Mulher com Rosto de Menina
Cada beijo que você deixa no meu rosto é como um carimbo de amor,
lembrando-me, a todo
instante, da sorte que tenho em te ter.
Aplaudem discursos leves, mas rejeitam qualquer palavra que fira o orgulho; viram o rosto para verdades que arrancam máscaras.
hereditário, até mim.
Meu filho, minha filha, eu ainda não sei como será o seu rosto, se você vai carregar os meus olhos, o meu sorriso ou alguma mania tão parecida comigo que vai me fazer parar por alguns segundos diante de você tentando entender como alguém que ainda nem existia conseguiu carregar alguma parte de mim, mas existe uma coisa que eu já sei antes mesmo de conhecer a sua voz, você nunca vai precisar olhar para dentro de si procurando uma razão para o meu amor. Eu quero que você cresça sabendo que foi desejado antes de ser visto, amado antes de ser tocado e esperado antes mesmo de ter um nome, porque eu conheço o estrago que a dúvida pode fazer quando ela cresce junto com uma criança.
Eu sei como é olhar para os próprios pais e não entender por que o carinho parece tão difícil de alcançar, como se existisse alguma distância invisível entre você e as pessoas que deveriam ser o seu primeiro abrigo. Passei boa parte da infância tentando compreender coisas que uma criança nunca deveria precisar compreender, observando meu pai, observando minha mãe, tentando encontrar algum sentido nas dores que existiam dentro daquela casa e que, embora não tivessem começado comigo, acabavam chegando até mim.
Meu pai tinha as próprias feridas, os próprios erros e as próprias maneiras de fazer o mundo pesar sobre quem estava perto dele, e minha mãe carregava as consequências de muitas dessas coisas dentro dela, junto com a sensação de ter perdido uma parte da própria juventude e de ter precisado amadurecer em lugares onde talvez só devesse ter vivido. Eu era pequeno demais para saber separar a dor dela da minha, então muitas vezes aquilo que machucava minha mãe encontrava em mim um lugar para continuar existindo, e eu recebia sentimentos que não sabia nomear, muito menos entender de onde vinham.
Hoje eu consigo olhar para isso com outros olhos e perceber que ela também era uma pessoa tentando sobreviver às próprias circunstâncias, mas naquela época eu não tinha essa capacidade. Eu só sabia que alguma coisa estava errada e, como toda criança que ainda não conhece a complexidade dos adultos, comecei a procurar a resposta em mim. Talvez eu tivesse feito alguma coisa. Talvez eu não fosse bom o bastante. Talvez se eu fosse diferente, mais obediente, mais quieto, mais fácil de amar, alguma coisa dentro daquela casa finalmente encontrasse paz.
Foi assim que algumas culpas cresceram comigo.
A culpa por não conseguir proteger minha mãe, como se fosse responsabilidade de uma criança impedir a dor de um adulto. A culpa por sentir raiva de quem também estava sofrendo. A culpa por ter precisado de afeto justamente quando as pessoas ao meu redor estavam ocupadas demais tentando sobreviver às próprias dores para perceber que eu também precisava ser cuidado. E, enquanto outras pessoas podiam simplesmente atravessar a infância, eu fui aprendendo cedo demais a observar o ambiente, medir palavras, perceber mudanças de humor e tentar descobrir quando era seguro simplesmente existir.
Eu não quero isso para você.
Quero que a sua infância tenha espaço para ser infância, que você possa desperdiçar uma tarde brincando de alguma coisa que eu não entendo, que possa voltar para casa cheio de histórias inúteis e maravilhosas, que possa se apaixonar pela primeira vez sem medo de contar, errar sem imaginar que o seu erro vai fazer alguém deixar de amar você e crescer sem precisar descobrir cedo demais como os adultos escondem suas próprias dores.
