Mistério
Há mais coisas a serem ditas do que o silêncio pode explicar…
A existência humana é uma misteriosa tapeçaria de pensamentos, decisões e crenças, cujos fios se entrelaçam em padrões que, muitas vezes, apenas o tempo revela. E, ainda assim, há algo que transcende o tempo e a lógica. Uma força superior, um Criador, que não apenas ordena a vida, mas a sustenta. Minha prioridade absoluta é Ele, o cerne de tudo o que existe. Não há como contornar essa verdade: sem fé, o homem é uma casca vazia, um barco à deriva em mares revoltos. A fé não é apenas o alicerce do que esperamos, mas a audácia de acreditar no invisível, naquilo que não vemos, mas sabemos ser real. Noé construiu uma arca não porque viu a tempestade, mas porque confiou no aviso. E essa confiança, esse temor reverente, é o que move montanhas e nos salva de nós mesmos.
A vida sem o Criador é frágil. Tão frágil quanto uma teia de aranha, que brilha ao sol, mas se desfaz ao menor toque. E, no entanto, é curioso como as coisas mais sólidas da vida vêm de lugares aparentemente simples. Para mim, há uma verdade que não posso ignorar: o conselho da minha mãe. Em um mundo tão barulhento, onde opiniões são lançadas como flechas, há uma sabedoria silenciosa e firme naquilo que ela diz. É como se suas palavras carregassem um peso que o tempo não consegue apagar. É o tipo de verdade que não precisa gritar para ser ouvida.
E falando em verdades que se cravam em nós, uma frase me assombra desde que a li: "Aceite os sinais confusos como um não, porque o sim é inconfundível." Tantas vezes na vida ficamos presos em uma teimosia cega, tentando decifrar indecisões que, na verdade, já carregam sua resposta. Aprendi que insistir onde não há reciprocidade é como tentar encher um balde furado: desgastante e inútil. Então, passei a colocar as pessoas no mesmo lugar que elas me colocam. Não por orgulho, mas por equilíbrio. É preciso dar o que se recebe, e nada mais.
Quando me entrego, entrego tudo. Não sou de metades. Sou do tipo que se atira no que acredita, mas, se recuo, não volto. Há uma linha invisível que, uma vez cruzada, não permite retorno. Isso não é fraqueza; é respeito por mim mesmo. E respeito é algo que se constrói com coragem. A coragem de entrar na arena e fazer o que precisa ser feito, enquanto tantos se acomodam na arquibancada, apontando o dedo. Quem está na arena entende que a vitória não vem do conforto, mas da ação. E, para agir, nem sempre é preciso estar motivado. Descobri que a motivação não é um ponto de partida, mas uma consequência do movimento. Você começa, e a motivação chega. É simples assim.
Já vivi momentos em que um oceano inteiro me esperava, mas eu insisti em nadar em uma poça d’água. Por medo? Por comodismo? Talvez. Mas, com o tempo, entendi que todo grande resultado nasce de pequenas ações diárias. Cada página lida, cada detalhe resolvido, conta. O progresso não se constrói em saltos, mas em passos. E, ainda assim, só quem está em silêncio entende o barulho que a própria mente pode fazer. Quem se cala, muitas vezes pensa mais do que deveria.
Por isso, empenho-me em construir minhas próprias alegrias. Delegar essa responsabilidade a outros é um erro colossal. Felicidade não é algo que se terceiriza. E, se há algo que aprendi, é que ninguém inveja o medíocre. Ninguém odeia o irrelevante. Ser verdadeiro, ser sólido, ser “de verdade” assusta muita gente. E gostar de mim é perigoso, porque não finjo. O mundo está cheio de máscaras, e quem não usa uma sempre será uma ameaça.
A maturidade ensina lições curiosas. Às vezes, é preciso silenciar, mesmo quando há muito a dizer. Não porque não se tenha razão, mas porque o silêncio, em certas situações, é mais eloquente do que qualquer palavra. Também aprendi que sou substituível no que faço — qualquer um pode desempenhar minhas funções. Mas quem eu sou, na essência, é insubstituível para aqueles que me amam de verdade. A vida é curta demais para ser o “talvez” de alguém. Curta demais para insistir onde não há espaço para mim.
E, talvez, o maior aprendizado seja este: o que é meu me encontra. Mas não espero esperando. Espero vivendo. Não se trata de passividade, mas de confiança. O caminho certo é sempre aquele que me aproxima do que me faz sentir vivo. Todo o resto é perda de tempo. E, por mais que o ego possa nos levar longe, ele nos deixa sozinhos. A gentileza, por outro lado, constrói pontes. Está todo mundo se curando de alguma coisa que não conta para ninguém. Ser gentil é um ato de coragem em um mundo endurecido.
