Minha Filha
O melhor que poderia esperar da vida recebi no dia em que minha filha nasceu. Não tem realização melhor neste mundo que um filho.
Não custa nada
Encantar
Minha mãe e pai
Minha filha
Meus irmãos
Meus amigos
As pessoas que encontrar
Encantar
Amar
Sonhar
Só se leva o encanto
De um para o outro
Vai se embora
O encanto fica
Não esqueça você
Faz parte de mim
Leva um pouco
E deixa para o outro
O encanto sem fim.
REPRESENTATIVIDADE?
Não ensino à minha filha representatividade.
Ensino personalidade.
Porque ela é livre.
Livre para ser quem é,
sem pedir permissão.
Ser negra não está no cabelo.
Está no DNA.
Não é fantasia que se veste
nem papel que se interpreta.
Uma árvore, mesmo transformada,
nunca deixa de ser árvore.
O DNA não se apaga.
A personalidade se constrói —
com amor, cuidado e liberdade.
Quem é inteiro
não se curva a modismos
nem aceita correntes disfarçadas.
Escravidão,
em qualquer forma,
já ficou no passado.
"Carta para minha filha Rebeca Xispiu"
Oi, minha filha, tudo bem?
O papai está escrevendo aqui da Bélgica para você aí no Brasil, hoje o trabalho fluiu, mas nem sempre e assim... Filha, pensei em te dar algo que pudesse transformar a sua vida de forma transbordante — daquelas que "ninguém entende", kkk.
Filha, antes de tudo, quero te parabenizar por ter escolhido entre a festa e o celular que você tanto queria. Você me mostrou que estava sendo feliz primeiro para, depois, ensinar. Você é uma escolhida, minha filha, e "escolhidos não têm escolha". Eu deveria ter escrito para você mais para frente, né? Mas, observando a vida e o mundo, senti firmeza no seu caráter. Não é dos mais perfeitos, né?! Mas eu gostei! kkk.
Você se parece muito comigo, filha. E, ah! O lado direito do pai é maior que o esquerdo, hahaha! Vai me levar para sempre agora, cê tá ligada! kkk.
Filha, eu te amo tanto que chega doer, sabe? Então decidi falar algumas coisas — não são conselhos, tá? Na verdade, é um pedido. O pai conheceu muitas mulheres, acho que você sabe. Tive uma infância curta, mas divertida. Namorei muito, amei muito, confiei muito... Me diverti e sofri demais também. Chorei, filha (e choro ainda, né? kkk), e quis morrer um montão de vezes. Mas já fiz coisas impossíveis — nem sei como, mas fiz.
Sabe, às vezes eu paro, olho pra a vida e me vem uma pergunta: Vale a pena viver? É uma voz tão suave que traz uma calma no respirar... o ar fica puro, o barulho dentro de mim silencia e ela sussurra: "Vale a pena viver?". Aí o pai tem a chance de rever tudo o que já passou. É tudo tão bonito e feio ao mesmo tempo, difícil de entender... até chegar o dia em que conheci a sua mãe. Quando olhei para ela, pensei: "Essa mulher vai me dar um Jardim".
Eu sempre quis ser pai de menina, porque eu morreria sabendo que eu mesmo ensinei mulheres a tornarem seus maridos poderosos. Eu escolhi a sua mãe. Quando a conheci, ela estava enfrentando um término, estava decepcionada, traumatizada. E conheceu um rapaz "feio na fita"! Eu. E sabe, filha... algo nela me tirou a paz. Eu não consigo mentir para ela; eu olho para sua mãe e parece que ela sabe. Por muito tempo ela me olhava e não via que eu sabia das coisas, então ela não confiava. Mas eu estudei a história da família dela. Quanta coisa aquela família passou sem ter alguém para ensinar o AMOR, minha filha.
