Nao Conto Detalhes e muito menos

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Ela dorme depois da dipirona,
sua muito e seu rosto se abateu,
este ateu quase reza ou se flagela
numa zona sombria e conflitante...
Gostaria de achar essa fé pop
que saltita nos templos destes tempos,
nos entope do clima entorpecente
de alegria dormente ou convulsiva...
Meu amor se derrama sobre ela
em desvelos, silêncios, atenções,
na capela das minhas esperanças...
Peço ao caos, ao silêncio, à solidão,
palavras de condão pra sussurrar
e fazer com que a febre "vá de retro"...

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VALIDADE NATALINA VENCIDA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Dorinha está muito indignada. Seu namorado, Antônio, só lhe deu o presente de Natal no dia 27. Com dois dias de atraso. Não; dois dias, não; três, porque o dia dos presentes não é o 25, e sim, o dia 24; véspera de Natal.
No íntimo, a moça pensou até em perdoar Antônio. Pensou, mas logo retrocedeu. Martelaram mais forte no seu coração, aquelas indagações bem típicas. Tão típicas quanto a ceia natalina e a própria troca de presentes.
Para Dorinha, nada justificava o fato de receber presente quando os outros já tinham recebido. Inclusive o Antônio que ela presenteou, mais do que religiosamente, relogiosamente em dia, com um belo e caro relógio de pulso.
Que história é essa, de presentear a namorada em data vencida? Que ousadia é essa, de um gesto não presenciado pelo coletivo? Que negócio é esse, de amar Dorinha depois que todo o mundo já amou todo o mundo?

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CONSELHO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Tenha muito cuidado com a manifestação excessiva do seu ódio por mim. Esse ódio sempre ostensivo e performático no mostruário raivoso do rosto retorcido e dos rosnados da voz. Principalmente quando a sua razão é quase nenhuma, e sua explosão é por quase nada e tão propositalmente às vistas de todo o mundo.
Faz tempo que a encenação contínua desse ódio perdeu pretexto, contexto e ocasião. Seu teatro atemporal começou a dar sinais contundentes, que podem desmascará-la. Seu excesso está começando a deixar pistas de que, no fundo, não é bem isso que você sente, mas algo oposto e flagrante para você mesma, e que se torna flagrante para os outros. Especialmente para quem menos merece a decepção de perceber sua farsa, que também deixa evidente outra farsa.
Vou sugerir um teatro mais sutil. Incapaz de convencer seu coração, mas poderá tapear quem a rodeia: finja me desprezar... o desprezo, este sim, é um sinal convincente da superação do amor... e diferente da raiva que simula o ódio, fará de você uma pessoa equilibrada e capaz de, com o tempo, realizar seu sonho de não sonhar comigo.

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ANTIMITO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

É muito fácil me achar;
meu quatro é dois vezes dois;
meu já não demora...
E caso queira ligar,
eu não retorno depois;
atendo na hora...
Serei de acesso irrestrito,
se quem vier for sincero
e trouxer carinho...
Fui sempre humano antimito;
apenas quero ou não quero;
sou flor ou espinho...

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ANTI-AJUDA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Depois de muito viver, sem dar a vida ou morrer por coisas que não valem meu sangue, porque são coisas, crio e sanciono minha lei: não. Não "posso, quero e faço". Nesta nem em outra ordem. Quero e tento, exatamente nesta ordem, como tantos querem e tentam o que nunca está para todos. É, mas não está.
E acho que não vencerá o melhor. Vencerá o semelhante que naquele contexto for agraciado com as condições mais favoráveis; o que inclui preparo, desempenho, ajuda externa velada ou ostensiva, pequenos ou grandes detalhes que podem ser entendidos como sorte ou providência sobrenatural. Certamente a vitória seria de outro alguém, se o contexto fosse outro e todo esse conjunto desconstruísse, para depois reconstruir a posição de seus elementos.
Não saio de casa todos os dias, para ir à luta, e sim, aos projetos ou estudos, e ao trabalho. Vou à busca, ou à procura, sem aquela certeza dos campeões em potencial. Dos que sabem que um dia chegarão "lá", como não sei nem quero saber. Só quero ir. Mesmo que nunca chegue. O passado e o presente seguem ao meu alcance, mas o futuro não. O futuro está no futuro.
Realiza-me, ser um semelhante. Não fazer a diferença. Tão apenas manter a semelhança e contribuir para um mundo igualitário. Pelo menos no meu caso, viver não é um esporte. Nem uma guerra. No que tange a vida em um todo, pódio tem uma rima que me desagrada.

