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Bem, venho aqui por esta carta, tentar de alguma forma amenizar, por assim dizer isso tudo. Sabe, eu tive de reaprender a viver sem você, e foi tão duro pra mim, você nem faz ideia. Você me botou a prova em meu teste mais temido, aquele em que eu sou privado de você, e eu por pouco não morri de solidão. Eu fiquei pelos cantos, e fiquei doente por isso. Existe uma frase que diz: “Nem toda doença é causada por causas lógicas, a tristeza apenas toma proporções em que até mesmo seu corpo físico é afetado.” E foi isso que aconteceu, eu fiquei doente de amor. Mas eu tive de superar certo? Afinal, eu não podia lhe esperar pra sempre. Sabe, eu te amei de uma forma louca e descontrolada, eu lhe amei de uma forma que eu nunca imaginei que eu fosse capaz de amar. Eu lhe coloquei no mais nobre lugar do meu coração, o qual era totalmente seu. Eu lhe dei a minha vida, e coloquei tudo que eu tinha em suas mãos. E eu fui tão feliz meu amor.. tão feliz.
Você nunca vai conseguir entender o quanto você fez por mim, o quanto você me deixou bem. Por 4 meses e meio você me fez a pessoa mais feliz do mundo, pode ter certeza disso. Eu lhe amei com todas as forças que eu tinha, larguei tudo e todos e fiquei ao seu lado, e então você me estendeu a mão e me levou para um verdadeiro sonho. Um sonho tão perfeito que se tornou indescritível. Eu passei a ser parte de você, e começei a precisar de você, e foi ai que eu errei. Me deixei levar demais, e fiquei sem um ponto de apoio, e não conseguia mais voltar. Estava perdido. Mas bem, chegou a hora de acordar não é mesmo? Afinal, apenas a morte é um sonho eterno. Quero lhe agradecer, por tudo, tudo mesmo! Eu não vou desistir de nossos sonhos, e cada pequena coisa que eu realizar eu vou me lembrar de você, e dizer pra quem estiver comigo, que a muito tempo atrás eu sonhei aquilo com você, e que a muito também prometi que iria cumprir tudo aquilo. Eu me retiro de cena, com a mesma simplicidade com que entrei, e que fique aqui registrado o quanto eu te amei, e que esse amor nunca vai morrer. Você vai ser o eterno amor da minha vida. Te juro, não se esqueça de mim, porque eu não vou me esquecer de você.

Carta pra você que está chegando

Eu preciso te contar dos que estiveram aqui antes de você. Antes de qualquer coisa. Eu preciso falar sobre as cicatrizes, os tombos e os cacos que ainda tentam se juntar. Você está chegando agora, é novo no jogo, ainda não sabe os atalhos para fugir do game over. Tô aqui para te dar as dicas, porque eu quero mesmo que você vença as minhas batalhas. Porque quero que você chegue, abra a porta e se sinta em casa. De visitas, tô cheia. Agora, eu quero alguém para ficar.
Já aviso que sou difícil. Cheia de cascas e camadas protetoras. Com o passar dos anos, construí meia dúzia de muros à minha volta. Mas não desista de mim. Dê voltas e me encontre. Entre os tijolos, escondem-se portas e janelas abertas para você entrar. Por trás da autossuficiência aparente, tem alguém disposta a amar de novo e de novo e de novo, até, finalmente, acertar. E o que eu mais quero é acertar com você.
Me ensina também. Sei que por trás desse sorriso de quem não leva a vida a sério tem as suas próprias decepções. Me fala daquela última garota que quebrou seu coração. Me mostra suas feridas, me diz aonde não devo errar. Eu juro – eu juro – que a última coisa que eu vou querer é te magoar. (Mas talvez, sem querer, eu te magoe).
Saiba que eu também já errei. Algumas vezes partiram meu coração, outras, fui eu que quebrei corações alheios. Eu não sou perfeita. E eu vou falhar. Vou gritar, dizer para você ir embora, falar que nunca deveria ter chegado. Talvez, a gente supere a nossa falta de jeito para o amor e consiga aprender a amar um com o outro. Talvez, a gente acabe com o mesmo fim de todas as minhas outras histórias mal acabadas, cheias de vazios e sem sorrisos.
Mas eu queria dizer, enquanto você ainda está na porta, que eu estou disposta. Eu tô largando tudo para tentar com você: meus medos, meus segredos, meus receios. Tô tirando a armadura porque quem foge do amor o tempo todo só tenta se enganar. No fim, eu só tô dizendo que amar você é quase como pular do precipício. Mas, por você, eu pulo. Eu pulo.