Quando alguma coisa acontecer, eu quero que você pense em mim como alguém para quem você pode correr, não alguém de quem precisa se esconder. Se o mundo te machucar, eu quero conhecer a ferida antes de perguntar quem teve razão. Se você fizer alguma coisa da qual tenha vergonha, quero que a primeira coisa que encontre nos meus olhos seja a certeza de que aquilo não mudou o lugar que você ocupa em mim. Se um dia você não souber o que está sentindo, quero que possa sentar ao meu lado em silêncio e ainda assim sentir que não está sozinho.
Porque eu sei o que acontece quando uma criança aprende que precisa resolver tudo dentro dela.
Ela cresce.
E leva essa criança consigo.
Durante muito tempo eu carreguei a sensação de que precisava ser forte antes mesmo de saber o que força significava, e talvez parte dos problemas que vieram depois tenham nascido justamente dessa falta de colo, dessa dificuldade de acreditar que alguém poderia ficar quando eu deixasse de ser conveniente, dessa necessidade de procurar nos outros aquilo que deveria ter aprendido primeiro dentro de casa. A ausência de afeto não desaparece quando a infância termina, as vezes ela apenas muda de roupa e passa a aparecer nos relacionamentos, nas escolhas, nos medos, na maneira como alguém ama e até na maneira como espera ser abandonado.
Eu não quero que você precise aprender amor pela falta dele.
Quero que você aprenda pelo excesso.
Quero que você saiba que pode ser amado sem produzir nada em troca, que pode existir sem precisar provar o próprio valor, que pode discordar de mim sem perder meu respeito, que pode seguir uma vida completamente diferente da que eu imaginei e ainda encontrar em mim alguém torcendo por você. Não quero criar uma versão de você que corresponda às minhas expectativas, quero conhecer a pessoa que vai nascer quando você descobrir quem é.
E se algum dia você se parecer comigo, que seja apenas nas coisas bonitas que eu conseguir deixar para trás. Talvez você tenha meu rosto, minha voz, meus gestos ou alguma mania que vai fazer sua mãe rir porque ela vai reconhecer imediatamente de onde veio, mas eu não quero que você precise carregar aquilo que me feriu só porque veio antes de você. Você não é a continuação das minhas dores, assim como eu não deveria ter sido responsável pelas dores dos meus pais.
Eu passei muito tempo tentando não me tornar aquilo que me machucou e descobri que não basta fugir de uma herança para quebrá-la, é preciso olhar para ela de frente, reconhecer onde ela deixou marcas e decidir conscientemente o que termina ali. Eu não posso mudar o pai que tive, não posso devolver a infância que perdi, não posso apagar as vezes em que precisei entender sozinho coisas que deveriam ter sido explicadas com carinho, nem posso voltar no tempo para abraçar aquele menino e dizer que nada daquilo era culpa dele.
Mas posso fazer uma coisa que talvez seja ainda mais importante.
Posso impedir que ele continue existindo através de você.
Se algum dia eu errar, quero que você veja em mim alguém capaz de reconhecer o próprio erro. Se eu estiver errado, quero que minha idade não seja uma desculpa para estar certo. Se você me mostrar uma dor que eu não consigo compreender, quero que minha primeira reação seja tentar conhecê-la, não diminuí-la. Eu não quero usar a autoridade de ser seu pai para impedir que você tenha voz, porque sei demais sobre o que acontece quando uma criança aprende que seus sentimentos precisam desaparecer para que os adultos consigam continuar.
Você não vai precisar carregar a culpa pelo casamento dos seus pais, pelas dificuldades deles, pelas escolhas deles ou pelas coisas que aconteceram antes de você chegar. Se eu e sua mãe tivermos problemas, eles serão nossos. Se estivermos cansados, será nossa responsabilidade encontrar uma maneira de cuidar um do outro sem transformar você em testemunha ou responsável por aquilo que não lhe pertence.
Eu quero que você tenha uma coisa que para mim demorou muito para existir, a certeza de que os adultos ao seu redor são responsáveis pelas próprias feridas.
Você será filho.
Nada além disso.
E talvez seja justamente essa a maior forma de proteção que eu possa oferecer.