O coração do pai esbanjava amor, e foi aí que entendi minha missão: transbordar esse sentimento. Sua mãe... bom, você conhece ela melhor que eu, né? kkk. Mas peça para sua avó contar como conheceu seu avô, como era tratada pelos pais e irmãos, como foi o casamento e se ela se arrepende. Depois, pergunte o mesmo para o seu avô e veja se ele se arrepende de tudo.
Filha, por mais que tudo pareça confuso, se eu tivesse outra vida — sei lá, de milionário — mas não fosse para ter conhecido você... Rebeca, a Helena e a Catarina, eu rejeitaria. Eu viveria tudo de novo, exatamente igual, só para ter vocês. Minhas filhas.
Quero deixar registrado: vale a pena viver, sim. Descobri isso quando olhei nos teus olhos naquela maternidade. Você estava lutando. O pai estava esperando me chamarem quando vi as enfermeiras correndo com um bebê forte, lutando para respirar. Era você. Ouvi alguém gritar: "O bebê que passou é do filho da Elizabete!". Eu não sei como cheguei onde você estava, só lembro que cheguei. Fiquei na porta, com metade do corpo para dentro, tentando não perder um chorinho seu, um resmungo. Eu não queria perder nada.
Você nasceu com um nervo do pescoço travado e sofria muito nas fisioterapias. Seus gritos rasgavam a minha alma. Mas só hoje me dei conta: no dia em que cheguei perto daquela incubadora e disse: "Oi, minha filha, o papai está aqui", você virou a cabeça e olhou direto nos meus olhos. Sem chorar, só olhou. Depois daquilo, seu pescoço doía muito, o pai não aguentava te acompanhar nas sessões, era insuportável ver sua dor... mas sua mãe estava lá! Firme, forte, louca kkk... mas estava lá.
Conhecer a história dos seus avós me fez entender a sua mãe. Quando olho para ela hoje, parece que estou lendo a Bíblia. Tenho muita coisa para escrever... mas só quero te fazer um pedido: quando você escolher um homem para confiar o amor da sua vida — pois existe o "amor da vida" e a "pessoa da vida" — escolha um que seja os dois para você.
Eu tive que lutar muito para que sua mãe enxergasse isso em mim. Ela viu a sua avó depender de um homem que cresceu sem saber o que é ser amado, e por isso não soube ensinar. Ele não foi "firmeza" com a vó. Mas vocês não. Você e sua mãe estão protegidas.
Você me dá a certeza de que estou fazendo tudo direitinho. Uma reclamada ali, outra aqui, mas não perco o foco. Obrigado por me escolher, filha. O pai vai estar aqui para o que for preciso. Conte comigo sempre.
O bagulho é louco, né? Cê tá ligada! kkk.
Te amo!
Bom dia minha filha, que seu dia seja feliz de bênçãos e vitórias, que Deus esteja presente em tudo e em todas as suas decisões não apenas hoje e sempre, que você não só realize seus sonhos, mas tenha a grandeza de agradecer por cada pequeno ganho, hoje é um dia muito especial, seu aniversário de 29 anos minha pequenina adolescente está cada vez mais linda e se tornou uma mulher forte e guerreira e eu só agradeço a Deus por ti.
Continue assim ❣️🫶 feliz aniversário 🎂🎈🎉 faz um Pix aí para a sua festa surpresa 😄 🥳
hereditário, até mim.
Meu filho, minha filha, eu ainda não sei como será o seu rosto, se você vai carregar os meus olhos, o meu sorriso ou alguma mania tão parecida comigo que vai me fazer parar por alguns segundos diante de você tentando entender como alguém que ainda nem existia conseguiu carregar alguma parte de mim, mas existe uma coisa que eu já sei antes mesmo de conhecer a sua voz, você nunca vai precisar olhar para dentro de si procurando uma razão para o meu amor. Eu quero que você cresça sabendo que foi desejado antes de ser visto, amado antes de ser tocado e esperado antes mesmo de ter um nome, porque eu conheço o estrago que a dúvida pode fazer quando ela cresce junto com uma criança.
