Moldura
MOLDURA DA SAUDADE
Madrugada fria e ela lê uma saudade batendo
intensa pela fresta da janela .
Não há como fugir !
Os olhos não se fecham...
Inertes conversam com o que ficou
Percorrem a lugares de imenso vazio
O coração dispara frio
num descompasso de ausências
do que desbotou.
O aperto explode no peito
As notas das lembranças dançam
por entre espinhos .
Nos lábios um gosto amargo
daquele amor
Chorou
E ela permanece assim
Naquele canto
sozinha
contando estórias de faz de conta
em prosa e verso para ninguém
ouvir
A moldura daquele sorriso lindo
ainda passeia com devoção
em sua insônia
Os cheiros ,os enfins ,os trejeitos ,os resquicios dele
gritam em seu peito feito
zum zum zum de tamborim.
E um samba de saudade cria asas e
explode caos em seus silêncios
Numa nostalgia cinza e dolorida
que parece não ter fim.
conspirações
alguma coisa se desprende do meu corpo
e voa
não cabe na moldura do meu céu.
sou náufrago no firmamento.
o vento da poesia me conduz além de mimo sol me acende
estrelas me suportam
Odisseu nos subúrbios da galáxia.
amor é o que me sabe e o que me sobra
outro castelo que naufraga
como tantos que a força do meu sonho
quis transformar em catedrais.
ilusões? ainda me restam duas dúzias.
conspirações de amor, talvez não mais.
O Avesso da Fala
Tateio o que ficou sem legenda,
o que não coube na moldura da frase pronta.
Não é mais sobre o que os lábios dizem,
mas sobre o que o silêncio grita
quando a gramática do afeto entra em colapso.
Houve um tempo de certezas lineares,
de palavras que descansavam no papel como pássaros.
Hoje, o que sinto é arqueologia:
escavo o peito à procura de um sentido
que não se explica, apenas se atravessa.
Queria entender a mecânica dessa ausência,
o exato ponto onde o nó se tornou rastro.
Mas a fala tem seu avesso,
e é lá — onde a voz tropeça e o ego cala —
que finalmente me encontro,
inteira,
em tudo o que não sei dizer.
Poesia de Islene Souza
A Lente do Tempo
Dois olhares, um só foco,
Na moldura do que fomos e seremos.
A amizade é esse nó bem dado,
O cais seguro onde sempre batemos.
A distância é estrada, por vezes vil,
Mas a saudade é bússola, é norte.
Quem guarda o outro no peito, no pefil,
Faz do amor sua maior sorte.
Fica a esperança de um novo “clique”,
De um abraço que o tempo não consome.
Pois não há mar ou muro que se estique,
Que apague a luz de quem honra o nome.
O corpo agora é apenas a moldura de uma tela , fomos colonizados pelo ruído e hoje assistimos a nossa própria vida como quem olha através de um vidro sujo.
Que você fique —
não apenas na moldura dos meus dias,
mas na essência silenciosa do que sou,
no espaço entre um pensamento e outro,
onde mora tudo o que ainda não sei dizer.
Fica nos meus planos desajeitados,
nas promessas que faço ao vento,
nos caminhos que invento só para ter
a desculpa bonita de segurar sua mão
como quem segura o próprio destino.
Fica nas minhas manhãs apressadas,
no café que esfria enquanto penso em você,
nas noites em que a saudade sussurra seu nome
e transforma ausência em esperança,
distância em vontade de abraçar.
Mas, acima de tudo, fica no meu coração —
faz dele teu abrigo, tua calma, tua certeza.
E se o mundo lá fora for tempestade,
fica…
porque é em você que encontro lar.
Libertei meus sonhos que fizeram do tempo uma moldura na parede e toda vez que vem chuva e vento eles se transformam em pássaros.
O tempo nos restaura, moldura, nos faz enxergar o que antes jamais enxergaríamos. Eu costumo dizer que, o tempo é o mestre que tudo ensina, ele sabe o momento certo de cada coisa acontecer. Não adianta querer atropela-lo. Com ele aprendi a desenhar meus caminhos, aprendi a ter calma, a escutar o coração das outras pessoas, sem querer saber mais, apenas ouvindo o que o outro tem a dizer.
A escola nos ensina diversas coisas, a família nos orienta nas melhores escolhas, porém somente o tempo, nos dá o prazer de colocar tudo isso em prática, de errar e depois acertar. Ele é mestre em curar os nossos machucados. Tem cicatrizes que só ele é capaz de apagar, mesmo que demore muito, um dia ele chega na hora certa e tudo fica bem novamente.
Não tenha medo do tempo, ele é tão bom, tão aconselhador, e, sempre tem algo bom para nos mostrar, basta apenas acreditar em seus ensinamentos, afinal, ele tem idade o suficiente para saber o melhor para cada um de nós. Que o tempo, nosso amigo de sempre, nos dê forças para entender todos os caminhos que nos é mostrado, sem questionarmos tanto, e sem termos medo, apenas paciência de esperar dias melhores, aqueles em que o tempo nos ajuda a sorrir e escrever a nossa história sem medo de errar.
O sorriso é uma moldura feito espelho que reflete – não o que o coração sente – mas o que os homens querem ver.
RETRATO NO TEMPO
Vejo-te amor antigo:
Fotografia na moldura;
nem tempo ou eternidade desfará.
E quando as horas passarem.
Longas... Silenciosas
no mundo exterior,
envelhecendo nossas noites sem luar;
os lábios e os beijos.
Tu estarás: intacto... Estático:
O mesmo riso, o mesmo rosto.
E abraçarei teu retrato
como se assim pudesse conter-te
eternamente, por entre os braços.
Meu amor é o mesmo só mudei de moldura.
Gente interpretação é como; há, há ha
Mas tem quem não interpreta nada,
e sai chamando quem escreveu de burro.
Como essa frase minha, tem gente
que acredita mesmo, que é moldura.
22/07/2018
Hoje peguei a moldura da minha santinha,
que a muito tempo não via.
Já que a fé e esperança de tanto pedir e sofrer,
tinha ficado pra traz,
Foi então que percebi de relance;
Sua face serena tal qual como em luz,
E tendo às mãos a santa cruz de Jesus,
me fez compreender e amar.
Disse à ela com voz pesarosa de dor,
mirando neste interior de coração pecador:
Me deixe também carregar esta cruz do Senhor!
A voz de alívio, então, se fez ouvir;
Pois, foi aceitando o peso da dor.
Que meu coração, enfim, desabrochou para o amor!
(Dedicação à irmã Teresinha do Menino Jesus)
