Memórias
As lembranças são como vinho de uma boa safra guardadas na garrafa da memória. Vez ou outra, por mero descuido ou propósito a abrimos e nos embriagamos de saudades.
Quando se der conta de mim, terei partido. Não ne encontrará nos campos, pois já terei me colhido. Não me encontrarás nas areias, pois o vento terá me transportado. Não estarei no lago, pois sou correnteza. Talvez,apenas talvez, caso aconteça de pensares em mim, talvez me chegue algum sinal em minha parabólica e vou rememorar os nossos momentos. Reaparecer não, que tudo fique na memória.
O bem-estar chega sorrateiro
Chegando sem aviso
Chegando em silêncio
Em silêncio se instala
E naturalmente se espalha
Espalhado o vemos
E até partir o acolhemos.
Você merece tudo isso, pois é uma pessoa muito especial.
Conversar com você é leve, envolvente e torna cada instante único, despertando em mim a vontade constante de estar ao seu lado.
Meu sorriso reflete o seu sempre que você o demonstra, e meus olhos brilham ao te ver, como se o mundo parasse por um segundo.
Cada momento contigo é uma nova lembrança boa que guardo com carinho. Que a vida te presenteie com mais momentos felizes, cercados de amigos, família, seus filmes e livros preferidos.
Outono
Outono! As folhas douradas, em queda livre,
Espalham-se dançando com o vento,
Num frenesi de liberdade.
São cores, formas,
Vida que se vai,
Mas que não perde a beleza em seu movimento.
As árvores despem-se lentamente,
E o chão se torna um mosaico
De formas e cores.
Um tapete dourado de memórias e saudade,
Ecoando em cada passo
Do caminhante sonhador.
As folhas que caem
São como páginas de livros,
Que contam histórias de um tempo que se foi,
Sussurradas no ouvido
Pela brisa outonal.
Com suas folhas amarelecidas,
O outono lança seu convite à reflexão:
A se despir das certezas,
E olhar atentamente para os ciclos da existência,
Para a impermanência da vida.
E encontrar, no chão,
A beleza da efemeridade da essência.
(Outono)
A infância não termina com a idade.
Ela mora na gente — nos gestos espontâneos, nos medos antigos, nas memórias que doem e também nas que salvam.
A última vez que falei com a senhora foi na quinta-feira. Como sempre, com aquele cuidado carinhoso de quem se importa de verdade:
"Como está o trabalho?"
"E a faculdade, está gostando?"
"Ainda está estudando pra concurso?"
A senhora nunca deixava de demonstrar atenção, mesmo nas coisas mais simples. Sempre presente com palavras que acolhiam, sempre interessada em saber como eu estava, mesmo quando o mundo parecia girar depressa demais.
Receber a notícia da sua partida foi como um silêncio que ecoa. Seu jeito singelo, mas firme, dava brilho à nossa família.
O que mais me dói é não poder estar presente neste momento. Dói não poder contribuir fisicamente com o que talvez fosse meu último gesto de cuidado com quem tanto me cuidou.
Mas levo comigo a esperança de que, de alguma forma, eu possa honrar a sua memória com a minha caminhada.
Descanse em paz, minha vó. E obrigado por tanto.
No silêncio da noite, a lua sussurra,
Segredos de amores que o tempo apura.
Estrelas piscam, como risos distantes,
Guardando memórias em seus instantes.
"Sementes que Florescem com o Tempo: Reflexões de uma Trajetória Conectada"
"O tempo nos ensina que, enquanto vivemos e convivemos, plantamos sementes que só florescem com o passar dos anos. Algumas flores desabrocham rápido, outras precisam de mais tempo, mas todas carregam o legado das mãos que as plantaram.
Hoje, ao relembrar minha trajetória, percebo que a vida é como um mosaico: cada encontro, cada troca e cada história vivida deixam uma peça que compõe quem somos agora. Espero que, assim como essas memórias do passado criaram laços profundos, possamos, no presente, plantar novas sementes para um futuro ainda mais conectado e significativo."
Fernando Kabral Assistente de mídia
Toda viagem tem um fim. Porém, diferente de todas as outras, a última, será a única viagem verdadeiramente solitária e a única que não nos deixará memórias.
Estranhamente no passado, prendido sinto-me
Bons tempos o qual jamais retornaram.
Futuro perdido a qual receio prosseguir
Passado doce como risos inocentes
Época simples onde o deitar da noite era o preocupar.
Memórias eternas concebidas onde até o findar zeladas estarão.
Uma música bem feita toca o coração do ouvinte, que dá-lhe o déjà-vu perfeito de momentos inesquecíveis.
Epístola para o futuro
ele acabou com todos
os meus romances
com todos os meus sorrisos
com toda minha fé
com toda minha empatia
com tudo que amava
destruiu tudo que acreditava
ele acabou com todos
deixando sobreviver apenas
suas memórias
ele anda entre nós
e está dentro de nós
ele não tem forma
nem tempo para nós
porque ele é o próprio tempo
e não tem sentimentos.
Ah pesadelo, maldito pesadelo.
Não eis o primeiro, nem o último de minha vida.
Cada vez mais amedrontador, com fragmentos de memórias que me torturam e me lembram do passado.
Porque insiste em me lembrar?
Fragmentos de memórias que despertam sentimentos em mim, que já não quero mais sentir, que não deveria sentir. Sentimentos que não me representam mais.
Uma versão minha incompleta e ultrapassada, que não serve mais para nada.
Onde sou apresentado como uma pessoa que um dia seria capaz de se sacrificar por alguém.
Hahaha, eu? capaz de me sacrificar por alguém?
Jamais, estou propenso a sacrificar, assassinar e massacrar.
Esses humanos fragéis e impotentes que vivem cegos pela fé em uma divindade que os deixam viver na miséria.
Bagagem vazia
Comigo caminham
Todos os mortos que enterrei
Os amigos que se afastaram
Os homens que amei
Os amores que me mataram
Os projetos que pra trás deixei
Não perdi nada:
apenas a ilusão de que tudo poderia ter dado certo.
Tita Lyra
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