Memória
Por enquanto vou guardando na memória todos esses pesadelos, para que um dia eu possa enfim desfrutar dos louros da vitória, com a honra e glória do meu Deus.
O COMPASSO DA EXISTÊNCIA
(Onde a memória fragmentada reencontra o sentido do caminho)
A velhice não carrega mais aquele entusiasmo do início; vive caminhando com a bengala do tempo entre a nostalgia do meio e a expectativa do fim, sinalizando, em sua fragmentada memória, as texturas de sua história.
Lu Lena / 2026
METAMORFOSE DA VIDA
(O bater de asas entre a memória e o agora)
O que mais dói na maturidade não é a dor física, mas a saudade da essência que ficou para trás. Nessa transição, somos como borboletas em constante metamorfose: ora asas que se abrem para a vida, ora casulos que se fecham, introspectivos, para ela.
Lu Lena / 2026
O Inventário do Tempo
Trinta e sete anos é o tempo exato que a memória leva
para transformar o luto em monumento. As décadas passaram
como forças erosivas, mas falharam em desgastar o essencial:
o incêndio absoluto dos teus cabelos ruivos e a lucidez
cortante dos teus olhos verdes que desafiam o esquecimento.
Para quem vive da arquitetura das palavras, a tua ausência
não é um vazio abstrato, mas uma presença muito concreta,
uma matéria densa que molda o contorno de tudo o que escrevo.
O tempo limpou o excesso e o sentimentalismo ruidoso do peito,
deixando apenas a estrutura firme daquilo que nunca morre.
O que resta hoje é uma sobriedade clássica e definitiva,
a crônica de uma partida que fixou a tua imagem na eternidade.
Tuas cores vivas não desbotaram com o avanço dos invernos;
permanecem salvas da decadência dos anos pelo registro exato,
gravadas para sempre na folha em branco através da narrativa.
O mundo seguiu o seu curso perecível, confuso e esquecido.
Aqui, contudo, a tua existência permanece totalmente intacta,
guardada com zelo no ponto mais alto e frio da minha história.
Testemunha do tempo e também o guardião dessa eterna memória,
deixo registrado o fato que o destino jamais apagará.
AnjoPoeta
IBIAPINA: TRADIÇÃO, CULTURA E MEMÓRIA
Ibiapina, uma terra abençoada,
No alto da serra fica localizada.
Seu nome carrega origem tupi,
marcando seu destino,
“terra tosqueada” de relevo divino.
Yby significa "terra", o chão a florescer.
Apin significa "pelado" relevo a crescer.
Serra bela, forte e cristalina,
Guardiã do verde, linda Ibiapina.
E na culinária não pode faltar,
O caldo de cana de açúcar é o melhor que há.
Tudo feito na hora, tradição milenar,
Impossível não querer provar.
As cachoeiras e o mirante fizeram a vida erguer.
Bica do Pajé, Buraco do Zeza e a Bigorna a permanecer.
Com turismo de paisagem ecológica a encantar,
Fazendo cada visitante pela natureza se apaixonar.
Ibiapina também tem muita ancestralidade e história,
Em honra ao Padre Ibiapina, ficou na memória.
Era missionário dos pobres, homem de fé e caridade,
Levando sua religiosidade em forma de bondade.
Fundou casas de caridade,
Ajudando o próximo com muita vontade.
Seu legado vive em cada esquina,
Na vida simples de quem mora em Ibiapina.
No dia vinte e três de novembro, então,
A cidade festeja sua emancipação.
Mais de cento e quarenta e oito anos de glória,
Ibiapina é cultura, tradição e memória.
— Mara Ferly
Retinas e vidraça
O dourado do pôr do sol ficará retido
em minhas retinas e memória.
Todas as imagens juntas.
Desde que nasci, ainda menina,
Sentava-me no chão e, ao pé da cama de meus pais,
privilegiada visão do todo me invadia.
Olhos fixos na vidraça e muito além,
Sob o astro rei que reluzia -
eu confirmava, ainda pequena:
__ É redondo como uma laranja, enorme como o fim do mundo e o começar dos tempos!
2021
BODINHO, O FIAT
Bodinho, velho guerreiro,
Fiat Uno afamado,
Nas estradas da memória
Seu nome ficou gravado.
