriu mão das suas.
A vida é uma professora rígida e impiedosa, porém honesta. Ela nos ensina que os que não se calam e não aceitam a infâmia sob o manto da falsa harmonia são os que acabam alijados como incômodos, pois que não compactuam com as mentiras que todos preferem ostentar para não terem maculado seu histórico de pessoas “bem resolvidas”.
Não se engane: os culpados de todos os conflitos humanos acabarão sendo sempre as vítimas – porque não se calaram – e os que lhes tomaram a defesa, porque se indignaram.
Equivocam-se os que defendem o perdão incondicional, pois que não se presta a semear a consciência do erro e tão somente confirma a crença de que o mal compensa. Se devesse ser concedido a todos sem distinção, o divino Crucificado não usaria o chicote para expulsar os mercadores do Templo, nem teria direcionado o perdão aos que "não sabem o que fazem" em seu momento mais supremo. Daí nunca haver pregado sua concessão indiscriminada aos conscientes e contumazes, e muito menos àqueles que escolheram não considerar qualquer correção de rota.
Não tenho qualquer pretensão de ser perfeito, e quero continuar humano o bastante para cometer erros, apenas trazendo a certeza de os haver cometido com as pessoas certas.
Só não se engana quem não ama.
Só não erra quem não se importa.
Só não cai quem não se levanta.
Só não aprende quem nunca acorda!
Não subestime a capacidade criativa de gente não confiável: elas conseguirão surpreendê-lo nas coisas mais inusitadas e improváveis!
Resumir o homem ao seu universo visível não passa de uma grotesca simplificação do infinito por quem coloca um ponto no final do prólogo pra não se dar ao trabalho de ler o livro.
Ainda que não sendo fácil aceitá-lo, a receita para a harmonização interna permanece inalterável: Não queiras mais do que precisas, nem pede além se já tens o necessário. Dá aos outros o que podes e não sofre com o que não podes. Dá a ti mesmo as soluções para o que surge e oferece-as aos outros com a consciência dos teus limites. E caso para eles não seja o bastante, busca auxílio no limite do indispensável.
Qual a melhor parte de não esperar que os outros façam nada por você? É que os seus dois lados – o que faz e o que recebe – estarão sempre buscando o mínimo que não sacrifique o outro: seu lado servidor só irá fazê-lo até o ponto em que o consiga, e o lado servido sabe que precisa respeitar esse limite para continuar recebendo. Com isso o todo encontra harmonia automática entre o que se quer e o que se pode, mantendo-se imune a frustrações ou sentimentos de culpa e sem cobrar nada além do necessário para sentir-se satisfeito e feliz. Nossas relações conseguiriam o mesmo se exigíssemos dos outros o mesmo que cobramos de nós mesmos.
O que pode nos acontecer de pior não é morrer antes de chegar aos 100 anos. O pior mesmo é atravessar um século inteiro e não aprender nada com isso.
Diante da parte imensurável que não se conhece, o inexplorado pode ser no máximo improvável - algo do que meramente ainda não se obteve as provas - o que não é a mesma coisa que "inexistente".
Demonstrar respeito aos outros não é uma escolha, mas obrigação devida a todo indivíduo enquanto pessoa. Ninguém pode estar sujeito àquela falta de respeito que o exponha ou inferiorize, isso é fato. Mas há um outro tipo de respeito que nos brota na essência, queiramos ou não, e não se consegue oferecer gratuitamente quando o outro revela não dá-lo a si mesmo. Resta-nos, nesse caso, dedicar o obrigatório a todos, porquanto seres humanos, mas não desperdiçar aquele de caráter íntimo com quem inequivocamente não dá qualquer importância ao ato DE SE FAZER respeitar.
Passar pela existência não é o mesmo que evoluir. Este segundo conceito acontece quando trocamos a pergunta "O que vou fazer?" por algo como "Por que o estou fazendo?" e, ato contínuo, definimos prioridades para o próximo momento e retemos do passado apenas o que deu bons frutos.
Ter reunido mil pensamentos não significa que ainda concorde com boa parte deles, já que expressam etapas distintas do meu crescimento e o primeiro fica longe de retratar o homem que me tornei ao escrever o último. A importância de todo o conjunto é servir como indicador de minha caminhada, e de referência a outros no momento em que se identificam com eles. Não há nada mais assustador do que comparar um primeiro pensamento com o último e descobrir que nada mudou entre um e outro!
Quando se segue justificando um líder sem caráter não há como escapar de um destes entendimentos: a pessoa não se informa, e a ignorância fá-la crer que é esperta; ela ainda olha para seu mundo de faz-de-conta com “olhar de poliana”; ou – o que é pior – ela tem o caráter tão distorcido quanto o líder que apoia. Mas encaixá-la sempre neste último tipo não revela uma visão menos distorcida e indigna do que qualquer outra.
O problema do extremista é trocar o relativo pelo absoluto. Não existe senso crítico ou justiça quando se é o lado certo, e seu oposto é sempre o lado errado independente do que faça. Tais conceitos não estão atados a ideologias, mas a ações e - mais do que isso - a intenções, mesmo quando se erra. O “ismo” das legendas conduz pessoas a enxergar um todo fixo e invariável, e isso lhes subtrai toda legitimidade para julgar quem quer que seja.
