Morada
O sucesso jamais é morada definitiva, assim como o fracasso não representa o abismo final, ambos são estados transitórios de uma existência em constante construção.
É na insistência silenciosa, quase brutal, de continuar mesmo ferido, que o homem se revela a si mesmo.
Entre os escombros da derrota e o fulgor sedutor da glória, existe um território árido onde poucos ousam permanecer.
Ali, onde o medo tenta enraizar-se na alma, resistir torna-se um ato de criação.
E é somente quem enfrenta esse vazio que, com as próprias mãos, escreve uma história que não se apaga.
- Tiago Scheimann
A esperança é curiosa: costuma escolher como morada exatamente os corações que já não acreditam merecê-la.
O Ponto Fixo do Trânsito
O Agora é a minha única morada, o ponto exato,
a quietude que o caos me permite reivindicar.
Se o defino, ele já é Presente-Passado,
a matéria de memória, a substância de tudo que o riso dos deuses levou.
Não é um vazio findo, mas o volume da minha história,
a textura viva da cicatriz que me torna necessário.
Mas o Agora é também, e sem trégua, Presente-Futuro,
a tensão que me impede o ócio inabitável.
É o vetor da força que move o Ser para o devaneio lúcido—
a criação de um paraíso possível,
mesmo quando a lucidez me diz que ele é breve.
Pois sei que as coisas transitam ao meu redor
e a minha perspectiva é o único centro real.
Se o mundo gira e a folha cai,
minha presença é o ângulo irrepetível
que dá forma e cor à velocidade do trânsito.
Os Deuses, lá no alto, podem rir da minha seriedade,
rindo da minha busca por um sentido,
zombando da pequena chama da minha vontade.
A gargalhada deles é a confirmação:
A vida é regida pela ironia lúdica, não pelo mérito.
Mas a síntese é a minha resposta:
Eu não preciso de um plano perfeito.
Eu sustento a minha existência apesar do riso,
criando o meu próprio éxtase no intervalo.
Eu sou necessário para completar a canção,
e mesmo sabendo que o futuro é incerto,
eu carrego a coragem indiferente de quem sabe:
O ato de estar aqui, no Ponto Exato do Agora,
já é o maior e mais belo de todos os propósitos.
ALICE RAIO DE LUZ
Nas terras de Canaã,
Num reino abençoado,
Onde o amor faz morada
E o bem é celebrado,
Há uma princesa encantada
Por todo povo admirado.
O amor reina soberano,
A justiça é sentinela,
A paz floresce nos campos
Feito jardim de aquarela,
E a esperança canta versos
Sob a luz da lua bela.
Seu nome é doce Alice,
Raio de luz reluzente,
Beleza de anjo divino,
Sorriso puro e contente,
Que espalha brilho e ternura
Por onde passa entre a gente.
Seu olhar lembra as estrelas
Que iluminam o sertão,
Seu coração generoso
Transborda compreensão,
Distribuindo bondade
Como chuva sobre o chão.
Nobres curvam-se à sua graça,
Plebeus lhe ofertam carinho,
Pois nunca negou um abraço
Nem deixou alguém sozinho,
Transformando cada encontro
Num florido e doce caminho.
Sua realeza não vive
De ouro, prata ou riqueza,
Mas da sabedoria justa
Aliada à gentileza,
Que faz do seu reino inteiro
Um exemplo de grandeza.
Quando Alice dá conselho,
Fala mansa e verdadeira,
Até o vento silencia
Na mais distante fronteira,
Para ouvir sua palavra
Tão serena e certeira.
Os jardins ganham mais flores,
Os pássaros mais canções,
As fontes correm mais claras,
Os campos têm mais paixões,
Pois sua presença espalha
Luz nos mais nobres rincões.
Nas maravilhas do reino,
Entre encantos e magia,
Alice segue brilhando
Como o sol que anuncia
Que a bondade e a esperança
Vencerão a cada dia.
E assim canta este cordel
Com respeito e devoção:
Viva Alice, raio de luz,
Orgulho de Canaã então,
Princesa amada por todos,
Rainha do coração.
Tenho morada garantida
no teu pensamento,
As tuas linguagens secretas
do amor e das flores,
confirmam o sentimento:
Que sou a que liga
o céu e a terra em mim
baixo o Hemisfério Austral.