Por onde passava firme,
Sempre era respeitado.
Tudo começou um dia
Quando Israel o comprou,
Com zelo e muito carinho
Seu destino encaminhou.
Depois ao Sargento Damásio
A chave ele repassou.
O tempo seguiu ligeiro,
Fez a vida seu roteiro,
Até chegar às mãos certas
De um novo companheiro.
Negreiros Neto o guardou
Como peça de museu inteiro.
Mas pense que está parado?
Isso ninguém acreditou!
Pois dentro daquelas chapas
Muita história se alojou.
Cada risco da lataria
Uma aventura contou.
Saiu de Aldeia ligeiro,
Sem nunca olhar para trás,
Por Araçoiaba corria
Como quem queria mais.
Subia Três Ladeiras rindo
E vencia os canaviais.
Nas estradas de barro grosso
Nunca teve aflição,
Enquanto outros atolavam
Pedindo socorro ao chão,
O Bodinho seguia em frente
Com coragem de campeão.
De Itaquitinga partia
Cheio de disposição,
Passava por Santo Antônio
Com firme determinação.
Entrando pelas pedras de Sapé
Mostrava sua vocação.
Quando surgia um riacho
Não mudava direção,
Cruzava a água sorrindo
Sem perder a precisão.
Dava um olé nos obstáculos
Com sua velha tradição.
Foi também para Condado
Levando sonho e alegria,
Passou por Matary primeiro
Naquela mesma energia.
Visitou Upatininga e Esconso
Antes de clarear o dia.
Seguiu viagem pra Goiana
Num passo firme e certeiro,
Só não foi pra Ponta de Pedras
Por escolha do companheiro.
Que desistiu da jornada,
Mas não por medo do guerreiro.
Nazaré e Tracunhaém
Conheciam seu roncar,
Carpina também o via
Pelas ruas passear.
Era um amigo da estrada
Sempre pronto pra rodar.
Não tinha hora marcada,
Nem relógio pra mandar.
De dia ou mesmo de noite
Bastava alguém chamar.
Entrava, girava a chave
E o motor queria cantar.
Nas festas de padroeiro
Era rei da procissão,
No Carnaval desfilava
Misturado à multidão.
No São João se enfeitava
Com bandeira e balão.
Muitos diziam sorrindo
Ao vê-lo em circulação:
"Esse carro não tem motor,
Nem trabalha com pistão.
O que move o Bodinho
É alma e coração."
Hoje repousa tranquilo
Na garagem a descansar,
Mas quem conhece sua história
Sempre volta a recordar.
Que há carros que envelhecem,
E outros que aprendem a sonhar.
E assim vive o Bodinho,
Fiat Uno tão valente,
Guardado como relíquia
Na memória de muita gente.
Mais que carro, virou lenda,
Patrimônio permanente.
cidade sem memória é uma cidade vazia sem história" destaca a importância de conservar o patrimônio histórico e cultural de um lugar. Quando as memórias de uma cidade são esquecidas, a identidade coletiva e o sentimento de pertencimento de seus habitantes podem se perder
A memória do futuro é a eternidade no nascimento da despedida arqueológica da alma na permanência da mudança como o amor que morreu antes de nascer, assim como uma semente infértil que não chegará a ser árvore. E isso é natural como são todos os ciclos da natureza, mas eu não nego que a alma se lamenta se por debaixo da árvore absolvia sua sombra, tudo no presente possível se o passado tivesse acontecido. Mas a distância íntima que acompanha minha íris é uma tempestade silenciando a cidade e eu diria que a chuva são lágrimas já que o rosto não saber chorar. No entanto, eu nego o movimento e evoco um dia solar se é inconsistente a saudade do que nunca existiu. O amor que sobrevive ao amor são versos incessantes que ocupam a ausência dos instantes. O abraço entre o ser e o nada é uma madrugada inerte que desconhece o voo dos pássaros e ouve passos estridentes do mistério do ambiente. A eloquência do vazio é uma ilusão se o amor nunca pisou o chão e escrevo solenemente sobre a clareza obscura dos sentimentos, na certeza da dúvida que encobre um enigma evidente em uma canção tão transparente. E poderia se dizer que falo do nada, mas a ausência tem inúmeros movimentos de deixar o peito sem ar na fadiga de tudo que faltar. Então a simplicidade incompreensível encontra seu lugar nas ternuras indizíveis. E a sombra luminosa da árvore é esquecida ao deixar o sol aquecer o corpo na primavera de dias que florescem no destino. Tudo é como deveria ser, se as rotas são conhecidas e cada um navega o mar que lhe foi destinado e já não se lamenta o passado se o poema nega a tristeza e muito mais alegrias põe na mesa na abundância de uma certeza clara de um pôr do sol laranjado a refletir na praia nossas melhores ações. Viver o presente é o melhor conselho da face que reflete o espelho.