Não quero que você seja meu confidente quando eu estiver quebrado, não quero que você precise escolher lados, não quero que sinta que precisa me salvar, muito menos que precise amadurecer para me entender. Se um dia eu estiver mal, vou tentar encontrar outros adultos para dividir o peso, porque você não nasceu para carregar aquilo que eu não consegui resolver.
Você nasceu para viver.
E eu quero assistir.
Quero assistir você descobrir as coisas, mudar de ideia, escolher caminhos que eu jamais escolheria, quebrar a cara, voltar para casa, se apaixonar, perder alguém, ganhar alguma coisa importante, rir até faltar ar e chegar aos trinta anos contando uma história da sua adolescência que eu provavelmente vou fingir que já sabia. Quero estar presente nas partes bonitas e nas partes difíceis, não para controlar a sua vida, mas para que você nunca precise atravessar nenhuma delas acreditando que está sozinho.
Talvez algum dia você me pergunte sobre o meu passado e eu precise falar das coisas que me fizeram ser quem sou. Talvez eu conte sobre um menino que cresceu cercado por adultos que também não sabiam muito bem como cuidar das próprias dores, sobre um pai que deixou marcas e uma mãe que também carregava marcas demais, sobre a culpa de ter visto coisas que nunca deveria ter visto e sobre a sensação de ter perdido pedaços de uma juventude tentando entender uma família que não sabia como permanecer inteira.
Eu provavelmente vou chorar quando contar.
Mas espero que, depois de ouvir tudo, você consiga perceber que aquelas histórias chegam até mim e param aqui.
Não atravessam você.
Porque você não precisa pagar pela minha infância, assim como eu nunca deveria ter precisado pagar pela infância dos meus pais. Eu não quero transformar aquilo que me faltou em uma dívida que você precisa quitar sendo o filho perfeito. Quero transformar aquilo em consciência, para que eu saiba exatamente o tipo de pai que quero ser quando você precisar de mim.
E talvez seja por isso que pensar em você tenha uma tristeza tão bonita.
Porque, de alguma maneira, eu consigo imaginar uma criança recebendo aquilo que um dia eu procurei sem saber como pedir. Consigo imaginar alguém crescendo com a certeza de que existe uma pessoa no mundo para quem sua existência nunca será um peso. Consigo imaginar você entrando pela porta depois de um dia ruim, jogando as coisas no chão, sentando ao meu lado e contando alguma coisa que para qualquer outra pessoa pareceria pequena, mas que para mim será importante simplesmente porque aconteceu com você.
E talvez naquele momento eu entenda que não consegui voltar para buscar aquela criança que fui, mas consegui impedir que ela desaparecesse sem deixar nada de bom para trás.
Ela me ensinou o que eu não quero repetir.
Ela me mostrou onde dói.
E, de alguma forma, me trouxe até você.
Se um dia você olhar para mim e perceber que somos parecidos, eu espero que não seja preciso ter medo daquilo que encontrou. Quero que você possa reconhecer meu rosto no seu sem encontrar nele a obrigação de repetir minha história. Quero que você carregue meu sangue sem carregar meus fantasmas, que tenha meus olhos sem enxergar o mundo através das minhas cicatrizes e que, quando pensar em mim, a palavra que venha antes de qualquer outra seja abrigo.
Porque eu quero ser o homem que fica.
O homem para quem você liga quando não sabe para onde ir.
O homem cujo abraço não precisa ser merecido.
O homem que consegue ouvir um “eu errei” sem transformar aquilo em vergonha.
O homem que, mesmo depois de uma discussão, ainda deixa a porta aberta.
E, principalmente, quero ser aquele pai que você nunca precisará perguntar se ama você, porque isso estará tão presente na maneira como eu te olho, te escuto, te protejo e te deixo ser quem você é que a pergunta sequer vai precisar nascer.
Quando você for adulto, talvez já não precise tanto de mim. Talvez tenha sua própria casa, sua própria família, seus próprios problemas e uma vida que eu só vou conhecer em partes. Mas eu espero que alguma coisa permaneça intacta dentro de você, uma memória simples de quando era pequeno e acreditava que o mundo podia ser enfrentado porque seu pai estava por perto.
