Metáforas em Poesias
Na areia da vida deixo pegadas.
Um lembrete que passei por ali.
Agora a água vem e leva.
Leva com ela todos os rastros que deixei.
Que serão eternos,
Eternos enquanto lembrados.
Na Fila do Algodão Doce
Esperei, como quem guarda o mundo,
Com olhos de criança, puro e profundo.
Um pedaço de tempo só pra nós dois,
Um instante onde nada fosse depois.
Mas a fila parou, o doce escapou,
E o que era espera virou amargor.
Vi o tempo levar o que era meu,
Como quem roubou o lugar que escolheu.
A raiva subiu, feroz, inclemente,
Um furacão que tomou minha mente.
Não foi só o atraso que me fez,
Mas o sonho quebrado da nossa alegria.
Agora, sozinho, tento entender
Que o amor também sabe perder.
Que em meio à fúria, há espaço pra ver
Que eu só quis você, e não sabia dizer.
Perdoe minha pressa, meu jeito menino,
Que espera demais no amor sem destino.
Ainda sou aquele na fila a sonhar,
Esperando o momento de te encontrar.
Sem muito duvidar,
Meus limites superar.
Já estou a acreditar,
Que nessa vida de assombrar,
Vem você me ajudar.
Ando meio preocupado
Com dois lados pra escolher
E ainda não sei o lado
Me afasto do mal
Mas ando com alguns pecados
Alguns deles de roupas
E outros pelados
E imaginar que temíamos os lobos que poderiam estar vestidos de ovelhas
Mal sabíamos que o perigo era o pastor dono das ovelhas.
J.D.Oliver
"Estar ou Colocar-se em caixas..."
Caixas são substantivos, que mesmo na condição de matéria, de tão escarsos ou pouco usuais, podem se tornar extintos. Porém o universo é impiedoso; e nessa hora, a história impossa-se como dicionário!
"Um dia o sapo disse ao gafanhoto: 'Um dia vou voar'. O gafanhoto riu e zombou dele. Essa metáfora nos lembra que nem todos devem saber o que planejamos para o futuro ou o que fazemos para melhorar."
Binilson Quissama
Um músico ou um poeta sofrido?
Sabe o que eu acho engraçado na poesia?
Isso mesmo, na poesia,
Que seus autores pegam harmonia e paixão, e transformam em melancolia e depressão.
Isso me fez refletir que, na verdade, poetas são pessoas rancorosas, aquelas pessoas que aumentam histórias de 10... 20... 50 anos atrás, quando na verdade elas são apenas espinhos de rosas.
Exato, espinhos de rosas vão te machucar, te furar, mas, em vez de simplesmente um curativo colocar, preferem deixar a ferida aberta e ficar cada vez mais de mãos abertas remoendo... se doendo e sofrendo por aquilo.
Agora, tem outros poetas que pegam os sentimentos doloridos deles e escrevem com certa melodia, sabia? Chamamos eles de músicos, pessoas que sentem intensamente e então pegam isso e escrevem as mais belas sonoridades.
Ou vai me dizer que nunca ouviu uma bela harmonia que lhe fez dançar enquanto ouvia e te fez pensar... nossa, o que foi aquilo?... Mas quando você foi ver, era apenas um coração partido...
Decepcionante, né? Ok, mas talvez você não goste de escrever ou compor, talvez não goste de nenhum, mas também talvez esse poema não seja sobre músicos e poetas.
Em uma situação, você vai ser o poeta? Vai pegar algo lá do fundo, trazer para um assunto futuro aumentando em 30x e provando o quanto imaturo você é, ou vai ser um poeta que vai superar, mandar aquela pessoa para um lugar que não posso falar e escrever uma nova melodia com risadas e talvez algumas gargalhadas.
Vamos ser honestos? Eu prefiro ser um sincero músico a um poeta sofrido.
Os conflitos são como um caminho de uma montanha, cansativo e desafiador, porém cheio de descobertas.
À medida que subimos, desde o nível mais baixo até o topo, a vista se expande, nos permitindo apreciar a paisagem.
Assim são os nossos conflitos, eles nos ajudam a ter uma consciência mais ampliada, permitindo que deixemos de lado os pensamentos limitantes e abramos espaço para novas ideias e novas possibilidades.