Mesmo com o tempo, o teu “bom dia” persiste na minha memória,
como um sol suave que nasce devagar,
aquecendo o coração e deixando uma marca
que, silenciosa, permanece em mim
As marcas.
Nem todas estão na pele.
Algumas ficam na memória, no silêncio depois de uma despedida, na palavra que não foi dita, na promessa que não foi cumprida.
Existem marcas que o tempo apaga e existem aquelas que o tempo apenas ensina a carregar.
Há pessoas que passam por nossa vida como uma brisa e outras que deixam cicatrizes profundas, não porque foram más, mas porque foram importantes.
As marcas contam histórias. Falam das quedas que sobrevivemos, das batalhas que vencemos e também daquelas que perdemos.
No fim, ninguém sai da vida intacto. Somos feitos de lembranças, feridas, aprendizados e recomeços.
E talvez a maior beleza não esteja em não ter marcas, mas em continuar seguindo em frente apesar delas. Afinal, até as árvores mais fortes carregam em seus troncos os sinais das tempestades que enfrentaram. 🌿✨
"...Despertei com minha pele,
revestida da memória de tuas mãos..."
In Fragmento Poema Despertei
Carlos Daniel Dojja
... Minha sensação de grandeza se emaranha de singelezas.
Como a memória da água, por entre rios, a retornar a nascente.
Como quando nos sabemos finitos, refazendo-nos começos.
E se é tão grande, como os olhos que se
traduzem no peito..."
A memória não se refere ao passado, pois esse não existe, é uma ilusão. Só podemos nos fiar no momento e na nossa pequena bagagem.
Não tinha nada pra fazer e me peguei pensando em nós
Buscando na memória o eco da sua voz
Lembrei do primeiro dia em que eu te vi
E de tudo o que vivemos pra chegar até aqui.
Eu juro, nunca imaginei que a gente ia tão longe assim
Que o tempo ia passar e você ainda estaria em mim
Mas olha só pra nós dois, contra o mundo e o que for
Construindo a nossa história, degrau por degrau, no amor.
Eu sei que a gente nunca vai ser perfeito
Que o caminho tem espinhos e o mundo tem seu jeito
Teremos dias difíceis, obstáculos pra superar
Mas se eu tiver a sua mão, eu sei onde caminhar.
Não busco a perfeição que os outros costumam ver
Pois o que me basta nessa vida eu já tenho em você.
Eu amo aquelas suas birras e o dengo que você faz
Até o seu silêncio, que às vezes me tira a paz
Mas quando olho nos seus olhos, vejo a magia brilhar
O capricho em cada gesto, o dom de me acalmar.
Seu sorriso me desarma, seu abraço é meu abrigo
Tudo em você me desafia a querer ser melhor contigo
Não pra alcançar o impossível ou um ideal qualquer
Mas pra te ver feliz no dia a dia, sendo quem você é.
Eu sei que a gente nunca vai ser perfeito
Que o caminho tem espinhos e o mundo tem seu jeito
Teremos dias difíceis, obstáculos pra superar
Mas se eu tiver a sua mão, eu sei onde caminhar.
Não busco a perfeição que os outros costumam ver
Pois o que me basta nessa vida eu já tenho em você.
Cada detalhe seu me transforma e me guia
Nessa nossa doce e real rotina.
Obrigado, meu amor, por me escolher
Obrigado por fazer parte da minha vida e me fazer crescer.
Olha nós dois aqui...
Exatamente onde a gente deveria estar.