Não acredito em acidente,
é tudo muito coincidente.
Ñuble, Biobío, a Patagonia
dos dois lados me doem,
Tudo na minha terra me dói
e Tariquía me preocupa,
E em ti sei que também
dói de maneira absoluta,
muito próximo de tortura.
Não acredito em acidente,
tem muita gente conivente.
Querem transformar a vida
continente totalmente numa
vida distópica e absurda,
E ficam testando a paciência
para uns como ciência oculta,
e plantam a coletiva dúvida.
(Da nossa parte para eles não
existe perdão, esquecimento,
e tampouco nenhuma desculpa).
Paz
A minha morada
é a morada da paz.
O meu pensamento
é feito de paz.
A minha Cidade
é a Cidade da paz.
A minha emoção
é feita de paz.
O meu Estado
é o Estado da paz.
O meu sentimento
é feito de paz.
A minha Nação
é a Nação da paz.
Os meus sonhos
são sonhos de paz.
O meu Continente
é o Continente da paz.
Os meus desejos
são desejos de paz.
O meu Hemisfério
é o Hemisfério da paz.
A minha comunicação
é a comunicação da paz.
Se qualquer pessoa
ou circunstância
for diferente da minha paz,
a cabeça jamais faz.
Não permanecerei por perto
para que tenha acesso,
nem darei sucesso
a tudo o que não é de paz
Viver em paz a diferença faz,
e o melhor sempre nos traz.
A linguagem não apenas nomeia o ser; é a morada silenciosa na qual o ser encontra sua possibilidade de aparecer.
Meu corpo,
é a morada do meu eu,
a vida aqui dentro,
e nele mora também todas as vidas que eu já vi.
A Crueldade das Indiretas só encontra morada na Inviabilização do Debate.
Confundi-las com ironia é pagar para se precipitar no abismo da guerra palavrosa.
Quando a palavra não é dita face a face, mas atirada ao léu, ela não busca construir, mas ferir.
As indiretas carregam o veneno medonho da ambiguidade: dizem sem dizer, acusam sem assumir, afastam em vez de aproximar.
No lugar do diálogo sincero, abre-se espaço para mal-entendidos, ressentimentos e silêncios pesados.
Debater é olhar nos olhos, é sustentar a própria convicção sem precisar se esconder em meias-palavras.
Por isso, toda indireta é uma recusa ao encontro verdadeiro — uma forma disfarçada de fugir da verdade que poderia libertar.
Afinal, só há debate quando há coragem de expor, ouvir e responder.
Tudo o resto não passa de ruídos orquestrados ao desserviço do encardido.
Meu coração, hoje deserto
Da paixão, já foi morada
Estando só, pela estrada...
Faço minha confissão:
Bem melhor que andar sozinho
É encontrar no caminho
Um rastro a mais pelo chão...
Pareado, lado a lado
Nem adiante, nem pra traz
Isso sim; é o que faz
Deste trilhar, escolhido
Um caminho, bem percorrido
Que mesmo, sem norte ou sentido
Sabe bem aonde chegar!
A dor não escolhe morada
Quer a todos e se chega calada
Se apossa do interior do ser
Vai tirando a alegria de viver
Por debaixo dos braços a bíblia farà sua morada,e tu iràs vagar por não entender o sentido,do verdadeiro amor
Minha vida, meu vazio
Solidão hoje é minha "nova" morada,
nesse quarto gelado , não tenho nada,
toda noite sonho, as coisas boas do passado,
sonhei que ainda tavas do meu lado.
Os anos vão passando e a fase ruim piora,
é fácil falar mal, pra quem ta de fora,
dia 2 de maio, 21 anos vou completar,
mas não tenho nada pra comemorar.
A palavra felicidade é ficção cientifica,
não tem comédia, só o drama que fica,
lágrimas não são falsas, que nem televisão,
a dor é verdadeira, machuca o coração.
O tempo vai passando e isso não vai mudar,
porque em 2012 o mundo vai acabar,
pelo menos eu espero isso acontecer,
é a única maneira, para o meu vazio desaparecer.
"Quando a saudade faz morada dentro do coração não se consegue arrancá-la, seria necessário jogar o coração fora..." (Irene Aguiar)
