Mensagem dos mais Sabios do Mundo

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Quero.

Em minhas mãos quero
Guardar o calor do teu corpo.

Em cada pedacinho da minha boca
Quero guardar o gosto quente dos seus beijos.

Da sua respiração ofegante quero guardar
O momento exato do teu prazer.

E de cada palavra que foi dita
Quero fazer versos que falem de nós.

E quando tudo isso acabar
Quero descansar do meu cansaço
Em teu leito perfumado pelo cheiro do nosso amor
E me deixar vencer pelo sono da paz
Misturado à satisfação até que a paixão
Desperte-nos outra vez.

E quando ele me tocou, assim como se existisse só pra isso,
senti meu corpo em uma total urgência para ser dele.
Sua boca roçou na minha e
eu percebi que era ali que estava sendo salva.

"Ele pegou-lhe a mão - dedos entre dedos - e disse:
_Qdo você sorri,
um pedacinho de céu
clareia em mim!
E ela sorriu...
E na alma
o céu inteiro se abriu..."

Nasci como nascem todos os reis e mendigos,
da barriga de uma mulher.
Morrerei como morrem todos os reis e mendigos,
voltando para o ventre da mãe natureza.

Coisinhas para cuidar
.

Junte
Sentimentos
Como se coubessem
Numa caixa...
Mexa bem!

Depois, separe um a um

O que for sonho
Deixe lá dentro...
Saudades
Deixe alguns
Pedaços
Faz bem!

Amor...
Guarde com cuidado
É essencial...

Tristeza
Ah! Enrole em um papel
Amarre com correntes
E jogue longe,
bem longe
Onde seus olhos
Jamais alcance...

Amizade?!
Nem se preocupe
Foi dada a todos os anjos
E você tem bastante
Pode presenteá-la
A todos que te adoram...
Verdadeiramente.

presisamos urgentemente nos conectar uns com os outros, adquirir o senso de interdependência e de responsabilidade individual para com o sucesso de todos. A vitória é coletiva, mas a responsabilidade é indvidual.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Augusto dos Anjos

Nota: Trecho de "Versos Íntimos": Link

Eu estava lá, em tudo o que precisou.
Eu estava lá, nos momentos em que você chorou.
Eu estava lá, nas dificuldades que você enfrentou.
Eu estava lá, quando você quase perdeu tudo.
Eu estava lá, quando você precisou de proteção.
Eu estava lá, quando precisou que alguém mentisse por você.
Eu estava lá, quando você se sentia perdido.
Eu estava lá, nos momentos de alegria também.
Você se lembra disso?
Lembra-se mesmo?
Então por que parece que não tem mais importância?
Será que teve importancia só pra mim?
E mesmo que você um dia esqueça, eu posso garantir pra você. Eu sempre estarei lá.

Pior do que saber que perdeu alguém, é sentir que perdeu alguém. Porque o saber pode não acontecer, mas o sentir é inevitável.

Volúpia imortal

Cuidas que o genesíaco prazer,
Fome do átomo e eurítmico transporte
De todas as moléculas, aborte
Na hora em que a nossa carne apodrecer?!

Não! Essa luz radial, em que arde o Ser,
Para a perpetuação da Espécie forte,
Tragicamente, ainda depois da morte,
Dentro dos ossos, continua a arder!

Surdos destarte a apóstrofes e brados,
Os nossos esqueletos descarnados,
Em convulsivas contorções sensuais,

Haurindo o gás sulfídrico das covas,
Com essa volúpia das ossadas novas
Hão de ainda se apertar cada vez mais!

Augusto dos Anjos
ANJOS, A. Eu e Outras Poesias. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998.

Versos a um cão

Que força pode, adstricta a ambriões informes,
Tua garganta estúpida arrancar
Do segredo da célula ovular
Para latir nas solidões enormes?!

Esta obnóxia inconsciência, em que tu dormes,
Suficientíssima é, para provar
A incógnita alma, avoenga e elementar
Dos teus antepassados vermiformes.

Cão! — Alma de inferior rapsodo errante!
Resigna-a, ampara-a, arrima-a, afaga-a, acode-a
A escala dos latidos ancestrais. . .

E irá assim, pelos séculos, adiante,
Latindo a esquisitíssima prosódia
Da angústia hereditária dos seus pais!

Versos d’um exilado

Eu vou partir. Na límpida corrente
Rasga o batel o leito d’água fina
- Albatroz deslizando mansamente
Como se fosse vaporosa Ondina.

Exilado de ti, oh! Pátria! Ausente
Irei cantar a mágoa peregrina
Como canta o pastor a matutina
Trova d’amor, à luz do sol nascente!

Não mais virei talvez e, lá sozinho,
Hei de lembrar-me do meu pátrio ninho,
D’onde levo comigo a nostalgia

E esta lembrança que hoje me quebranta
E que eu levo hoje como a imagem santa
Dos sonhos todos que já tive um dia!

Solilóquio de um visionário

Para desvirginar o labirinto
Do velho e metafísico Mistério,
Comi meus olhos crus no cemitério,
Numa antropofagia de faminto!

A digestão desse manjar funéreo
Tornado sangue transformou-me o instinto
De humanas impressões visuais que eu sinto,
Nas divinas visões do íncola etéreo!

Vestido de hidrogênio incandescente,
Vaguei um século, improficuamente,
Pelas monotonias siderais...

Subi talvez às máximas alturas,
Mas, se hoje volto assim, com a alma às escuras,
É necessário que inda eu suba mais!

O deus-verme

Factor universal do transformismo.
Filho da teleológica matéria,
Na superabundância ou na miséria,
Verme — é o seu nome obscuro de batismo.

Jamais emprega o acérrimo exorcismo
Em sua diária ocupação funérea,
E vive em contubérnio com a bactéria,
Livre das roupas do antropomorfismo.

Almoça a podridão das drupas agras,
Janta hidrópicos, rói vísceras magras
E dos defuntos novos incha a mão...

Ah! Para ele é que a carne podre fica,
E no inventário da matéria rica
Cabe aos seus filhos a maior porção!

Não há como nos dividir entre os "iguais" e os "diferentes". Somos todos diferentes.

Debaixo do tamarindo

No tempo de meu Pai, sob estes galhos,
Como uma vela fúnebre de cera,
Chorei bilhões de vezes com a canseira
De inexorabilíssimos trabalhos!

Hoje, esta árvore de amplos agasalhos
Guarda, como uma caixa derradeira,
O passado da flora brasileira
E a paleontologia dos Carvalhos!

Quando pararem todos os relógios
De minha vida, e a voz dos necrológios
Gritar nos noticiários que eu morri,

Voltando à pátria da homogeneidade,
Abraçada com a própria Eternidade,
A minha sombra há de ficar aqui!

Eu sou como o vento
Que uiva que ri
Fazes parte de mim
Eu não faço de ti
Sou sonho acabado
Que nem começou
Sou amor marcado
Mal nasceu e murchou
Sou alma penada
Vagueando na noite
O bem que queria
Só me deu açoite
Sou tinta de choco
Camuflo a razão
Manchando de preto
O meu coração
Sou leito de rio
Que não sai dali
Fazes parte de mim
Eu não faço de ti

Sentir saudades não é ruim, o ruim é você ter perdido alguém que lhe fazia muito bem. A saudade é uma forma de lembrarmos o que foi bom.

As engrenagens do socialismo são lubrificadas pelos oleosos processos peculiares a arte da militância.

Cabeça erguida, sempre olhando para frente e o que não pode faltar: fé em Deus que tudo vai dar certo!