Eu sei como é olhar para os próprios pais e não entender por que o carinho parece tão difícil de alcançar, como se existisse alguma distância invisível entre você e as pessoas que deveriam ser o seu primeiro abrigo. Passei boa parte da infância tentando compreender coisas que uma criança nunca deveria precisar compreender, observando meu pai, observando minha mãe, tentando encontrar algum sentido nas dores que existiam dentro daquela casa e que, embora não tivessem começado comigo, acabavam chegando até mim.
Meu pai tinha as próprias feridas, os próprios erros e as próprias maneiras de fazer o mundo pesar sobre quem estava perto dele, e minha mãe carregava as consequências de muitas dessas coisas dentro dela, junto com a sensação de ter perdido uma parte da própria juventude e de ter precisado amadurecer em lugares onde talvez só devesse ter vivido. Eu era pequeno demais para saber separar a dor dela da minha, então muitas vezes aquilo que machucava minha mãe encontrava em mim um lugar para continuar existindo, e eu recebia sentimentos que não sabia nomear, muito menos entender de onde vinham.
Hoje eu consigo olhar para isso com outros olhos e perceber que ela também era uma pessoa tentando sobreviver às próprias circunstâncias, mas naquela época eu não tinha essa capacidade. Eu só sabia que alguma coisa estava errada e, como toda criança que ainda não conhece a complexidade dos adultos, comecei a procurar a resposta em mim. Talvez eu tivesse feito alguma coisa. Talvez eu não fosse bom o bastante. Talvez se eu fosse diferente, mais obediente, mais quieto, mais fácil de amar, alguma coisa dentro daquela casa finalmente encontrasse paz.
Foi assim que algumas culpas cresceram comigo.
A culpa por não conseguir proteger minha mãe, como se fosse responsabilidade de uma criança impedir a dor de um adulto. A culpa por sentir raiva de quem também estava sofrendo. A culpa por ter precisado de afeto justamente quando as pessoas ao meu redor estavam ocupadas demais tentando sobreviver às próprias dores para perceber que eu também precisava ser cuidado. E, enquanto outras pessoas podiam simplesmente atravessar a infância, eu fui aprendendo cedo demais a observar o ambiente, medir palavras, perceber mudanças de humor e tentar descobrir quando era seguro simplesmente existir.
Eu não quero isso para você.
Quero que a sua infância tenha espaço para ser infância, que você possa desperdiçar uma tarde brincando de alguma coisa que eu não entendo, que possa voltar para casa cheio de histórias inúteis e maravilhosas, que possa se apaixonar pela primeira vez sem medo de contar, errar sem imaginar que o seu erro vai fazer alguém deixar de amar você e crescer sem precisar descobrir cedo demais como os adultos escondem suas próprias dores.
Quando alguma coisa acontecer, eu quero que você pense em mim como alguém para quem você pode correr, não alguém de quem precisa se esconder. Se o mundo te machucar, eu quero conhecer a ferida antes de perguntar quem teve razão. Se você fizer alguma coisa da qual tenha vergonha, quero que a primeira coisa que encontre nos meus olhos seja a certeza de que aquilo não mudou o lugar que você ocupa em mim. Se um dia você não souber o que está sentindo, quero que possa sentar ao meu lado em silêncio e ainda assim sentir que não está sozinho.
Porque eu sei o que acontece quando uma criança aprende que precisa resolver tudo dentro dela.
Ela cresce.
E leva essa criança consigo.
Durante muito tempo eu carreguei a sensação de que precisava ser forte antes mesmo de saber o que força significava, e talvez parte dos problemas que vieram depois tenham nascido justamente dessa falta de colo, dessa dificuldade de acreditar que alguém poderia ficar quando eu deixasse de ser conveniente, dessa necessidade de procurar nos outros aquilo que deveria ter aprendido primeiro dentro de casa. A ausência de afeto não desaparece quando a infância termina, as vezes ela apenas muda de roupa e passa a aparecer nos relacionamentos, nas escolhas, nos medos, na maneira como alguém ama e até na maneira como espera ser abandonado.
