Nao Chega aos meus Pes
A questão por trás da lesma lerda em que você vive não está no fato dos nossos políticos continuarem sendo espertos, mas em você continuar sendo idiota!
Não tenho dificuldade alguma quando me tomam por qualquer coisa, à exceção destas três: desonesto, incapaz ou idiota. Daí se entenda minha indignação diante da ausência de caráter, pouca paciência para lidar com incompetência e irritação pela naturalidade com que alguns não percebem o óbvio.
Existe um tipo específico de "ímpios" que não vai além de pessoas livres que ousaram desafiar a submissão física e dogmática que as religiões lhes tentaram impor por meio de um deus irado e vingador, que as ameaça com o fogo do inferno caso não se deixem subjugar por seus líderes inescrupulosos e escravocratas.
Por princípio não dou crédito a nada que se pretenda discorrer sob o título de “A verdade sobre...”. Quem pode, em sã consciência, afirmar que detém a verdade sobre o que quer que seja? O bom senso nos ensina que, no máximo, conseguimos reunir diferentes versões sobre a realidade dos fatos para que cada um forme, pela sua lógica, o juízo que se apresenta como mais razoável a respeito. Tudo o mais não passa de arrogante pretensão de mentes obcecadas pelo desejo de domínio ou, o que é pior, já acometidas pela manipulação daquelas.
Ser um pensador não consiste apenas no ato de realizar a função cerebral. Tal ação é exercida por qualquer ser vivo num grau maior ou menor de elaboração mental. O que distingue um pensador dos demais indivíduos é nunca sentir-se atendido por ideias prontas, mas inspirar-se nelas para desenvolver uma própria a partir de um insaciável instinto para identificar pontos consistentes e sair em busca dos elementos faltantes que lhes supram as incongruências. O indicador de ter alcançado seu pressuposto básico é quando se pára de buscar por iguais, enquanto se nota um número cada vez maior deles no entorno em decorrência de um processo natural de retroalimentação.
Diferentemente do que possa parecer, o papel mais importante do Pensador não é pensar - pois que isso é uma função inerente à sua natureza - mas em desencadear a revolução interna em todos os outros para que também o façam.
Sempre rejeitei colégios em que me vestissem uniformes, escolhendo o turno da noite por não se mostrarem obrigatórios, mesmo não estando ainda consciente das razões. Olhando hoje para os das torcidas ou de qualquer coisa que remeta a corporações, bem como este repúdio a tatuagens, slogans, igrejas, clubes e associações, entendo agora que já nasci avesso ao que me sugerem, como o de avelhas colocadas num aprisco ou de reses marcadas e mantidas em curral, tendo um dono a puxá-las pelo cabresto. Descobri mais tarde que já eram sintomas inconscientes dos “cercados” e “marcas a fogo” a que minha rebeldia não me permitia ficar submetido.
Todos podem escolher a forma pela qual gostariam de ser lembrados, o que não quer dizer que o conseguirão, pois podes ter te empenhado toda tua vida em não cometer erros, e só se lembrarem de ti como uma dessas almas mornas que não conheceram vitórias nem derrotas por teres escolhido ser “uma pessoa boa” em lugar de lutar por um mundo melhor do que encontraste. E isso nunca irás conseguir sendo apenas possuidor de um coração “frapê” e conciliador, pois são os inconformados, os rebeldes e os corajosos que fazem a diferença entre “passar pelo mundo” e deixar sua marca nele.
Só não comete erros quem não se empenha o bastante para fazer o que precisa ser feito pra entender que o caminho possível nem sempre é o mais simples.
Muitos não entendem porque tenho mais receio da velhice do que da morte: é que para a morte todos temos autonomia de vôo, mas para a velhice nem sempre.
Entre refutar o que se desconhece e admitir o não experimentado reside a diferença entre a ignorância assumida e a inteligência possível.
O Brasil não vai mudar enquanto não formos governados por brasileiros, antes de partidos políticos. Somente pela ascensão de quem se proponha a reunir pessoas sérias e competentes que se coloquem acima de legendas partidárias – que hoje não veem no país mais do que seu cofre particular – conseguiremos promover desenvolvimento econômico e social, assim como formas de nos libertarmos do estado de degradação moral em que estamos mergulhados.
Não é dinheiro nem celebridade que torna alguém notável. Sua não-conformidade interna é que o impele a romper a fronteira do medíocre.
Não é trocando um governo anárquico por outro autoritário que conseguimos resgatar o estado de direito. Historicamente as grandes rupturas com força para gerar transformações sociais definitivas ocorreram de baixo para cima, e não de cima para baixo, assim que se chegue ao ponto de saturação como reação espontânea aos abusos dos dois extremos. Esqueça-se, portanto, a ideia de que colocar no poder uma força contrária e igualmente sem freios para combater os excessos cometidos antes dela será solução para alguma coisa, pois tudo se resume a inverter tão somente a natureza do problema.
Já me perguntaram a razão de tantos pensamentos lançados sem destino certo. Respondo que não escolho fazê-lo, pois que brotam de mim como lavas de um vulcão a que não resta alternativa senão lança-las para fora. Assim como ao pensador, ao vulcão não importa que distância alcançam, e menos ainda o tipo de terra que cobrem. O que a ambos suscita é que a mesma lava que parece tão destrutiva no momento da erupção, ao longo de toda a eternidade continuará fertilizando o solo que a acolhe.
Qualquer pessoa que te inspira a ser melhor do que és é aquela que não deves poupar esforços para ter sempre por perto. Contudo, nas que percebes claros sinais para te tornarem pior do que já foste algum dia, o bom-senso manda que te mantenhas à mais segura distância que possas.
A percepção da realidade não é uma escolha, mas um despertar espontâneo e automático como o que nos é oferecido todas as manhãs, após uma noite de repouso obrigatório: os olhos se abrem e somos avisados pelo cérebro de que acordamos. Porém, fica na decisão de cada um erguer-se ou aceitar o convite da preguiça para voltar a dormir por quanto tempo consiga. Mas a paciência da mente cósmica também é limitada: em dado momento terá que decidir entre levantar-se ou aceitar o coma de modo irreversível.
O que me impele a “deletar” alguém do meu contexto de vida não é sua limitação cognitiva, mas quando exibe sua ignorância como um tributo à imbecilidade deliberada e, pior ainda, quando se orgulha dela como se fosse a consagração vista pela ótica de um asno.
Para quem não acredita nenhuma evidência é suficiente, e para quem acredita nenhum argumento é necessário.
