Minha Terra tem Palmeiras onde Canta o Sabia
Espírito sociangustista
Nas ruas da desilusão,
Onde o eco da injustiça ressoa,
Caminhamos com o peso da opressão,
Na sociedade que nos despoja e magoa.
Erguem-se muros de indiferença,
No labirinto do progresso vazio,
Onde a esperança é uma crença,
E o amor, um bem desafio.
Mas ainda na angústia coletiva,
Há uma chama que persiste,
A luta por uma vida ativa,
Onde a justiça enfim existe.
Quebraremos as correntes do medo,
Com a força da união e da palavra,
Por um futuro onde haja mais enredo,
E menos dor que a alma lavra.
Pois somos mais que meros números,
Somos vozes, sonhos e ação,
Contra os abismos sombrios e erros,
Levantamos a bandeira da transformação.
Os olhos.
Seus olhos que me fitam sem ousadia alguma.
Me seguem para onde quer que eu vá, sem pestanejar.
Assim como a Lua, um lampejo em meio à escuridão, me guiam para um lar.
Confortável estarei sentindo-me olhar, não viverei sem poder encarar.
Tal como alegria que carregam, a tristeza habita lá, passados indesejáveis que não queres lembrar.
Estarei disposto a curar cada ferida que há.
Nesses olhos inocentes quero te encontrar, e seu verdadeiro eu acalmar.
Tenho um desejo vívido a realizar, acordar diante deles e saudar.
Espero que este não demore, pois tenho medo que enjoe do meu olhar.
Onde o ego existe, o amor desiste.
Quando há amor, há respeito.
Quando uma pessoa desrespeita a vontade do outro, para receber elogios e se mostrar benquista, isso se chama ego inflado.
No Jardim dos Pensadores
No vasto jardim do ser, onde brotam os pensamentos,
Planto meu amor não correspondido, rego-o com lágrimas silentes.
É uma flor estranha, que floresce em sofrimentos,
Entre os espinhos da dúvida e os solos das mentes.
Qual é a essência desse amor que apenas eu sinto?
Pergunta o filósofo em mim, buscando entender.
Será ele menos real, por ser um labirinto
Onde apenas minha alma pode se perder?
Nietzsche disse uma vez, com ardente fervor,
Que devemos amar a vida, aceitar até a dor.
Assim, amar sem retorno seria então uma forma de nobreza,
Amar o destino — amor fati — em sua pura beleza.
Schopenhauer, mais sombrio, poderia argumentar,
Que todo desejo é sofrimento, e o amor é um mar
Onde navegar é buscar a dor, em ondas de ilusão,
Afastando-nos da tranquila costa da razão.
Mas que diria Platão, com sua visão das formas ideais?
Será que o amor verdadeiro, em esferas celestiais,
Não precisa de resposta, pois é puro em si mesmo,
Uma união de almas, não um simples esquema?
E Kant, com seu imperativo categórico a guiar,
Diria que amar com respeito e dignidade, sem usurpar,
É agir eticamente, mesmo sem reciprocidade,
Pois o amor em si deve ser nossa moralidade.
Assim, me vejo filósofo entre estrelas e poeira,
Buscando sentido no amor que a alma inteira
Consome em chamas de um eterno questionar,
Onde ser amado não é certo, mas amar é um ato de se dar.
No fim, talvez Sartre e Beauvoir possam me ensinar,
Que somos livres para escolher como amar e navegar.
Que o amor não correspondido pode ser liberdade,
A escolha de amar, apesar da adversidade.
Filosoficamente, o amor é um eterno debate,
Uma dialética entre o coração e a mente.
Nesse jogo entre ser e parecer, tarde ou cedo,
Aprendemos que amar é, em si, um credo.
O Crepúsculo do Desejo
Nas sombras do meu coração, onde murmúrios ecoam,
Habita um amor sepultado, sob véus de luto e segredo.
Uma paixão fantasma, que nas trevas me assedia,
Um amor não correspondido, que como sombra, comigo vadia.
Nas tumbas de sentimentos, onde repousam os mortos,
Meu amor solitário vagueia, entre os esquecidos.
No jardim das almas perdidas, ele sussurra para a noite,
Promessas não cumpridas, num lamento sem açoite.
Como um vampiro, ele suga a essência de meu ser,
Deixando apenas a casca, um vazio a padecer.
Nas veias desse amor, corre não sangue, mas veneno,
Um elixir doloroso, doce e pleno de pequeno.
O céu de minha mente, outrora claro e vasto,
Agora coberto por nuvens negras, um tormento nefasto.
Cada estrela apagada, um sonho de reciprocidade,
Cada trovão distante, o eco de minha saudade.
Em noites de lua nova, quando a escuridão é completa,
A tua ausência é um espectro, na penumbra discreta.
Rondando os corredores de minha alma enclausurada,
Um amor zombeteiro, na escuridão encarnada.
Oh, como desejo libertar-me deste cárcere sentimental,
Quebrar as correntes desse amor brutal.
Mas como arrancar o próprio coração, motor de meu tormento,
Sem o qual a vida cessa, e com ele, só sofrimento?
Assim, na catedral do desespero, ao altar me prosto,
Ofereço meu coração, um sacrifício ao gosto
De um amor cruel, deus de minha devoção,
Que rege minha vida com mãos de perdição.