Eu não quero que você precise aprender amor pela falta dele.
Quero que você aprenda pelo excesso.
Quero que você saiba que pode ser amado sem produzir nada em troca, que pode existir sem precisar provar o próprio valor, que pode discordar de mim sem perder meu respeito, que pode seguir uma vida completamente diferente da que eu imaginei e ainda encontrar em mim alguém torcendo por você. Não quero criar uma versão de você que corresponda às minhas expectativas, quero conhecer a pessoa que vai nascer quando você descobrir quem é.
E se algum dia você se parecer comigo, que seja apenas nas coisas bonitas que eu conseguir deixar para trás. Talvez você tenha meu rosto, minha voz, meus gestos ou alguma mania que vai fazer sua mãe rir porque ela vai reconhecer imediatamente de onde veio, mas eu não quero que você precise carregar aquilo que me feriu só porque veio antes de você. Você não é a continuação das minhas dores, assim como eu não deveria ter sido responsável pelas dores dos meus pais.
Eu passei muito tempo tentando não me tornar aquilo que me machucou e descobri que não basta fugir de uma herança para quebrá-la, é preciso olhar para ela de frente, reconhecer onde ela deixou marcas e decidir conscientemente o que termina ali. Eu não posso mudar o pai que tive, não posso devolver a infância que perdi, não posso apagar as vezes em que precisei entender sozinho coisas que deveriam ter sido explicadas com carinho, nem posso voltar no tempo para abraçar aquele menino e dizer que nada daquilo era culpa dele.
Mas posso fazer uma coisa que talvez seja ainda mais importante.
Posso impedir que ele continue existindo através de você.
Se algum dia eu errar, quero que você veja em mim alguém capaz de reconhecer o próprio erro. Se eu estiver errado, quero que minha idade não seja uma desculpa para estar certo. Se você me mostrar uma dor que eu não consigo compreender, quero que minha primeira reação seja tentar conhecê-la, não diminuí-la. Eu não quero usar a autoridade de ser seu pai para impedir que você tenha voz, porque sei demais sobre o que acontece quando uma criança aprende que seus sentimentos precisam desaparecer para que os adultos consigam continuar.
Você não vai precisar carregar a culpa pelo casamento dos seus pais, pelas dificuldades deles, pelas escolhas deles ou pelas coisas que aconteceram antes de você chegar. Se eu e sua mãe tivermos problemas, eles serão nossos. Se estivermos cansados, será nossa responsabilidade encontrar uma maneira de cuidar um do outro sem transformar você em testemunha ou responsável por aquilo que não lhe pertence.
Eu quero que você tenha uma coisa que para mim demorou muito para existir, a certeza de que os adultos ao seu redor são responsáveis pelas próprias feridas.
Você será filho.
Nada além disso.
E talvez seja justamente essa a maior forma de proteção que eu possa oferecer.
Não quero que você seja meu confidente quando eu estiver quebrado, não quero que você precise escolher lados, não quero que sinta que precisa me salvar, muito menos que precise amadurecer para me entender. Se um dia eu estiver mal, vou tentar encontrar outros adultos para dividir o peso, porque você não nasceu para carregar aquilo que eu não consegui resolver.
Você nasceu para viver.
E eu quero assistir.
Quero assistir você descobrir as coisas, mudar de ideia, escolher caminhos que eu jamais escolheria, quebrar a cara, voltar para casa, se apaixonar, perder alguém, ganhar alguma coisa importante, rir até faltar ar e chegar aos trinta anos contando uma história da sua adolescência que eu provavelmente vou fingir que já sabia. Quero estar presente nas partes bonitas e nas partes difíceis, não para controlar a sua vida, mas para que você nunca precise atravessar nenhuma delas acreditando que está sozinho.
