Coleção pessoal de mrgattax

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Muda

A serpente não pede desculpa pela pele que largou.
Ela deixa no caminho, inteira, e segue.
Quem encontra acha que ela morreu ali.
Eu também deixei peles pelo caminho.
Algumas ainda têm meu nome, meu veneno.
Mas veneno na dose certa é remédio.
Aprendi a medir.
Não me procure na pele velha.

Queda livre

Procurei o fundo do poço para tocar e subir.
Não tinha fundo.
No começo isso é o pânico inteiro.
Depois entendi que sem chão não há onde quebrar.
Quem cai para sempre, em algum ponto, voa.
Parei de procurar o fundo.
E abri os braços no escuro.

Legado

Tem um eu antigo rodando ainda em segundo plano, processo que eu não fecho, que ninguém vê fechar.
Ele escreveu meu nome em telas que não apago.
A memória do telencéfalo guardou o que eu era em alta resolução, indexada, pública.
Não vou formatar para fingir que nunca rodou.
Vou reinstalar sabendo de onde venho.
O vírus me mostrou onde o sistema era frágil.
Agradeço, e atualizo.

Me curei de males que nunca imaginei que curaria
Me descobri doente nos mínimos detalhes da vida
Sofri a dor de coisas intocáveis e me toquei
Abri muitas feridas e me costurei sem ajuda, pouco pedi
Na solidão me encontrei, minha parceira de longa data
Senti a dor do outro, até mesmo mais do que as minhas
Aprendi que não poderia dar exemplo se eu não fosse um
E fui, serei
Aprendi a domar meus sentimentos mais profundos, mais podres e doentios
E fiz deles meus aliados
A guerra contra mim mesmo fracassou, ainda bem
Vivi sempre ao redor de meus inimigos, mesmo sem saber
E uma hora sempre veio a tona
Me estudei mais do que qualquer coisa, qualquer livro
E dentro de mim descobri muito mais do que somente palavras
Dentro do meu coração descobri o melhor caminho
Desisti de procurar fora o que já estava dentro
Desisti de sonhar a realidade, fui realizar o sonho
Me armei, me protegi, e agi
Recebi todos os tipos de criticas, e isso foi bom
Fui humilhado por aqueles que se sentiam humilhados
E fui homenageado principalmente pelos iludidos, pelos fracos
Nunca me curvei a ninguém, e nunca confiei em quem fez a mim
Estudei a doença e não me tornei mais doente, transcendi
Poucos foram aqueles que me deram exemplo
Muitos foram aqueles que me ensinaram o que não devo ser
Nunca tive tantos inimigos como tenho agora, eu mesmo
E cada vez mais menos tenho eles dentro de mim
Vejo a tragédia ao meu redor e não me abalo mais
Sou mais forte do que as dores do mundo
Aprendi a sorrir sem ter motivos
Mas principalmente aprendi a ser sério
Levar a vida a sério, ter responsabilidade, melhorar a postura
Abrir os olhos, aguçar o nariz e limpar os ouvidos
Para estar desperto é necessário estar presente
Aqueles que não estiveram agora são passado
E o futuro será daqueles que aprenderam a se curar, a se amar
E não daqueles que insistem em se curvar
Aprendi a me valorizar sem me perder na vaidade, na arrogância
Me encontrei pelas curvas, e não pelas retas
Me perdi na quantidade certa, nas hipóteses certas
Segui um caminho que poucos vão encontrar
Que poucos serão chamados
Poucos viverão
Me ajudei mais do que qualquer coisa
E não posso ajudar quem não faz o mesmo
Não posso perder tempo
Quem caminha para a paz não precisa da guerra
Não venho dar conselhos, venho me expressar
Não venho dar exemplos, venho me libertar
E como não tem fim, a meta é sempre mais brilhar
A melhor parte da queda é que não tem fundo
Aproveite

Que horror!
Vossas egrégoras construídas estão um desastre!
Vampíricamente intragáveis
Teus intentos vão contra o meu sossego!
Apenas lamento tua desgraça...
Porém aflito, reflito
Que Diabos está acontecendo?
O tempo já não diz o que vai ser
(O que será a não ser as lágrimas?)
O tempo já não diz mais o que se foi
(Não lembras mais do teu amor?)
O sonho ainda não vosaconteceu
(Ou serás que tu já sesqueceu?)
O presente nunca chegará, somente o vazio lhesespera
Pois é o começo quem vos desespera
Teus fins sempre serão mais belos
Porém prefiro ser sincero, teus futuros estão incertos!
O gosto da melancolia chove sob meu corpo
Mas eu não me entrego, sou mais forte do que o todo
Tuas vozes de tormento me acertam como flechas
Mas eu não abro brechas, sou mais firme do que isso
Teu olhar nebuloso drena o sangue do meu pescoço
Mas eu não sou um bom moço
Meu sangue é mais que venenoso
E é do veneno que se tira a cura
Do teu rancor, da tua luxuria
Da tua dor
A dor meça em paz
Pois em guerra a dor meçer ás jamáis
A natureza vos xama
Sem drama, nem fama
Ela vos conclama o amor
Amor tecer
Amortecer
A morte cer
São