E se algum dia você tiver um filho, talvez compreenda por que eu escrevi tudo isso antes mesmo de saber quem você seria.
Eu não estava tentando imaginar uma criança perfeita.
Estava tentando imaginar uma criança livre daquilo que me aprisionou.
Eu não quero ser lembrado como o pai que nunca errou. Quero ser lembrado como o pai que tentou não fazer você pagar pelos erros que vieram antes dele. Quero que você saiba que eu também tive medo, que também carreguei culpa, que também precisei aprender a amar sem confundir amor com abandono, mas que em algum momento decidi que a minha história não precisava continuar exatamente como começou.
Algumas heranças são feitas de sangue.
Outras são feitas de silêncio.
Eu quero que a minha para você seja feita de amor.
E talvez seja essa a única maneira que encontrei de conversar com aquela criança que ainda existe em algum lugar dentro de mim, prometendo a ela que o que faltou não será esquecido, mas também não será repetido.
Porque um dia você vai nascer, vai olhar para mim sem saber absolutamente nada sobre o homem que está diante de você, e eu vou ter a vida inteira para te mostrar.
Nesse primeiro olhar, eu espero que você não veja perfeição.
Espero que veja presença.
E, quando você crescer, quando puder entender todas as coisas que eu não consegui explicar enquanto era pequeno, talvez finalmente consiga compreender a promessa que fiz antes mesmo de você existir
eu não posso mudar o pai que eu tive, nem a mãe que tive, nem salvar o menino que fui, mas posso amar você de uma maneira que faça aquela história terminar em mim.
E, se eu conseguir fazer isso, talvez pela primeira vez uma coisa que começou como ausência termine como presença, uma coisa que começou como culpa termine como proteção, e tudo aquilo que um dia me fez perguntar se eu era digno de amor encontre finalmente uma resposta em você.
Não porque você veio me curar.
Mas porque você nunca precisará ser ferido para aprender o que é ser amado.
O mundo não é perfeito... O rosto é dessimétrico.... O caráter não tem mérito.... Talvez Deus seja imperfeito.
Vem morno em meu rosto
Durante a metade de Agosto
Metade que promete novidade
Esperança que tira-me a idade
Ironia essa, de tempo que enverdece
Onde a mente ao corpo não padece
Essa antítese que Deus nos deu
Não questiono, serei sempre Eu
Alguns Proverbios Brasileiro:
Uma mão lava a outra e as duas lavam o rosto.
Cabeça vazia, oficina do diabo.
Um olho no peixe e o outro no gato.
Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.
Se conselho fosse bom ninguém dava, vendia.
Macaco velho não pula em galho seco.
Não se entra em briga que não se pode ganhar.
O pior cego é o que não quer ver.
Seja dono da sua boca, para não ser escravo de suas palavras.
Ri melhor quem ri por último.
Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
Quem não arrisca não petisca.
Não coloque todos os ovos em uma mesma cesta.
A rico não devas, a pobre não prometas.
Quem canta seus males espanta...
(Patife - Domínio Publico)
Marionetes de Sangue
Máscaras em cada rosto para mascarar fraquezas e sofrimentos.
Máscaras e fantasias de robôs.
Destroem os humanos
Cospem na humanidade
E premiam as máquinas de carne.
Comportamentos insensíveis premiados.
Escapismo hedonista,
Assasinos cruéis.
A Descoberta das Cordas
Mas mesmo assim complacentes.
Suas ações nunca foram totalmente livres!
Medo em cada olhar.
Marionetes!
Sensação de desorientação ao notar que fomos doutrinados.
Criadores das amarras sociais.
Desobedecer.
É assustador e doloroso.
Fomos enganados.
Polarização do tribunal.
Falta de nuance nas interações humanas.
Eu tenho nojo da sua visão de mundo binária e simplista!
A hostilidade cresce quando as pessoas se recusam a ouvir umas às outras.
É assustador e doloroso.
Corte a corda!