Talvez algum dia você me pergunte sobre o meu passado e eu precise falar das coisas que me fizeram ser quem sou. Talvez eu conte sobre um menino que cresceu cercado por adultos que também não sabiam muito bem como cuidar das próprias dores, sobre um pai que deixou marcas e uma mãe que também carregava marcas demais, sobre a culpa de ter visto coisas que nunca deveria ter visto e sobre a sensação de ter perdido pedaços de uma juventude tentando entender uma família que não sabia como permanecer inteira.
Eu provavelmente vou chorar quando contar.
Mas espero que, depois de ouvir tudo, você consiga perceber que aquelas histórias chegam até mim e param aqui.
Não atravessam você.
Porque você não precisa pagar pela minha infância, assim como eu nunca deveria ter precisado pagar pela infância dos meus pais. Eu não quero transformar aquilo que me faltou em uma dívida que você precisa quitar sendo o filho perfeito. Quero transformar aquilo em consciência, para que eu saiba exatamente o tipo de pai que quero ser quando você precisar de mim.
E talvez seja por isso que pensar em você tenha uma tristeza tão bonita.
Porque, de alguma maneira, eu consigo imaginar uma criança recebendo aquilo que um dia eu procurei sem saber como pedir. Consigo imaginar alguém crescendo com a certeza de que existe uma pessoa no mundo para quem sua existência nunca será um peso. Consigo imaginar você entrando pela porta depois de um dia ruim, jogando as coisas no chão, sentando ao meu lado e contando alguma coisa que para qualquer outra pessoa pareceria pequena, mas que para mim será importante simplesmente porque aconteceu com você.
E talvez naquele momento eu entenda que não consegui voltar para buscar aquela criança que fui, mas consegui impedir que ela desaparecesse sem deixar nada de bom para trás.
Ela me ensinou o que eu não quero repetir.
Ela me mostrou onde dói.
E, de alguma forma, me trouxe até você.
Se um dia você olhar para mim e perceber que somos parecidos, eu espero que não seja preciso ter medo daquilo que encontrou. Quero que você possa reconhecer meu rosto no seu sem encontrar nele a obrigação de repetir minha história. Quero que você carregue meu sangue sem carregar meus fantasmas, que tenha meus olhos sem enxergar o mundo através das minhas cicatrizes e que, quando pensar em mim, a palavra que venha antes de qualquer outra seja abrigo.
Porque eu quero ser o homem que fica.
O homem para quem você liga quando não sabe para onde ir.
O homem cujo abraço não precisa ser merecido.
O homem que consegue ouvir um “eu errei” sem transformar aquilo em vergonha.
O homem que, mesmo depois de uma discussão, ainda deixa a porta aberta.
E, principalmente, quero ser aquele pai que você nunca precisará perguntar se ama você, porque isso estará tão presente na maneira como eu te olho, te escuto, te protejo e te deixo ser quem você é que a pergunta sequer vai precisar nascer.
Quando você for adulto, talvez já não precise tanto de mim. Talvez tenha sua própria casa, sua própria família, seus próprios problemas e uma vida que eu só vou conhecer em partes. Mas eu espero que alguma coisa permaneça intacta dentro de você, uma memória simples de quando era pequeno e acreditava que o mundo podia ser enfrentado porque seu pai estava por perto.
E se algum dia você tiver um filho, talvez compreenda por que eu escrevi tudo isso antes mesmo de saber quem você seria.
Eu não estava tentando imaginar uma criança perfeita.
Estava tentando imaginar uma criança livre daquilo que me aprisionou.
Eu não quero ser lembrado como o pai que nunca errou. Quero ser lembrado como o pai que tentou não fazer você pagar pelos erros que vieram antes dele. Quero que você saiba que eu também tive medo, que também carreguei culpa, que também precisei aprender a amar sem confundir amor com abandono, mas que em algum momento decidi que a minha história não precisava continuar exatamente como começou.
Algumas heranças são feitas de sangue.
Outras são feitas de silêncio.
Eu quero que a minha para você seja feita de amor.