E assim sigo, com a certeza de que ninguém passa pela minha vida sem deixar uma lição. Algumas pessoas partem, outras ficam, mas todas ensinam. E, ultimamente, tenho imaginado que o que está por vir é maior do que qualquer plano que eu possa traçar. Há um propósito que supera minha compreensão. Por isso, sou bom, mesmo quando o mundo é cruel. Ser bom não é fraqueza; é força.
E, quando percebo que algo não faz diferença, eu paro de insistir. Afinal, a vida é curta, e eu sou a versão mais jovem do resto da minha existência. O que quer que eu esteja pensando em fazer, faço agora. Porque o tempo, esse mestre implacável, não espera por ninguém.
A busca espiritual e o materialismo…
Mergulhar no insondável mistério da existência é adentrar uma tapeçaria viva, onde cada fio revela a complexidade da Criação e a profundidade do Criador. Nesse cenário, uma pergunta se ergue como baluarte da reflexão: buscamos o Criador em sua essência inefável, enquanto origem e fim de tudo que existe, ou limitamos nosso anseio à obtenção de dádivas, restringindo o Infinito às molduras de nossas necessidades e prazeres efêmeros? Tal questionamento não é meramente teórico, mas ecoa na prática de uma sociedade que, demasiadas vezes, parece instrumentalizar a transcendência, transformando-a em serva de suas ambições mais materiais.
Vivemos em um tempo em que o sagrado é frequentemente diluído pela lógica do utilitarismo. O Criador, na percepção de muitos, é reduzido à condição de fornecedor celestial, cuja função primordial seria atender aos caprichos humanos. É como se a eternidade fosse invocada para resolver as questões do instante, e a infinitude divina fosse comprimida nos estreitos limites do desejo humano. No entanto, esse tipo de relação, em que o Divino é medido pelas benesses que concede, não apenas empobrece o significado da espiritualidade como também aprisiona o indivíduo em uma visão de mundo truncada, onde tudo o que é transcendente perde seu caráter absoluto e se torna apenas um meio para fins terrenos.
Essa inversão de valores, onde o Criador se torna acessório e o material se torna o objetivo, é um reflexo de um profundo desvio existencial. Quando a busca pelo Divino se esvazia de sua dimensão genuína e se contorce sob o peso do interesse egoísta, o indivíduo não mais caminha em direção à transcendência, mas retrocede rumo à estagnação. A espiritualidade assim concebida não é mais que um simulacro, uma sombra de sua verdadeira natureza, incapaz de conduzir à plenitude.
Por outro lado, há aqueles que, em meio ao ruído das ambições mundanas, conseguem perceber algo mais profundo: a comunhão com o Divino como fim último e absoluto. Para esses, o Criador não é um recurso a ser explorado, mas o horizonte supremo que atrai a alma em sua jornada. Esse caminhar espiritualista não se define pela negação do mundo, mas pela superação de sua superficialidade. As posses, os prazeres e as honrarias podem surgir como circunstâncias do caminho, mas jamais como destinos finais. O verdadeiro buscador almeja a Fonte, não as gotas; deseja o Sol, não os reflexos dispersos de sua luz.
Contudo, essa perspectiva elevada é rara, e sua raridade é um espelho de nossas limitações enquanto espécie. Muitos se aproximam do Criador movidos pelo temor da perda ou pela esperança de ganho, e, embora tais motivações possam ser um ponto de partida, tornam-se insuficientes para sustentar uma relação autêntica com o Absoluto. Uma espiritualidade fundada no "dá-me para que eu creia" ou no "protege-me para que eu te louve" permanece enraizada no materialismo, ainda que mascarada por rituais e doutrinas. É necessário transcender esse estágio inicial para que a alma, livre de suas amarras, possa contemplar o Divino em sua plenitude.
Buscar o Criador em sua essência é, antes de tudo, reconhecer que Ele não é um meio, mas o próprio fim. Essa busca exige uma entrega radical, uma disposição a abandonar tudo o que é transitório em prol do que é eterno. Não se trata de negar o mundo, mas de perceber que ele é um reflexo pálido de uma realidade maior. Como seres criados à imagem e semelhança do Eterno, somos convocados a manifestar em nós os atributos divinos: amor incondicional, justiça perfeita, unidade inquebrantável. Essa manifestação não é um ideal distante, mas um chamado urgente, uma necessidade que brota da própria essência do ser.
A intimidade com o Criador não se constrói no âmbito das trocas, mas no espaço da transcendência. É um relacionamento que demanda silêncio interior, humildade e a coragem de deixar para trás as ilusões que nos prendem à superfície da vida. Quem busca o Divino por aquilo que Ele é, e não pelo que pode oferecer, encontra, paradoxalmente, tudo aquilo que jamais poderia imaginar. Pois é na entrega ao Infinito que a alma se plenifica, e é na comunhão com o Absoluto que o ser encontra seu verdadeiro propósito.
