Menino e Menina

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Menino criado com vó


Que a despedida seja nosso derradeiro anseio. Que dedicatórias e saudades não sejam nunca ensaiadas. Que os olhares não mirem lembranças ou lugares lembrando de alguém, e que a minha robusta linguagem seja tímida se um dia precisar falar de adeus com você.


Não tenho poemas tristes sobre você. A minha vida e a vida dos outros são todas vidas de dentro de você. Tu sabes que eu sei dizer e arrumar em palavras as mais consoladoras e convincentes. Só as nego e negarei dizer a todos qualquer coisa que explique um dia a tua ausência, porque “até logo” ou “até um dia” eu até diria, porém adeus jamais lhe daria.


E num verso em que foge a rima e o português rebuscado, digo-te até um pouco bravo, não com a braveza de um desorientado, mas falo da bravura de um filho de nordestino, cabra arretado, te proibindo que desta vida se retires antes que eu veja em vida os filhos dos meus filhos, para terem também a sorte, assim como eu tive, de ser menino criado com vó.


Quiçá todo mundo pudesse ter sido, como eu fui na infância, querido; hora outra chamado de neto preferido; comigo sempre repartindo os doces recebidos. Sorte na tua casa ter vivido, e da tua vida me foi feito abrigo, como até hoje e ainda em breve será.


Pois com pressa só tratamos a saúde. O que não for saudade pode esperar!

⁠Tem coisas que você não acredita que possa acontecer, como imaginar que um menino travesso possa envelhecer....

NÃO É POEIRA, SÃO CINZAS DE MENINO.

Me desculpem a poeira:
estou sacudindo as cinzas de menino.

A vida obrigou-me a atear este incêndio, que consumiu a minha inocência.
Hoje, o menino se foi. Dele restaram apenas cinzas.

O Homem reergue-se. Não por opção mas por dever. O dever antigo e mudo de ser Homem.

Um dever que…
não se aprende nos livros.
Não se herda do pai.
Não se ganha com idade.
A gente vem ao mundo marcado.
A sina vem na primeira respiração, um peso nos ombros que ainda não têm largura para carregá-lo.

Chamam-nos de Homens quando ainda somos meninos de sapatos de veludo.
O mundo espera guerreiros onde há apenas olhos assustados.
Exige provedores de mãos vazias.
E a vida, com sua gentileza cruel, vem buscar o que é seu.

O colo da mãe vira memória téria.
O aconchego, dívida.
As 8 horas de trabalho, deixam de ser simplesmente “tempo”: é um túnel que se escava todos os dias com as próprias unhas cravadas no solo, rumo a prosperidade:

E que prosperidade?
O salário é um cálcio magro no fim do mês, um suspiro curto antes de fechar os olhos e recomeçar.

A dor não se partilha.
O cansaço não se mostra.
O medo não tem voz.
É assim.
Não por escolha, mas por lei antiga escrita no sangue e no suor dos que vieram antes.
Carregamos a culpa de não sermos fortes o bastante e a vergonha de precisarmos sê-lo.

Mas ouça bem:
Não é sobre não chorar.
É sobre segurar o mundo nos braços enquanto as costas arrebentam, e mesmo assim não deixar cair.
Não é sobre não ter medo.
É sobre ouvir o filho chorar no escuro e, com a mesma mão que treme, aconchegá-lo nos braços.

É sobre olhar para o espelho e não se encontrar, e no desespero perguntar-se:
em que momento é que comecei a me perder?

É olhar no espelho e ver o menino perdido, e ainda assim amarrar os ténis e ir à luta.

Porque o homem não surge do nada.
As cinzas estão lá, o pó sempre esteve lá.
O menino não morre.
Ele é enterrado vivo.
E todos os dias, à mesma hora, ele ergue uma pá e cava.
Cava para encontrar ar.
Cava para encontrar sentido.
Cava para provar, só para si mesmo, que mesmo enterrado, ainda respira.

A vida não pergunta.
Entrega o peso e espera.
O mundo não aplaude.
Apenas consome.

E nós?

Nós fazemos.
Porque nascemos para isso.
Na marra.
Na garra.
Na angústia muda de quem sabe que o amor, às vezes, tem o peso de uma pedra e o nome de obrigação.

Não é missão.
É destino.
Não é glória.
É chão.
Não se ensina.
Apenas se vive.
Até que um dia, os pés descalços e calejados descobrem que o caminho, por mais duro, foi o único possível.

E nesse dia, sem fanfarras, o menino e o homem olham-se no espelho.
E finalmente, um acena para o outro.
Dois estrangeiros que, no fim da jornada, aprenderam a habitar o mesmo corpo.

Ser homem é isso:
Assinar, todos os dias, com a própria vida, um contrato que nunca se leu, mas que se cumpre com um suor sagrado.