E talvez seja essa a única maneira que encontrei de conversar com aquela criança que ainda existe em algum lugar dentro de mim, prometendo a ela que o que faltou não será esquecido, mas também não será repetido.
Porque um dia você vai nascer, vai olhar para mim sem saber absolutamente nada sobre o homem que está diante de você, e eu vou ter a vida inteira para te mostrar.
Nesse primeiro olhar, eu espero que você não veja perfeição.
Espero que veja presença.
E, quando você crescer, quando puder entender todas as coisas que eu não consegui explicar enquanto era pequeno, talvez finalmente consiga compreender a promessa que fiz antes mesmo de você existir
eu não posso mudar o pai que eu tive, nem a mãe que tive, nem salvar o menino que fui, mas posso amar você de uma maneira que faça aquela história terminar em mim.
E, se eu conseguir fazer isso, talvez pela primeira vez uma coisa que começou como ausência termine como presença, uma coisa que começou como culpa termine como proteção, e tudo aquilo que um dia me fez perguntar se eu era digno de amor encontre finalmente uma resposta em você.
Não porque você veio me curar.
Mas porque você nunca precisará ser ferido para aprender o que é ser amado.
*A Chave que liberta*
Tem que estudar, minha filha.
Tem que estudar.
Porque a única chave
que te liberta de verdade
é o estudo.
Não é dinheiro que abre porta.
Não é sorte que arromba grade.
É livro, é caderno, é madrugada.
É lápis gasto e cabeça erguida.
Estuda pra ninguém te calar.
Estuda pra escolher teu caminho.
Estuda pra quando o mundo apertar,
você ter a chave no bolso...
e abrir qualquer portão.
O estudo, e o saber ninguém tira de você.
(Saul Beleza)
Depois que minha filha nasceu já nos primeiros anos ela já demonstrou seu amor pelos animais, ela já com 5 aninhos arrumamos a Juli, uma cachorra mistura de pincher e chiuaua, coisinha mais boazinha, acompanhou toda sua infância e pré adolescência, morreu aos 13 anos.
Depois tivemos a Teka, uma Jack Russell, coisa mais linda, viveu 14 anos dando muitas alegrias para nós.
Logo depois compramos o Jack, outro Jack Russell, nunca vi cachorro tão bravo, territorial, levamos mordidas pra todo lado, mas mesmo assim nós o amamos até aos seus 16 anos, teve que fazer eutanasia, sofreu muito com câncer ósseo.
Esses foram nossos companheiros e amigos verdadeiros!!!
PS: Foram 43 anos com cachorros, nunca os levamos na rua para fazer suas necessidades, faziam no nosso quintal, temos nossa consciência tranquila sobre isso!!!
—Moço, me vê uma dose de esperança... —acabou minha filha, foi-se com o vento. Perdeu-se no espaço. Serve saudade?
Hoje, quando acordei ás 6 da manhã, minha filha estava na porta do meu quarto me vendo dormir, já toda ponta pra ir a escola, senti ai a primeira pontada de felicidade do dia. Quando desci a escada pra tomar café, me deparei logo com minha avózinha de 82 anos e minha mãe fazendo suco pra mim, ai se vai outra pontada de felicidade. Meu pequenino cachorro "Gigante" correu pra me lamber, a alegria ma...is sincera do mundo a mais pontadas de felicidade. Até o percusso Crato/Juazeiro foi tranquilo pra mim hoje, eu dirigi com a cabeça tão cheia de planos e expectativas que até parece que vim trabalhar voando. O porteiro me recebeu mais sorridente do que nunca, passei a manhã pensando em meus irmãos, e até o almoço do restaurante aqui em frente tava mais gostoso do que o de costume. Ah se todos os dias fossem assim, hoje nem posso reclamar por ser segunda-feira(coisa que sempre faço). Pensei que podia ser mais grata por não ter a vida dos meus sonhos e nem o trabalho dos meus sonhos mas por parar pra pensar em como venho levando os meus dias e me sentir