É como se tivéssemos a oportunidade de ver o mundo sob uma luz diferente, um raio de esperança que nos ajuda a encontrar novos horizontes.
Ao contemplar-te, vejo em ti minha borboleta branca de seda, capaz de provocar tempestade se preciso.
Teu olhar é o espelho das águas que me sorriem em um céu sereno; é um portal de iluminação que me transporta através do tempo e do espaço, além do comum e do ordinário.
Teus cabelos são radiantes como os raios solares, que trazem luz e mudam ao cotidiano.
És tanto a raiz que busco quanto o voo que desejo alçar.
Intuo que dentro de ti reside o livro que ansiava, um caminho a ser percorrido que me ensinará sobre a vida, a vibração do entardecer e o encontro do profundo com a simplicidade.
Ele é de fácil compreensão para quem existe para absorvê-lo, mas enigmático o suficiente para instigar a curiosidade daqueles que o folheiam.
É como um prato perfeito, com aparência apetitosa, cores vibrantes e sabores exuberantes que explodem na boca - uma experiência única e inesquecível.
Entre minha metáfora óbvia há um tanto de verdades desejando ser dita;
Sendo ou não as minhas que forem seguidas;
Nessa tarde ofereço positividade e Paz por entre palavras harmoniosa que nos traz a bondade por toda vida;
O baleiro vazio é uma metáfora do que foi boa parte de minha história.
A vida me disse muito mais nãos do que sins.
Mas eu sobrevivi, pois desenvolvi a façanha de galvanizar os vazios.
Quando a realidade não me bastava, eu inventava uma ficção, uma projeção simbólica que colocava chão sob os meus pés. Não levo rancor algum.
Quando a vida me nega, eu invento o que me falta.
MULHERES
A mulher é como
um anjo que nos
dá o prazer de amar.
A mulher é como
uma metafora.
A mulher é como
uma esfera de
brilhantes.
A mulher é como
uma esfera que
obtem o sinal
de brilhantismo
seus olhares.
A mulher é como
um esconderijo
de sentimentos.
Meu jazz
Pode-se chamar de jazz tudo o que não soa convencional.
Uma metáfora.
Uma ruptura com o fixo, o estável, o estático seria jazz.
Uma mudança de padrões estabelecidos.
O não-convencional é jazz.
Já o meu jazz não é como os outros, posto que, eu... com os outros não me pareço.
Cada um é cada um, um universo em si mesmo.
O mundo é de dois lados, bipolar, dicotômico.
Há os que dançam e os que pensam, e os que pensam também sabem dançar, pois pensam, logo dançam. Embora haja quem dance tanto que não pense. Há também quem tanto pense que se negue dançar. Ora, pois, é uma grande desfeita contra a vida não dançar. Sim, Nietzsche, tenho visto Deus dançar uma balada romântica e ensaiar os passos do frevo com grande entusiasmo. Enfim, há quem dance e pense. Eu porém, quando penso, costumo dançar.
Sou o que você poderia chamar de um cara de esquerda, como foram os gênios e os revolucionários em tempos e tempos. Você não deve ser muito diferente de mim se...
Meus acordes soam dissonantes. Minha voz destoa, mas não chego a ser desafinado. Sou assim um outside. Às vezes sôo atonal como jazz, aliás, quem poderá entender o jazz para então poder apreciar a bossa nova, bossa nossa, bossa minha, o meu jazz.
Comecei tocando na igreja, mas desde as primeiras noções, optei por uma linha musical nada ortodoxa. Minha música era maior que eu, embora não fossem, ainda, os meus motivos. Ora, o que e grande precisa de espaço. Assim é minha vida. Assim é minha música, o meu jazz.
Metáfora de Convivência Humana
DE CONVIVÊNCIA HUMANA
Há momentos em que o mais nobre gesto de coragem consiste em dizer, serenamente: “Não. Páro por aqui. Estou cansado. Desisto. Já não suporto esta sucessão de tempestades.”
Não se trata de fraqueza, mas de lucidez. Há um instante em que o espírito, exausto das lutas inúteis, reclama o direito de repousar.
