Motivação
ZÉFIRO
Paixão de vento é como dormir e ter um sonho tão real e
palpável que você acredita ser a deusa Clóris que espalha a beleza das flores pelo mundo a qual deu cores perfumes, mas basta despertar e constatar que foi apenas um delírio o qual por alguns instantes sentiu o sopro de Zéfiro o deus do seu pensamento que não lhe dizia absolutamente nada, pois vento não sente e tampouco fala...
Eu acredito naquilo que vejo…
mas às vezes eu não quero acreditar…
que como é fugaz crer em meus pensamentos…
aí eu percebo que são apenas criações daquilo que penso...
O rico acredita que pode moldar o seu destino (Porque tem recursos financeiros, às vezes vem até de berço para moldá-lo...). O pobre acredita que o destino acontece (Porque depende dos recursos e de muito esforço para construir o seu futuro...)
Prefiro acreditar que vou morrer sabendo que ainda posso encontrar tudo do que viver pensando que minha existência não é nada.
Ilusão no tempo é como dormir e ter um sonho tão real que você acredita ser a deusa Clóris que espalha a beleza das flores pelo mundo, a qual deu cores e perfumes, mas aí a gente constata que foi apenas um delírio que por alguns instante enxergamos o deus Zéfiro que nos desperta para a vida com o sopro do vento.
Tolos que somos. Vivemos acreditando ser diretores do grande teatro de nossas vidas, quando somos em verdade, meros figurantes.
O DIA DO MEU VELÓRIO
Pois é, eu acreditei que neste ano eu não morreria, cheguei a fazer planos. Mas como meu pai já dizia: "- o homem faz planos e Deus dá risada." ...
...e não é que ontem mesmo eu morri!!?
Organizaram até um velório, apesar de tantas vezes eu pedir aos amigos para que não expusessem meu corpo a essa indignidade...
No velório apareceu gente de todo tipo e com todo tipo de intenções. Teve gente que jurava que eu era um anjo nesta terra. Lógico que de imediato eram confrontados por aqueles que muitas vezes emergiram do inferno, junto comigo, para missões desonrosas.
Pessoas apareceram até para pedir perdão pelo abandono, pela covardia e pela maldade tantas vezes praticados contra mim. Mas como pode um corpo frio e sem ânimo perdoar alguém. Aliás, o perdão não pertence apenas a Deus ?!
Teve gente também que queria apenas constatar a minha morte para poder arrotar a valentia que estava engasgada pelo medo.
Teve gente que jurou que seu amor por mim seria eterno, mesmo após aquela sessão fúnebre que determinava meu fim. Essa mesma gente, enquanto eu vivia, nunca soube sequer o que era amar.
Como é deprimente um velório!
Gente falsa, fraca e hipócrita.
Por isso, eu cumpri com a minha mais premente promessa: Eu não estava lá.
Por um amor vira-latas:
Nunca acreditei muito nessas coisas de pré-destinação escritas e descritas nas estrelas, também nunca acreditei no acaso. Inferno astral ? bobagem ! No entanto, no limiar dos meus 40 anos, tenho sido tomado por pensamentos que cumprem um pouco as previsões e pragas lançadas, há tempos, pelos mais velhos. Dentre esses pensamentos, um tem sido recorrente, se feito presente até em meus sonhos, que é o pensamento de que o mundo se descortinaria e todas as etiquetas, rótulos e pompas da juventude se mostrariam como dispensáveis, inúteis e cansativos e nesse momento sentiria falta daquele beijo envergonhado, dado pela mãe, na porta da escola, daquele cachorro vira-latas que tinha encontrado na rua, sem raça definida e que me esperava sentado na rua, ainda em chão batido, que quando me avistava corria em minha direção e pulava no meu peito, com uma alegria tão generosa, que sem se importar se minha camisa ou meu avental branquinho se sujariam, lambia minha cara e honesta e fraternalmente, abrigava-se ao meu lado para dividirmos um pedaço de pão com manteiga ou outro alimento qualquer, não fazia diferença. Minha mãe ?! Sim, esbravejava e maldizia o cãozinho, ao ver o estrago que causara em minha roupa, mas com seu jeito caipira e também muito honesto, pegava o avental ou minha camisa, dirigia-se ao tanque, com uma pedra de sabão Rio, lavava as roupas, as estendia numa corda, que ela chamava de varal, para "cuará"... enquanto isso, eu e meu leal e honesto amigo, nos aquietávamos em algum canto da pequena casa e esperávamos que a velha se acalmasse e fizesse suas previsões: - Um dia você vai sentir falta de tudo isso, sentenciava. É, minha velha estava certa, ela ainda está viva e ainda fazendo previsões. Meu amigo vira-latas morreu. Os vira-latas, nunca sabíamos de onde vinham, quem eram seus antecedentes, quais eram suas comidas preferidas ou quais cuidados especiais deveríamos ter com eles, eles simplesmente apareciam e ofereciam o que tinham de melhor, o AMOR, e esse amor era tão puro e tão verdadeiro que eles também nunca nos perguntavam quais eram nossas origens, quais eram nossos gostos pessoais, eles estavam sempre dispostos a dividir um pão com manteiga ou nossos chinelos. Os pães e os chinelos eram escassos, o AMOR, esse não, o AMOR era abundante. Hoje compramos nossos amigos, com pedigree e recomendações de cuidados, compramos nossos amigos com etiquetas e pompas, nos desumanizamos para humanizar os bichinhos e pagamos caro para disfarçar nossa desolada solidão, pois o pedigree, os mimos e bibelôs não traduzem o amor. Hoje, já me desfazendo das cascas douradas e inúteis das horas, como diz o poeta, desejo apenas e profundamente um AMOR vira-latas.
