Metropole
Miasmas pútridos emanam no Congresso em Brasília, contaminando o ar da metrópole. Mas o meu nome não exala odor mefítico, porque não chafurda no pântano da ignomínia.
Ainda não sei onde vivo
É uma aldeia, uma metrópole, uma cabana, meus passos, meu galope, uma verdadeira tripartição, paraíso, inferno, podridão, uma vida de rei, uma vida de cão, que descansa nos lenços sujos e na malvada azaração, um jardim florido, nesse sonho consumido pelo destino dizendo não, a enfermidade perversa, o milagre sem pressa, meu mundo é violento, mente acelerada, emoção roubada, personalidade trêmula, sensatez apurada, deveras não, por ocasião sou danado malicioso, pelo prazer gostoso, muito ansioso, bom, deixa o caldeirão ferver, vou tentando viver, descalço ou com vestes honrosas, na tentativa das prosas, aflito, aliviado, achei, não, ainda perdido, não sei onde vivo.
Giovane Silva Santos
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Entrar no canal do WhatsappAqui a metrópole não me vê, sou uma pequena parte do que transita, sou uma gota de sangue entre litros que correm por suas vias cinzas e cheias de tijolos que foram esquecidos por homens que aqui viveram muito antes de mim, por fim, sou a gordura pelo rio que desemboca na praia e entope seu mar, seu coração.
"Viver na metrópole é a arte macabra de estar cercado por milhões de organismos vivos e, ainda assim, a única conexão estável que você possui é com o Wi-Fi da cafeteria. O ser humano urbano é um animal que evoluiu para suportar tudo, exceto o silêncio da sua própria irrelevância."
"A metrópole é dura? Ótimo! Porque o diamante só nasce sob pressão extrema, meu nobre. A vida urbana tenta te esmagar, mas mal sabe ela que você é feito de pura resiliência e vontade de potência. Pegue o barulho infernal das buzinas e transforme na sinfonia da sua vitória. Você não veio para essa selva de pedra para passear, você veio para dominar a cadeia alimentar corporativa!"
Desembarquei na metrópole de Brasília em 1998, desprovido de fortuna, conexões e sofisticações, trazendo apenas a bagagem da minha inocência e a singeleza de um interiorano maranhense, um verdadeiro 'sertanejo' em terra desconhecida.
A simplicidade das pessoas de bem é ofuscada pelo caos da metrópole.
O romantismo não grita, mas pode ser percebido se você prestar atenção.
No fundo, todos nós vivemos numa pequena província. Seja num vilarejo, numa metrópole ou mesmo no emaranhado de web sites, o lugar onde cada um transita diuturnamente acaba, sempre, se resumindo a meia dúzia de lugares. Lugares esses em que vivemos nossa vida.
Há amor na metropole de cimento e vidro.
Em cada olhar que aquece,
Em cada mão que afaga,
No abraço que diz tudo.
Há amor em São Paulo.
PARADOXO
A 'internet', redimensionando o povoado humano para uma metrópole, iniciou a maior transformação evolutiva desde os primórdios da história da humanidade, proporcionando as redes sociais que nos aproximam de pessoas, institutos e conhecimento no sentido e significado da lógica, que podem servir como procedimentos e recursos para prevenir e evitar o poder de fazer a alienação dos outros, e, também, causar, pois, atingimos a idade da loucura, principalmente, o paradigma mental biológico da esquizofrenia, em parte, favorecido pelo crescimento desproporcional das cidades geradoras de psicoses, entrelaça nossa internalidade com a externalidade de outros, potencializando o aspecto de nossas mentes limitadas pela imaginação.
Antes do advento da 'internet', nossa sabedoria era medida pela capacidade de assimilação e por nossa memória, até inventarmos ferramentas que se converteram em extensões compartilhadas de nossa mente.
Devido à disponibilidade da vasta informação ao alcance dos dedos, a ‘internet’ tornou-se irresistível, impulsionando compulsões de frequência e uso ilimitado em detrimento de outros aspectos mais valiosos da vida, nos distraindo de nós mesmos, mudando o uso do tempo ao economizar a duração da procura, ao mesmo tempo, que perdemos nosso momento e nossa experiência de interação com o mundo real em prol da virtualidade.
A ‘internet’, como um objeto cultural, tornou-se num grande benefício e, ao mesmo tempo, uma maldição sobre o ser humano em suas habilidades naturais, considerando o longo ponto de vista evolutivo, desenvolvendo um cérebro global em seu efeito no pensamento do homem pela disposição das muitas conexões que permite, facilitando a transferência de informações instantâneas entre as pessoas, simultaneamente criando uma inteligência protética, devido a crescente frequência com que as pessoas ao redor do mundo buscam orientação e suporte social de outros indivíduos conectados.
