Nao Acabou pra Mim
Esta pequena
Desvia de mim este olhar
Ó minha bela...
Pra que eu não veja
Quão linda é a menina dos teus olhos.
Pode ser que eu me perda
De amores por esta pequena...
Mas se eu me perder,
Permita que eu fique por lá.
E se despertar os teus encantos,
Que sejam de amores por mim.
Eu que já não consigo voltar
Perdido de amores por ti.
Edney Valentim Araújo
Cabe a mim criar coragem e colher o trigo, para que o joio não cresça como erva daninha a sabotar meu duro trabalho como artífice da senda espiritual
Não me roube de mim mesma,
Eu me pertenço!
Sou filha da boa franqueza...
Não me roube a paz
De construir a vida
Que eu sempre quis
Eu deixei tudo para trás.
Não me veja com outros olhos,
Eu sou como sou!
Sou poesia, sangue e sonhos...
Não me tire o tempo
De procurar o amor
Imaculado no peito
De alguém que seja
- inteiro -
E seja cheio de candor.
Não me faça como passatempo,
Eu sou dona da minha vida!
Não se faz ninguém perder tempo...
Não me venha com intenções:
Primeiras, segundas e terceiras...
Eu busco muito mais que o teu querer:
Busco o verdadeiro amor
Talvez na dimensão que você viva,
Jamais irá entender, não queira me prender!
Não é justo fazer-me de objeto,
Sou dama de fogo e ferro,
Deixe-me no meu caminho certo.
Não é legítimo e nem legal,
Arrancar a poesia lirial,
Tirar a honra do meu andor,
De andar orgulhosa
Por cultivar o jardim celeste
Que florescerá com o meu sonho de amor!
Na vastidão do mundo,
Tu me observas infinita,
Não perdes nada de mim,
Nem quando sofisma,
De mim tudo encontras,
Sempre no canto do olhar,
Vive do tempo e sem contas,
Porque ficaste perdido,
No imenso espaço de amar,
Vamos aprendendo nos namorar,
E nos invadir em paz
Como duas gaivotas que se namoram.
Tenho no teu corpo, o mistério,
A expressão mais paradísiaca,
A vitória do impróvável,
E a glória de toda poesia,
Que quero desvendar inteira.
Estendo o meu corpo no teu,
A concretude mais intensa,
A glória da certeza,
E a vitória memoriável
Se fará perfeita - entenda.
No infinito escrito,
A eternidade vai se escrevendo,
Com caneta tinteiro, e néctar
Dos frutos e das flores,
Pela primavera eu morro de amores.
Eu não respondo por mim
diante de ti,
Diante das [delícias
Dos teus beijos indecentes,
Dos teus beijos molhados,
Dos teus beijos imprudentes,
E daqueles mais rasgados...
Eu não respondo por ti,
Diante das [loucuras
Da perdição da tua pele,
Da fragrância masculina,
Da sedução do teu regaço,
Do aconchego do teu abraço.
Eu não respondo por mim
diante de ti,
Diante do que sei
que és [capaz
De fazer,
De me ter,
De me possuir,
De me mimar,
e me dominar...
Eu não respondo por mim,
Porque me fizeste
a tua primavera
Cultivando em mim um jardim
- imenso -
Eu não respondo por mim,
Porque em ti
Já encontrei todas
as respostas...
Gera em mim mais uma vez,
Esse doce outono discreto,
Não nego jamais,
Eu te espero,
Ao passar de cada segundo,
Longe, mas não alheia;
O teu amor é a minha teia.
Girassol em flor,
Inigualável amor,
Adorado sem tabu, e sem pudor.
Riscam no horizonte,
Os primeiros raios,
São as tuas luzes,
Amor em verso,
Namoro em prosa,
Amor em chama.
Sábios são os teus poemas,
Chamamento celestial,
Horas em valsa,
Maré de contentamento,
Indissociável sentimento,
Tesouro do tempo,
Trazendo você para mim...
Sempre me supreendendo,
Carinhosamente,
Esculpindo a poesia,
- adormecida
Feito a duna ainda em grãos,
Aromas marinhos,
Do mar e do vento bailando,
- revolucionando
Um amor em construção.
Longe de mim,
Proclamar-me poeta,
Eu não sei rimar,
Não sei o que é poesia,
- e muito menos diferenciar
A poesia de um poema,
Não sei se uma é melhor
Do que a outra,
É verdade! Eu sou doida!
Eu sou muito doida!
Porque quando escrevo
Faço uma confusão danada,
- e quase sempre -
Não sei quando uso a rima,
E a hora de fazer métrica;
Escrevo como uma fugitiva
Em nome da estética
E da razão que surge do nada,
Fugindo com a poesia nas costas.
