Memórias
Poesia sobre o Luto se torna Eterno.
Por: Prof. Me. Yhulds Bueno.
O luto é um companheiro constante,
Nos dias, nas horas, no tempo que passa,
Às vezes diminui, outras vezes avança,
Basta um som, uma música, uma palavra,
Um cheiro, um perfume, uma lembrança,
E o luto retorna, como uma dança.
As boas conversas, os assuntos guardados,
Fotos que remetem a tempos passados,
Ao ver alguém que lembra quem partiu,
O luto se torna eterno, nunca sumiu.
Nas coisas, nas ações, na vida presente,
O luto é forte, sempre crescente,
A cada ano, a cada aniversário,
A dor se renova, é um relicário.
Não há mais abraços, nem ligações,
Os gestos ficam nas recordações,
O luto se torna amigo, confidente,
Está dentro da gente, eternamente.
Saudades de um pai, de uma mãe, de um filho,
O luto faz morada, é um eterno trilho,
Dentro do peito, um ninho a pulsar,
O luto da alma, difícil de acalmar.
Pesquisar é viajar no tempo, por meio dos registros historiográficos que permitem estudar os acontecimentos de outros épocas presente nas palavras escritas e entalhadas, fixadas na memória do tempo.
Fronteira: linha traçada.
Na fronteira onde a história se entrelaça,
Tropeiros marcham, guerreiros Guaranis em caça.
Lendas vivas, memórias sem fim,
Ponta Porã e Pedro Juan, juntas assim.
O povo fronteiriço, forte e aguerrido,
Sua cultura vibrante, jamais esquecido.
A erva mate que a terra gerou,
Tereré refrescante, tradição que ficou.
Chipa dourada, sabor sem igual,
Comidas típicas, herança cultural.
Chimarrão que aquece, mate a brotar,
Dessas folhas que um dia iam pelo ar.
Beleza de vida nessa linha traçada,
Conquistas e dores, estrada moldada.
Divisão imaginária que nunca impediu,
Mistura de povos, união que nos uniu.
Passado, presente e futuro a tecer,
Duas cidades, um só viver.
No sul de Mato Grosso do Sul a brilhar,
Histórias que seguem e vão se contar.
Que essa poesia celebre a fronteira que pulsa e respira, onde culturas se abraçam e o tempo constrói sua própria melodia.
O Sopro da Vida
A vida é esse mistério que chega sem manual, sem pré-aviso, num sopro de luz e choro. Começamos pequenos, frágeis, envoltos em braços que nos protegem de um mundo ainda incompreensível. E, antes que percebamos, o tempo já está nos puxando pela mão.
Na juventude, acreditamos que somos eternos. Corremos como se o mundo fosse um campo aberto, como se o amanhã estivesse garantido e a velhice fosse apenas uma lenda contada pelos mais velhos. Os dias são longos, os sonhos altos, e a esperança mora no peito como uma chama que nunca se apaga.
Mas a vida... ah, a vida gosta de ensinar. E ensina com ternura e dureza, com encontros e perdas, com silêncios e risos. A vida adulta chega sem cerimônia, com boletos, compromissos, decisões e uma saudade estranha de algo que nem sempre sabemos nomear. Talvez da liberdade de não saber. Talvez do tempo em que tudo parecia possível.
E o tempo, esse velho artista, vai pintando rugas no rosto e memórias na alma. A velhice não chega de repente ela se insinua nos detalhes: no cansaço depois de uma caminhada, na dificuldade em lembrar onde guardamos as chaves, na paz de ver os netos correndo e, ao mesmo tempo, na dor de tantas despedidas.
O que é a vida, senão um fio invisível que liga cada momento ao outro? Um bordado de risos, lágrimas, descobertas, erros e perdões. A esperança? Está em cada recomeço, em cada manhã que nos convida a tentar mais uma vez, mesmo sem garantias.
A verdade da vida talvez seja essa: ela passa. Rápida, intensa, às vezes cruel, mas sempre cheia de beleza para quem sabe olhar. As lembranças estas são o que ficam quando o presente já virou passado. São os tesouros que carregamos quando o futuro se torna breve.
No fim, a vida é isso: um sopro. Mas um sopro que, mesmo breve, pode acender fogueiras inteiras no coração dos outros.