Assim, o convite que ecoa pelas fibras da existência não é outro senão este: abandonar a cobiça do efêmero e mergulhar no mistério do Eterno. Que cada anseio, cada pensamento, cada ato seja uma oferenda ao Criador, não como um meio de obtê-lo, mas como uma celebração de sua própria existência. Pois Ele é, ao mesmo tempo, a origem e o destino, o princípio e o fim, o fundamento de tudo o que é e a razão de tudo o que pode ser. Buscar a Deus por amor ao próprio Deus – eis a mais elevada de todas as aspirações. E nela reside a verdadeira liberdade.
Gratidão pelos corações 💗
Não sei quem tu és, mistério doce,
Teu carinho desliza como a brisa,
Em cada gesto, uma luz que me abraça,
Fico feliz, agradeço, a alma se enriquece.
Teus beijos são sussurros de amor,
Respeito entrelaçado em cada toque,
E nesse encanto, descubro o que importa,
Um laço invisível que o coração acolhe.
Essa aura de mistério que me puxa, me cobiça, me atiça, me enfeitiça.
Me implora, me explora, me devora...
Me encendeia com a incerteza e me presenteia com o querer.
Dissolva meu desejo e me deixe sem rumo ...
o caminho
é mistério
cheio de curvas,
tem espinho
que machuca o pé.
falo sério!
não pode perder a fé.
o caminho
é mistério
como o amanhã,
que não se sabe
o que vem pela frente.
Eu esqueço o passado
Abraçando o presente.
Vou em frente
Não fico parado.
O dia é um mistério
Cheio de adversidades
Com mentiras e verdades
Escritas nas nossas histórias,
Sempre buscando protagonizar o bem
E derramar amor
Por onde passar...
O desconhecido traz mistério
Instiga a busca por revelações
A curiosidade
O domínio de que querer saber mais
O delírio de querer abraçar o mundo
E segurar na palma da mão.
Certa feita o mistério se encontrou com duas irmãs caridosas: a fé e a esperança. Do resultado desse encontro nasceu o milagre
Quando alguém está predestinado a ser seu par pelo resto da vida, não há nada que mude o mistério insondável do amor, nem mesmo o tempo gasto e escasso dos dissabores espalhados pelo mundo
Talvez seja pelo grande desequilíbrio causado no mundo que a razão realiza-se num mistério profundo
O mistério da vida só será revelado quando as sementes que foram plantadas aqui na terra possam nos levar a colher seus frutos no mais alto dos céus
pântano
Algum dia serei uma floresta com todo seu mistério
Moleque saci, curupira, caipora, lobisomem...
Então serei riacho com águas cristalinas e pouca profundidade,
Algum dia serei uma cidade com seus viadutos e arranha-céus
Algum dia serei o mar com suas sereias e todo encanto divino,
Algum dia serei poeta com o coração empenhado
Por meia dúzia de olhares, sofrendo por amor e paixão...
Então desejarei novamente ser pântano triste e sombrio na minha solidão...
Cecilia
Nesse oceano veleja a poesia
O mistério das palavras
O silencio da solidão,
Vagas imensas,
Imensidão...
Arquipélago em mim,
Ilha na sua solidão
o mistério de tudo... se fosse diferente talvez não fosse tão doce,
mas conversaríamos sobre qualquer banalidade
sob o calor daquelas tardes mornas
e as futilidades eram só pretextos para estarmos juntos;
por que haveria de ser diferente...
eu escreveria alguma coisa...
eu já pensava que era poeta,
mas nunca dirigi a palavra correta para a pessoa certa... meu Deus!
um colibri se perde com o néctar das flores;
por que, ou por quem se perdem os poetas...
minhas fantasias tem carnavais tão lindos;
meu coração está cheio de feriados,
de sábados e inesquecíveis domingos
mas... se fui feliz, eu não sei
felicidade é a próxima estação, ou a estação passada...
não diga mais que a vida é tão fugaz,
fugaz é essa dor de dor nenhuma...
é o teu olhar, o teu sorriso, o teu perfume,
o teu cabelo ao vento;
é este sentimento que me diz que tudo é mistério...
e no amor, mistério é tudo... mas tudo é tão fugaz.
MISTÉRIO
Quem sou eu?
Toda manhã diante do espelho
Eu me pergunto isso
E o espelho me mostra pelo avesso,
Minhas palavras se multiplicam
No vazio deste universo;
Quem sou eu; isso é perverso, penso,
Mas saber-me exato seria o inverso?