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SOLIDÃO DO AMOR

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Demorei pra saber que só és uma imagem,
muito embora consiga te sentir no tato,
ver teu rosto e julgar que desvendei teus olhos;
teu extrato; as entranhas; o que te recheia...
Foste o centro ilusório do meu romantismo;
da razão atrasada em meus anos de sonho,
porque dei ao mesmismo deste sentimento
a viagem mais longa, morosa e profunda...
Lentamente me alcanço e começo a me ouvir
ou querer despertar da solidão do amor
que me deixo sentir sem alcançar teu eco...
Sou apenas um lobo que geme pra lua
isolada na espelho da poça esquecida
numa rua distante; sombria; deserta...

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CONFIANÇA EQUIVOCADA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Marisa, pessoa muito sem medos deixou Márcia, sua filha menor, aos cuidados de Amanda, em quem confia plenamente. Amanda precisou sair, mas deixou Márcia com Clarice, também de sua inteira confiança. Clarice, que da mesma forma tinha compromisso e confia muito em Fernanda, não pensou duas vezes: deixou Márcia com ela, que por sua vez a deixou com Carla, conhecida recente.
Acontece que Carla, que conhece Fernanda mas não conhece Clarice, que conhece Amanda mas não conhece Marisa, igualmente precisou sair e não teve opção: precisou confiar na própria Márcia, que só conhece Clarice, que não está em casa, e não faz ideia de aonde a mãe anda. Sequer sabe chegar em casa, pois nessa corrente de confianças, foi parar bem longe de sua rua.
Agora Marisa, que deixou Márcia com Amanda que deixou com Clarisse que deixou com Fernanda que deixou com Carla que deixou com ninguém, procura desesperadamente a filha, pelas ruas desconhecidas do bairro em que mora faz pouco tempo. Marisa sem medos está com medo e grita por Márcia, ouvindo estranhos dizerem a todo instante para confiar em Deus que confia no ser humano em que não se pode confiar.

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REETERNO AMOR

Demétrio Sena, Magé - RJ.

A vida exige muito mais de você do que de mim. Vivemos em um mundo machista. Você amadureceu, constituiu família, fez filhos e não teve o direito de se manter menina para ninguém. Não seria diferente para mim. Liberdades divergem de gênero para gênero, mesmo na sociedade contemporânea, quando a mulher conquistou direitos, ganhou espaço, invadiu o mercado de trabalho. No entanto, ainda luta para ser simplesmente mulher. Não mulher objeto, mas aquela que pode ser quem é, para quem quiser, sem que isso deponha contra sua idoneidade.
Também amadureci, constituí família, fiz filhos, mas não paguei um preço tão alto. Exigi minha liberdade, mesmo com todos os compromissos e as convenções dos laços formais. Por essa liberdade unilateral bem própria do mundo machista, o que seria condenável no seu caso é admirável no meu. Pude guardar para você, aquele menino que a conduzia mundo afora, sem a mínima preocupação com o que fizesse pensar. Que a iniciou nas caminhadas noturnas, nos banhos em cachoeiras, na intimidade com a natureza e a nudez do corpo. Aquele menino acanhado para os outros, mas desinibido para você, e que ao seu lado convertia tudo em poesia.
Quando nos reencontramos, cheguei a pensar que poderíamos reviver o passado sem ferir o presente ou ameaçar o futuro. Você tentou, reconheço, e sei que no fundo, aquele amor ainda vive no seu íntimo. Vi em seus olhos o eco das palavras que o redeclararam para mim. Porém, não foi difícil perceber que o reinício de nossas caminhadas, nossos banhos em cachoeiras e a intimidade com a natureza, em todos os sentidos, teriam vida breve. Seria fácil para o "menino", reconstruir aquele mundo em nossa particularidade, mas a "menina" poderia sofrer as consequências de ser menina e mesmo assim evocar esse direito, se a particularidade viesse a público.
Mesmo assim foi compensador. "Reeternizei" momentos. Eternizei "remomentos" e me "ressenti" amado. Sem ressentimentos maus. Apenas bons. Recolhi meu amor e o reguardei bem fundo, pois se não posso exercê-lo com eternidade contínua, tenho esperanças de lá na frente, algum dia, "reeternizar" outra vez, ainda que o "remomento" seja mais curto e furtivo. Eu a amo. Com o mesmo amor de menino. Aquele amor que jamais teria dado certo, se o tornássemos convencional.