feliz. Não vivo na igreja mas descobri que sempre rezo em silêncio, já me peguei várias vezes fazendo isso. Não sou o melhor dos exemplos, mas também descobri que não sou ruim, sou incapaz de desejar o mal a alguém e as vezes também me pego rezando por pessoas que nem mesmo conheço e que não posso ajudar. Talvez só me falte um pouco de sorte as vezes e um amor pra toda vida, se é que isso existe mesmo mas se essa pessoa não aparecer não vai ter problemas, já tenho pessoas guardadas dentro de mim que vou levá-las sempre em meu coração. Falta muito dinheiro???Talvez...talvez não, falta sim! Mas o que vou fazer com muiiiito dinheiro? Quero muitão não, já decidi isso. Rs. Quero cama grande e chuveiro gelado. Quero um quarto colorido com música alta, quero janela de vidro e quarto friinho, quero zuada de dia e silêncio de noite, quero sorrir 80% do dia. Quero todo mundo dentro da mesma casa e que o cachorro de Leda Pinheiro não faça muito barulho ainda cedo. Quero comer bem, não muito mas bem Quero trabalhar pra mim mesma, não quero patrão, quero a sócia que já escolhi nos primeiros anos de faculdade. Quero notícias de meu pai, nem que seja de vez em quando, me faz bem saber que ele tá bem . Querocontinuar viajando sempre com meus irmãos e com Iguinho, como costumamos fazer nos feriados. Quero novos amigos e muitos amigos, as vezes sinto que alguns dos velhos amigos não me servem mais, não por serem velhos, mas por terem mudado tanto ao ponto de não termos mais nada em comum. Por tudo isso resolvi que vou sorrir mais e tentar jogar o jogo do contente todos os dias! A segunda-feira tá boa e que venham terças, quartas e quintas como essa segunda!
Não, Você não está encalhada minha filha .
Você só não encontrou o homem que te mereça e te fará feliz .
- E ele existe ?
Eu torço que sim .
Preciso urgentemente levar minha filha ao médico, tenho certeza que ela está cega pra não enxergar tanta feiura assim em uma só pessoa, acho também que ela está surda para não escutar tanta idiotice que sai da sua boca. Ou talvez o problema dela seja psicológico, ela só pode estar doida pra ter me arrumado um genro igual a você.
Minha filha sinto muito por eu permitir que alguém da nossa família tenha te enganado,eu jamais podia deixar isso acontecer eu sinceramente te peço perdão eu tinha por obrigação ter sido mais maldosa e ter tomado uma atitude,mas o amor nos deixa cega.
Agora após eu ter sido enganada estou atenta eu aprendi que não devemos confiar em ninguém...
Ninguém mesmo!!!! infelismente a vida nos ensina.
Soneca cadê você minha filha? Ando dormindo pouco, pouquíssimo, ando dormindo em horários errados, ando dormindo sobressaltada. O sono para mim sempre foi sagrado, revigorante, estimulante, mas ultimamente ando sem sono, vou para cama com preocupações, vou para cama com tristeza, vou para cama com vontade de dormir por dois dias seguidos. Com vontade de que o sono cure minha mágoas, tire meu cansaço e me fortaleça. Mas tá um pouco difícil. estou custando a reagir, estou custando a encontrar o equilíbrio que me falta. Estou ciente da minha doença e isso já é meio caminho andado. Falta abastecer o corpo com força e coragem e seguir em frente perseguindo a felicidade das pequenas coisas, a felicidade em ter pernas, braços, emprego, amigos e Deus.
minha filha
eu tava no iguatemi
e eu vi um metaleiro
TAO GATO
MAS TAO GATO
QUE COM UM METALEIRO DAQUELES EU OUVIA ANGRA ATÉ O SOL RAIAR
- Não eduquei minha filha para ela ter uma religião, eduquei minha filha para ele ter FÉ, e o fato dela não ir à igreja não a torna menos descrente do que ninguém, talvez ela seja uma melhor cristã do que muitos que não saem da casa de Deus.