A sina está cravada.
Agora meu caro, caminhe.

Maturidade e Sabedoria


Quando eu era menino, agia como menino, pensava como menino e fazia coisas próprias da infância.
Mas o tempo passou. Cresci. E agora, ao olhar para o homem que me tornei, percebo que a maturidade exige mais do que o simples passar dos anos. Preciso agir com a responsabilidade de um homem, e não mais com as imaturidades de um garoto.
Ser homem é, antes de tudo, assumir a responsabilidade pelos meus compromissos, pela minha palavra e pelos meus atos.
É entender que a verdadeira força está em honrar os princípios que cultivamos e em viver de acordo com eles, mesmo quando a vida nos desafia. Preciso ser como Jó: íntegro, reto, temente a Deus, reconhecendo que a fé não se limita aos momentos de facilidade, mas se revela nas provas da vida.
Agir como homem é abandonar as picuinhas, as brigas pequenas e as intrigas que só nos afastam do que realmente importa.
É deixar para trás as minúcias que nos distraem e nos desvirtuam daquilo que Deus espera de nós. No lugar disso, precisamos cultivar o respeito, a paciência, e o perdão – pilares que fortalecem nossa caminhada espiritual e humana.
Ser homem é também ser alguém que se dedica à família com carinho e respeito.
É ser bom filho, bom irmão, bom pai, e, acima de tudo, um cidadão comprometido com o bem comum e com a justiça. A verdadeira masculinidade é aquela que se constrói no serviço ao próximo, que se revela nas pequenas atitudes diárias de cuidado e generosidade.
Agir como homem é agir com a razão, mas sem perder a capacidade de se emocionar diante do sofrimento e das dificuldades alheias.
É buscar o equilíbrio entre a lógica e o amor, entre a mente e o coração. E, talvez, o maior desafio seja não perder a sensibilidade, a capacidade de dividir o pão com quem tem fome, de estender a mão para quem precisa, de ser luz na vida do outro.
Por fim, ser homem é manter viva a inocência de criança, mas com a sabedoria que a experiência e os erros nos ensinam.
É saber que o amadurecimento não significa perder a capacidade de sonhar, de ver o mundo com olhos puros e esperançosos. Mas também é reconhecer que, para ser verdadeiramente inteiro, precisamos aprender com os nossos erros e com a vida, sem jamais abrir mão da compaixão e do amor.

O menino charmoso: conquistador, galã, cheio de si. Faz as moças se ajoelharem aos seus pés, mas ele não consegue sustentar a fama.
Intensidade e entrega são seus maiores medos...logo ele não é tão mais interessante quanto você pensava.

6 de janeiro de 2024
·
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LA VAI O MENINO (Para meu neto Cauã, em 06.01.2024)
Lá vai meu menino
Catando o destino
Levando carinho,
Vencendo sozinho!
Mochila nas costas,
Certezas já postas
No amor da família
Seguro ele aposta!!
Vai levando liberdade
Vai traçar sua verdade,
E um dia dizer contente
Voltei, trazendo felicidade!

Um menino em seu quarto, deitado na cama sob o olhar de uma lua bisbilhoteira pela janela; uma rádio de pilhas Sharp ouvindo ‘All My Loving’ dos Beatles; o mundo pegando fogo com a Guerra Fria; e sonhando em reencontrar a menina que colocou um Drops Dulcora em sua boca na matinê de domingo.

Redemoinho


O homem nasce menino
na planície verde e monótona,
onde o tempo mastiga devagar
os ossos das horas.

Tudo é pacato.
Tudo é árido.
O horizonte não traz ameaças.

Então chega o dia
em que ele se confronta com o furacão.
O tufão do Atlântico e do Pacífico,
carregado de cores, ruídos, promessas,
vidas demais até para mil existências.

O giro tempestuoso desloca o mundo.
Arranca o que era chão.
Semeia o que já nasce morto.

Nada permanece.
As coisas não amadurecem,
apenas surgem
e se dissolvem
sem parto
e sem luto.

O homem-menino abre os braços.
Quer o clarão,
quer o excesso,
quer o impossível.

E o redemoinho o aceita.

Engole seus sonhos frágeis,
mistura artefatos, rostos, desejos
em uma nuvem de poeira disforme.

Agora é homem.
O menino ficou para trás
como um retrato esquecido na estante,
como letras gravadas na velha árvore.

Está no olho do furacão.
Silêncio dentro.
Caos ao redor.

Já não acompanha o giro.
A mudança o ultrapassa
como um trem que não para em nenhuma estação.

Olha ao longe
as pradarias de onde veio.
Vinhas imaginárias.
Um tempo sem gritos.
Um tempo sem pressa.

