Nao Controlamos o que Sentimos

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Às vezes me sinto como não fosse desse mundo, fico com o pensamento em silêncio, e outras vezes com vontade de gritar para todo mundo que estou sem paciência para nada.
Às vezes não tenho vontade para nada, e outras com vontade de fazer tudo o mesmo tempo, pensamento acelerado, vozes que não calam, sair correndo sem parar, e o mesmo tempo se esconde das pessoas e de seus julgamento e raiva de fazer parte desse mundo de pessoas hipócritas.
Cansada de se esconder de seus próprios sentimentos.
Só quem tem bipolaridade sabe o que estou falando.
Posso estar escrevendo isso agora e depois de segundos ter vergonha daquilo foi escrito.
Tem dias que não tem vontade para nada, apenas de chorar, outros alegres.
Isso realmente não parece real.
Às vezes a raiva me consome, mas muitas vezes sinto algo vazio por dentro.

Ficar em silêncio não significa que estou bem, e sim que estou me escondendo das críticas.

Achar que o amor é algo que não nos faz bem e deixar agente frágil é errado , então prefiro ser muito errada⁠

Não acredito em nada, pois nunca recebi nada de bom de ninguém, apenas desgosto. Se preciso de algo, só conto comigo mesma.

A verdadeira mudança não começa quando o mundo muda. Ela começa quando a consciência deixa de repetir o mesmo código.

Quando ensinar já não basta

Há dias em que a escola pesa mais do que a mochila dos professores em semana de avaliações.
Não por causa das aulas. Nem das provas. Nem da burocracia, embora ela exista e cresça a cada ano. Pesa porque, em algum momento, ensinar deixou de ser apenas ensinar. Hoje, espera-se que o professor seja gestor de conflitos, mediador familiar, psicólogo improvisado, agente social, produtor de relatórios, alimentador de plataformas, responsável por índices, motivador permanente e, de alguma forma, o último elo de uma corrente que começou a se romper muito antes de sua chegada. Tudo retorna ao professor. Se o estudante aprende, cumpriu sua obrigação. Se não aprende, pergunta-se o que o professor fez, ou deixou de fazer. Essa lógica revela uma das maiores distorções da educação contemporânea: individualiza-se a responsabilidade por um problema que é estrutural.
Nesta semana, sentei-me diante de um estudante do sexto ano que não lê. Não escreve. Não domina habilidades que deveriam ter sido construídas nos primeiros anos da escolarização. É educado, prestativo, participa, tem vontade de agradar, mas a linguagem escrita ainda não lhe pertence. Foi nesse momento que a palavra "avaliação" perdeu o sentido. Como avaliar alguém que não consegue acessar aquilo que é condição para realizar a própria atividade? Que nota representa essa realidade?
A escola, então, oferece caminhos conhecidos. Recuperação. Nova oportunidade. Trabalho substitutivo. Mais prazo. Mais uma atividade. Mais uma tentativa. O RAV. Até que, quase sempre, chega-se ao mesmo destino: a aprovação. Não porque as dificuldades desapareceram, mas porque o sistema precisa continuar funcionando.
É uma engrenagem curiosa. Cobra-se do professor uma avaliação criteriosa, instrumentos diversificados, registros, evidências e lançamento de notas. Ao mesmo tempo, espera-se que os resultados finais não contrariem o fluxo esperado. A avaliação precisa existir, mas suas consequências nem sempre podem existir. Talvez seja por isso que tantos professores experimentem a sensação de correr sem sair do lugar.
O sociólogo Zygmunt Bauman escreveu que vivemos tempos líquidos, marcados pela fragilidade dos vínculos e pela dificuldade de sustentar compromissos duradouros. A escola não ficou imune a essa condição. A responsabilidade pela aprendizagem tornou-se cada vez mais difusa. Quando tudo é responsabilidade de todos, frequentemente acaba não sendo responsabilidade de ninguém. E, no fim, sobra para quem está diante da turma.
Também me vem à memória Paulo Freire, quando afirmava que ensinar exige rigor metodológico e compromisso ético. Curiosamente, quase sempre lembramos apenas da palavra "amor". Esquecemos do rigor. Ensinar também exige reconhecer quando uma aprendizagem ainda não aconteceu. Fingir que aconteceu não é inclusão; é apenas adiar um problema que se tornará maior no ano seguinte.
Há algo profundamente injusto nisso. O estudante é privado de um direito fundamental: aprender. O professor é privado da possibilidade de avaliar com honestidade. A família, muitas vezes, acredita que a aprovação significa desenvolvimento. E a escola produz documentos que atestam competências que, na prática, ainda não existem.
Não escrevo estas linhas porque acredito que reprovar resolveria o problema. Não resolveria. Mas aprovar sem garantir a aprendizagem também nunca resolveu. Entre essas duas margens existe um vazio que temos insistido em chamar de política educacional.
Enquanto isso, seguimos preenchendo planilhas, lançando notas, organizando recuperações, respondendo questionários sobre estratégias, justificando ausências, explicando conflitos que nasceram em segundos e tentando provar, diariamente, que estamos fazendo o suficiente.
Talvez a pergunta mais incômoda não seja por que tantos estudantes chegam ao sexto ano sem ler. A pergunta é outra: em que momento nos acostumamos com isso?
Talvez seja esse o maior retrato da crise educacional. Não a existência do problema, mas a naturalidade com que passamos a conviver com ele.
Há dias em que a escola não cansa apenas pelo excesso de trabalho. Ela cansa porque obriga bons profissionais a escolher, diariamente, entre registrar a realidade ou alimentar a ficção de que ela já foi transformada.
E essa talvez seja uma das violências mais silenciosas da educação brasileira.