A confiança é como um castelo de cartas, constrói-se lentamente e basta uma carta em falso para que tudo venha abaixo.
Quanto maior ele for, maior é a desilusão.
A reconstrução é demorada porque cada carta é depois colocada com muito receio.
Por vezes as desilusões são tantas, que não vale a pena começar tudo de novo.

Décima quinta carta.

Décimo quinto dia sem você, ou seja, décimo quinto pior dia da minha vida.
Quantos dias será que eu aguento? Passaram já duas semanas, te escrevo cartas mas você não me responde, eu te ligo mas só cai na caixa postal.
Estou aqui mais uma vez das outras centenas de milhares, sentado no batente da minha casa, te escrevendo esta carta, para dizer que eu te amo e que sofro sem você, não sei se devo continuar a correr atrás de quem amo, ou se devo partir. Qual das opções? Você sabe que oque passamos juntos foi verdadeiro, quero que você saiba que hoje, faríamos 2 anos e 3 meses juntos, e hoje é o décimo quinto dia em que você me trocou por um cara melhor, e de presente dos nossos 2 anos e 3 meses juntos te deixo esta carta afirmando que te amo, e que vivi minha vida de maneira intensa, e não me arrependo de nenhuma palavra dita anteriormente, sem fugir da realidade eu te digo, vou sumir do seu mundo, e do mundo lindo e feliz de todos os outros. Guarde bem esta décima quinta carta, quem sabe você pode refletir sobre os 775 dias que passamos juntos, as 18600 horas que você era só minha, e os 1116000 minutos em que eu te mostrei a verdadeira realidade do mundo, princesa, eu te amo e sempre vou estar aqui, sei que não irá ler esta carta como fez com todas as outras, minha décima quinta carta, minha realidade vivida, em que se destruiu a quinze dias atrás.

Carta ao que não volta

(Eliza Yaman)

Se eu te escrevo, é só pra não morrer.
Pois cada verso é sopro que me resta.
Não espero resposta, nem prazer,
só que tua ausência enfim me conteste.

Foste embora, mas não foste embora.
Ficaste em mim como um eco sem paz.
E eu, poeta, sou quem ainda chora,
por um amor que nunca se desfaz.

CARTA DE SOCORRO


A quem ainda pode me ouvir,
Aos que ainda sentem a terra sob os pés,
Aos que ainda se lembram que sem natureza não há futuro:


Socorro!


Eu sou a Caatinga.
Sou o único bioma exclusivamente brasileiro.
Nasci do calor, cresci na escassez, floresci na resistência.
Durante séculos, abriguei povos inteiros, curei feridas com minhas raízes, alimentei famílias com meus frutos, e dancei com o vento seco sob o sol ardente.
Hoje, estou morrendo.


Tenho sido queimada, arrancada, esquecida.
Espécies que guardava como tesouros — como o pau-ferro, a baraúna, o umbuzeiro, o mororó, o juazeiro e o mandacaru — estão sendo levadas embora, uma a uma.
Meus filhos verdes, meus espinhos de proteção, meus galhos retorcidos de luta, estão sendo transformados em cinzas, carvão e silêncio.


Me chamaram de pobre, de seca, de lugar sem vida.
Mas nunca perguntaram o quanto dei de mim para que a vida sobrevivesse aqui.
Nunca olharam com carinho para o que fui capaz de sustentar, mesmo com tão pouco.


Eu sangro em silêncio, mas agora grito: me recatinguem!
Me curem.
Me deixem respirar de novo.


Não quero virar lembrança em livros didáticos.
Não quero ser só nome em relatório de extinção.
Quero ver de novo as folhas do umbu se abrindo depois da chuva.
Quero ouvir o barulho das ararinhas-azuis que quase não existem mais.
Quero acolher de novo o vaqueiro, o sertanejo, o viajante.


Peço socorro aos cientistas, aos agricultores conscientes, às escolas, aos jovens, aos povos originários e tradicionais. Peço socorro a quem ainda me reconhece como vida.