”Seja coerente com suas atitudes, mantenha uma postura condizente com o que você acredita e fassa de sua vida um livro que em cada pagina fassa sentido...”
Muitas pessoas, não precisam de muito, apenas uma oportunidade, para mostrar seu belíssimo trabalho.
Muitos precisam de motivação e telespectadores, eu apenas de uma chance e uma grande xícara de café.
A idiossincrasia do amor
o amor é inexplicável
assim o acreditam, homens e mulheres
que não conseguiram amar nem serem amados.
Os poetas também se enganaram neste respeito
e até hoje tentam descrever o amor que não conheceram
atribuem aos seu arquétipo de afeto invisível, à musa,
toda sua erudição obtusa, incognoscível, para descrever
um amor impossível, contudo, dela se quer ganharam um beijo.
O amor é inconstante, inconsciente
sem passado e sem presente
o amor não se revela nem se esconde
o amor é um mito, é tudo e nada
é sombra e claridade, às vezes escuridão
por vezes é angústia, cárcere, privação.
O amor pode ser destino, para outros escolha
amores em branco, túmulos de silêncio
porta de engano... o amor é discreto,
não se pronuncia onde não lhe chamam,
pode ser secreto, em seu simples plano
de acorrentar os deuses e de libertar gigantes.
O mar das ilusões
O mar não pode secar
assim acreditam os mortais
sendo sua experiência permanente
na efêmera visão dos temporais
morre o homem, como morrem assim os animais.
E o mar não se abala, continua impávido, soberbo e soberano, sobre-humano, atemporal.
É o mar nossa idéia de refúgio
é do mar que sugamos o doce e o sal.
Foi do mar que saiu a vida andando, é para o mar que um dia nós voltamos.
Sem o mar não há sonho ou metafísica, é o mar nossa grande eternidade.
no fundo dos olhos
mora um abismo
que a alma atrai
viril e otimista
não há segredo
que afugente
o encantamento
da segunda vista...
NEM SÓ DE PÃO VIVE O HOMEM "da série: meu desassossego"
O trabalho é, para alguns espíritos, uma fuga da mente medíocre incapaz de criar belezas através da arte.
“O fato é que vocês não se suportam. Seu trabalho é fuga, um desejo de se esquecerem de vocês mesmos. Mas vocês não têm conteúdo... nem mesmo para a preguiça”.
Impossível não concordar com Nietzsche sobre este tema. Por exemplo, quem em seu desespero de conquistar o mundo, no afã de ganhar muito dinheiro produziu algo de belo, a ponto de se tornar eterno entre os mortais burocratas capitalistas?
Que estadista ou mega empresário teria tido o tempo, o dom e a paciência para escrever um Dom Quixote, ou quem sabe para elaborar a república de Platão? Quem pode imaginar, quem em sã consciência conceberia um Homero preocupado com o preço da gasolina ou mesmo do carvão, ou com o preço do barril de petróleo e seus derivados?
Nem só de pão vive a arte, embora não coma o pão da preguiça e nem beba o vinho da vaidade presunçosa, a arte é o vinho e o pão que nos alimenta, de beleza e esperança, é quem ascende o fogo do desejo de viver nas almas dos homens, é ela quem encanta as musas e dissemina a semente da fé no futuro da humanidade, sem a arte morreríamos de tédio: Salve Goethe.
Os artistas, embora lucos, são eles os guardiões da lucidez humana.
Fiz milhares de poemas
acredito na boa intenção de quase todos
poucos são anômalos
Alguns são verbos divinos
outros são velhos
muitas mulheres
alguns meninos.
São filhos da inquietação com o ócio
anjos híbridos com demônios
Alguns são desesperos
outros silêncios
apenas um é renúncia.
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