Mas descer já não é gesto.
É amputação.

Ele tornou-se o próprio vento
que o desfaz.

A cada segundo
um pouco menos sólido,
um pouco mais vapor.

Ao homem sempre restará
esse vício antigo:

abandonar o simples
e, tarde demais,
implorar pela simplicidade.

Passas,
indiferente, não me diriges o olhar.
Como posso esquecer teu sorriso menino,
Teus lábios tocando aos meus,
A paixão que nos envolvia,
Como posso esquecer nossas noites,
nossas aventuras, o corpo vibrando de prazer...
Agora a vida não tem mais sentido,
Estou solta pelo mundo,
Esperando pela vida,
Por ti que me queres fazes sofrer,
Domina-te e não me faças morrer,
Só quero te amar, ser feliz e viver...

E se Deus me tirar tudo que tenho, me sobraria eu menino.

Haicai de Natal


É noite de paz e alegria
Nasce o Menino Jesus
No céu resplandece uma luz


24/12/25

25/12/25


Caminhos de luz



É Natal
É o nascimento do Menino Jesus
É para a vida, um novo olhar
É seguir caminhos de luz

Ainda ontem, menino, eu era porreta. Arremessava pedra no infinito, certo de que acertaria o impossível. Me encantava por qualquer menina que cruzasse meu olhar.Tocava campainha e voava, sem jamais olhar para trás.Rasgava o dedão ao chutar bola descalço,chorava o desprezo do dia,perdia o sono por causa do “não” da menina que eu gostava.Hoje, me cobro por não ser e por não poder mais ser “aquele menino” que outro fui!

Hoje vi o menino que amo, ⁠

Bento, o menino de um milhão de sonhos, para quem o mais importante era realizar todos os outros.

Seja como um menino, volte a brincar!

Brinque com ela; seja um pouquinho menino, dance com ela na chuva, e se molhem.

Beijos vazios
Corações ausentes.
E quem, quem é que sente??
O menino que não quer demonstrar nada
Ou a guria que não quer ser a emocionada.
É muita preocupação,
Pra uma vida que vai em vão.

Eu menino

Eu menino no teu riso incontido
Me sentindo agora tão perdido,
Que faço dos meus dias sem ti
Nos caminhos desta vida?... Tão perdido!

Queria eu ter me apaixonado por você,
O tempo te levaria como veio...
Mas despertou-me o amor incandescente
Feito chama flamejante em fogo ardente.

Laços e abraços esquecidos,
Olhos nos olhares perdidos,
Quem me trouxe aos teus abraços
Não nos deixastes seguir um só caminho.

Para traz a saudade,
Hoje, a solidão...
Amanhã ou depois,
Quem sabe? O teu coração...

Edney Valentim Araújo

MABUJES




No deserto quando eu era menino
Uma voz bem ao longe sussurrava
Que a verdade não estava no destino
Mas em cada passo que eu dava.


Cresci sobre dunas de areia
Aprendi com a observação
Segui a luz que clareia
Na candeia da intuição.


Vi homens brigando por certezas
Que julgavam ser a única verdade
E outros chorando de tristeza
Por terem confiado em falsidades.


Não estão no fim da jornada
As respostas que tanto procuro
Elas estão nas várias pegadas
Que deixo nos longos percursos.


E a voz que me chama
É o outro eu que reside
No âmago das entranhas
Que minha mente não atinge.


Vi impérios desmoronarem
E o poder deixar os poderosos
Vi pessoas se digladiarem
Por conceitos religiosos.


Servi sem esperar recompensas
Ouvi opiniões contraditórias
Aprendi sobre os pais das crenças
E sobre personagens da história.


Mas foi no templo do silêncio
Que encontrei as respostas
Aos muitos questionamentos
Que pesavam em minhas costas.


A luz que o peregrino
Anseia encontrar
Só estará no destino
Se lá ele a colocar.


O viajante que junta azeite
Nos trajetos que permeia
No destino encontra deleite
Ao ver brilhar sua candeia.

Limpe o vidro do espelho
Até que ele consiga
Revelar o ser mais belo
Que seu interior abriga.


E caso ele se quebre
Não interrompa a viagem
Porque o que ele reflete
Vai além da sua imagem.


Ele exibe o outro eu
Que sua essência ilumina
E que o liga a Deus
Por ser centelha divina.


Não no fim, mas no caminho
Está a chance de redenção
Para quem nos pergaminhos
Anota sua evolução.


Se a noite roubar as cores
Das flores que você plantou
Deixe o sol devolver às flores
As cores que a noite roubou.


Seja guia e inspiração
Para quem caminha a esmo
Porque no fundo todos são
Peregrinos de si mesmos.


Eduardo de Paula Barreto
02/04/2026