Plantem o que sou.
Ensinem quem fui.
Preservem o que restou.
E devolvam-me o que me tiraram: o direito de continuar existindo.


Eu sou a Caatinga.
E eu ainda resisto — se vocês resistirem comigo.


Com dor e esperança,
Caatinga a voz esquecida do sertão.


Emmanuel.limap

Carta para o Futuro



Olá, pessoa do futuro.


Tomara que você seja tão fascinada pelo passado como eu sou... Se você se pergunta se aqui no passado nós somos parecidos com vocês, essa é uma ótima pergunta. A resposta é: provavelmente não. Mas esse "não" é relativo. Não temos essas facilidades que vocês têm e, na verdade, ainda não sentimos falta delas.


Mas a vida continua relativamente igual. Eu tenho mãe e amigos. Tenho uma esposa, muito bonita, por sinal. Eu me levanto cedo para trabalhar, como imagino que você deve fazer também. Ao meio-dia, almoço em um restaurante: como arroz e feijão, carne de gado ou frango, maionese, vinagrete e tomo uma Pepsi (um tipo de bebida gaseificada, com muito açúcar). Chego em casa, ligo o computador e fico horas programando apps ou trabalhando com segurança da informação.


Nossa vida tem alegrias comuns aos homens, como piadas, comida, amigos, música e prazeres. Nós também temos problemas: roubos, doenças, mortes.


Estamos passando por um período muito terrível. Pessoas entram em escolas e matam crianças para ganharem notoriedade. Elas querem ser lembradas como "Fulano de tal, o assassino da escola". Outra onda de morte está sendo por envenenamento de comidas. Teve um caso com um bolo com arsênio aqui no Sul, depois um caso com chumbinho no Nordeste, e outros dois em São Paulo.


O presidente atual é o Lula (Brasil) e o Trump (EUA). Já não nos parecemos em nada com o que éramos há 500 anos atrás, quando os portugueses chegaram em nossas terras.


Espero que aí no futuro você esteja bem. Não fique pensando tanto no passado; as paixões que você teria aqui pode muito bem vivê-las no seu tempo.

Summer Bittencourt
22 de Julho de 2025
Terça-Feira
(Carta escrita em Canoas-RS)

✨35-36 ( Transição de idade)

Carta aberta.

Quando sentir se tornou meu ponto de virada.

Todo ano eu me prometia recomeçar. Me prometia cuidar mais de mim, prestar atenção no que eu sentia, mudar o que precisava ser mudado. E, ainda assim,

o tempo passou… anos passaram… até que, finalmente, eu me enxerguei.
Logo eu, que sempre me achei tão atenta, tão pronta para resolver qualquer situação que surgisse — desde que não fosse dentro de mim.

Porque para o outro sempre foi fácil.
A palavra saia rápida, certeira, quase automática.
A gente fala, aconselha, acolhe… e acredita que isso basta. E, para o outro, basta mesmo.
Mas quando se trata de nós… ah, aí tudo pesa diferente.

Com a gente própria, a cobrança vira eco.
“Você precisa emagrecer.”
“Você precisa mudar.”
“Você precisa melhorar seus hábitos.”
E essas frases, sem sentimento, viram só barulho. Viram vento.

O difícil nunca foi saber o que fazer.
O difícil sempre foi sentir.
Sentir a dor, o incômodo, a verdade crua.
Mas também sentir orgulho, força, vitória.
Porque é quando a gente sente de verdade que a gente se posiciona.
É quando a gente decide sair do piloto automático e tomar de volta as rédeas da própria vida.

O meu ano 35 foi exatamente isso: um encontro comigo.
Confesso — vivi o que muitos chamam de crise da meia-idade.
Eu chamaria de transição.
Chegaram os questionamentos, as reflexões, as inquietações, as rupturas… e, principalmente, as mudanças internas.

Aquelas que ninguém vê, mas que transformam tudo.

Hoje, olhando para mim com mais honestidade e carinho, reconheço o quanto precisei quebrar para entender minhas peças. O quanto precisei me ouvir. O quanto precisei sentir para, enfim, começar a me reconstruir.

E se tem algo que aprendi, é que o recomeço não mora no calendário.

Mora na coragem.

E essa, eu descobri que eu tenho — e sempre tive.

Cuidar da minha saúde foi meu maior ato de amor próprio.

