Nao Gosto do que Vejo
VIGÍLIA (soneto)
Não há graçola pelo cerrado tristonho
Distante é o olhar na sequidão erguida
Tanta melancolia, a felicidade suponho
Que contempla a relva tão adormecida
Corta o silêncio o vento na poeira trazida
Papoca secas folhas no sol enfadonho
Espalhadas no chão da irroração perdida
Ali, em craquelados plangeres enfronho
Então, vejo sozinho o deslizar das horas
Numa vigília as monocromáticas floras
Onde o tempo, lento, pousa no cansaço
E nesta vigília de quimeras fabuladoras
Tudo bordado a lantejoulas tataporas
Cravejam o céu de estrelas com lasso
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Março de 2017
Cerrado goiano
Não se importe por não darem créditos as suas ideias hoje.
Amanhã os mesmos irão sentir a necessidade de pagar para ouvir você falando.
Não importa o tamanho do seu projeto na internet. É preciso ter foco e consciência que ninguém gera resultados do dia para a noite.
Entretanto quando buscamos conhecimentos específicos de forma planejada e os colocamos em prática, podemos alcançar bons resultados.
Não tente tirar da fraqueza forças, a vulnerabilidade nada podem oferecer.
Busque forças na capacidade de realizar que Deus te deu. Qual é seu talento?
E quando não houver saída,
cave uma nova brecha
com as mãos na lida...
E a superação como uma flecha.
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Importante é o amor;
Não há tristeza nem dor;
O que mas importa é a vida e o calor das pessoas que ficaram ao nosso arredor.
Ninguém vai sorrir todos os dias;
Porque a cada dia traz as suas manias;
Mas basta olhar que o amor cura todas as feridas
Aí começa a nascer novos sonhos e expectativas para novas caminhadas;
Então sem duvida, o importante é o amor.
Por isso Deus amou o mundo de tal maneira que fez o que teve que fazer. E deixa-lo de tal maneira.
Há vida vivente e tem quem se ausente
Há olhar carente e tem quem não importa
Há afeto latente e tem quem não sente
Existe na loucura de ser gente... Horta
de insanidade
Neste silencioso desdém, cerrada é a porta,
a humanidade
A valia está muito além do poder
Pois até mesmo a razão é vaidade
Surdo são os ruídos mudos dum gemer
Num egoísmo posto no altar
Cambiando o amor pelo ter...
Sem ter amor para cambiar!
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Cerrado goiano
ROTEIRO DO SILÊNCIO
Não há silêncio assaz
Para o meu sossego
O cerrado uiva ineficaz
Não há nenhum apego
No horizonte fulgaz
E tão pouco, aconchego
No canibalizar a paz...
Perdido os cães ganem
O sino da igreja tão capaz
Tange mais, que amém
E não é bastante voraz
Pros silêncios tais, porém,
Me leva a todo silêncio audaz
Qual a solidão devaneia também.
O meu silêncio é maior
Que toda solidão, vai além.
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2018, janeiro
Brasília, DF
Paráfrase Hilda Hilst
MÁSCARA DE CARNAVAL
Máscara de Carnaval...
És da folia aguerrida,
não és fingida...
Pulsa, faz-se gente,
brilha, não mente,
da alvorada ao poente...
Na quimera presente.
Afinal,
é CARNAVAL...
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2018 fevereiro
Cerrado goiano
ACALANTO
Ide amor.
Traga de onde quiseres
O ser amado. De onde for!
E,
se não o teres
No prazer do teu calor
Volte! Não é adeveres
Tê-lo como louvor
Se acaso cansares
Outro conforto há no Criador
Se desejares
Serás vencedor
Pois amor é satisfação
E,
não um gestor
Acalme o seu coração!
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, 12, junho
Cerrado goiano
Quem não acredita que exista voz no silêncio definitivamente nunca entendeu como funciona o coração de Deus!
O cego não enxerga, porém tudo que não vê está ali ao seu redor. Assim se dá com o tolo que nega a existência de Deus!