- Ramile Godon
Hoje parei diante do espelho
e, por alguns instantes, não reconheci apenas o meu rosto.
Reconheci o tempo.
Vi nas marcas da pele as páginas de uma história que só eu conheço.
Cada linha, uma lembrança.
Cada sinal, um caminho percorrido.
Cada olhar, um pouco de tudo aquilo que fui
e de tudo aquilo que ainda estou aprendendo a ser.
A vida passa…
silenciosa, ligeira, quase sem pedir licença.
E quando percebemos, alguns sonhos ficaram pelo caminho,
outros nasceram de novo,
e alguns simplesmente deixaram de fazer sentido.
Já sonhei tanto com o amanhã.
Já imaginei futuros inteiros dentro do coração.
Hoje, às vezes, olho para frente e não sei exatamente o que desejo encontrar.
E talvez isso também seja parte da vida.
Talvez nem sempre seja preciso ter um grande sonho,
um destino certo,
ou respostas para todas as perguntas.
Talvez, depois de atravessar tantas tempestades,
a gente passe a desejar apenas aquilo que o coração realmente precisa:
paz.
Paz na alma para fazer as pazes com o passado.
Paz na mente para silenciar aquilo que já não merece espaço.
Paz no coração para aceitar que algumas pessoas são passagem,
alguns sonhos são despedidas
e alguns finais são, na verdade, recomeços.
Hoje eu olho para as marcas que o tempo deixou em mim
e já não quero escondê-las.
Elas me lembram que eu vivi.
Que amei.
Que chorei.
Que perdi.
Que recomecei.
Que, mesmo quando pensei não conseguir,
continuei caminhando.
Ainda estou aqui.
Talvez essa seja a parte mais bonita da história.
O tempo levou algumas coisas,
mudou outras,
e deixou marcas que não posso apagar.
Mas também me trouxe uma compreensão que antes eu não tinha:
não quero mais uma vida perfeita.
Quero uma vida que faça sentido para a minha alma.
Quero dias tranquilos,
abraços sinceros,
risos que cheguem sem esforço,
silêncios que não doam
e um coração que finalmente possa descansar.
E quando eu me olhar novamente no espelho,
quero enxergar muito mais do que o rosto que envelheceu.
Quero enxergar a mulher que resistiu.
A mulher que ainda sente.
Ainda sonha, mesmo que de outra maneira.
Ainda acredita.
Ainda está aprendendo.
Porque talvez envelhecer não seja perder a beleza da vida.
Talvez seja finalmente descobrir
onde ela realmente mora.
E hoje, mais do que qualquer coisa,
eu só quero que ela more em mim
com serenidade,
com gratidão
e, acima de tudo,
com paz. 🌷
O espelho reflete o mesmo rosto, mas os olhos que o habitam pertencem a um estranho que nasceu no momento em que a dor chegou.
'Um brinde a mim,
por não aguentar nada calada...
Nem tento pois meu rosto fala!"
Tim...Tim!
Haredita Angel
29.12.23
O que é ser feliz de verdade?
Bem, ser feliz não é só ter um sorriso, no rosto, muitos consegue sorrir, mas não são felizes. Também não pode ser dinheiro como muitos acham, muitos tem dinheiro, mas ainda assim, não são felizes. O dinheiro pode até nos dar uma sensação momentânea de felicidade, mas isso é só sobre o tal “o tédio de ter e a ânsia de possuir”, depois que temos, a felicidade passa.
Acho que a felicidade está nas coisas simples, um milionário pode comprar muitas coisas, mas não pode comprar sentimentos bons. Ele até pode ser feliz, mas só se parar para refletir tudo o que ele já fez e tudo o que tem, assim ele pode viver uma boa vida. Uma pessoa, que é considerada pela sociedade “pobre”, pode ser feliz apenas por que tem uma família unida, muitos consideram isso muito pouco, mas não é ter uma família é ter uma base.
Cada um tem a sua felicidade, basta procurá-la. Uma a encontram em religião, uns na profissão, uns na família, uns nos amigos, uns em fazer o que gosta.
