Máscara
A máscara pesa mais que o próprio rosto,
Engulo o choro, o medo e o desgosto,
Sou o pilar que todos vêm buscar,
Mas no silêncio, minha a estrutura range.
Sou o oceano que não pode transbordar,
A dor contida que a ninguém consegue enxergar.
Tristeza e cansaço escondido no rosto
Com sorriso disfarço, o meu triste esforço.
Meu grito ecoa o vazio no peito.
Que ainda acredita em um mundo perfeito.
A máscara da invulnerabilidade é a prisão mais pesada que um homem pode carregar. A verdadeira força não reside em esconder as suas feridas, mas em caminhar com a dignidade de quem não precisa de disfarces para ser respeitado.
De nada serve decorar a fachada com adornos religiosos, se por trás da porta a tua máscara apenas esconde o abismo da hipocrisia.
A religiosidade é uma máscara pesada demais para quem tem a alma vazia. O altar exige a face limpa, não uma fachada pintada de santidade.
2020
A Pandemia & A Verdade
Em tempos onde o uso da máscara é obrigatório , os hipócritas deixam a máscara cair
Mascarados
A máscara do ódio
A roupa da tristeza
A alma de medo
Por que te escondes?
Mostre ao mundo
Teus monstros eternos
Revele a todos
Suas dores ocultas
O que lhe segura
Não são fundamentos
O que te detém
Não são justiças puras
A luz que te guia
Também te cega
Olhe ao seu redor
Mas sem medo
Olhe ao seu redor
Mas sem o ódio
Que você aprendeu a carregar
O chão que você pisa
Consumido pelo medo
Se torna em fel
Amargo e feio
Se com pureza andasse
Verdade veria
Luzes por todos os dias
Beleza a cada passo
Sem um pingo de cansaço
Mas é impossível ser puro
Nesse mundo leviano
Cheio de enganos
Totalmente profano
Coloque sua máscara no lugar
Se agarre a sua Justiça
Justiça carente de Justiça
Se afaste da beleza
Desista da pureza
Nessa terra de fel
Não se sonha com mel
Fumaça cobre o rosto, a máscara a dor,
No silêncio ardente, pulsa o sangue, o terror.
O ar pesado guarda o eco do temor,
Cada suspiro anuncia meu próprio horror.
Quem sou?
Tirei a máscara da vida
E não me reconhecia mais.
De tanto "não" me observar,
Fui me abandonando,
Fui me perdendo de mim.
A Máscara.
E quando a mascara caiu,
Não se envergonhou.
Pelo contrário, sentiu se
Leve, livre das mentiras
Cotidianas em que vivia.
Em um mundo tão deformado,
onde o caos veste a máscara de razão
e a incoerência governa as veias do tempo,
ousar erguer um pensamento claro,
reto e lúcido...
é incendiar muralhas com a chama da palavra,
é rebelar-se contra a tirania do absurdo,
é gritar a verdade no ventre da escuridão.
Em um mundo
tão incoerente e ilógico,
expressar um simples pensamento
com coerência e lógica
é já um ato revolucionário.
✍©️@MiriamDaCosta
A Máscara de Narciso
Esconde-se no manto da arrogância,
senhor de uma razão que o cega e conduz.
Ergue muros de ferro em sua própria estância,
onde a sombra se veste com restos de luz.
Disfarça a vilania na pose devota,
temente a Deus diante do olhar alheio.
Mas a hipocrisia é sua única rota,
e o vazio do peito, o seu maior freio.
Captura a vida em lentes mentirosas,
simula a doçura de quem sabe sentir.
Mas sob as imagens, outrora viçosas,
revela o veneno de quem quer ferir.
No espelho de si, mergulha e se perde,
refém de um medo que não quer nomear.
Faz do outro o louco, a alma que morde,
pois morre de susto se ousam o amar.
Foge do afeto, do toque, do abraço,
despede-se aos poucos até se anular.
Ocupa o mundo em um enorme espaço,
mas não sobra ninguém para o habitar.
Poesia de Islene Souza
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*Sem máscara*
Eu nasci sem o dom da atuação.
Queria mentir bonito, performar indiferença, vestir um rosto neutro pra sair na rua. Mas meu corpo me trai. Se a boca cala, os olhos gritam. Se os olhos baixam, as mãos tremem. Se tudo em mim congela, o silêncio vira outdoor anunciando o que sinto.
O problema é que nem todo mundo sabe ler.
Não são fluentes na língua que meu corpo fala. Não entendem o dialeto da minha inquietação, o idioma do meu peito apertado. E aí me chamam de exagerada, de intensa, de difícil.
Eu só sinto. Tudo. Muito.
E o que não tem permissão pra sair pela voz, vaza por dentro. Vira ácido. Vira ansiedade que rói a madrugada. Vira depressão que senta na beira da cama. Vira pânico que fecha a garganta no meio da sala cheia.
Aí vem o mundo, com seus dedos apontados, suas palavras descuidadas, e me racha.
E quando eu quebro, eu não quebro pra dentro.
Meus cacos voam.
E atingem, sem mira e sem culpa, justamente quem ficou pra juntar.
*Texto de Mikaele | Lapidado com Luna*
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Por trás da máscara, ninguém é aquilo que parece ser,e na frente dela,somos só farsas do nosso verdadeiro eu.
Tem certos líderes que só mostram de fato sua máscara ao subirem no púlpito (seu trono)! Usar tal ambiente para desabafo é sinal de ausência da graça e do conhecimento de Deus.
