Nao Alimentar Esperancas
"Sonhei com a simplicidade
Não sei quanto tempo levou
Mas o instante levou
O tempo que a vida leva"
Edson Ricardo Paiva
"Não era uma espera
E nem primavera sem Sol
Não era pela pedra no caminho
e nem no sapato
Não era pelo fato de a via ser de dupla-mão
Não, não era
Porque por ela, só ia
Não era a linha solta e nem cruzada
Não, não era nada
Era por causa da vida
Porque era isso que era."
Edson Ricardo Paiva.
A que se esconde atrás da luz.
Toda luz se esconde
Atrás da luminosidade
E não se sabe ao certo
Se é perto de meio-dia
Metade de meia-noite
O calor na metade
O morno é meia verdade
A chuva de vida a cair
No meio-fio da calçada
O calor gelado de deserto
Enxerga ao longe na escuridão
Se olhar de perto, é nada
O ser sozinho em cada um
Esta é a única verdade
Escondida noutra frase
Qual como se fosse a sua causa
Foi quase sem perceber
E que por não saber
Era verdade
A linha de aço era tão linda
mas chega uma hora
Em que tanto faz
Aparadas as arestas
Pouca coisa resta
E o pouco que restou
Não presta
Pois faço melhor ainda
Quando existe um pequeno espaço
Pra guardar a minha paz miúda
Indifere, se alegre ou triste
É paz, nada muda
Diante disso
Me fere só quando existe
E se estou na mesma dimensão
Que a gente está, quando olha.
O Céu à minha frente
É bem distante das estrelas
A folha não escolhe cair
Mas, se escolheu ser folha, ela cai
Independe do lugar
Onde está, quando olha
Nada muda num momento
O espinho da flor dói minuto
A beleza da flor, pela eternidade
As estrelas sempre estarão no céu
E o vento sempre há de varrer as folhas
Porém, não basta chover
Não é sempre que a chuva molha
Os caminhos da vida são vastos
Não é toda escuridão
Que se encontra escondida
Do outro lado da luz
Tudo varia conforme
O lugar que se está, quando a olha.
Edson Ricardo Paiva
Pensamento do dia:
Se a sua estrela não brilha, vai se fudê pra lá e não enche o meu saco.
Edson Ricardo Paiva.
Triste quem não tem pra onde voltar
Pobre de quem foi
Caçar estrelas
Coitado de quem se iludiu
E que seguiu na direção
Do primeiro arco-íris
Que surgiu depois da tempestade
Tenho pena, muita pena
De todo aquele que não causa mais
Uma saudade apenas
Mesmo que diminuta, pequena
Me apiedo de todo coração
Que não tem paz
Depois da estrela, arco-íris
A queda
Meus olhos se enchem de aflição
Por todo aquele que vive
E que não causa nenhuma afeição
Em ninguém
Deve haver lá no céu
Uma alma plena de luz
E que tenha em mãos
Um livro, um papel, uma pena
E a dura missão de recensear
Essas sombras vagantes
Viventes de alma escura
Que não sentiram pena de ninguém
Além de si mesmo apenas
E viveram sua vida pequena
Como se ela tivesse que ser eterna
Enfermas
Sempre vencer e ganhar e ser o melhor
Custe o que custar
Esse era seu lema
Seu meio a superar quaisquer problemas
Mas o tempo corre
A vida passa
As quedas vem
Sem ninguém pra estender a mão
Que pena!
Edson Ricardo Paiva.
"mas logo desapareceu e não mais existia;
embora eu o procurasse,
não pôde ser encontrado."
Salmos 36;37
O que vale na vida
Não se pesa em nenhuma balança
Não lesa abraço e nem confiança
Abrigo e telhado
O Pensamento distante
A trilha, o atalho
Tristeza que ninguém notou
Um olhar calado fala mais alto
E te leva com ele
A sabedoria de ser julgado
Num tribunal inimigo
E receber um julgamento honesto
A vida não é como se escreve
O lado bonito é mais profundo
E não vale o escrito
Um resto de lembrança
A voz rouca
O pavio apagado
O "tanto faz" do olhar além
Pela lente da janela
As gentes que vem do outro lado
A poeira que flutua
Um cavalgar constante
O Panteão, o tempo.
Ah, o tempo...se a gente o soubesse!
