Nao Alimentar Esperancas
Não há como discordar de Umberto Eco quando defende que as redes sociais deram voz a uma legião de imbecís que “antes falavam apenas num bar após uma taça de vinho, sem prejuízo para a coletividade". Mas há também que se considerar Max Ehmann, que séculos antes já nos lembrava de dar vez aos pobres de espírito, posto que eles também têm o que dizer. Na dúvida o bom senso nos pede ponderação entre levar a sério qualquer bobagem replicada muitas vezes ou assumir como premissa que tudo o que chega pelas redes não é digna de crédito.
Se procuras pelo líder que não irá trair teus ideais não te limites ao seu histórico: ele pode apenas não ter tido chance de mostrar a que veio até aqui. Também não te norteies pelo que promete realizar: quando alcançar o poder tudo pode se revelar o oposto. Insensato ainda apoiá-lo pelo que combate: talvez possa empreender ações bem piores que essas. Estejas, porém, muito atento às suas IDÉIAS: essas é que efetivamente falam do que ele poderá te oferecer!
Mostra-se absolutamente legítimo rebelar-se contra o poder do qual discordamos e que não aceitamos nos seja imposto. Mas vencida a contenda e cessada a submissão compulsória, moralmente não há mérito algum em tripudiar sobre uma ameaça que não mais existe, nem sapatear sobre um amor-próprio que a própria derrota já feriu o suficiente.
Você pode até não conseguir evitar uma rejeição interna por algo que seu sentimento denuncie possuir raiz em preconceito... mas, ao externa-lo, passa a responder no mesmo nível de quem se arrogar o direito de leva-lo para a prática.
Não confie em alguém cujo sorriso se mostre apenas uma contração labial em que os demais músculos da face não revelem o mais leve traço de sincera alegria.
Não é a ideologia que faz a pessoa, mas as pessoas é que deturpam e emburrecem as ideologias que abraçam.
Não há quem possa afirmar "não ter inimigos" apenas porque nunca quis levar prejuizo a outrem. Nossas mais nobres ações podem contrariar interesses e despertar o ódio de supostos atingidos. Assim, você pode tanto ser adorado quanto odiado pela mesma razão, pois tem mais a ver com o desequilíbrio do outro do que com todo o seu bom senso.
Solidariedade passa de virtude para conivência quando o beneficiado não contribui em coisa alguma para a mudança buscada e você gasta a energia de que outros tanto precisam.
Não me cobre persistência na ajuda que lhe ofereço quando deixa claro que não faz o mínimo para ajudar a si mesmo!
Não devemos jamais perder a capacidade de nos indignarmos diante das iniquidades que o mundo nos impõe. Mas não devemos nunca permitir que ela nos faça abandonar a prioridade que precisa ser dada à busca de ser feliz.
Não é raro que você compare as trajetórias de pessoas famosas - algumas até meteóricas - com a sua, e se pergunte: “O que fiz de errado, que para mim não deu certo?” Quando isso acontece eu lhe afirmo que o único erro que repete é confundir sucesso com fama e dinheiro. Estes são MEIOS! Sucesso é o fim que se atinge depois que os meios passaram (e eles SEMPRE passam!). É aquele encantamento interno que fica nos outros e em nós mesmos, quando o constatamos. Sempre que conseguimos isso, temos sucesso. Uma celebridade pode encontrá-lo na forma como governa, como canta, ou como revela uma habilidade incomum, caso se entregue a elas com paixão, e as enxergue como missão. Assim, seu sucesso total não fica atrelado a fama e fortuna quando atinge um número enorme de pessoas que você encanta, e consegue transformá-las apenas com a habilidade de fazê-las pensar, pra nunca esquecer. Depois olhar para trás, conhecer o que fez e concluir: EU FIZ ISSO!
Apenas porque alguém não sabe a diferença entre o certo e o errado não torna legais os seus ilícitos, nem faz dele uma pessoa honesta.
A cobrança de ações assumidas com outros é constrangedora e frustrante, porque passa atestado de não comprometimento ou, no mínimo, de que não se previu etapas e possibilidades de se oferecer o resultado prometido. São coisas de que os envolvidos não podem se eximir com risco de revelar o despreparo que transforma qualquer empreitada em aventura. Antecipar-se à cobrança, antes de esperar por ela, é característica primeira dos que não negligenciam suas responsabilidades, nem falham com aqueles que dependem de suas ações.
Não fique à espera do que as pessoas não podem - ou não querem - lhe oferecer, nem insista em alterar sua rota em função de quem não vive o seu momento. Apenas coloque-se disponível, e aqueles que quiserem compartilhar os seus com você saberão o que fazer para encontrá-lo.
Não ter ídolos nem ideologias é tarefa nem sempre das mais fáceis, já que tanto o macro quanto o micro universo se apresentam em permanente mutação. Mas todas as vezes em que nos fixamos em uma única linha - seja ela de pensamento ou de caminho a ser seguido - seremos arrastados para um dos extremos sem que nos demos conta disso.
Não ter receio de buscar a mudança como o melhor critério de avaliação nos previne da ameaça de transformar vícios em algo trivial e rotineiro. Ter coragem para trocar caminhos todas as vezes que se fizer necessário, e ser um camaleão que empresta à própria alma as cores que o ambiente aponta como as mais confiáveis naquele momento, ainda que incompreensível para o observador externo, é a única forma de manter-se fiel a minha própria essência! O ótimo de agora pode ser o péssimo de amanhã, e você será parte dele se recusar-se a olhá-lo de outro ângulo, de modo a perceber se ele continua ou não harmonizado com o melhor que quer para si.
Se não nos permitirmos abandonar o "ismo" de nossas origens, se não reunirmos toda a coragem para romper os tirânicos grilhões das tradições, dos dogmas, das crenças moldadas por outrem, de modo a que não os cristalizemos no alto de um mastro que já não nos representa em toda a plenitude, nos coloca em sério risco de distanciarmo-nos de nós mesmos para entrar num labirinto de um não-ser sem volta!
Não é o igual, mas a novo que oferece sua diferença como acréscimo. A diferença é rica e a igualdade pobre, porque iguais não possuem a capacidade da mútua contribuição, mantendo-se estáticos como se descobriram, e alijados da evolução que o universo nos cobra como regra única e imutável! Tudo o que não muda, fenece! Assim, mesmo quando você não dá a mínima para a própria evolução, quando combate o diferente de si mesmo não sabe que está atentando contra sua própria sobrevivência. Desapareceremos todos – eu e você – enquanto insistirmos em rejeitar o diferente que fatalmente virá, na vã tentativa de transformar o igual em perene, tornar a mudança imutável, submeter às nossas microscópicas leis a lei maior do Macro Universo.
Sua ética não requer que você tenha partidos, integre times ou siga líderes. Ela precisa apenas de sua CONSCIÊNCIA!