Perdi 26 quilos, mas o que realmente perdi foram os medos, os hábitos que me prendiam, as versões minhas que já não cabiam mais.

E tudo isso começou por onde todo mundo deveria começar: pela mente.

E como a vida gosta de recompensar quem se reencontra, ganhei meu maior presente:

A minha bebê, que em breve vai chegar trazendo mais luz, mais propósito e ainda mais alegria para os meus dias.

Hoje, finalmente, posso dizer:
eu recomecei.
E dessa vez, por mim.

Anely Sofia 2025.

Carta de Saudade e Amor


Meu amor,


Não há palavras suficientes para descrever a saudade que sinto de você. Cada dia longe de você parece arrastar-se, e cada noite é preenchida com lembranças do que fomos juntos e sonhos do que ainda podemos ser. Sinto falta do seu sorriso que iluminava meus dias, do seu abraço que me fazia sentir seguro(a), e do seu olhar que parecia entender tudo o que eu não conseguia dizer.


Às vezes, fecho os olhos e consigo sentir você aqui comigo — como se nada tivesse mudado, como se o tempo tivesse parado. Lembro das risadas que compartilhamos, das conversas que pareciam eternas e até dos silêncios que eram confortáveis, porque eram divididos com você. Cada pequena lembrança se tornou um refúgio na minha saudade, e é incrível como você continua presente mesmo quando está longe.


Meu coração anseia pelo dia em que poderei te abraçar novamente, olhar nos seus olhos sem pressa, sentir seu cheiro, ouvir sua voz e simplesmente existir ao seu lado. Enquanto isso não acontece, eu guardo você dentro de mim, em cada pensamento, em cada batida do meu coração, e até nos sonhos mais íntimos.


A saudade dói, mas ela também me lembra do amor imenso que sinto por você. Um amor que não se abala pela distância, que cresce a cada momento e que se fortalece na espera. Quero que saiba que, mesmo longe, você é minha prioridade, minha inspiração e meu porto seguro. Que em breve, a saudade se transforme em reencontro, e que possamos novamente viver tudo aquilo que a distância não conseguiu apagar.


Com todo o meu amor e toda a minha saudade,
[Seu nome] ❤️

Poema-Carta de Saudade e Amor


Meu amor,


A saudade me veste como um manto pesado,
cada fio entrelaçado com lembranças suas.
Sinto sua falta no vento que toca meu rosto,
no silêncio que ecoa o som do seu riso,
na noite que parece mais longa sem você.


Meu coração grita por sua presença,
por seu abraço que acalmava minhas tempestades,
por seu olhar que entendia minha alma
mesmo quando minhas palavras falhavam.
E mesmo assim, na ausência, você permanece,
como uma luz que não se apaga,
como a certeza de que o amor verdadeiro
não se mede em distância,
mas na força que nos mantém ligados.


Queria arrancar os ponteiros do tempo,
trazer você de volta a cada instante,
sentir você tão perto que pudesse ouvir
o compasso do seu coração junto ao meu.
Mas enquanto não posso, guardo você
em cada respiração, em cada sonho,
em cada batida que insiste em chamar por você.


A saudade dói, mas também me lembra
que amar você é viver intensamente,
que mesmo longe, você é meu tudo,
meu antes, meu agora e meu depois.
E quando enfim nos reencontrarmos,
prometo que cada segundo perdido
será recompensado com o dobro de amor,
com abraços que falam mais que palavras
e beijos que traduzem tudo o que o silêncio não disse.


Sempre seu,
[Seu nome] ❤️

Carta


Já pensou como as coisas acontecem em nossas vidas?
Muitas vezes não fazem sentido no momento, mas, com o passar do tempo, tudo fica mais claro. As peças se encaixam, e muitas vezes até percebemos que tudo teve um propósito.


É incrível a capacidade que temos de nos adaptar, de seguir em frente buscando alternativas, sempre na tentativa de alcançar a “tal” felicidade... mesmo sem saber, ao certo, o que é ser feliz.


Você já se perguntou o que é, de fato, a felicidade? Já se sentiu realmente feliz?


Às vezes, encontramos um amor que, por algum motivo, não dá certo. Mas o sentimento não desaparece. Ele pode até adormecer em nosso peito, mas, de repente, do nada, uma música ou um lugar nos traz de volta aquela pessoa, como se fosse ontem.


