Moradores de Rua
Carnaval 2016
Carnaval, eita! como é bom
Samba no pé, pele suada
a rua, um cabaré
Eita!... como é bom
de um lado um beijo molhado
do outro, um desejo danado
e o coração zabumba bumba
no ritmo da canção
Eita! carnaval
overdose de pulsação.
Homem de rua
Depois de anos continuava ele ali sentado
Sempre a observar o nada
Ou a pedir uns trocados.
Sujo, imundo e maltrapilho,
Na sua liberdade ambulante
De súbito viu distante
Um brilho desconcertante.
Levantou com certa preguiça dada pela fome,
Caminhou lentamente,
Abaixou e pegou o diamante.
Ele não tinha por certo o que era,
Mas a intensidade do brilho
Fez guardar nos seus trapos.
Assustou-se com o que ali perto ocorria,
Aquietou-se nos seu espaço.
Era uma batida policial por um assalto.
Mandaram que se levantasse
E acharam a pedra maldita.
Perguntando quando a roubara
Ele nem chegou a abrir os lábios,
Colocaram nos seus pulsos e pés as algemas.
E o levaram ao delegado.
O desgraçado apanhara e fora preso,
O pobre que nem sabia o quanto valia
A pedra que achara ao acaso.
Agora lá sentado a olhar para as paredes
Que nunca tivera um dia,
Por causa de uma estranha pedra brilhante
Que para ele pouco valia.
A pedra lhe tirou a vida de vagamundo
A única liberdade que tinha.
Palavra Nua
Uma palavra nua foi vista na rua.
Chamaram as autoridades.
Que despudor permitido,
Deixar palavras sem nome,
Se expondo desvalidas.
Uma moça de poucas vestes sugeriu cobri-lhas.
O cirurgião queria por já cortá-las.
O alfandegário, indagava-lhe a origem.
Porque não lhe põem algemas, questionou um transeunte.
Podem lhe dar açoite, para recuperar o respeito, profetizou o Vigário.
E a palavra nua, destemidamente aguardava,
Que surgissem gentes que pudessem encantá-la.
Carlos Daniel Dojja
In Poemas para Crianças Crescidas
COMPREENSÃO
A rua onde nasci era larga e extensa de vozes.
Nela havia uma velha casa de espera e de descobertas.
Minha mãe me ensinava a brincar de ver.
Ficava ao meu lado e com suas mãos me entregava seus olhos.
Dizia-me: O que vens?
Eu menino, com zeloso brio elaborava narrativas não aparentes.
As vezes via um pássaro falando com o vento.
Ora, era um arco-íris despontando no anoitecer.
E até eu voava, buscando palavras com asas.
Lembro-me quando lhe disse:
- Estou vendo uma dança no céu.
E ela pediu-me para tomar cuidado com os instrumentos, marcar os passos, ouvir a sinfonia.
E asseverou: Veras na vida aparências e essências.
Mas não tenha receio de vislumbrar.
No fim o que fica é o que se olha para dentro.
Antes de saber ler e escrever compreendi a ver poesia.
Carlos Daniel Dojja
In Poemas para Crianças Crescidas
Titulo:"Filho de Mãe Preta"
Em saltos tantos,andando pela rua,era madrugada,encontrei a beira da calçada,um pobre camarada...
Percebi que estava faminto,e que também era menino,muito novo,e eu alí de novo sem saber o que fazer...
Peguei-o pelo braço,e contendo meu abraço,com meu corpo o agasalhei...
Levando em meu lar,comecei a perguntar onde estava sua família,sua mãe ou até mesmo uma tia...
A criança exclamou,com olhar entristecido...
_Olha pra mim seu moço,pois acho que fiquei sozinho,e se puder me dê guarita,uma cama,um pouco de água e comida,que serei bastante grato,e te garanto será breve minha estadia.
Eu fui criado na rua,vi muitas vezes minha mãe nua,sendo estrupada por bandidos,na minha frente eu vos digo,sem eu poder fazer nada...
Essa mulher da qual te falo,trabalhava em restaurante,das 18 horas em diante pra poder me sustentar,e veja só que ironia,vivendo assim sem garantia eu não a pude proteger,e talvez ate eu mesmo,teria o tal destino se não fosse por você.
Agora só quero vingança,matar a todos que a feriu,pois apesar do sangue nos olhos,o peito esta sofrendo e a culpa eu lhe digo,da morte de minha mãe é do sistema do Brasil,que devido alguns políticos,que talvez eu seja filho, consideram a todos que moram nas rua como mendigos.
