Me Deixa que hoje eu To de Bobeira
Foi sofrendo que eu me descobri
Foi amando que eu sofri
Foi descobrindo que eu amei
O amor platonico que eu errei
Nada explica o que eu senti
Nada além de ti
O que me fez te odiar
Foi não poder te amar
Um dia ainda vou dizer
Aquilo não foi prazer
Foi uma tortura mental
Que me fez muito mal
Minha vontade é esquecer
Essa bobagem de enlouquecer
Olho para ti em vão
Pois não mereces meu coração
Reincidência
Abri a ferida para ver o que morava nela.
Morava eu mais novo, ainda sangrando a mesma coisa.
Costurei os dois sem pedir agulha a ninguém.
A cicatriz não fecha o tempo, arquiva.
Passo o dedo e leio onde doeu.
Não quero a pele lisa de quem nunca caiu.
Quero a costura, prova de que voltei.
Dos cinco brasileiros que foram os melhores do mundo, eu provavelmente não sou o mais talentoso de todos. Agora, eu provavelmente era o mais profissional de todos.
Uma das receitas que eu aprendi no futebol é a misturar experiência e juventude. Onde eu passei que teve essa mescla, deu muito certo e funcionou muito bem.
Ainda que eu esteja só, terei a mim mesmo. E se algum dia nem a mim mesmo eu tiver, quem tem a mim, é Deus!
Quando eu desisto de conquistar algo, não é porquê fraquejei. Mas sim porquê conquistei algo mais grandioso ao longo do caminho.
Pois só não muda de ideias é aquile que não tem uma outra grande idéia.
Brincadeira da Árvore
Certo dia, um menino perguntou-me,
Se eu sabia brincar de árvore.
E começou explicando-me:
- Primeiro a gente pinta nos galhos,
os nomes das pessoas que gosta.
Depois, escreve nas folhas palavras,
Como ternura, abraço, encantamento.
Também acrescentou que pode-se deixar água,
De cor amarela rio para que a árvore se descreva,
Mas nenhuma árvore é desigual a outra,
e todas sabem falar com a terra.
Contei para ele que eu brincava de estrela viva.
Era assim: Minha mãe desenhou uma estrela,
E colocou numa caixa alaranjada de madeira.
Ensinou-me que deveria toda noite,
Abanar com as mãos para que o brilho,
Não se perdesse no vir a ser do tempo.
Sem indagar-lhe qual era a língua das árvores,
Ele visivelmente empolgado me relatou:
- Quando eu crescer vou ser astrônomo,
Ou pirata do bem.
Isso para trabalhar.
Para viver, quero aprender a falar com as borboletas,
Dar um vagalume de presente para minha namorada,
Que ainda não sabe de nenhuma das duas coisas.
Também vou descobrir como se faz um poema.
Você pode me emprestar sua estrela,
Para eu colocar na minha árvore?
Carlos Daniel Dojja
In Poemas para Crianças Crescidas
Poema Lirismo
Quando eu era criança,
as plantas me chamavam.
Achavam graça.
Coisa de menino, sem ter muito o que fazer.
Quando eu era jovem,
afirmei que as pedras não acordavam,
porque não sabiam da noite sonhada.
Ficaram preocupados.
Para alguns, indício de alguém transtornado.
Quando me afirmaram, és um homem,
eu contei que te vi, se florescendo de liláceas.
Por fim, sanaram-se as dúvidas.
Decretaram-me ter visão refratária, com sintomas de lirismo.
Só parei de julgar-me dissociado,
quando me disseste que havia noites com sol,
e que o remo acenava para o mar, quando não partia.
Então, assim ficamos, em nós apreendendo tochas,
fisgando lumiares, falando com os olhares.
E quando tudo escurecia se acendendo de um no outro.
Carlos Daniel Dojja
Eu gosto dessa parecença almejada de alma.
As vezes tento ficar parecido,
com o que deseja meu ser.
TUA LUZ AUSÊNCIA
Quando tua luz,
sobre meu peito,
for ausência.
Eu semearei teu olhar,
em minhas mãos:
Assim ficarás em mim,
como o princípio,
do que só sei,
quando em mim, te revelo.
" A água que almeja ser rio necessita adentrar-se.
Era assim que nesse tempo,
Eu me acontecia de querer-te.
Eu me morria de não estar em ti.
Eu me vivia, quando não me tocava, tua ausência".
SEMENTE
Eu bebo horizontes,
Para despertar manhãs,
Ávidas de criaturas.
Não me basto e insisto,
Ver-me em outro declarado.
Quero raiz para transmudar a flor.
"...Era assim que refundava-me em teu tempo.
Eu me acontecia de querer-te.
Eu me morria de não estar em ti.
Eu me vivia quando não me tocava tua ausência..."
"... Eu ficarei orgulhoso de receber a explicação,
já que me vivo a Quintanar de amar,
o amor em sua extensão.
Até resgatei um modesto conceito,
desses que se declara numa ciranda de amigos,
- O amor, é tão somente, o infindo sopro, se fazendo vida..."
Extrato Carta a Mia Couto
Eu sei que você sempre teve uma imagem de mim que não combinava exatamente com quem eu sou por dentro.
Às vezes, a gente cria uma armadura para se proteger do mundo, mas com você, eu sinto que não preciso mais dela. Quero que você conheça esse meu lado que guardei por tanto tempo só para nós.
Se eu cheguei inteira, não foi por ter coragem, mas por nunca ter deixado de ter medo.
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