Nao Acabou pra Mim

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⁠Depois que passei a me amar
nunca mais priorizei ninguém
que não fosse a mim mesmo!

Inserida por JULIOAUKAY

⁠Preciso ser preciso para
não me perder dentro de mim...
O meu interior acaba me confundindo
com o seu labirinto embaraçado!

Inserida por JULIOAUKAY

⁠O ridículo de mim
acredita que a
minha arte não
precisa agradar
ninguém;

Inserida por JULIOAUKAY

⁠Se o coração indaga o outro
perguntando: É amor o que sente
por mim? É porque o esse coração
não entendeu a arte de amar!

Inserida por JULIOAUKAY

⁠Quero me encontrar com o meu eu
mas o meu eu de mim, o qual não se
sinta tão estranho...

Inserida por JULIOAUKAY

⁠Não consigo me encontrar
no universo dentro de mim!

Inserida por JULIOAUKAY

⁠Estou acostumado a viver por mim
A solidão não me assusta, o que
realmente me assusta é me sentir
sozinho por entre uma multidão...

Inserida por JULIOAUKAY

⁠Acredito eu que estou fora de sintonia do mundo
mas de alguma forma o mundo não está fora de mim!

Inserida por JULIOAUKAY

⁠Não tenho medo da sedução, quando virgem de mim estou!

Inserida por JULIOAUKAY

⁠Admito que não sinto muita falta de mim
às vezes sou completamente estranho
e outras vezes sou simplesmente esquisito!

Inserida por JULIOAUKAY

⁠Não sou segredo de mim
por que somente o pavão
é totalmente misterioso;

Inserida por JULIOAUKAY

⁠Não me sinto secreto à vida
não sou misterioso de mim.
Sou um livro aberto
de paginas rasgadas
ou um baú sem as chaves de casa!

Inserida por JULIOAUKAY

⁠Não quero examinar as minhas
experiências, pois elas só iluminam
o caminho atrás de mim...

Inserida por JULIOAUKAY

⁠A mim sempre doeu, o tempo. Não são ponteiros, são espadas. Cada vez há mais mortos do que vivos. A ampulheta engole toda a areia do mar.

Millôr Fernandes
Millôr definitivo: a bíblia do caos. Porto Alegre: L&PM, 2011.
Inserida por pensador

Sou assim para ti não por seres o que és para mim mas sim por ser quem sou

Inserida por Sararomano

⁠Dizer que "fez por mim", não rola!
Você sabia o que eu queria e fez o total oposto.
Eu te queria! Era só isso que eu quero/queria. Apenas Eu, e não cabia um nós.

Inserida por EvaCordeiro

⁠Eu tenho medo dele, pois
sei que você vai se apaixonar por mim.
Não é ego. É fato. Escreve!

Inserida por EvaCordeiro

"Eu perdoo porque há dores maiores em mim."

Há feridas que não se veem, mas que brilham como estrelas dentro do peito. São dores antigas, silenciosas, que aprenderam a se calar para não assustar os outros. No entanto, é delas que nasce o perdão não como renúncia, mas como uma forma delicada de libertar o próprio coração.

Perdoar não é esquecer. É olhar para o outro e compreender que ele também se perdeu no caminho, talvez ferido pelas mesmas sombras que um dia nos alcançaram. Há uma nobreza secreta em quem sofre e, ainda assim, escolhe oferecer ternura.

Quando a alma amadurece, descobre que o rancor pesa mais que uma cruz. E é então que o perdão floresce, suave, quase tímido como uma flor que desabrocha no deserto. Ele não apaga a dor, mas a transforma em luz.

Eu perdoo porque compreendo. Porque sei que, se não o fizesse, seria a minha dor que me prenderia ao que já passou. E a vida é tão breve, tão urgente em sua beleza ou mesmo em sua aparente tristeza, que não merece ser gasta guardando espinhos.

Por isso, perdoo.
Não por grandeza, mas por necessidade de respirar. Porque dentro de mim, entre as cicatrizes, ainda há espaço para a pureza.

Inserida por marcelo_monteiro_4

NÃO HÁ ARCO-ÍRIS NO MEU PORÃO — CONTINUIDADE.