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MULHERES E MULHERES

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Há mulheres que se gabam de seus homens muito machos, convictos e viris. Em contrapartida, violentos; mulherengos; desprovidos de quaisquer atenção e afetividade. Mas, pelo menos... dizem elas. E vão levando o que podem, à medida que levam... pelo menos levam algo, e são motivos de boa dose de inveja.
Umas outras se conformam com seus homens fiéis, atenciosos e românticos; porém, não tão viris. Mas, pelo menos... também dizem elas. Vão levando a vida, ou aquilo que julgam vida, enquanto esperam dias melhores... e até despertam alguma inveja das que não contam nem com isso.
Tem as que rangem dentes, mastigam travesseiros e se possuem no silêncio das noites, enquanto seus... dormem ou fingem, para escapulirem do "compromisso" enquanto podem. Elas não se gabam nem se acomodam, pois eles não têm o pelo menos, e por isso ninguém as inveja, o que tira toda graça.
Evidentemente, algumas mulheres têm seus homens perfeitos, dentro do contexto perfeitamente humano de perfeição. Essas não se gabam, não se acomodam nem rangem dentes. Tais mulheres, nenhuma outra saberá quem são, pois não são bestas... não fazem propagandas do que não querem perder.

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DEPOIS DELA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Sinto falta de alguém; pessoa muito querida. Talvez a única inteiramente capaz de me acolher e respeitar como sou. Que jamais confundiu ou censurou minhas esquisitices; meus hábitos e manias menos ortodoxos; a forma crua de ser... inclusive os meus respeitosos desrespeitos.
Quero ter de novo a pessoa mais amiga, desarmada e sincera que já tive ao meu lado. Aquela que sempre correspondeu às minhas manifestações de afeto, sem as distorções, os temores e os cuidados comuns e desnecessários. Esse alguém que me despertava em mim, sem jamais querer me transformar em outro... tirar nem pôr... impor seu jeito e suas leis.
Alguém me devolva o que perdi. Ou a quem perdi. E ao fazê-lo, saiba que há de me devolver ao meu eu... porque toda beleza, magia, leveza e sinceridade que se foram, me levaram pra bem longe de mim... depois dela, nunca mais me vi nas regiões internas ou periféricas do meu corpo.

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ANTIPERSONALISMO

Demétrio Sena, Magé – RJ.

Tenho muito orgulho dos troféus; das medalhas; das comendas, taças e honrarias que não tenho. Das porcarias que nem fui buscar, quando a contragosto recebi notícias de honras aos méritos conferidos equivocadamente aos meus fazeres. Equivocadamente, porque sempre achei que os ringues, as rinhas, os concursos, festivais e torneios coubessem aos que se propõem. Este nunca foi o meu caso, não depois dos anos mais verdes, quando queria vencer ou mudar o mundo.
As lembranças que tenho dos troféus, medalhas, comendas, taças, honrarias e outras porcarias que não tenho, não poderiam ser mais gratas. São lembranças de que jamais venci, subjuguei, superei ou fui considerado superior a outro ser humano que faz, com o mesmo amor, exatamente o que faço. No que dependeu de mim, ninguém nunca sentiu o gosto amargo da comparação e o baque posterior causado por opiniões mais pessoais do que justas ou especializadas, que o teriam desqualificado.
Meu fazer literário é livre. Mesmo quando arrisco as formas fixas da poesia ou a eterna burocracia do artigo. Ao falar de minhas vivências ou das observações do entorno; do que sinto e penso e do que a vida me faz pensar ou sentir, pouco importa: sou exatamente o que escrevo, pelo menos enquanto escrevo, e não me permito ser avaliado em disputas. O meu íntimo não aceita que jurados decidam se pensei ou senti certo, na medida, melhor ou pior do que os outros.