Demais, como amplificador social, dado às possibilidades criativas e a polarização em grupos virtuais, oferece um perigo como um nivelador social que poderá impactar drasticamente na diversidade do pensamento, criando uma alteração fundamental na relação entre o saber, conteúdo, lugar e espaço, como produtor de realidade substituindo a experiência com uma descrição, e assim, degradando a previsibilidade e o conhecimento nos provocando a pensar que sabemos mais do que realmente conhecemos, ao mesmo tempo, nos motivando à centralização no presente.
Desenvolvendo um terceiro formato de conhecimento, além do que sabemos e lembramos, nos proporcionou a habilidade de descobrir onde, quase instantaneamente, procurar a informação, diminuindo drasticamente outros meios de comunicação existentes, que, de certa forma perenizou tudo o que ousamos pensar, cuidar em apresentar com raciocínio e compartilhar virtualmente, memorizando e reproduzindo nossas informações quando bem desejamos.
A tecnologia virtual, como uma plataforma mundial para o compartilhamento de informações, onde não há regras, cria desafios globais como a invasão de privacidade, a depredação e roubo de informações e o crime cibernético, tornou-se numa necessidade fundamental de educação em nossa sociedade, também, um bom servidor, mas um péssimo provedor.
Memórias de um dia
Mais um dia de verão, ná cidade central de uma grande metrópole pessoas caminham apressadamente, enquanto eu andando calmamente observo o povo passar. Paro no bar de sempre, sento em uma mesa, que se tornou meu lugar preferido para relaxar e por os pensamentos em ordem. Mato minha cede tomando uma gelada. Deixo o bar para caminhar pelas ruas do centro velho.
Caminho pela rua dos livros, procurando algo que valha a pena ser lido, quando um sujeito mal fadado me tira dos pensamentos, tenho vontade de socar-lhe o nariz, por querer divertir-se as minhas custas, mas sigo meu caminho um tanto indignado. Paro no restaurante da esquina, e da mesa onde estou observo uma bela mulher, morena de cabelos pretos longos e lisos, olhos negros e belas pernas, me aproximo puxo conversa como quem não quer nada. Ela uma garota vinda de uma cidade interiorana, que agora está com dificuldades para viver, não tem filhos nem é casada, 28 anos. Poderia fazer feliz qualquer homem de bom senso. Então volto a mim mesmo com meus problemas conjugais e sigo meu caminho.
Volto ao bar preferido, sento em uma mesa, que fica em uma movimentada rua, peço uma cerveja e uma taça de vinho, e trato de muitos assuntos, concernentes a vida, e como a situação de outros países afetará a nossa vida, e essa gente que passa nem se da conta disso.
Volto para minha cidade, que não é uma grande metrópole, más é aconchegante, na porta da estação de trem, entro em outro bar, sento na mesa e observo agora a gente da minha própria cidade... é hora do rush, muitos voltando dos seus afazeres diários, eu peço mais uma gelada, e continuo a refletir.
A vida ainda é boa, apesar de todas as dificuldades, fico pensando na bela mulher que conheci, e encontro forças para prosseguir, e viver mais um dia.
Gostaria muito de esquecer os problemas da metropole e sair durante alguns dias à uma cidadezinha do interior. Pois, só teria de me preocupar apenas com o lugar onde pisar os pés por causa do barro.
No cotidiano de uma grande metrópole, cada um, se esconde, no seu habitat natural, compartimento hermeticamente fechado; o guardião é adornado com a chave enferrujada no seu pescoço; o egoísmo e o individualismo exacerbados são os entraves, obstáculos que barram a entrada do seu próximo; essa insana distância poderia ser galgada, rompida, se houvesse apenas um gesto gentil, amigável do outro ser, em deixar a chave disponível, para abrir a porta, do lado de dentro, de si mesmo!
Vida Segura: Nenhuma morte no trânsito é aceitável.
Todas são evitáveis.
Na metrópole,
Trânsito gentil,
Fácil falar,
difícil fazer.
Pedestre põe o pé na faixa,
O carro para… Só que não.
Pedestre fica com a cara no chão
Lá vem o ciclista,
O carro sai da pista
Lá vai o ciclista pro chão.
A vida pulsante,
No carrinho do bebê,
No olhar perdido do velho no ônibus.
As motos serpenteiam
Entre os carros,
Parecem que não têm nada a perder.
A vida clama a toda hora,
Na criança que chora,
No adolescente do skate,
No homem do patinete.
Todos têm muita pressa,
Não podem parar.
É a vida que chama!
Aqui, ali,
Em todos os lugares, mas
Por desatenção,
Por falta de educação, cuidado,
A morte pode estar na contramão.
TEMPESTADE NA METRÓPOLE
Turbulência e fúria
O céu cinzento descarrega sua ira
Os adultos se agridem
As crianças se drogam
A cidade sofre uma hemorragia
Mas a chuva trata de varrer o sangue.