Havia dias em que o porão respirava antes de mim.
Ele exalava um ar morno e antigo, como se fosse o pulmão cansado de uma casa que aprendera a guardar segredos demais. Eu descia os degraus devagar, escutando o ranger que nunca deixava de soar como um aviso não um aviso de perigo, mas de revelação. Porque o porão não dói: ele apenas devolve o que és.

E naquele dia, a luz que escorria pela fresta da porta parecia ainda mais tímida, como se tivesse vergonha de tocar as superfícies que me acompanhavam desde a infância.
Era estranho pensar que eu crescera tentando fugir de mim, quando na verdade tudo o que o porão queria era que eu me sentasse no chão frio e o escutasse.

As lembranças começaram a surgir em ondas baixas, como se alguém soprasse perto do meu ouvido. Não eram memórias lineares, mas fragmentos inquietos. O rosto de alguém que não sabia amar; a voz de alguém que soube ferir; a ausência de mãos que deveriam ter me segurado quando eu caía.
E, acima de tudo, a velha sensação de que o mundo lá fora não tinha espaços para os meus silêncios.

Foi então que percebi: o porão não era um cárcere, mas um espelho.
E espelhos, quando te devolvem inteiro, costumam ferir mais que qualquer lâmina.

Sentei-me. Ouvi. Respirei. A dor tinha um timbre próprio, e eu quase podia vê-la, uma figura pálida encostada na parede, observando-me com a paciência das coisas que não envelhecem.
Eu a encarei.
E, pela primeira vez, ela não recuou.

“Eu não vim para te destruir”, parecia dizer sem palavras. “Vim para te mostrar onde colocaste as tuas ruínas.”

Meu peito apertou. Não por medo, mas por reconhecimento.

Porque cada pessoa guarda dentro de si um porão, e quase todos tentam negar sua existência.
Mas negar o subterrâneo nunca apagou sua porta.
A dor continua ali, esperando a coragem de ser encarada.

Enquanto os minutos escorriam, percebi algo que não ousava admitir:
a luz que eu nunca encontrara no mundo não estava ausente, estava apenas voltada para dentro, como uma lamparina distante, protegida do vento pela própria escuridão que eu evitava.

E então, pela primeira vez, compreendi.
Não há arco-íris no meu porão…
mas talvez nunca devesse haver.
O porão não foi feito para cores; foi feito para verdades.

O arco-íris pertence ao céu.
O porão pertence à alma.
E não há conflito nisso.

A beleza nasce do contraste e eu, ali, no chão frio, comecei a entender que para tocar a claridade de cima, eu precisaria, antes, decifrar a minha noite.

Foi quando ouvi passos suaves atrás de mim...

Inserida por marcelo_monteiro_4

" Mas eu não estou sozinho, o deserto me acompanha. "
Ele se estende diante de mim como uma memória antiga, uma presença sem voz que observa cada gesto meu com a paciência dos séculos. Caminho e sinto a areia ceder sob meus passos, como se o chão conhecesse meus pensamentos antes que eu os formule. Há algo de sagrado nesse espaço que nada exige e nada promete. O deserto não consola. O deserto revela.

A luz do fim da tarde estilhaça se sobre as dunas, criando sombras que se movem devagar, quase respirando. Em certos momentos, penso ouvir um murmúrio, talvez meu próprio coração esmagado sob pressões que não sei nomear. Noutras vezes, o silêncio é tão pleno que parece perguntar por mim, como se aguardasse uma resposta que ignoro desde a infância.

No horizonte, a linha é fina e impessoal, mas guardo a impressão de que alguém me observa dali. Não com hostilidade, mas com uma atenção profunda, como se meu sofrimento coubesse dentro de um gesto que ainda não compreendo. É estranho como o vazio pode nutrir. Como o nada pode abraçar sem tocar.

No meio dessa vastidão, descubro que não busco saída. Busco significado. E, enquanto caminho, o deserto caminha comigo, espelhando minhas inquietações de forma tão fiel que chego a temer que ele conheça minhas verdades mais sombrias antes mesmo que eu as aceite.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.

Inserida por marcelo_monteiro_4