E então me pergunto: será que ser feliz é estar ao lado de quem amamos, mesmo que seja preciso abrir mão de tantas coisas? Será que é aceitar as diferenças, mesmo quando parecem nos afastar?


Eu talvez jamais saiba a resposta... O que me resta é seguir em frente, sempre buscando a tal felicidade.


Com carinho,
Seu chato

Agrotóxico


Nada pior do que ler a carta
De um suicida,
Que resolveu se jogar
Do último andar de um apartamento.
Comemos alface envenenado,
Comemos pepino envenenado,
Comemos espinafre envenenado,
Comemos...
Nada pior do que ler a carta
De um suicida,
Que resolveu se jogar na frente
De um carro, no dia seguinte
Chupamos laranja envenenada,
Comemos maçã envenenada,
Chupamos uva envenenada,
Comemos goiaba envenenada,
Chupamos melancia envenenada...
Nada pior do que ler a carta
De um suicida,
Que resolveu cortar os pulsos
E no dia seguinte sentiu-se
Um fracassado.
Comemos feijão envenenado.
Comemos arroz envenenado.
Nada pior do que ler a carta
De um suicida desesperado,
Na busca da morte.

Carta ao que ainda sente

Anápolis, 27 de outubro de 2025

Hoje, escrevo não para o mundo, mas para mim. Para aquele que há vinte anos rabiscou num caderno uma verdade que ainda pulsa:
“O verdadeiro solitário é aquele que, mesmo rodeado de milhares, ainda se sente sozinho.”

Essa frase me define mais do que qualquer outra. Porque, ao longo da vida, não busquei apenas coisas — busquei sentidos. Amor que não machuca, felicidade que não se esconde, alegria que não precisa de plateia. Busquei companheirismo sem cobrança, aceitação sem máscaras, silêncio que não fosse abandono.

Mas o mundo mudou. Ou talvez tenha apenas se revelado. As relações se tornaram rasas, os sentimentos, ensaiados. Aprendemos a fingir tão bem que esquecemos como é sentir de verdade. E, nesse teatro diário, o “está tudo bem” virou nosso papel principal. Dizemos isso mesmo quando não está. Porque admitir tristeza virou sinônimo de fraqueza. E fraqueza, hoje, não é aceita.

Estar doente, estar triste, se sentir sozinho — tudo isso virou sinal de que algo está errado com você. Então nos condicionamos. A sorrir por fora e chorar por dentro. A incentivar o outro quando, na verdade, era a nossa alma que pedia por incentivo. A oferecer colo quando o que mais queríamos era um abraço silencioso.

Ser forte o tempo todo cansa. Mas fingir força o tempo todo… isso esgota.

E aí, aquela pergunta que me fizeram anos atrás volta a ecoar:
Você vive ou morre todos os dias?
A resposta continua a mesma:
Eu não sei.

Mas talvez escrever isso seja um começo. Talvez admitir que não sei seja, enfim, um ato de coragem. Porque sentir não é fraqueza. Sentir é o que nos torna humanos.

Com verdade,
Pablo

O Calor no Inverno das Grades
​A carta é o grito que atravessa o muro,
De um coração que a cela não calou.
Escreve o "guerreiro" em seu tempo escuro,
Sobre a vida que o crime lhe roubou.
​Diz que a ostentação é marionete,
Um brilho falso que cega o olhar.
Quem no dinheiro a alma compromete,
No cemitério ou na grade vai morar.
​Fala de "porta estreita" e "porta larga",
Do "coração que calejou" na solidão.
A liberdade tem um gosto amargo,
Se a mente ainda vive na prisão.
​Mas entre as linhas de caligrafia incerta,
Há um sopro de vida, um calor, um perdão.
A mão que escreve é a alma que desperta,
Buscando em Cristo a sua redenção.

Carta Aberta: Chovendo Arrependimento


Se nesse momento eu morresse… será que eu me arrependeria?
Creio que sim.
Das coisas que deixei de fazer.
Das coisas que fiz — poucas delas eu realmente me arrependo.
Mas das coisas que não fiz… de muitas eu gostaria de ter feito.
E por que não fiz?
Por medo, vergonha ou timidez.
Acho que por todas essas emoções juntas.


O tempo em que eu fiquei trancado mexeu um pouco com o meu coração.
Eu sei que estou errado nesse momento futuro.
Deixei a única pessoa que realmente gostou de mim ir embora.
Me perdi.
Perdi a minha personalidade para fazer os outros pararem de chorar lá fora e começarem a rir no agora.