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NA TAL DA DATA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Muito embora
na tal da fase,
o meu desejo
é de que agora
o nosso quase
se concretize...
Na tal da crise
na qual a crase
a acentua,
o nosso sonho
que se cansa,
ganhe força
na tal
da esperança...
Na tal da data
em que não creio,
mas gostaria
de não viver
tal tanto faz...
Queria tanto
não ver no mundo
tal fim de mundo,
e acreditar
na tal da paz...

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PELOS PODERES DO FACEBOOK

Demétrio Sena, Magé - RJ.

O Facebook tem desempenhado um papel muito importante na sociedade: por causa dele, muitos crimes de agressão e morte passaram a não ser cometidos. O fenômeno se deve ao fato de hoje, nada ser mais terrível para um cidadão, do que não ser curtido, ser excluído e finalmente bloqueado, a depender da gravidade com que alguém foi ofendido, magoado, quiçá traído por ele.
Ao invés de agredir verbalmente, quem está na bronca se satisfaz em não curtir o amigo virtual. Ao invés de bater, a pessoa ofendida exclui, como forma bem grave de vingança. Nos casos mais graves, aqueles indivíduos mortalmente humilhados ou feridos em sua autoestima sabem que matar não basta nem é necessário. As pessoas bloqueadas no "face" desejarão morrer, enquanto só de pirraça ou requinte de crueldade, os tais indivíduos não as matarão. O bloqueio já servirá como a mais terrível das mortes.
Se Deus existe, Ele não sabia, lá no início de tudo, que o Facebook seria criado. Nem as outras redes sociais. Se soubesse, o plano de salvação da humanidade teria sido bem mais fácil. Na verdade, nem haveria plano de salvação, pois ninguém teria se perdido. Bastaria Deus criar o "face", adicionar cada anjo - inclusive o Lúcifer -, cada ser humano, e decretar: aquele que não for fiel, não me seguir e tentar ser maior do que Eu, será, em primeira instância, não curtido. Na reincidência, excluído de Meu Perfil... e na segunda reincidência o bloquearei definitivamente.
Aí, sim: não existiriam essas pessoas que desprezam as ameaças da perdição eterna e do fogo do inferno. A rede social divina seria o céu eternamente almejado, e o diabo nem teria tempo para tramar contra Deus. Com certeza o Lúcifer, que jamais seria o diabo, ficaria encegueirado para sempre, com o Smartphone de última ou perpétua geração que Deus lhe daria, na certeza de conseguir engambelá-lo.

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INDEPRIMIDAMENTE

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Faz muito tempo que a depressão pegou senha e se pôs na fila. Sua vez não chegou até o momento, porque a fila emperrou nas muitas prioridades que nunca me deram tempo de admiti-la. Também não tive dinheiro suficiente para bancar os caprichos próprios de sua formação glamorosa e altamente qualificada.
Ocupei a vida inteira vivendo, entre tombos e levantes. Entre risos, lágrimas e resgates dos risos. Perdas e reposições da esperança. Quebras e reconstruções de minha fé no mundo e nas pessoas. Muitas vezes fiquei triste, apreensivo, mas nas horas certas dei um basta no poço. Nunca fui ao seu fundo. Jamais me abandonei.
Depressão não combina com trabalho; atitude; ação. Inércia não combina com honra. Desonra não combina com brio; coragem; amor próprio. Minha fila segue para o fim da história que aceitei construir. A depressão ficou em sua fila, esperando pelo momento improvável de minha desistência. Minha rendição.