Ter a felicidade significa ser satisfeito em ter feito algo ou em possuir algo, e se sentir grato por isso.
É Carnaval!
E quem vê um rosto bonito,
um sorriso contagiante,
um físico sarado e atraente
suando folia no bloco…
não vê o HIV.
É Carnaval!
Rostos bonitos reluzem sob o glitter,
sorrisos contagiam como refrões fáceis,
corpos sarados e atraentes
suam liberdade no bloco
como se a vida fosse eterna
e a madrugada infinita...
Purpurina na pele,
desejos distribuídos como confetes,
beijos trocados na vertigem
entre um gole e outro
de ilusão líquida...
Mas ninguém vê
o que não veste fantasia...
Ninguém vê
o vírus silencioso
que não tem estética,
não escolhe beleza,
não pede currículo genético
antes de atravessar a pele...
O HIV
não desfila em carro alegórico,
não brilha sob o neon.
não dança ao som do tambor...
É invisível aos olhos encantados
pela superfície...
Porque saúde
não se lê no sorriso.
Responsabilidade
não se mede pelo abdômen definido.
E risco
não avisa antes de entrar...
É Carnaval!
Celebração do corpo,
da liberdade que pulsa na carne...
Que essa mesma liberdade
não seja descuido...
Que o desejo saiba sambar
de mãos dadas com a consciência.
Porque viver intensamente
também é saber proteger
a própria vida
enquanto a folia passa...
O Carnaval acaba
mas o HIV quando chega...
fica.
Usem a cabeça!
Usem a camisinha!
✍©️@MiriamDaCosta
..Olhos cheios de lágrimas,
mas um sorriso no rosto.
Quem disse que não combina?!?
Houve quem dissesse que eu e você também não daria certo.
Hoje percebo o quanto estavam errados..
Por onde passas, o que te destaca? Teus olhos? Teu rosto ou tua raça? Na verdade esta ali no canto da boca, um sorriso singelo que dor alguma disfarça.
Eu coloquei um sorriso sinistro no rosto, e guardei no bolso um coração partido. Olhei para o céu e vi a chuva caindo em cascata, porque quando se olha pras estrelas só se imagina o que mais gostaria de ter?
O cheiro de terra molhada me trazia uma lembrança de algo que nem cheguei a conhecer, então, como explicar a falta de algo que mal senti? Tenho aqui um coração trancado sem chave, provavelmente a fechadura estragou, ficou cega ou ela seja teimosa e não queira abrir.
Ri então, de toda essa ironia, a chuva que molhava minha janela, que levantava esse cheiro nostálgico de dias frios de poucas lembranças, era a mesma chuva que eu gostaria que me lavasse por dentro, me tirasse dessa armadura que vesti, mas ao mesmo tempo, só queria que chovesse, e talvez assim eu dormisse e sonhasse mais uma vez com aqueles dias de verão onde o que mais brilhava além do sol, eram nossos sorrisos rimados no mesmo tom.
Pareço de carne e rosto
Porém, meu desgosto maquia meu tanto
Do pranto sei desaguar pouco a pouco
No louco tento me desatar de tempos em tempos
Enquanto minha marcha tropeça nos fardos
Os poemas me vestem de um trapo denso
Pinto-me de vento, distraio-me de branco
Alento, solto traço, ao ponto de morar no beco
Rego o tempo, como quem distrai a biografia do prazo
Pesco teatro, indico fábulas, enquanto vou morrendo...
Seguir em frente quando a lagrima cai no canto do rosto
e relembramos o passado abrimos uma caixa chamada lembranças e talvez o choro passe e talvez o choro aumente, pois é nessa hora que sabemos que temos que fecha a caixa empurrar para debaixo da cama levantar a cabeça colocar um sorriso meia boca e seguir em frente.
Quando as lágrimas que escorrem em meu rosto secarem, o azul do céu e o verde da natureza retomarem espaço no lugar do vermelho que há em meus olhos, pode ter certeza que terei te esquecido
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