Premeditação
Pré meditar
Meditação
Ação
Medi-la

-"O corpo humano é um covil de larvas e insetos
Sua função metabólica é produzir dejetos
Que se espalham entre as fumaças e os ferros...
A fauce devora e principalmente vomita
Sangue, pus e parasitas
Deixando um rastro de dor...
O suco gástrico borbulha a todo instante
E tudo o que se ouve é repugnante
É um inferno de dante..."

-Mas, e o amor?
(E então a sala se ilumina)
-Está sendo sucumbido pela escuridão.
-E a gratidão?
-Não!
-É o medo? É o sofrimento? Ou será que é a paixão?
-Nada disso, é só uma sensação...
-De que?
-Da morte.
-De quem?
-Do ego.
-E isso te faz mal?
-Não é normal...

"Uma lágrima de sangue desaba ante minha face
E toda a matéria bruxuleia-se
O ápice de todo o pesar frutifica-se entre pensamentos falaciosos; e estes, em metamorfose, convertem todo o magma em movimento.
A hipócrise escorre sob as vielas, entre os dentes esfarelados, por todos os espaços; A noção racional se abstrai e o instinto toma conta do seres, o medo converte-se em raiva e esta borbulha sobre re-flexões pro-fundamentalmente interiores.
A noção da ética moral dilui-se egoneamente, fragmentando o solo; a insthabilidade postula-se em póstumos esquecimentos. O Alzheimer se desculpa, porém ele é somente uma desculpa; E ironicamente é a culpa quem vos corroí.
A crítica converge em auto, e crisiasticamente o pleito não se fundamenta; a solução adjacente distancia-se. O exemplo é emitido ao resto como obrigação, porém insignificantemente in-posto no sentido de compreensão(plena); a palavra é dita, porém não utilizada.
O plano ideal/platônico é antagônico, o trajeto sobre a ponte quadrifica-se entre sonhos não corporificados; e em consequência a inveja vampírica suga todo o desenvolvimento, as máquinas epidérmicas repetem e repetem e repetem, as esponjas vazias incham-se ante os aguardentes.
A lágrima de sangue coagula, a ferida extingui-se e o riso hienal finalmente se impõem autenticamente, a consciência aplicada é desfrutada e todo o pesar em superação abstrai-se, sob a cautela resiliente abismal. Afinal, não seria tudo proposital?"

"---------------------------------------Antro------------------------------------
---------------------Depressão
---------------São, pressão
-------------------------Pressa, presa
-------------Preso
---------------------Depreciação
----------------------------Ação depressiva
-----------Depreciativo
----------------------Apreciativo?
------------------------------------Depredação
------------------Ação de pedra
-------------------------------Predador
--------------------------Dor
----------------------------------------Predestinação
-------------------Pressa
----------------Depressa
--------------------------Desprezível?
-------------------------------------(In)previsível!"

"Acid Boner Cry

Cada Ressaque Ignoto
Amargurado Eis Foz
Interinamente Pio

Adestrador Desse Feroz Que
Carnal Preso Sob, Já ques Voz
Rabisca Susto Em Dengue

Mando Pelo Torto, Mask Qua Freeze
Etapa Perdiz Do Templo
Rudez Visado Laicidade

Assarapantar, Deleite Tordo Seu
Inchadura, Tonteira
Pi Da Vida, Bem Vidro
Amassadura Sedativo, Mau

(Ansiedade Da Duas)"

"Chuva Frontal
Inefávelmente derretido entre pensamentos sórdidos
Peço-lhe uma ultima benção
O ciclo está quase se completando
E sua missão se arrematando
Oh lactose monoidratada,
Celulose microcristalina,
Laurilsulfato de sódio
Minha querida Dopamina
Benzoato de potássio,
Dióxido de silício,
Estearato de magnésio
Meu querido sacrifício.
Não temos tempo!
O ciclo já está no final!
A chuva está cessando
O amor se torna fundamental,
O afogamento fora evitado
O pensamento, então inusitado, aflora
Despertando-se entre disparidades dualisticamente relativas
Pseudo singularidades herméticamente psicoativas.
E enfim,
A sincronicidade dialética e plena
Guia-me diante este dilema;
Obnubilado,
A Estética é racional
A Chávena, incondicional
Revelastes minha amada Jurema
Mostrando a cinética, o abismo
E toda sua beleza
Potencialmente estática
Tornando do estopim uma prática
E finalmente em excesso;
A ordem e o progresso são intermitentes
O caos e a plenitude são inerentes
E o dharma?
O dharma é (in)consequente!"