Eu não me considero um herói.
Me considero um covarde.
Porque em vez de manter minha personalidade, eu escolhi fugir dela para ser aceito.
Mas adiantou o quê?
Falsas amizades que eu fiz.
Pessoas que me traíram.
Para todos eu desejo o bem… e todos, nem aí, me desejaram o mal.


Tudo o que eu contei, tudo o que eu planejei… eu mesmo destruí.
Mas por que eu não reparei?
Só vai… é o que eu sou.


Eu estava com saudade do teu calor, da tua risada, do teu cheiro, do teu abraço.
Agora, longe, está a chuva lá fora.
Cada gota que pinga se mistura com sonho e saudade.
E a saudade… a saudade não some.
Ela volta.


Volta para mim.
Eu só queria, com você, ter um final feliz.
Talvez agora você não goste mais de mim, pois eu me perdi.
Eu não sou mais o mesmo rapaz.
Gostaria de ser.


Será que ainda tenho tempo?
Será que você não se desfez de vez?
Onde está aquele jovem que uma garota como você um dia quis?

Escrevi uma carta ao tempo sobre você.
Espero a resposta sentado na calçada,
perguntando onde está você.


Que o tempo não demore muito,
pois te amo e sou apaixonado por ti,
mesmo sem ainda te conhecer.


Tempo, tempo, tempo…
não te atrases,
traz para mim aquela mulher
que tanto espero.

⁠Uma carta pra ela…
Eu queria muito entender o que eu sinto no momento, queria muito entender porque você está aparecendo tão frequentemente nos meus pensamentos e até mesmo nos meus sonhos ultimamente, mas não consigo, por algum motivo. Não sei se isso é uma recaída, se é o luto afetivo que eu retardei, ou se realmente ainda sinto algo por você, mas o que realmente me preocupa é: Você ainda sente algo por mim? Eu sinto como se não fosse mais nada pra você…você tá tão radiante, parece que está vivendo a melhor fase da sua vida, mas eu não sei, não sei de nada que passa aí na sua cabecinha. Olha, tá doendo, tá doendo pra caramba, porque você é especial pra mim, não importa o que aconteça, eu te amei, e talvez até ainda ame, então ver você feliz sempre me faz bem, mas não estar por perto pra vibrar com você, me quebra em milhares de pedacinhos. Eu lembro da dor, lembro dos motivos pelos quais resolvi terminar nosso relacionamento, mas ao mesmo tempo acredito no nosso futuro, acredito que você é capaz de me compreender e melhorar. Na minha cabeça você é “complicada e perfeitinha”. Mas não é só você, eu também sou complicada e nossa situação 3x mais, porém ainda assim, eu sinto, sinto que a frase: “A pessoa certa, no momento errado” sempre fez sentido. No momento tenho medo, junto com o medo, saudade, e junto com a saudade, a indecisão.
Tenho medo porque sinto que te quero de volta, mas acho que é tarde demais, eu te mandei uma mensagem, mas você nem sequer respondeu, eu te entendo, virei sua vida de cabeça pra baixo, devo estar pagando o preço agora. De toda forma, sinto sua falta, ou pelo menos, da nossa parte boa…

Carta para depois de mim

Talvez um dia, quando eu já não puder explicar nada, alguém leia estas linhas e compreenda: eu tentei. Tentei de verdade. Chamem-me de exagerado, de fraco, de “peneirado”. Mas só quem sangra por dentro sabe o peso de continuar respirando quando a alma já está cansada.

Desde cedo, meu corpo foi ferido e minha voz calada. Dentro da escola, por pessoas mais velhas, sofri abusos que ninguém quis ouvir. Fui criança demais para entender e condenado a lembrar para sempre. Houve um dia em que cinco pessoas me violentaram, amarraram meus pés e me arrastaram. Eu lutei. Mesmo ali, eu lutei. Mas há dores que não passam — elas apenas se instalam.

Com o tempo, algo em mim se rompeu. Não foi um grito, foi um estalo silencioso. O espírito foi se quebrando aos poucos, até não haver mais como consertar. Hoje carrego um cansaço que não dorme, uma tristeza que não descansa, um medo que me acompanha até quando fecho os olhos.

