Nao Chega aos meus Pes
O problema do extremista é trocar o relativo pelo absoluto. Não existe senso crítico ou justiça quando se é o lado certo, e seu oposto é sempre o lado errado independente do que faça. Tais conceitos não estão atados a ideologias, mas a ações e - mais do que isso - a intenções, mesmo quando se erra. O “ismo” das legendas conduz pessoas a enxergar um todo fixo e invariável, e isso lhes subtrai toda legitimidade para julgar quem quer que seja.
O errado não é "mudar de lado", mas estabelecer-se neste último, em lugar de trocar quantas vezes se distancie do que seria correto fazer. O ideal é ocupar o centro da gangorra, única forma de preservar a visão "des-envolvida" dos extremos, e aproximar-se do mais leve apenas para restabelecer o equilíbrio de forças.
Negacionistas é como a ciência chama àqueles que negam tudo do que não entendem, ou criam versões próprias da realidade para eles mesmos. Só não lhes ocorre que a verdade continuará sendo a que é, independente de a aceitarem ou não, o que deixará a descoberta mais traumática do que optar pela dúvida até que ela se revele de forma inequívoca e incontestável.
Durante uma conversa em que o emocional ocupe uma das pontas, não há nada que a racionalidade do outro possa usar para ser melhor interpretado, e toda emenda vai se revelar pior que o soneto.
O naturista idealiza um mundo que não precisará mais de “ordenamento jurídico” para se exercer o respeito entre pessoas que se percebem através da visão interna, em lugar de olhos físicos que se detêm na superfície do invólucro humano.
Usar de adjetivos como “verdadeiro” ou “autêntico” para se referir a um naturista não é apenas desnecessário, mas também redundante. Sua natureza, por si mesma, já o torna assim, pois todo aquele que não esconde o corpo mas não vive o naturismo não vai além de nudista.
Se há um tipo de pessoa que não angaria respeito ou mereça credibilidade alguma, é o daquela que constrói “verdades” a partir das próprias crenças sem ao menos se empenhar em entender o mínimo do que fala.
Não é papel nosso atuar como juízes de realidades diferentes da nossa. O nome dado a tal ato é preconceito. Precisamos é tentar entendê-la. Se não for possível, pelo menos respeitá-la.
Respeito e convívio são coisas distintas, um é obrigatório, o outro opcional. Mas o fato de não buscarmos o convívio por nos virmos o oposto de uma outra pessoa não nos exime de respeitá-la, nem legitima qualquer ato que possa feri-la em sua honra ou se preste a agredir seus sentimentos. A forma como tratamos nossos diferentes diz muito mais sobre nós do que sobre eles.
É comum ver pessoas se melindrando com visões críticas por não saber distingui-las de censura ou julgamento. Ao mesmo tempo se vê outras maquiando suas grosserias como “crítica”, quando também não dá para confundir as duas coisas: a crítica é direcionada para as ideias, a agressividade para as pessoas. Desse modo o recurso de se alegar uso de crítica para mascarar uma clara agressão a outrem não vai além da estratégia dos covardes.
Acreditar ou não num deus é uma crença como outra qualquer: apenas se crê que exista ou se crê que não exista. Mas, apesar disso, os dois lados se veem no domínio de uma "verdade", inalcançável a ambos, de que se utilizam para menosprezar-se mutuamente em vez de tentar entender que são exatamente iguais, somente seguindo em direções contrárias.
O melhor médico que podes ter é o que sabe o momento certo de te dar alta. Não será ignorando o teu mal que te livrarás dele. Trata, portanto, tua dor como o médico que melhor sabe de ti de forma a te cuidar, te ensinar o que fazes de errado, e sobre como corrigir o mal feito para que logo voltes tu mesmo a andar com tuas próprias pernas.
Para quem não sabe a diferença entre justiça social e extremismo talvez isto ajude: se acredita que todos as pessoas bem situadas na vida são opressoras, e toda pessoa de área carente é vítima, então você é extremista e sem noção. E se acha que toda pessoa de pele branca é íntegra, e todo negro é bandido, você também é extremista e, além de tudo, imbecil. Então só fale em justiça social quando entender que existem pobres e ricos éticos e não éticos, como também brancos, negros, amarelos e vermelhos que adoram passar por vítima para jogar uns contra os outros e usar o resultado em benefício próprio.
Toda limonada começa pelo amargor do limão. É sua postura não conformista em relação ao que lhe chega que pode combinar resiliência e criatividade o bastante para transformá-la numa deliciosa e refrescante limonada!
Em todo meio existe o lado que escolhe o certo e o que escolhe o errado, e a princípio não é justo que um pague pelo outro, ou seja: que quem respeita as regras pague pelas exceções. O problema é quando tudo vira corporativismo, onde o lado certo se omite e o lado errado se aproveita disso para fazer o que quer, igualando-se eles próprios perante as necessárias medidas de contenção, pois que transformados em malfeitores e cúmplices e, como tal, sujeitos tanto ao bônus quanto ao ônus de suas posturas.
Quando penso em desistir lembro que não posso pensar como indivíduo, mas como espécie... E como espécie o que menos importa é o que faço, mas seu significado.
Em um universo todo estruturado sobre o absurdo,
não há nada mais inútil do que questionar exceções.
Oxalá um dia consigamos moldar uma humanidade que não precise escolher entre este ou aquele ismo, mas apenas entre o que é verdadeiro e o que não é.
A grande vantagem de se lidar com um burro trapalhão é a de não se precisar correr atrás dele. Acreditando poder escapar de todos, ele sempre tropeça nas próprias pernas!