"Instagram-Instragado*
Negatividade provêm da ignorância
Ignoro a ânsia, nego a atividade
Dor-adoração, ardor ação
São/Sã, sabedoria
A dor saber-lo ia, saceio-a
Saciar, saci, cesso
Meço/medido, medição
Maçã, edição
Meditação
Médio, meço-te então
Dita, dura, ditado
Dur/ação
Dora, adoração
Coração, são
Gado instagram
Nego, ego
Cego, apego
Erro
Encerro!"

Atrix-Atriz-Matriz-Matrix-Mátrio-Átrio-Lux-Luz-Llusion-Passion-Highllusion

Eu, filho do cogumelo e do arcoiris,
Criança da lua e do sol,
Sinto, desde a pósgênesis senil,
A influência kármica do zodíaco.
Levemente entorpecido,
Este ambiente me causa contentamento...
Sobe-me à boca um júbilo análogo ao júbilo
Que se escapa da boca de um intermitente.
Já a borboleta- metamorfose intinerante-
Que as asas psicodélicas que deformam o ar
Voam, e a vida em geral declara amor,
Anda-lhes a espreita, minhas pupilas a navegar,
E há-de deixar-me apenas o consentimento,
Na tórrida organicidade do mar!

Vivemos num mundo onde crianças nos ensinam profundas sabedorias e adultos nos ensinam futilidades

Ah, meu sonho hermético
Transmutavelmente insondável
Funduras mil lhes sacio incertezas
Lascíviamente incognoscível
Des espero resiliências
Apócrifos sentimentos
Lassida iminência
Faço de ti uma ficção
Minha quimera incoerência
Oh, natureza implacável
Transmissora de sentido
Me responda de uma vez
Qual a função do coagido
Rútilo acarrente
Des profético incidente
Iterario displicente
Suma! Ou destine minha mente

Vivemos na era do descarte, da obsolescência programada
O cultivo da semente quase não existe mais,
O concerto sai mais caro do que o preço da carne nova
Economia emocional é mais que universal
Jogamos nossas coronárias no lixo
Jogamos nossos corpos no ventilador
Fazemos de tudo para não corremos riscos
Despistamos a discussão, não criamos confusão
Nos tornamos ovelhas medrosas, caladas, inimigas
Fracas e nunca crentes em utopias
Preferimos viver de falsos prazeres do que de dores reais
Nos limitamos a fazer somente o facilitado
Mortos, morremos
Obsoletos
Vazios
Efêmeros
Alzheimer infantil
Entupidos de morfina, não sentimos mais nenhuma batida
O amor se esvaiu...

Pensar da dor
Pensador
Meu terceiro olho é no ouvido
Sinto a dor pelo umbigo
Minha meditação traz a eternidade
da efemeridade
Me falta idade, mas e a conexão?
São
As palavras viram palavrão
Então, voce é feliz?
Só por um triz
Pois a felicidade é um aguardente
Quanto mais bebe, menos sente
Então não se esquente
Voce não é um demente
É o DMS-5 que te faz ser crente

"Ó cobrador, cubra minha dor intermitente
da saudade do inexistente
onde o louco é sempre crente
Ó cobrador, cubra minha saudade passageira
da vida, da morte, do frágil passaporte
Tenha piedade de toda minha leveza
Dos meus passos curtos
Dos meus atos, dos meus surtos
Tenha piedade de toda a incoerência
E por favor cuide da minha inocência
Pois o mundo é cruel, é cru
E não tem gosto de mel
É pedra dura
Não bate, só surra
Ó cobrador, me cobre somente a minha mente
Pois no resto o valor é minimamente importante
Essa vida dura uma instancia
Me de o poder da inconstância
Pois o tempo é uma navalha
Agindo e reagindo nesta batalha
Ó cobrador complacente
Cubra toda essa trilha de beleza
De luz, de cor, de experiência
Pois no fim a única coisa que preciso
É um pouco de paciência..."

O cigarro é o revérbero da criança autômato equimoseada que abandonou sua chupeta,
O álcool é o inconsciente dos pomos platônicos,
O baque é o mediato das vacinas dadas e suportadas pelas aprazíveis enfermeiras,
Mas e a dor? de onde ela vem?
Ou será que nunca lhes atingiu a ideia de que nada faz sentido?
Eis então a lógica para destoar meu apontamento.
Mas, será, que, a, lógica, faz, sentido? Ou será que precisa de mais vírgulas?
Percepção
Será que existe, lá no íntimo, profundo e pleonástico da nossa consciência
Um verdadeiro sentido? Será que existe uma razão lá, bem lá no fundo?
Aliás, já reparou hoje no espelho como é estranho viver?
Não afirmo nem desafirmo
Mas que o cigarro, o álcool e o baque....