A energia
Telúrica e presente
Maior que milhões de universos
O reverso da lente
A maneira certa de dizer
Coisas que a ninguém se diz
O momento feliz que não veio
E foi pra nunca mais
Há coisas que não se muda
Contudo se modificam
Como tudo
Pra essas o tempo pára
As demais são passageiras
E se afere o valor que elas tem
A mais valia o sabe
Um lugar que se oferece, quando houver
O pão também
E segue cada segundo
Que nem se fosse eternamente
E que pra sempre vai ser assim
Sem pressa
Pois o tempo é lento e precioso
Mas é também caprichoso, quando preciso
E que esteja presente
O tempo todo
E que acalme a alma só de olhar
A rama da alegria
O lado de dentro da calçada
Alento pra dor sem cura
O olho que busca
Oculto na escuridão
Se não trouxer, tenta
Um suspirar nostálgico
Isso te basta
O querer
É esse o valor da vida.
No âmago do meu ser
Edson Ricardo Paiva..
"Existe uma diferença enorme
entre não ter motivos pra envergonhar-se
e não ter vergonha na cara"
Edson Ricardo Paiva.
Perdeu-se
Sumiu-se
Foi
Que nem
Que se era vento
Não viu-se
Se era pipa de papel
Ou
Se pedaço de papel
de catavento
Voou-se de repente
Perdeu-se, lentamente
Fez um traço lá no céu
do espaço lento
Quando inteira
Era eternidade
Em pedaço
Chamou-se momento
Num momento se passou
Se foi no vento.
Edson Ricardo Paiva.
Tristeza
É o nome de um lugar
Que não tem chão
Um lugar que foi criado
Pra semear-se ilusões
É um lugarejo tão distante
Que só vejo uma razão
Pra se estar lá
É ter plantado uma planta
Chamada falsa esperança
Que é algo que quem semeia
Palmilha com a planta dos pés
Planta espinhenta e tão falsa
Que se planteia descalça
E fere as palmas das mãos
Para tirá-las
Quem perdeu-se lá
Perdida a alma
Saída não tem
Se cala e fica lá
Mas não fala pra ninguém.
Edson Ricardo Paiva.
Não é o que eu digo sobre mim
Que importa
Porque todo mundo, em algum momento
Sempre vai mentir a respeito de si mesmo
Não é a quantidade de obrigações que eu cumpri
Que vai revelar o meu caráter
Mas a quantidade de coisas boas
Que se faz por querer fazer
Sem se importar se tem alguém olhando
Também não são as coisas que eu escrevo
Não preciso dizer nada sobre a minha vida
Talvez o mais importante
Não seja a gente desejar bom dia
Nem lembrar do aniversário
Tudo isso vai no tempo
E se a gente observar o reflexo da Lua no mar
Percebe que quando a Lua se vai
Não fica nenhuma marca lá, da Lua refletida
E o reflexo do céu, vai ficar logo em seguida
Mas mesmo que estando invisível
Ela ainda influencia nas marés
O importante não é a gente ter a presença marcante
As marcas que deixamos
Não precisam ser vistas e alardeadas
Se é que marcas deixarmos
Essas, tem que ser sentidas
A saudade que deixamos é que faz saber
Da importância que quem tem saudade da gente
Tem também nas nossas vidas
Mesmo quando a gente vai se ver mais tarde
Dizer ao mundo que eu sou uma pessoa boa
Não faz de mim uma pessoa boa
Querer ser, não é ser
É preciso ser.
Edson Ricardo Paiva.
Talvez a ninguém interesse
Creio que não vale a pena
Eu sou apenas um velho tronco
Um pedaço de árvore
Que um dia existiu
Só semente que cresceu aos poucos
E os lugares onde eu fui
Foi seguindo o mundo
Conforme o tempo flui
Eu viajei no tempo
Vendo irem-se os dias
Assim como vão as montanhas
Assim como as pedras
Porque nada é eterno
E tudo é sempre
Sempre louco
Não andei como andam as nuvens
Mas as nuvens também se vão
Sempre se vão
E eu não sei pra onde é que elas vão
Pois duram pouco
E eu só sei que todas se foram
E eu aqui parado
Fui vivendo ao lado de estrelas
Fui vivendo ao lado do Sol
Penso até que o Sol seja uma delas
Penso que tudo flutua
Flutua junto ao rio do tempo
O rio do tempo ruma
A caminho de lugar nenhum
E eu, por não ser nada
Não sou nada
Como nada são as montanhas
Como nada são as pedras, as nuvens
Estrelas e as gentes
Sou somente um velho tronco
De outra árvore que existiu
Que outro dia era semente
E foi crescendo
Cresceu em direção ao Céu
Não sei meu nome
Não me lembro se gravaram
Nome em mim
Só sei que o Céu se move
E move as nuvens e elas chovem
E molhavam minhas folhas
Que secaram, porque tudo chega ao fim
Assim se foram
Como tudo sempre vai
Se vai sem rumo
Destino a lugar nenhum.