De ti, restou-me o inebriante perfume da tua ausência — e as palavras não ditas, que o tempo, implacável, se levou antes que pudessem nascer.
É preciso se amar,
se aceitar,
se respeitar,
se valorizar.
Ser inteira,
sem medo,
sem barreiras,
e sem fronteiras.
Se permite sonhar,
desejar,
e realizar.
Se eternizar nas suas memórias.
Guardar o melhor que existe em você.
Se permitir ser apenas você...
E no final, só o que restou foi uma saudade
Saudade de um tempo que não volta nunca mais
Que agora só existe na memória
Memória desses terríveis animais.
A relação com o tempo é desigual. Ele não está nem aí pra nós, enquanto nós, guardamos fotos, recordações, lembranças, memórias de tempos idos. Ele, O Tempo, não se apega a nós nem por um segundo, nós sim, demoramos demais nele. Ao que já se foi, ainda estamos a olhá-lo ao longe.
Saudade e Esperança
Perder alguém nunca é fácil,
E nessa pandemia, a dor se intensificou,
Mas a saudade não é capaz de apagar,
O amor que um dia entre nós floresceu.
Por mais que a tristeza nos abrace,
Não podemos desistir de viver,
Há uma luz que sempre nos guia,
E nos dá forças para sobreviver.
A esperança é a nossa aliada,
Ela nos faz acreditar em dias melhores,
Nos dá a coragem para seguir em frente,
E nos ajuda a superar nossas dores.
Sim, a vida pode ser injusta,
E a dor pode ser difícil de suportar,
Mas a lembrança dos que se foram,
Nos ajuda a seguir e a continuar.
Que a saudade seja um lembrete,
De que o amor não morre nunca,
E que a esperança seja um presente,
Que nos conduz a uma nova vida sem trunca.
Que as memórias sejam o nosso guia,
E que o amor seja o nosso legado,
Que a saudade nos faça lembrar,
E a esperança seja nosso reinado.
Porque a vida é uma jornada,
E devemos sempre seguir em frente,
Com a saudade nos nossos corações,
E a esperança em nossas mentes.
Que os que se foram fiquem em paz,
E que a vida continue seu caminho,
Com a saudade e a esperança,
Em nossos corações e nosso destino.
Detalhes do Amor
Não adianta tentar esquecer de nós,
Em cada jornada, estarei presente,
Detalhes de nossa história tão intensos,
Inapagáveis na mente que sente.
Pequenas pérolas, memórias preciosas,
Grandiosas demais para serem ignoradas,
A cada momento, sutil e harmoniosa,
Permanecerão vivas, não serão apagadas.
Se outro alguém cruzar teu caminho,
Com longos cabelos e sorriso assim,
A culpa é tua por relembrar de mim,
Que um dia existiu, mas chegou ao fim.
O som do vento que sopra no jardim,
A calça desbotada que tanto me dizia,
Imediatamente, no coração, um clarim,
Trazendo à tona o que foi nossa poesia.
Se alguém, no teu ouvido, sussurrar,
Palavras de amor, tentando se aproximar,
Duvide se é possível tanto amar,
Como o amor que um dia soube entregar.
À noite, no silêncio que te envolve,
Buscando meu retrato no espaço vazio,
No entanto, meu sorriso que não se dissolve,
Te visita nas sombras, como um raio de estio.
Se alguém tocar teu corpo como fiz,
Sem querer, evite chamar meu nome,
Não permitas que uma lembrança te repita,
Para alguém que não pode te dar o mesmo.
Eu sei que o tempo transforma e desfaz,
Apagando detalhes da história vivida,
Mas em cada esquina, em cada paz,
Te lembrarás de mim, seja como for devida.
Não adianta nem tentar me esquecer,
Pois em cada batida, em cada melodia,
Estará presente em ti, a cada amanhecer,
Esse amor que um dia nos deu tanta alegria.
Entre Lembranças e Novos Caminhos: Uma Homenagem a Camila Furtado
De Volta Redonda aos campos do sul,
Você veio, amiga, buscar outro azul.
Foi um começo estranho, de clima e de chão,
Como se fosse em terras de outra nação.
"Foi foda" no início, assim você diz,
Mas, aos poucos, achou seu país.