As decisões intrapessoais, essas que nascem do diálogo silencioso entre a consciência e a alma, têm o seu fundamento na dignidade humana — esse valor supremo que nenhuma circunstância deve profanar. Decidir interromper um caminho, afastar-se de um convívio, ou simplesmente escolher o silêncio, não é abdicar da própria essência, mas antes preservá-la.
Quem opta por se resguardar não renuncia à vida, apenas recusa o desassossego que a envenena. Tais decisões não diminuem quem as toma; pelo contrário, elevam o ser humano ao patamar da sabedoria, onde o amor-próprio se confunde com a serenidade.
Não é desdém, nem indiferença, nem orgulho — é um acto de fidelidade à própria paz.
Não habites uma casa onde a tua voz é abafada, onde os teus valores são ridicularizados, onde a liberdade se torna refém de vontades alheias. Nenhuma morada merece ser chamada lar quando nela imperam palavras impostas, ou quando o teu silêncio é o preço da convivência.
A verdadeira habitação do ser é o lugar onde o espírito respira sem medo e a palavra nasce sem permissão.
Huambo, 22 de Outubro de 2025
Salomão B. Miguel Domingos
Metáfora expandida I
Um Sonho Distante
Eu tive um sonho distante.
Neste sonho, éramos muitos — porém, um só.
Um a cada capítulo, membros de um único livro.
Cada página à frente só podia enxergar as páginas de trás.
O título era o passado: um sonho distante.
O futuro, o capítulo final — e o fim da história.
Essa história tomava emprestadas referências de outros livros na mesma prateleira.
Mas a prateleira também nos rotulava.
E esses rótulos, ironicamente, eram o que nos prendia àqueles livros —
livros que estavam ao nosso lado,
também sonhando o mesmo sonho distante.
Mas conversávamos do logradouro de outra biblioteca.
Essa não falava nossa língua —
e, ainda assim, tinham dúvidas semelhantes às nossas.
O sonho de todo livro era ser mencionado,
e, quem sabe, ganhar sua própria saga e volume.
Mas para isso era preciso um ato raro:
libertar-se de si mesmo.
Contudo, sempre que um ousava mencionar outro,
vozes sussurravam ao redor:
— É um sonho distante.
Metáfora da Aprendizagem
Cada aluno tem o seu tempo para romper a casca.
Alguns aprendem rápido; outros amadurecem em silêncio.
O importante não é chegar primeiro, mas nunca desistir de chegar.
Todo ovo, um dia, transforma-se em voo.
Por isso, no fundo, é tudo uma questão de perspetivas.
© 11 nov.2025 | Luís Filipe Ribães Monteiro
O monstro não é apenas uma criatura de muitas cabeças.
Ele é a metáfora viva da humanidade quando se deixa dominar pelo vazio.
Entre tantas vozes, é a ignorância que grita mais alto,
e, sob seu comando, todas as outras se calam ou se confundem.
A ignorância não destrói com violência imediata,
mas com a corrosão lenta daquilo que poderia florescer.
Ela apodrece ideias, sufoca sonhos,
transforma sabedoria em silêncio e esperança em cinzas.
Cada cabeça que poderia pensar, criar, questionar,
se perde em um labirinto de fúria muda,
alimentada pela podridão que se espalha como veneno.
E assim, o monstro cresce, não pela força,
mas pela submissão daqueles que se deixam governar pelo vazio.
Ignorar é abdicar da luz.
É permitir que o monstro reine,
não porque seja invencível,
mas porque muitos se ajoelham diante da sua sombra.
O sol continua quente.
A metáfora sou eu em você.
Tudo é riquíssimo, mas o tom é triste.
O lobo agora está na matilha.
Salve-me, até porque quero a luz.
A flor de lótus não trouxe a felicidade prometida.
E você, Lobo, olhando para o infinito…
Isso me fere, pois seus olhos estão frios,
o sorriso morre em sua boca,
e você não está em mim.
Me aparece assim, de repente
na noite mais fria, sem metáfora
mas sonhadoras…
esquenta, nuvens, abraça, chove
E eu li outro dia uma frase de Quintana
que dizia… “tão bom morrer de amor
e continuar vivendo”
Pensei, enquanto o carro partia…
“tão bom acordar e continuar sonhando”