Esse é o crepúsculo do desejo, o ocaso do meu querer,
Onde amar é um inferno, um eterno padecer.
Entre sombras que dançam, e o frio que tudo consome,
Meu amor não correspondido, em trevas, encontra seu nome.
Jardim de emoções
No jardim das emoções eu floresço,
Onde as pétalas são cheirosas canções,
Em carícias aos animais me aqueço,
E nas crianças encontro as paixões.
Choro diante da tela, arte que encanta,
Me uno em lutas por justiça e igualdade,
Creio no amor, na bondade que espanta,
E na amizade que brota em liberdade.
Na oração, força que me guia,
Caminho ao lado, o irmão sempre perto,
Lágrimas caem, em histórias de alegria,
Em filmes e livros, o coração aberto.
Acredito no abraço, na verdadeira união,
No beijo que promete eternidade,
Amor é viver, é sentir a pulsação,
Sem ele, a vida perde sua claridade.
J•O•R•N•A•D•A
Na vastidão do universo, onde a vida pulsa,
Um mistério se esconde, uma jornada se desdobra.
A vida, um sopro frágil, um instante passageiro,
Se não vivida com fervor, um vazio derradeiro.
Buscamos riquezas, tesouros a conquistar,
Mas a verdadeira fortuna é a saúde a preservar.
Quantas vezes agradecemos pelo dom da existência?
Ou nos perdemos na correria, na inércia da indiferença?
A vida, um espetáculo, uma dádiva sem igual,
Cada amanhecer é um convite a um novo ideal.
Não neguemos sua complexidade, seu desafio,
Pois é na luta que encontramos o verdadeiro brio.
Agradeçamos, pois, por cada momento vivido,
Abracemos a vida, com fervor incontido.
O tempo corre veloz, deixando memórias no ar,
Criemos lembranças que nos façam orgulhar.
E quando os desafios se erguerem diante de nós,
Lembremos que Deus confia em nossa força e voz.
Sejamos gratos, acolhamos a vida com devoção,
Pois hoje estamos aqui, e amanhã? Quem sabe a razão.
Não sei de onde tirei a ideia de que poderia caminhar ao seu lado.
Creio que em delírios, carrego nos meus braços o esqueleto da Esperança.
Amor poético
O amor poético é retratado como uma experiência transcendental, onde os amantes se entregam à beleza e a profundidade dos sentimentos. É descrito como uma sintonia de emoções, onde cada interação é uma expressão artística. A vulnerabilidade é celebrada, pois os amantes se entregam sem reservas, confiando na imortalidade dos sentimentos compartilhados. Apesar dos desafios, o amor poético persiste através das eras. Inspirando poetas e amantes a sonhar e a criar suas próprias histórias de amor duradouro.
Analisando essa cadeia hereditária
Quero me livrar dessa situação precária
Onde o rico cada vez fica mais rico
E o pobre cada vez fica mais pobre
E o motivo todo mundo já conhece
É que o de cima sobe e o de baixo desce
Eu me permito ser caçador de sonhos, navego além da imitação, onde as fronteiras do pensamento não limitam meu universo. Criar aqui transcende a simples reflexão, pois abre um vasto mar de possibilidades. Porque sendo arquiteto do destino, eu construo sem limites.
Olhamos para lugares em crises e questionamos: "onde está Deus?". Mas, a verdade é que Deus olha para esses lugares em crise e pergunta: "onde estão os meus filhos?".
O amor vem de onde menos esperamos,
O amor é sempre inconstante,
Então o que é o amor, ele existe?
Sim... mas as desilusões não nos deixa enxergar.
Mas quando enxergares aquele brilho no olhar...
Então saberá que é amor!
Karma
Estou presa por correntes banhadas de injustiças
Onde se ouve o lamento de uma mãe Intercedendo pelo seu filho
Enquanto do outro lado
Pessoas vazias
Engolidas pelo próprio ego
E suas mentes doentias
Procriando gerações com uma infância sofrida
Mais um inocente pagando os pecados dessa Família
De 13 ninhada 10 vingaria
Mas apenas 1 se salvaria
Reflexos como um espelho de quem os criou
O sangue que corre em sua veia
Foi o mesmo que os envenenou
Almas vagando sem direção
Alimentando-se e de corpos frescos
Como uma enorme teia de aranha
Uma armação de fios de seda
Capturando suas presas
Que ficam totalmente sem defesa
LACRIMANTE
Soneto, vivo tão só, numa rudeza
Onde o versejar se dilui em pranto
Longe do prazer cheio de encanto
Aonde a minha poética está presa
As rimas são ao verso só incerteza
Tristeza, onde o meu sofrer é canto
No entretanto, o amor é tanto, tanto
Em uma poesia frágil e tão indefesa
Ando inquieto, o coração com desejo
De um sussurrar tão de ele distante
Que endoida, e que na paixão a vejo
Em cada uma das linhas, um instante
Que retumba pelo ar, tal a um realejo
Solitário, com o impar tom lacrimante.
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
07 maio, 2024, 18’44” – Araguari, MG
Existem aqueles dias que já acordamos com uma saudade, que a gente não sabe de quem, nem de onde vem, muito menos por que veio, mas dói com uma intensidade que nenhuma outra doeu.