Hoje, Joinville é teu paraíso,
O melhor lugar pra viver e sorrir preciso.
No Glória, o clube, teu lar de verdade,
Entre amigos, risadas e saudades,
No padel, em quadras de um mundo novo,
Você fez sua casa, dia a dia, de novo.
Um filho crescendo, já quase um gigante,
Na paixão pelo esporte, no sonho distante.
.
Teu marido ao lado, fiel companheiro,
Todos juntos, em laços, num elo inteiro.
Você passa os dias no ritmo da bola,
No jogo que une, consola e embala,
Dos treinos noturnos às manhãs de torcer,
Pois entre querer e ser, há tanto a fazer.
Hoje, depois de tantos caminhos,
A gente se encontra em novos cantinhos,
Entre amigos, quadras e histórias guardadas,
Em Joinville, cidade que é nossa morada.
A matriarca
Certamente estou muito cansada agora
Meus passos já não são tão firmes quanto antes
E minha aparência já não agrada aos olhos
Sou a imagem do tempo em movimento
Represento para muitos o maior temor
A velhice ...
Minha voz parece enfadonha para alguns
Minhas histórias incomodam alguns ouvidos
Muitos acham que meus relatos são bobagem
Minhas experiências não são tão importantes
Meus ensinamentos não fazem tanta diferença
Alguns até fingem se importar comigo
Outros são ríspidos, e nem tentam fingir
Mas não importa, sei lidar com tudo isso
Experiência ...
É todo o tesouro da minha existência
São rosas que guardo em meu coração
Preciosas pérolas no baú
das memórias
É possível que com o tempo tudo se perca
Mas já não importa, não estarei mais aqui
E das certezas que tenho, é que fiz o melhor
Semeei o que de melhor tinha no coração
E quem soube cultivar, colheu o melhor
E terá para sempre o melhor de mim ...
Coisas ruins a gente não esquece para sempre mas esquece o suficiente para seguir em frente. "Sobre você, já foi o suficiente."
Súbito
Um, dois, três... Quem conta, quem liga?
Acanha-me, pois sei que na fresta da porta do destino me espreita;
Ali, silenciosa e ansiosa por um abraço sem desfeita;
Meu abraço, como se fosse amiga...
... Quatro, cinco, talvez seis, talvez horas, talvez mais tarde...
Que tarde!
Vou ficar, vou contar um-à-um;
Por mais triste que isso possa ficar;
Lembranças virão de um ‘cara’ comum;
Eu a ouço e isso me deixa assustado;
Porque não fugir? Porque não evitar?
Não quero! Estou cansado!
Minha respiração se torna mais ofegante;
O coração bate mais forte, num ritmo estranho;
Memórias confusas surgem nesse instante;
Rês desgarrada do rebanho...
Eu não estou pronto;
Não me sinto à vontade;
Em vida, como cheguei a esse ponto?
Nada disso era real há um mês...
Seis, cinco, quatro, três...
Até uma flor finalmente florescer existe todo um processo de desenvolvimento que não é visto. Nós enxergamos apenas a parte bela, as suas mais diversificadas formas e tamanhos. Mas o que é realmente mais bonito ou intrigante se esconde atrás da aparência, há uma infinidade de vida ali, contado por um ciclo de existência que transcende o tempo. O interior das pessoas não é diferente, carregamos uma diversidade de coisas dentro de nós que não são vistas, uma infinidade de experiências, memórias, sentimentos e é claro, vida! Nem sempre seremos belos como as flores, e eu nem me refiro a imagem externa que trazemos, mas indiscutivelmente aquilo que somos no interior e o que carregamos nesse processo. Quisera sermos por fora exatamente o que somos na essência, já que, há flores tão belas mas perigosas e até mesmo fatais (...) Como você seria se a sua aparência fosse fidedigna ao que você é por dentro?!
O que fazer quando ela ressurge?
Quando ela pede para falar nas entrelinhas?
Quando ela quer sentir, pulsar?
Quando ela não me deixa ignorar que ainda existe?
O que fazer quando ela sente o "se"?
Quando ela sente no corpo as memórias?
Quando ela ela suspira?
Quando ela me devora querendo te reviver?
Ser estranho esse
que teima em coexistir
mesmo quando eu penso
que deixou de estar aqui.
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