Não Esqueço Coisas que Vivi
Não sei se fragmento-te ou guardo-te. Se penso saudoso ou esqueço-te. Mais vil que tal dúvida, é este silêncio, que vocifera bradando por tua ausência. Ainda dói, teu cheiro e beijo são o que me destroem, mas eis que como a erva humilde, debaixo dos teus pés, eu ei de morrer sob doce agonia. Tento esvaziar-me de ti, tento distanciar-me dos teus caminhos, mas não importa o quanto o tempo rugir, não importa o quanto a tua ausência lancetar, não importam os adiamentos, as distâncias ou muito menos as impossibilidades. Tudo isso o meu amor por ti deteve e mesmo que consiga esvaziar-me por completo, é muita saudade pra pouco eu. Eis que transbordo apenas isso e de tão grandiosa que é tal ausência, não sinto mais, me tornei ela.
diariamente às noites esqueço
ao todo praticamente desconheço
às vezes sempre percebo
contradizendo desfaço toda ciência das certezas.
(certa filosofia).
A NÉVOA
Às vezes libertam-me da camisa de força
E eu esqueço a forca,
Esqueço a corda pendurada,
Escrevo as emoções
Que certamente não são só minhas ...
Rufino comeu a empregada...
Rufino comeu a empregada...
Rufino comeu a empregada...
Então chegam os azuizinhos com a injeção,
Chamam de sossega leão...
Rufino comeu... Rufino comeu... Rufino comeu...
Vem a névoa, uma sonolência...
Deus ostenta um estetoscópio
Todos lhe obedecem,
Não vejo Santíssima Maria...
Pela manhã a algazarra,
Alguém “caiu”da escada,
Alguém não acordará nunca mais...
Meu caderno ainda está sob o colchão,
Meu coração está em transição...
Tenho uma certa taquicardia ,
Mas sem a camisa eu escrevo...
Sempre soube que era um pouco louco,
Mas, filósofos dizem que o louco
Sabe de tudo, só não sabe disso.
Às vezes temo nunca mais acordar...
Às vezes temo Rufino...
Rufino comeu a empregada...
Rufino comeu a empregada...
Não suportava mais sopas de legumes.
Esqueço que tenho asas para voar e por isso vivo presa as minhas transloucadas idas. Se um dia fui terra não lembro. Minha alma arde em chamas pelas verdades em busca do Eu esquecido em algum lugar.
Às vezes, eu me esqueço do que minha alma precisa... É quando coloco uma boa música e me permito sentir tristeza que percebo a importância desse sentimento. Minha alma se nutre de tudo ao meu redor, precisando experimentar essa emoção para lembrar o quão frágil sou e quão forte preciso ser, diariamente. É necessário estar triste, dia após dia, para crescer e evoluir.
Voa Beija-flor-de-bico-curvo
diga à ele que não o esqueço
nem por um segundo,
E todos os instantes
o meu peito tem cultivado
este amor profundo.
Do teu olhar doce
como Cocada
não me esqueço,
Eu sei que colado
comigo te mereço,
Se chegar mais
perto tem cubro
com milhões de beijos.
Ninguém se recorda
do poeta do Brasil,
Dele não me esqueço
e ainda me inspiro.
Ainda por enquanto
há lindas palmeiras
acariciando o anil,
a lucidez de muitos
tem andado por um fio.
Ainda sobrevivem
algumas aves,
Os sabiás resistem
as gaiolas do destino,
e tudo tem me dado calafrio,
As árvores são
as que sobraram,
e não é mentira
onde a ofensa
fixou de vez residência.
De ti Gonçalves Dias
eu ainda lembro,
Em mim tu está vivo
em teu movimento
neste coração latino e brasileiro;
Que pergunta pelas libertações
da tropa, e do General,
e ao mesmo tempo sabe agradecer
à Venezuela pelo generoso oxigênio.
Sendo a rosa de Evita
no bico da pomba
que entreguei
nas mãos argentinas,
Não me esqueço jamais
das ilhas das Malvinas
e que nosso continente
e região merecem
desfrutar de plena paz.
O quê dói na Argentina
também me dói
a falta de paz e liberdade
constituem uma dívida
sem paz quando porque
existe dentro de casa
a ocupação colonialista.
Estes meus versos
latino-americanos
são feitos da poesia
da dupla fronteira
venezuelana e brasileira:
Não deixam passar
nada esquecido
e reclamam por cada
venezuelano que cabe saber
que é dono do Esequibo.
Refletindo os fatos distantes
e atuais em alta rotação:
(Não me esqueço da tropa
e do General que continuam
injustamente na prisão),
E sigo clamando pela libertação.
Abdon Batista
Do teu Vale do Contestado
não esqueço o passado
de heróicas revoluções,
Minha Abdon Batista
diante de tua beleza
não há ninguém que resista.
Velha casa de meus pais,
Eu não te esqueço jamais
Por esta existência em fora,
Só porque tu me retratas
As fantasias mais gratas
Daqueles tempos de outrora!...
Mamoeiro! Bananeira!
Joazeiro! Goiabeira!
- Que cinema sem igual!
Jogando sobre as alfombras
Um rendilhado de sombras
Na tela do teu quintal!
E aquela batida longa
Da cantiga da araponga
Que entre os rasgos do concriz
E os estalos do canário
Ia formando o cenário
Daquela quadra feliz!
Mas o tempo - este malvado!
Para matar o meu passado,
Numa explosão de arrogância,
Jogou de encontro ao mistério
Toda a beleza do império
Dos sonhos de minha infância!
Árvores, pássaros, tudo
Rolou para o poço mudo
Do abismo do nunca-mais!...
Enquanto a sonoridade
Dos gorjeios da saudade
Se esparrama em teus beirais...
Por isso em tuas janelas,
Em tuas portas singelas
E em cada vidro quebrado,
Onde a tristeza se deita,
Vejo uma réstia perfeita
Das estórias do passado!...
Ai velha casa sombria
Quem, nesta vida, diria
Que aquele céu sucumbisse,
Que aquela fase passasse,
Que aquela ilusão fugisse
E que não mais voltasse!...
Na festa descolorida
Da paisagem destruída,
Aos olhos da Natureza,
Só tu ficaste de pé
Confortando a minha fé!
Matando a minha tristeza!
Velha casa desolada
Guardas na tua fachada
Uma indelével lembrança
Dos meus dias de quimera,
Das rosas da primavera
Que plantei quando era criança!
E agora que o sol se pôs
E a bruma envolve nós dois
Na sua atroz densidade
Enfrentemos a incerteza
Tu - conduzindo tristeza!
Eu - transportando saudade!
Lindo Pau-d'arco-amarelo
que floresceu no coração
da magnífica Amazonas
que jamais esqueço,
Te amo desde sempre
e sem nenhum abalo,
Todos os dias escrevo
poemas feitos com
meus Versos Intimistas
e guardo como um
pássaro que canta
distante e se encontra
numa gaiola trancado.
Acredito que toda Mulher e Homem capazes de gerar Laços firmes caminham em caminhos opostos
Porém só Homens e mulheres de fibras são capazes de Celar tal Pacto!