Sempre tentei encostar na minha própria família. Sempre esperei um convite, um chamado, um gesto simples que dissesse “você pertence”. Nunca veio. Nunca fui convidado para nada. Fui ficando de fora, sendo esquecido, rejeitado. Não por falta de amor da minha parte, mas por ser quem sou. Ser gay foi o suficiente para me afastarem. Isso também dói. Isso também mata um pouco a cada dia.

Tentei amar. Tentei me apaixonar. Tentei existir perto das pessoas. Mas colecionei recusas, silêncios e portas fechadas. O que hoje chamam de desejo de morte é, na verdade, o que sobrou de alguém exausto de lutar sozinho, magoado demais para continuar fingindo força.

Se alguém disser que quer morrer, escute com o coração. Não é fraqueza. É um pedido tardio de socorro. O que salva não é conselho, é presença. Não é julgamento, é acolhimento. Eu nunca aprendi a ser socorrido — por isso escrevo, mesmo com a alma quebrada.

Se estas palavras ficarem, que sirvam para lembrar que eu lutei por muitos anos. Lutei até não restar quase nada. E que ninguém diga que foi falta de tentativa.
Não tenho pena dos mortos, tenho pena dos vivos, ainda por cima que vivem sem amor.

⁠CARTA DE AMIGO CÉTICO

Demétrio Sena - Magé

Meu amigo; vê se não carta - como também não descarta -, mas esta carta não é para tirar da manga... e não manga de mim por causa dela... é para ti. Não Parati nem qualquer outra cidade, mas para ti. Acorda a corda e deixa de marra... ou amarra a marra, que o posto oposto é onde há parto e aparto a briga, pois agora tem ágora para brigas. Não boto acento no assento, há cento e tantos dias não como, como não sei. Só sei que o culto oculto eleva e leva sem desculpas... nem dez culpas... pois nada nada em águas alvas e, o alvo é alvo da mosca na qual jamais acertei.

Eu me livro com livro e sei que a porta aporta lembranças, porta saudades e me pergunta: "E você; qual quer entre qualquer uma?". Seja como for, te peço que peça a peça certa, e acerta; encara a vida em cara limpa e não atira a tira... nem atola a tola no convento com vento, em meio à catinga da caatinga do abandono. É a sina que assina o conto que não conto nem contas, entre as contas dos contra e dos pró. Calma; não sou ator que atormente. Ator mente e atua a tua e também minha vida. Não tenho fé, porque fé demais fede mais; fé de menos nem fede nem cheira.

Acho que acabo aqui. porque há cabo aqui e não quero ser presa da surpresa do acaso nem do ocaso do caso sério com o qual não brinco... mas é brinco na orelha da minha saga. estou doente do ente que há em mim. Não fica assim... ou fica sim, mas não assim, porque há sim, esperança no ar, apesar de a pesar e sentir que não pesa muito. Seja como for, como flor e digiro espinho; dirijo o que digiro para o esquecimento, mas eis que cimento não há. Perdão, amigo; mas eu dei adeus a Deus... e fiquei cético... sei que não tem antisséptico... nem anti-cético para me ajudar.
... ... ...
#respeiteautorias Isso é lei.

⁠Carta a um Amigo Especial
Faz muito tempo desde que tomamos rumos diferentes, e a vida nos levou para destinos diversos. Mesmo assim, não consegui evitar lembrar de você e dos momentos que vivemos. Cada recordação me traz um sorriso, mas também uma sensação de saudade.

Nosso tempo juntos foi especial para mim de maneiras que palavras dificilmente podem descrever. Você sempre será uma parte importante da minha trajetória, alguém que marcou profundamente meu coração. Ao longo dos anos, aprendi e cresci, mas algo dentro de mim nunca conseguiu deixar você completamente no passado.

Espero que você esteja bem e que a vida tenha sido generosa com você. Gostaria de saber como você está e, se possível, retomar o contato, mesmo que seja apenas para relembrar os momentos que compartilhamos. Sei que o tempo passou, mas acredito que algumas conexões nunca se perdem totalmente.

Se você estiver disposto, adoraria saber como a vida tem sido para você e, quem sabe, reencontrar essa parte de nós que ainda ressoa em mim. Se preferir não retomar o contato, compreendo e respeito sua decisão, desejando-lhe todo o bem do mundo.

Sua sempre amiga!