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ALMAS EQUIVOCADAS

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Muito irritado com a visão pessoal de Amâncio, naturalmente oposta à sua, sobre os atuais acontecimentos políticos envolvendo corrupção e impunidade no Brasil, o professor de sociologia, Pedro Amado, disse aos berros: "Deixe de ser burro, idiota e retardado, cara! Mete a cara nos livros! Leia! Só assim você conhecerá um pouco de história, para entender o que acontece de fato, neste país!".
Sem entender bem o enunciado, Amâncio passou a ler. Leu muito, mesmo: Drummond, Bandeira, Cora, Cecília, Quintana, Exupéry... Continuou burro, idiota e retardado para o mestre Pedro, que sabe tudo, mas não tem o dom da concisão. Mesmo assim valeu a pena, pois Amâncio passou a conhecer mais fundo, compreender e se apiedar de pobres almas como a do seu destemperado amigo.

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A COMPANHEIRA IDEAL

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Para Carlos, Maristela é muito bonita... mas também muito inculta. Marina, por sua vez, é bastante culta, mas não tem a beleza que o atrai... no caso, a beleza de Maristela. Como se não bastasse, Marina lhe soa um tanto fria; insensível; quase nada parece animá-la.
Prendada como só ela, Gerusa bem que podia ser ideal para Carlos, desde que não fosse muito simples; quase simplória. Quanto a Sheila, sempre na moda e perfumada, tem uns toques de arrogância que também não casam com as preferências do moço.
Rosa é muito palhaça, imatura e fútil. Carolina, séria demais; introspectiva em excesso e mais madura do que devia. Zulmira exagera na sensualidade, ao mesmo tempo em que falta sensualidade a Neuza. Mara podia ter mais malícia. Selma, ser menos maliciosa.
Mas tem a Maria, que reúne todas as qualidades das outras, de forma temperada... sem os mesmos efeitos adversos. Entretanto, Carlos pondera que a moça não soa verdadeira. É virtuosa demais; "muito perfeita" para ser perfeita... sendo assim, também não serve.
Pelo visto, a solidão... só mesmo a solidão é companheira perfeita para Carlos.

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PRÉ-PARTIDA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Tenho muito a fazer em pouco tempo;
perdoar e pedir alguns perdões;
ter lições do que ainda não senti,
pra poder me sentir bem mais alguém...
Vejo a noite pesar sobre meu dia,
mas há muito a sonhar antes do sono,
há um mundo que o mundo não mostrou
ao meu trono de pura solidão...
Uma vida me chama pro que resta
numa vida que arruma os meus lençóis,
pois a festa passou do ponto alto...
Quero a minha verdade adormecida
ou aquela mexida em meus engenhos,
pois não posso partir tão incompleto...

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UM GOSTO DE NADA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Gostar muito de alguém nos propõe a injustiça
de querer desse alguém o que não foi tratado,
não é bem de consumo que se negocia
nem contrato assinado para se cumprir...
Gosto tanto de ti que me torno tirano,
quero pronta resposta numa entrega igual,
tenho plano e mais plano de aproximação
que se for como quero será simbiose...
Meu gostar faz protestos na sombra e no vácuo,
porque falham projetos e faltam pretextos
em olhares e textos que traduzem mal...
É um gosto de nada que pulsa no peito
e no gosto de tudo que sempre suponho,
quando sonho mais fundo e desperto mais só...

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ASTROCIDADE

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Sei de muitos talentos que a soberba mata
ou de muito sucesso que o trajeto azeda,
pois a lata se mostra com tanto aparato
que a ninguém interessa conhecer por dentro...
São aquelas essências que perdem vigor
quando nem alcançaram as vistas do mundo;
tanta cor, tantos traços e tantos ruídos
não permitem que o fundo se ponha pra fora...
Conheci mil tesouros jamais garimpados,
porque nunca buscaram além de seus preços
apressados, briosos, impostos ao ego...
Vejo tantas grandezas externas e rasas,
tantas casas vistosas alheias ao dom
de ser bom em ser gente; não apenas astro...

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LOUCURA CURA

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Muito além de mim mesmo estou aqui;
numa luta do bem com ele próprio;
entendi que a montanha move a fé
neste ser ou estar que me compõe...
Os moinhos passados movem águas,
é aí que mergulho e me aprofundo,
porque tudo que sei é que sei algo
e preciso viver até que morra...
Tem um mundo pedindo pra ter vida,
fico louco e de tanto é que me curo,
jogar pedras alivia meus rins...
Já me cansa o destino bem traçado;
nada como meu outro a cada dia;
hoje sei musicar conforme a dança...

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