Nao Chega aos meus Pes
Ecos de uma Presença Permanente
Carrego teu nome no peito, mesmo sabendo que o eco já não encontra resposta. Algumas presenças são assim—partem, mas nunca vão.
Olhar não tira pedaço, mas mexer causa embaraço.
Nem tudo precisa ser tocado, explorado ou decifrado. Há coisas que existem para serem admiradas à distância, sem a necessidade de interferência. O olhar pode ser curioso, contemplativo, até mesmo invasivo, mas é no toque – na ação impensada – que se criam os verdadeiros desencontros.
Respeitar o espaço do outro, compreender limites e reconhecer que nem tudo precisa ser desvendado é um gesto de sabedoria. Porque, no fim, o problema nunca esteve no olhar, mas na intenção por trás do movimento.
. O Risco de Não Viver
Queria segurar minhas urgências com as mãos,
domá-las, dar-lhes um nome,
fazer delas caminho seguro.
Mas urgências não se seguram—
elas queimam, correm,
exigem entrega sem garantias.
Tenho sede de viver,
mas o medo me segura os pulsos.
Diz que é arriscado,
que o erro pesa,
que o tempo não devolve o que se gasta errado.
Mas e se o erro for parte?
E se o maior risco for não tentar?
Se nunca souber,
o que me restará além do vazio do que não foi?
A vida me chama na borda do precipício.
E eu hesito, mas sei:
não viver seria o pior dos tombos.
Impressões do Tempo
Há momentos que escapam aos olhos, não porque são rápidos, mas porque carregam o peso de tudo o que já foi e tudo o que poderia ter sido. Eles se encolhem no peito, se tornam memória antes mesmo de se tornarem reais, como se o tempo já os estivesse preservando. Não são os dias que permanecem, mas os sentimentos que se escondem entre suas frestas.
Eu não busco registrar a mim mesma, mas o que escapa de mim—o que não posso segurar, mas que se derrama de forma silenciosa nas coisas que toco. Um olhar que atravessa a janela, o suspiro de uma folha que se entrega ao vento, o silêncio que respira entre as palavras não ditas. É nisso que estou. Não na imagem que a câmera captura, mas no que ela não pode revelar: o que pulsa além da pele, além do instante.
As memórias não são fotografias. Elas são ecos. São risos que ainda ressoam nas paredes de uma casa vazia. São promessas sussurradas entre o amanhecer e a noite, palavras que se tornam raízes na alma, mesmo quando não temos consciência delas. E é nelas que fico. Não na forma como o mundo me vê, mas na forma como o mundo me sente.
Quando alguém olha para uma foto e sente um arrepio sem saber o porquê, é porque aquela memória, aquela emoção, encontrou um espelho no coração dele. Não somos feitos de imagens. Somos feitos de vivências, de ressonâncias que, mesmo distantes no tempo, ainda têm poder de tocar, de mover, de transformar.
E no fim, é isso que me torna eterna. Não as fotos, não as palavras, mas a sensação de que algo em mim permanece, sem precisar ser guardado.
O surreal conforta a minha alma fadada ao desespero de ter saudades do que não vivi, do que não senti, ou do que não provei, e tomo a escrever minha história sobre um céu anil de nuvens claras, temendo a chegada da noite, pois, o sol me afaga.
Não existe nada melhor do um dia após o outro! Sentiremos uma dor aqui, outra ali, mas vamos que vamos! A vida não pára! Estamos nesta grande corrente para ganhar ou perder. Tropeçamos em alguns pontos do trajeto, mas limpamos os nossos joelhos e seguimos em frente, não deixando que as lágrimas nos impeça de enxergar tantas oportunidades ainda teremos pela frente!
Sorria e finja que não doeu.
Respira fundo e acredita que não aconteceu.
Fecha os olhos e reza pra que o tempo seja generoso e te faça esquecer rapidamente.
Levante, arrisque,tente,enfrente,lute, ganhe asas, voe,supere, mas não fique no chão lamentando pelo que se perdeu.
Há um lugar dentro de mim que não tem nome.
Não é sombra nem luz — é um silêncio que pulsa, como se guardasse o segredo de todas as respostas que nunca tive coragem de perguntar.
Ali, as memórias não se mostram em ordem, mas em fragmentos que se repetem como ondas. Cada lembrança traz um peso diferente, e cada peso molda um pouco mais quem sou. É um território onde o tempo não existe, mas onde cada instante tem o peso de uma eternidade.
Não é um lugar para visitas apressadas.
É preciso entrar devagar, com a respiração contida, aceitando que algumas verdades não se dizem — apenas se sentem.
Ali, o choro não é tristeza, é purificação. A dor não é inimiga, é guia. E a solidão não é ausência, é presença ampliada de si.
Talvez, no fundo, essa profundidade seja o que me mantém viva.
Porque é ali que encontro a mim mesma antes que o mundo me peça para ser outra.
O verdadeiro soldado luta não porque ele odeia o que está à sua frente, mas porque ele ama o que está atrás de si!
As vezes nós damos uma segunda chance para as pessoas, não porque aprendemos a perdoar seus erros, mas sim por medo de perdê-las para sempre.
Quer ser feliz? Observe as crianças. Elas não lamentam o passado e não se preocupam com o futuro. Elas simplesmente aproveitam o presente com tudo que ele oferece. Se dói, choram. Se é bom, distribuem gargalhadas contagiantes. Simples assim. Liberam seus sentimentos e vivem.
...Queria ser frio como uma pedra
Então eu não sentiria medo
Gostaria de não ter esse coração
Então eu não saberia a dor da chuva
Eu poderia ficar firme e forte...
O cinema não é um ofício. É uma arte. Cinema não é um trabalho de equipe. O diretor está só diante de uma página em branco.
– Não seria medonho se um dia, no nosso mundo, os homens se transformassem por dentro em animais ferozes, como os daqui, e continuassem por fora parecendo homens, e a gente assim nunca soubesse distinguir uns dos outros?
