Me Deixa que hoje eu To de Bobeira
ABRAÇO QUE EU NÃO TIVE
Eu já sorri quando a alma chorava
Pra ninguém perguntar se doía
Já fui presença quando me faltava
Um ombro, uma voz, uma companhia
Eu já ajudei quem caiu no caminho
Enquanto eu caía por dentro também
Fiz do meu peito um lugar de carinho
Mesmo sem ter onde pousar em alguém
Eu sou o abraço que eu nunca recebi
Sou a palavra que ninguém me falou
Sou o cuidado que faltou pra mim
Mas que em mim nunca faltou amor
Eu sou sorriso em dia de tempestade
Sou força quando o peito desabou
Quem vê coragem não vê a metade
Do tanto que essa alma suportou
Eu já enxuguei lágrimas alheias
Com as minhas presas no olhar
Já disse “fica, vai ficar tudo bem”
Quando eu queria alguém pra ficar
E fui aprendendo no silêncio da vida
Que ser forte também cansa demais
Por trás de toda mão estendida
Tem um coração pedindo paz
Como as águas escuras do Rio Negro, cheias de mistérios, assim eu te imagino.
Me desconcerto com teus encantos; beleza estonteante que me torna simples, e eu me deixo levar.
Pode até me chamar de Solimões — serei apenas o curso do seu prazer.
É verão de dezembro. O sol foi tão gentil enquanto eu buscava as palavras de alguns versos. Versos estes que mexiam com a minha inquietude — aquela que não doma esse mundo selvagem lá fora, mas que é suficiente para me fazer vagante.
Que sigamos nossos destinos incertos, mas, ainda que eu caminhe nos trilhos que a vida reserva para mim, não me surpreendo em sentir o perfume, vestígio sutil que você deixou no tempo e que o vento, às vezes, insiste em trazer de volta.
Ainda que eu esqueça, algo em mim reconhece que a inquietação não desaparece; apenas se recolhe em silêncio, como quem aguarda o próprio tempo. Fica suspensa, até que o simples som do seu nome a desperte outra vez.
Eu, tão imerso na corrente da vida, mal percebi que o passado é fugaz: escapa pelos dedos, atravessa os dias, costura memórias ao presente e, silenciosamente, escreve aquilo que chamamos de destino.
Senhor, permita que além de sabedoria para escolher o melhor caminho eu tenha prudência suficiente para não me desviar dele.
No campo de batalha pessoal está o meu eu que joga sujo e o outro eu que joga limpo...a única competição digna de minha atenção.
Sempre me colocaram no topo e eu quis descer de lá; quero viver a minha vida e não às expectativas dos outros.
Um dia eu te contei, com o coração aberto, todas as feridas que as pessoas deixaram em mim… e doeu perceber que você fez exatamente a mesma coisa, dizendo que era por amor. Mas amor de verdade não repete dores, amor cuida delas.
Eu chorei por alguém que não morreu.
E isso parece loucura para quem nunca sentiu.
Mas quem viveu sabe:
existem partidas silenciosas
que deixam marcas mais profundas
do que muitos adeuses definitivos.
Porque a esperança demora para morrer.
E enquanto ela respira,
o coração continua esperando
o que já não vai voltar.
Eu precisei fingir que estava tudo bem,
enquanto uma parte minha
morria em silêncio.
Porque ninguém percebe
o tamanho da dor
de perder alguém aos poucos.
Primeiro acabam as conversas.
Depois os cuidados.
Depois a presença.
E quando você percebe,
só restou a lembrança
do que um dia foi amor.
Bah…
tu virou saudade antes mesmo de virar passado.
E eu sigo aqui,
tentando ser forte igual gaúcho aprende a ser,
mas tem ausência tua
que nem o vento minuano consegue esfriar.
O coração até tenta seguir estrada,
mas toda vez que lembro do teu jeito,
é como se a alma parasse na cancela
esperando alguém que não vai mais voltar.
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