Edson Ricardo Paiva.
Não existe nada no vazio
Além do frio
Que faz arrepiar
Até a alma
Toda vez que foge a calma
Na mais pura paz da madrugada
Não faz mal
Cada qual sabe a dor que lhe cega
No calar madrugada
E ela traz
Uma dor de cada vez
Escondida, bem guardada
Pesada e desembrulhada
Não precisa assinar
Nem nada
Se ela tem que entregar
Ela entrega.
Edson Ricardo Paiva.
Dizer que aprendi a viver...
Eu não posso
Mas eu posso dizer
Que habituei-me à vida
Adaptei-me ao mundo
Percebi a existência do inverso
A força da leveza
Na ausência da vaidade há beleza
Escuridão na luz
Quando o mundo
Busca a luz na escuridão
O bem no mal
Qual se isso fosse igual
A alcançar sua velocidade
Abraçar a verdade do universo
Sem nenhum apego
Dizer que se sabe viver
Não cabe a ninguém
A vida não é uma luta
Muito menos um jogo
Aprendi somente a não tratá-la assim
Pois o vento traz canções
Mas a voz do silêncio é a que fala no fim
Feliz de todo aquele
Que se cala para ouvi-la
Porque tudo é um mero sonho
Pendurá-lo numa nuvem não basta
É preciso depois
Dela afastar-se
Simulando a cautela tranquila
No momento mais exato
Que pro jogo e pra luta
Enveredem
Eu jamais aprendi a viver
Sei somente
Quando não fazer igual
Porque sei
No final
Todos perdem.
Edson Ricardo Paiva.
Vermelhas
Eu não sei se elas são rosas
Se são versos
Elas são apenas sonhos
E eu me ponho nessa ansiedade
Pois não sei se são ainda
Tão lindas assim, de verdade
Posso imaginá-las
Mas a voz do coração se cala
Quando eu penso em vê-las
Eu não sei se elas são velas
São divinas engrenagens
A moverem mundos
Acendendo luzes
Sóis etéreos
Enquanto isso
Nós aqui, tão sós
Compromissados
Sob o prisma
Dessa mesma luz
Que chove e move
E faz mover as velas
São rotores
Essas dores engrenhadas
Que tiramos nós
Do nada
E fazemos delas
Nossas vidas
Belas
Como estrelas rosas
Eu não sei se elas são prosas
São vermelhos sonhos
Ansiosas
Lindas de verdade
Não se pode vê-las
Não podemos nem ainda imaginá-las
Mas suponho que elas sejam lindas
É uma pena que meus olhos
Sejam feitos
Apenas para ver
Cores iguais
No mais
Eu aprendi que nesta vida
Não se pode vê-las.
Edson Ricardo Paiva.
Eu duvido
Quase nunca
Ninguém
Há de saber
Qual é
Devido
À fé que não se tem
Até que não se tenha
É como apanhar
Um espinho num jardim
Apanhe
Sem saber qual é
Até que assim ele te arranhe.
Edson Ricardo Paiva.
"Não é fácil de encontrar-se
A perfeição na vida.
Perfeição que atendia
Por um nome fantasia
Cuja alcunha era simplicidade
Que por simples que era
Na verdade
Quase sempre ela passou despercebida"
Edson Ricardo Paiva.
"A vida não é um jogo, a não ser que você a queira transformar num jogo. Feito isto, tenha em mente que ela não admite trapaça"
Edson Ricardo Paiva.
Que tua luz
Não te venha de dentro
Não te seja um alento
Que não seja um sonho possível
Que tua luz
Se puder
Nem ao menos visível ela seja
Veja
Que o destino da luz
Há de ser eternamente
A escuridão
Que tua luz seja clareza
Traduzida em pensamentos
Gestos
Coração sempre sincero
E que você seja um só
E pra sempre sendo um só
Seja um sonho impossível
Conjugado no imperfeito
Porque
Quando um dia
No pretérito estiver
Tua luz ilumine melhor
Por não ser esse tipo de luz
Que se passa e que é veloz
Mas que fique
Depois que tudo mais
Tiver ido e passado
Mais depressa que a luz.
Edson Ricardo Paiva.
O que vem a ser a vida
Senão um pedaço
de massa de pão
Que o tempo convida
Não a dividi-la
Mas dá-la de graça
Com a mesma graça recebida
O que vem a ser a vida
Senão breve sopro
Que anima essa massa
E que passa depressa
Tão depressa despedaça
na palma da mão
Que o olhar arredio
Não tem tempo ou espaço
Pra dizer com certeza
Se a viu.
Enquanto isso
Ela passa.
Edson Ricardo Paiva.
