Mensagem para Pessoa que Ja Morreu
Pelo tudo , pelo nada
Pelo sol do meio dia
Pela chuva fria
Pelo frio da noite
Pela flor do juazeiro
Nas asas de um rolinha
E no cantar da Acauã
Pela seca nos acerca
Pelas garras do carcará
Pór tudo que ainda somos
Por tudo que ainda seremos
Pelas contas de um rosário
Desfiado em louvor
A virgem Maria , ao Padre ´´Ciço`` a Deus Nossso Senhor
Um pedido a fazer
Pela distância tão malvada
Pela lua que vai nascer
Pela vida , tua e minha
Pela mente vazia de um sertanejo a sofrer
Pelo sim, pelo não
Pelo hoje e o amanhã
Pelo certo , pelo incerto
Pelo cordel do repentista
Pelo chorar da sanfona de Gonzaga a cantar
´´A todo mundo eu dou psiu , Sabiá ``...
Pelos versos de um poeta
Pela réstia da janela , a luz de uma estrela clarear
Pelos sons do maracatu
Pelas ruas de Olinda
Pelas pontes de Recife
Por ti meu amor
Gritarei aos sete cantos , aos sete mares
Que és minha sétima maravilha
Por todo canto eu direi...
Por toda eterninade
Para sempre te amarei .
A nossa vida não tinha dentro. Éramos fora e outros. Desconhecíamo-
nos. como se houvéssemos aparecido às nossas almas
depois de uma viagem através de sonhos. . .
Tínhamo-nos esquecido do tempo, e o espaço imenso empequenara-
se-nos na atenção. Fora daquelas árvores próximas,
daquelas latadas afastadas, daqueles montes últimos no horizonte
haveria alguma cousa de real, de merecedor do olhar aberto
que se dá às cousas que existem?. . .
Na clepsidra da nossa imperfeição gotas regulares de sonho
marcavam horas irreais. . . Nada vale a pena, ó meu amor longínquo,
senão o saber como é suave saber que nada vale a pena. . .
E nós não nos perguntávamos para que
era aquilo que não era para nada.
Nós sabíamos ali. por uma intuição que por certo não tínhamos.
que este dolorido mundo onde seríamos dois, se existia,
era para além da linha externa onde as montanhas são hábitos
de formas, e para além dessa não havia nada. E era por causa
da contradição de saber isto que a nossa hora de ali era escura
como uma caverna em terra de supersticiosos, e o nosso senti-la
era estranho como um perfil de cidade mourisca contra um céu
de crepúsculo outonal.
SEGUNDA. - Talvez por não se sonhar bastante. . .
PRIMEIRA. - É possível. . . Não valeria então a pena fecharmo-
nos no sonho e esquecer a vida, para que a morte nos esquecesse?
. . .
SEGUNDA. - Não, minha irmã, nada vale a pena. . .
Não sei o que é isto, mas é o que sinto. . . Preciso dizer frases
confusas, um pouco longas, que custem a dizer. . . Não sentis
tudo isto como uma aranha enorme que nos tece de alma a
alma uma teia negra que nos prende?
SEGUNDA. - Não sinto nada... Sinto as minhas sensações
como uma coisa que se sente. . . Quem é que eu estou sendo?
. . . Quem é que está falando com a minha voz?. . . Ah.
escutai. ..
Como um vento na floresta,
Como um vento na floresta,
Minha emoção não tem fim.
Nada sou, nada me resta.
Não sei quem sou para mim.
E como entre os arvoredos
Há grandes sons de folhagem,
Também agito segredos
No fundo da minha imagem.
E o grande ruído do vento
Que as folhas cobrem de som
Despe-me do pensamento:
Sou ninguém, temo ser bom.
Não haja medo que a sociedade se desmorone sob um excesso de altruísmo. Não há perigo desse excesso.
Prouvera aos deuses, meu coração triste, que o Destino tivesse um sentido! Prouvera antes ao Destino que os deuses o tivessem!
Não há pior que a arte dos que morrem, a não ser o pensamento dos que não existem.
Um artista forte mata em si próprio não só o amor e a piedade, mas as próprias sementes do amor e da piedade. Torna-se desumano devido ao seu grande amor pela humanidade — esse amor que o impele a criar a arte para o homem. O gênio é a maior maldição com que Deus pode abençoar um homem. Deve ser sofrido com o mínimo possível de gemidos e queixumes, com uma consciência tão grande quanto possível da sua divina tristeza.
(Aforismos e Afins)
Sou, bem sei, uma voz que clama no deserto. Não se esqueça porém V. Ex.ª que a voz que clamou no deserto foi a que anunciou o Salvador.
O homem perfeito do pagão era a perfeição do homem que há; o homem perfeito do cristão a perfeição do homem que não há; o homem perfeito do budista a perfeição de não haver o homem. (Bernardo Soares)
A fome só se satisfaz com a comida e a fome de imortalidade da alma com a própria imortalidade. Ambas são verdadeiros instintos.
Um artista forte mata em si próprio não só o amor e a piedade, mas as próprias sementes do amor e da piedade. Torna-se desumano devido ao seu grande amor pela humanidade — esse amor que o impele a criar a arte para o homem.
O gênio é a maior maldição com que Deus pode abençoar um homem. Deve ser sofrido com o mínimo possível de gemidos e queixumes, com uma consciência tão grande quanto possível da sua divina tristeza.
Ah, sua boba. Olha você novamente se lamentando sobre teus sofrimentos. Eles não te fizeram mais forte? Abra um sorriso e agradeça a todas as pessoas que amarguraram seu coração. Hoje você é o que é por causa delas.
Ah, sua boba. Ninguém te conhece mais que teu travesseiro. Chora, chora, isso te faz bem. Não se faça de durona. Vai ver-se no espelho como você é mais forte que ontem.V ista-se de você e não se preocupe. Amanhã você chorará novamente, depois de dançar e encontrar a paz.
Ah, sua boba. Triste e coitadinha cismada em sofrer mesmo aparentando um sorriso largo e displicente,sempre! Ei durona, que te resta então? Dançar na tempestuosa saudade de tudo aquilo que não fez, que não viveu estampando teus pés calejados de angústias que nunca sararão.
Ah, sua boba. Você ainda espera um dia alguém que compreenda teus mistérios e urgências, que toque tua alma com calma. Mal sabe que cada desejo teu é devaneio, pois quem tem alma não tem calma. Tu, o que tens – a alma! Mas atrevida como sei que é continuará nessa odisseia. Garota burra!
