Nao estou Sozinha
Não é verdade que você começa a vida como uma criancinha crédula sob a proteção paterna? E então chega o dia da indiferença, em que o cara descobre que é um desgraçado, um miserável, fraco, cego e nu, e com a aparência de um fantasma fatigado e fatídico avança trêmulo por uma vida de pesadelo.
Mulherzinha
Ligo antes das cinco pra não parecer que ele é a última opção da minha agenda. Dou três opções de restaurante e ele escolhe logo a primeira. Combino de passar umas oito e meia, mando uma mensagem quando estiver na esquina. Aviso que vou atrasar dez minutos. Embico na garagem pra ele não tomar chuva. Pergunto se o ar condicionado está muito forte. Dirijo com uma mão no volante e outra na perna dele. Elogio que ele aparou um pouco a barba, coisa que ele adora pois fui a única a reparar. O manobrista do restaurante abre primeiro a porta dele. Se assusta que é um homem onde eu deveria estar sentada. Entrega o papel do estacionamento pra mim, contrariado, enquanto meu parceiro já está bem distante. Escolho fumante pra agradá-lo mas por sorte sou informada que essas mesas não existem mais. Digo a ele que tudo bem, podemos ficar no frio, na parte de fora. Ele diz que ELE não está a fim de sentir frio e topa não fumar. Eu chamo o garçom e digo que para mim carne e para ele salmão. Eu escolho a taça de vinho dele, eu não vou beber porque estou dirigindo. Eu pego na mão dele, depois da taça estar quase no final, e pergunto se ele não quer ver a linda vista da minha sacada. Ele sufoca um bocejo charmoso e diz que sim. O garçom entrega a conta pra ele, que aperta os olhos pra enxergar com a lente embaçada. Eu ofereço ajuda pra ver os números e numa agilidade impressionante enfio meu cartão ali dentro e faço a carteira de couro desaparecer da mesa. Incluindo o ticket do estacionamento. Ele está com frio e ofereço meu cachecol novo. Ele elogia o perfume e continua com frio. Entendo que são duas aberturas para o abraço. O carro chega e a porta dele já está aberta pelo manobrista, a minha eu mesmo abro com dificuldade porque os carros tiram a maior fina do meu corpinho congelado. Morro de vergonha que o carro está com cheiro ruim, pra variar, o manobrista sacaneou. Abro os vidros e não digo nada pra não ser rude. Coloco música baixinha pra gente falar baixinho. Paro na farmácia pra comprar camisinha mas dou a desculpa que é um antigripal qualquer. Ele faz que acredita e espera dentro do carro comportadinho e sorrindo. O cara do caixa quer me lançar um olhar mas na hora tem medo de me encarar. Acendo as velas novas que ganhei. Coloco minha estrela azul na tomada que dá o clima perfeito. O cd novo do Beck. Ele está nervoso, comentando sem parar das minhas fotos e livros e cortinas. Eu faço ele parar de falar finalmente. Depois de tudo, ofereço levá-lo e me faço de ofendida quando ele cogita um taxi. Ele pergunta se pode dormir comigo, eu apenas sorrio e apago a luz. Ele acende a luz e pergunta se pode ligar pra avisar uma pessoa. Ele liga pra mãe, que não gosta muito. Ele volta envergonhado pra cama. Mas eu, educada, finjo que já estou dormindo. No dia seguinte eu ligo pra dar bom dia. Ele me avisa que vai viajar no feriado. Eu pergunto com quem e ele diz que aí já estou querendo saber demais. Ele volta a ser homem. Eu desligo e, aliviada, choro como uma mulherzinha.
O nome de Deus é, realmente, magnífico! Tu não temerás os terrores noturnos, nem a flecha que voa à luz do dia. Nenhum mal te atingirá.
Todo caminho da gente é resvaloso.
Mas; também, cair não prejudica demais –
a gente levanta, a gente sobe, a gente volta! (...)
O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim:
esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.
O que Deus quer é ver a gente aprendendo a
ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria,
e inda mais alegre ainda no meio da tristeza!
Quando você ama alguém, não é aquele alguém que é especial.
Quando você ama alguém, quem é especial é você.
Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino.
Eu queria ser seu último amor. Mas sabia que não era. Sabia e a odiava por isso. Eu a odiava por não se importar comigo. Eu a odiava por ter me deixado naquela noite. E odiava a mim mesmo por tê-la deixado ir embora, porque, se eu tivesse sido suficiente, ela não teria querido ir embora. Simplesmente teria se deitado comigo, conversado e chorado. E eu a teria ouvido e teria beijado as lágrimas que caíam dos seus olhos.
(Quem é você, Alasca?)
Não podemos prever o futuro, mas podemos criá-lo.
Nota: Adaptação do pensamento originalmente cunhado pelo húngaro engenheiro Nobel da Física e escritor Dennis Gabor.
...MaisEu não sinto ciúmes do meu ex porque desde pequena minha mãe me ensinou que se deve doar os brinquedos usados às meninas mais necessitadas!
Encontrar
Na ansiedade de ser feliz,
tropecei em meus próprios passos.
Acreditei em quem não devia,
amei quem não merecia,
me importei com quem nem sabia,
e me vi na solidão,
no abandono cruel que marca a alma.
Desiludi-me com tudo e com todos,
pensei até em desistir de ser feliz.
Até que um dia, quando eu menos esperava,
encontrei nas minhas experiências, uma motivação,
fui me entregando ao prazer de ser útil,
dividindo o pouco que eu sabia com quem nada entendia.
Alguns eu ensinei a ler e a escrever,
emprestei meus ombros para quem só queria ser ouvido,
em outros casos banhei incapazes, com feridas expostas,
e vi as minhas próprias feridas secarem…
Foi no meio desse trabalho de amor,
que encontrei uma pessoa especial,
que eu pude ver como era na realidade,
sem fantasias, sem sonhos de adolescente sonhadora.
E o meu coração ressequido germinou,
de uma pequena semente de carinho brotou o amor,
e o amor se fez árvore frondosa,
e hoje, juntos, seguimos no mesmo caminho.
Depois de tanto tempo juntos, posso dizer:
hoje eu sou feliz!
Tudo partilho, e mesmo tendo pouco,
sempre tem alguém com menos,
e se posso ajudar, porque não fazer?
Tudo a vida me deu, até um amor!
Tudo descobri em mim,
ao seguir uma pequena luz,
na hora da maior escuridão da minha vida,
eu pude encontrar Jesus.
Que você O encontre também!
Quem pensa por si mesmo é livre
E ser livre é coisa muito séria
Não se pode fechar os olhos
Não se pode olhar para trás
Sem se aprender alguma coisa para o futuro.