Muitos são trabalhadores,que devido o aluguél que é cobrado,e não pago vão morar em esconderijo.
Eu só penso em morte e vingança,pois nunca tive infância,nem brinquedos pude ter.
E meu pai senhor,não conheço nem a cor e nem quero conhecer.
_Calma disse eu ao garoto...que agarrou em meu pescoço e não quis mais soltar.,pedindo chorando se eu pudesse lhe ajudar.
Um nó prendeu minha garganta,e falei pra aquele jóvem,que lhe faria o possível.
Apesar de minha dificuldade financeira,não me considero pobre,pois eu vivo na certeza de que Deus é meu suporte.
O homem mata uma nação,por ganancia e egoísmo,se esquecendo que uma criança,viveria do seu desperdício.
Desperdício de alimento,de cultura e de saúde,desperdício de carater,de justiça e virtude...entre outros desperdicios do planeta...
E o que mais me magoa,foi ouvir de sua boca,que tudo isso aconteceu,por ser filho de Mãe Preta.
Hoje ao passar numa rua vi uma moça com uma criança bem novinha nos braços. Eu disse a mim mesma que um dia eu também tive um filho assim em meus braços. Essa saudade mareou meus olhos.
Enlouqueça
Enlouqueça para sentir
Fique louca e dance, pule
Beije aquela boca na rua e sinta a vibração da música tocar dentro de si
Fique louca
Fique ousada
Fique atrevida
A loucura liberta.
O que seria da lagarta sem a loucura do casulo?
Jamais seria borboleta pra loucura do vôo.
Enlouqueça e viva
Fique louca e se jogue sem medo de mudar
Fique louca e jogue sem medo de amar
Enlouqueça e quebre as regras da sanidade
Retire as máscaras que te impedem de viver
Enlouqueça e viva
Simplesmente viva a deliciosa loucura que é viver.
Kátia Osório
Eu vi um rosa
- Uma rosa branca -
Sozinha no galho.
No galho? Sozinha
No jardim, na rua.
Sozinha no mundo.
Em torno, no entanto,
Ao sol de meio-dia,
Toda a natureza
Em formas e cores
E sons esplendia.
Tudo isso era excesso.A graça essencial,
Mistério inefável
- Sobrenatural -
Da vida e do mundo,
Estava ali na rosa
Sozinha no galho.
Sozinha no tempo.
Tão pura e modesta,
Tão perto do chão,
Tão longe na glória,
Da mística altura,
Dir-se-ia que ouvisse
Do arcanjo invisível
As palavras santas
De outra Anunciação.
O Carneiro
Quando eu tinha 5 anos morava em Monchique. Estávamos na rua da casa. Eu meu pai, mãe e meus irmãos! De repente passaram pela rua um certo número das ovelhas de meu pai. Mas vinha um carneiro também. O carneiro avançou sobre mim às marradas, a mim. Eu me levantava, mas o carneiro me voltava a marrar. Aí eu caía e me levantava, mas o carneiro me marrava e eu caía. E isto só parou quando já não sei quem, alguém da familia me foi acudir! Aí eu ainda hoje penso no assunto!
Saiamos à rua em nome de Jesus Cristo. Dizendo nele há esperança e salvação. Somente ele Jesus Cristo é o salvador!
Que o carro venha de encontro com o meu corpo em qualquer rua da vida e que eu vá de encontro com a morte em qualquer parte do fim!
Cruzei com um maluco na rua e ele me perguntou se estava tudo bem? Rapidamente, falei que sim, e ele sussurrou no meu meu ouvido: só os normais acham isto....
Cai minha lágrima dos olhos.
Cai bêbado na minha rua.
Cai minha internet .
Cai minha energia bem na hora da novela.
Só não cai dinheiro na minha conta.
Tô farto das pessoas! Tô farto da rua! Tô farto do mundo! Se eu fosse trilionário, eu ia montar uma Kamorra City na lua, e vazar pra lá!
Camorra é conflito, é briga de rua, é sangue nos dentes.
Kamocha é reflexo divino, é "como Tu", imagem do Eterno.
Kamorra é o encontro entre os dois: a força do homem que luta, guiado pela luz que não se dobra.
Antes de dizer nao tenho nada.
Olhe bem para dentro de si.
E se compare com aquele que mora na rua. Nao tendo nada ele tem tudo .
A fé em Deus que o faz forte para se sustentar.
E aquele que tem tudo, poucas vezes lembra de agradecer aquele a quem o sustenta.
Pense Nisso.