Há dias em que a escola não cansa apenas pelo excesso de trabalho. Ela cansa porque obriga bons profissionais a escolher, diariamente, entre registrar a realidade ou alimentar a ficção de que ela já foi transformada.
E essa talvez seja uma das violências mais silenciosas da educação brasileira.

Pensamentos vazios é a entrada para o abismo, não se permita entrada neste caminho.

Só algo.

O frio chegou, mas a minha alma está quente.
Porém não esquenta o suficiente.
Não espanta a fraqueza e a falta de coragem.
A procrastinação domina a mente
Ela sabe e aceita.
No meio dessa teia.
Sigo no embalo, esperando algo.
Novo, velho, sábio, alegre e feliz ou… só algo.

Inteligência não é complicar o simples, mas tornar o complexo compreensível. Antes de explicar, lembre-se: quem pergunta geralmente busca entendimento, não uma demonstração de erudição.

Se uma professora mulher não compreende as dificuldades contemporâneas de uma aluna mulher, que enfrenta seus próprios traumas e desafios pessoais, a educação deixa de ser libertadora. O discurso de “professora sábia” torna-se equivocado. Todo o conhecimento que o(a) professor(a) acumulou perde valor se sua atitude afasta os alunos da sala de aula, comprometendo o direito deles a um futuro digno. Assim, a promessa e a missão do(a) professor(a) em formar cidadãos participativos, críticos e cooperativos, capazes de atender às necessidades básicas de aprendizagem; não se concretizam. De nada adianta o discurso bonito e bem elaborado se as atitudes e palavras forem desmotivadoras para o(a) aluno(a).

Não existe escola sem aluno, nem sem educadores, muito menos sem professores. Também não existe sem um ambiente acolhedor que promova o pertencimento e a existência. Afirmo: a estrutura é importante, mas não essencial. Se houver um educador apaixonado pelo ato de educar, não importará o lugar; sempre haverá mentes e horizontes preparados para reivindicar sua cidadania, exercendo força nas mudanças e inovações para o bem comum.

Não existe escola sem aluno, nem sem educadores, muito menos sem professores. Também não existe sem um ambiente acolhedor que promova o pertencimento e a existência. Afirmo: a estrutura é importante, mas não essencial. Se houver um educador apaixonado pelo ato de educar, não importará o lugar — sempre haverá mentes e horizontes preparados para reivindicar sua cidadania, exercendo força nas mudanças e inovações para o bem comum.

A dor da perda nos afirma como humanos e nos afortuna com a saudade. Não tenha medo da dor; perceba-a como aprendizado e como um novo caminho.

Sei que a alma é a energia
que flui por todo o corpo.
Só não entendo como os sem alma
agem cruelmente contra nós.

Amar não é possuir, nem apenas desfrutar da presença do outro. Amar é entregar-se por inteiro, é reconhecer no outro a extensão da própria alma. É compreender que o verdadeiro amor não aprisiona: acolhe, respeita e transforma.

Os olhos revelam o que as palavras muitas vezes não conseguem expressar. Quem ama de verdade aprende a reconhecer, em um simples olhar, a alegria, a saudade, a esperança e o carinho que mantêm vivo um relacionamento. São esses pequenos detalhes que tornam o amor mais intenso, verdadeiro e inesquecível.

Reino de Ontem

Abraços que ficaram suspensos no ar,
beijos que o tempo, teimoso, não conseguiu roubar.
E aquele tremor da primeira vez —
coração batendo mais forte que os pés no chão de terra.

Éramos artesãos de brinquedos e de sonhos,
as mãos calejadas de pião e linha de pipa.
O vento era nosso cúmplice,
e o céu, um quintal sem cerca.

Corremos com os irmãos até a rua virar infinita,
o riso ecoando mais alto que qualquer sino.
Veio a noite, veio a lua,
e a escuridão era só um jeito diferente de clarear.

Futebol descalço nos paralelepípedos quentes —
a liberdade cabia inteira na sola do pé.
Não havia lei, não havia relógio,
só o doce gosto de descobrir o mundo
a cada gol gritado com a alma.

Esconde-esconde atrás do tempo,
bicicleta girando estradas que não tinham fim.
Nada pesava. Nada doía.
Só existia o agora, e o agora era eterno.

Hoje a saudade me visita sem avisar.
Senta comigo no meio-fio da memória
e me devolve o cheiro da terra molhada,
o som do pião dançando,
o calor da infância que eu não quero —
que eu não posso — deixar.

Infância: meu reino, minha primeira pátria.
E eu, exilado do tempo,
ainda volto pra brincar.

Viver é arte, errar faz parte, o tempo não volta, mas o mundo dá voltas.

“⁠Não tente de outro jeito, o único jeito, é do jeito que Deus quer.”