Escrevo de forma bem atirada,
Do jeito que o Diabo gosta,
E deixa Deus bem corado...,
Estes versos sem propósito,
Seguindo pela rua desvairados,
Beijando doidamente,
Todas as bocas e aos bocados,
Eu realmente não sei escrever,
Longe de mim deixar-vos enganados...
Não consigo
ser diferente...,
A poesia que enxerga
em mim,
É mais tua
do que minha,
Essa poesia mora
mais em ti
Do que mora em mim;
Não consigo
ser diferente...,
Escrevo para causar
contentamento,
Escrever para mim
é como um rubi,
Escrevo com o que há
de mais vermelho,
- em mim -
Escrevo para mexer
com o sentimento.
Nunca duvide
do que a minha poesia
é capaz,
Quando menos imaginas,
tu irás atrás,
Do Bem que só
ela te faz;
Tu bem sabes do
que ela é capaz,
Além de ser canto, ela é
o teu colo de paz.
Não consigo
ser diferente...,
Sou o verso presente
nos teus lábios,
A doçura caída do céu
em teus átrios,
Para mudar o teu presente
– um presente,
Nunca estou ausente,
és ciente,
Porque eu
sou diferente;
Não consigo
ser diferente...,
Cheguei para mudar
os teus dias,
Para trazer sorrisos
e mil alegrias,
E fazê-lo feliz
e cheio de valentia,
Guardando cada escrito
meu como magia,
Para sempre se orgulhando
que eu existo: sou poesia.
Se tudo fosse somente amor
Se tudo fosse o tempo e o amor
O que seria de mim?
Se teu amor não posso ter.
Seria uma ave perdida no céu
Um eco que se perde no vento
Um uivo que grita sem se ouvir
O sol que não pode brilhar.
Se tudo fosse amor
Eu seria então um poeta
Um poeta que reza
Reza na noite escura
Se perde em suas loucuras
Na vida descobriu-se em dor.
Um poeta.
Perdido em seus devaneios
Sem teto
Partido ao meio
Que chora a morte do amor.
__ Lene Dantas
Estive amando muito tempo. Estive afagando o amor. Quando dei por mim choveu e eu não levei o guarda chuva. Ele foi embora e me deixou a se molhar. Afogada fiquei num rio de água salgada. Afogada de tanta afagar quem nunca me amou.
__Lene Dantas.
Vejo o meu semelhante tão diferente de mim quando ele comemora o fracasso e não a vitória, quando a dor do outro é motivo de alegria, quando pisa na ferida que está exposta, quando aplaude a miséria, sentado ao redor de uma mesa farta.
Vejo o meu próximo tão distante de mim, vestindo a armadura da indiferença e calçando desconfortáveis coturnos da desigualdade.
Lágrimas e preces me representam.
É o fim e nem questiono quem vai fechar a porta e apagar a luz, pois já tenho dúvidas se haverá porta, se haverá luz.
O Homem Que Em Mim Habita
Às vezes acordo outro,
com ideias que não plantei,
sentimentos que não convidei,
e angústias herdadas de ninguém.
Há em mim um estranho morador
que pensa demais e sente de menos,
mas que chora em silêncio
pela flor que não regou.
Fragmentos de Mim
Sou feito de começos não terminados,
de livros que não escrevi,
de cartas que queimei antes de enviar.
Carrego todos os nomes que não usei
e todas as vidas que não vivi.
E ainda assim, me dizem:
"Seja você mesmo!"
Mas qual dos eus?
Tenho o sol dentro de mim, não para poder queimar o que não mais me serve, mas para clarear a escuridão que um dia quis me cegar
Não procure em mim a perfeição, busque primeiro criar dias perfeitos para moldar a imperfeição que circunda nossas vidas.
Rodeio de Madrugada
Rodeio de madrugada
não ouve nenhum
carro passando na estrada,
Em mim há uma
grande movimentação
é o amor nascendo
aqui no meu coração.
Rodeio de madrugada
silenciosa do Médio Vale do Itajaí,
você sabe que amor viver aqui.
Rodeio de madrugada
suave nesta Santa Catarina,
Rodeio de Madrugada
sempre é poesia,
Viver aqui é renovação
da paz interior e da alegria.
Café-pequeno
para dizer que
é fácil ou de fato
pequeno mesmo,
Para mim você
não é Café-pequeno,
És o mais alto
e sublime desejo.
A malícia que não
tenho por mim
há um alguém que
sempre dá conta,
O pacto é com Baíra
que na ponta
dos pés vai atrás
de quem merece
e até nos sonhos
por mim persegue.
Não preciso procurar
porque em mim floresce
como o Sacuanjoche
a inspiração dia e noite
Morta ou viva sobrevive
a ferro, fogo e fumaça
o mais etéreo diante de todo
o pesadelo que passa
O importante que todo
o sentido sou eu que dê
distante ou perto de você
Porque o quê mais quero
é ser ou ser diante de qualquer
coisa que possa acontecer.
