Mãos
Mãos Entrelaçadas
Esta noite eu só queria que você estivesse ao alcance das minhas mãos...
sonho... e no meu sonho
estico o braço, e minha mão encontra a sua,
encontra a ponta dos seus dedos
deslizo os dedos até a palma, desenho círculos,
fazendo cócegas, seus dedos se fecham...
meus dedos voltam, abrindo os seus, e refazem o caminho... e de novo, e de novo...
descanso então a minha mão na sua,
quente e acolhedora
forte e protetora
entrelaçamos os dedos,
nossas mãos se apertam, e ficam assim,
transmitindo o pulsar dos corações...
e em cada pulso a minha está dizendo, sem palavras,
que eu te amo, eu te amo, eu te amo.
Certa vez dei as mãos à mentira, mal sabia que ao final seria realmente o fim da verdade que acreditei. ‘Verdade’ boa no início, mentira triste por fim.
Não faz muito tempo que desisti de pensar que em todos há a mentira. Isso é tolice. Mesmo se eu continuasse tola certa hora um louco me abriria os olhos, mole como sou.
Ah meu Deus, o que me falta é um grande amor. Mas enquanto isso não me chega, tenho em minhas mãos um cigarro, um vinho, uma caneta e muitas páginas em branco em minha frente.
Algumas reticências que cabiam nas mãos. Cicatrizes que se misturavam a novos sentimentos. E apesar dos longos silêncios, apesar da espera, era só você aparecer que tudo virava sorriso. Era como se o amor fosse um cachorrinho adestrado. Se esquecia do passado, se deixava comprar com um carinho.
Sei que é amor porque sei que só com você sinto minhas mãos suarem e minhas pernas bambas.
Sei que é amor porque só você me deixa com a boca seca, com as palavras presas na língua e com a língua presa na vontade de te beijar.
Sei que é amor porque me vejo velhinha ao seu lado, sentada num sofá, ao lado de uma lareira, com uma xícara de chá nas mãos e te olhando por cima dos óculos, enquanto você cola selos num álbum surrado, com suas mãos trêmulas e sua visão já embaçada.
Sei que é amor porque surto e me falta o ar só de imaginar minha vida longe da tua.
Cuide do meu amor, ele é grande e forte, mas é sensível e carente dos seus carinhos e cuidados.
Te amo.
Desapegue, as pessoas gostam do que não tem.
Você me teve nas mãos e me deixou cair, praticamente me derrubou. Agora quer me segurar e eu não estou mais ao seu alcance. Acredite! doi mais em mim do que em você, mas futuramente, será o inverso.
Ainda que tentem calar a minha voz, usarei as minhas mãos,para mostrar que na escrita pode-se ouvir tão alto, quanto um grito em meio ao silêncio.
Merthiolate
Por que não caminhar de mãos dadas na rua onde você cresceu? Deixar de estar ali onde, antes de se sentir adulto, fez seus primeiros planos? Ah! O lugar onde aconteceram seus primeiros melhores dias, sua infância, seu sonho de ser mais e mais do que a imaginação pudesse mostrar.
Por que não?
Se tudo começou ali, se tudo que você precisava era a simplicidade de ser criança, de não exigir mais do que tinha no bolsos, quando tinha bolsos. Sim, sua rua, seu lugar elementar, é um bom lugar para caminhar.
Por quê?
Porque seus sonhos eram simples naquele lugar, você entendia sem entender cada coisa que sentia. No seu lugar primário, na sua infância, você se via e sabia exatamente onde queria estar. Não importavam os arranhões, importava era viver.
E assim, quando com quem estiver, você se ver ali, criança, vai entender que estar com alguém é simples, basta esquecer ou não temer os arranhões, afinal, criança descobre fácil o que machuca de verdade e o que se resolve com “Merthiolate”.
E restamos nós
e a nossa verdade,
de repente estranha
e real como um fruto maduro em nossas mãos.
E restamos nós os sobreviventes,
açoitados pelo vento da vida.
(Agora há antes e há depois)..."
Possuído
Fui possuído pela cor da ingratidão
em minhas mãos o perfume que ficou
desabrochou outro sol no teu verão
e a união foi a parte que manchou.
Aprendi que a desgraça é uma faca afiada em minhas mãos. Nunca a senti porque ela está virada para o mundo. Poderia virá-la para mim, mas vale a pena se ferir? Aprendi a contar a verdade e essa foi a grande forma de mentir
Toda dor é suportável depois que você aprende o que fazer com ela. A minha eu entrego nas mãos de Deus.
Se tu vistes com meus olhos e sentistes com minha mãos, talvez notaria notaria o quão maravilhoso é essa assombrosa solidão!
A moça olhava para uma das mãos, distraída. Ignorava as vozes, as gargalhadas exageradas, o bater de garfos nos pratos, o arrastar de cadeiras, as buzinas lá fora e todo o resto do mundo. Estava mergulhada em pensamentos, talvez inundada deles, quase se afogando. Estava parada como uma estátua vazia, mas aposto com qualquer um que estava tão cheia e agitada quanto um show de rock. Ela era linda, mas de um jeito triste. Tinha os cabelos da cor do mais puro mel, os braços compridos que terminavam em mãos tão sutis que me faziam imaginar como seria o seu toque, a postura um pouco curvada de quem já sofreu muito e não aguenta mais o peso de tanta descrença e os lábios cerrados em um sorriso duvidoso. De repente virou-se como se tivesse acabado de chegar ao mundo e encarou aquele rapaz com um olhar lânguido que quase implorava que lhe pegasse no colo, lhe cantasse uma canção e lhe pusesse pra dormir. Ele retribui com os olhos de quem promete que vai te ninar pra sempre. A moça simplesmente ignorou e voltou a encarar sua mão, como quem se vê tomada por um desejo que ameaça romper as barreiras do corpo. De súbito, arrancou a bolsa da cadeira, colocou-a sobre o balcão e começou a remexer procurando alguma coisa. Tirou um telefone celular e sua carteira. Digitou um número no celular e hesitou. Apertou o aparelho como quem tenta afastar uma tentação, sem saber que ceder-lhe é a forma mais eficaz de se livrar dela. Parecia tão docemente perturbada! Colocou novamente o aparelho onde lhe trouxe. Fixou os olhos em mim e de uma forma seca pediu:
- Traga-me um café, por favor. Mas puro, sem açúcar, ou leite, ou creme. E que venha em uma xícara bonita.
Mas vejam só! A moça se afundava cada vez mais no amargo do café, para que assim ninguém percebesse a doçura que trazia em seus lábios. E confundia-se com seu próprio pedido, tentando arduamente tornar-se uma pessoa amarga, mas que não conseguiria jamais, exatamente pelo fato de estar pura, com uma aura completamente branca ao seu redor. Levantou-se inquieta. Percebi números em sua mão - Deve ser o número de alguém para quem queria muito telefonar, mas a mágoa impedia. Certamente alguém por quem nutre fortes sentimentos e que talvez esteja longe... não! talvez esteja por perto mas ainda assim longe demais. - e quando voltou do banheiro, não estavam mais lá. Sentou-se. Tomou seu café como quem é obrigado a tomar cicuta. E continuou olhando para a sua mão, distraída numa tristeza suave. Pagou a conta e foi embora carregando o peso do "e se". Certamente não tinha nada pra falar ao telefone, mas tinha ao menos o desejo de ser lembrada ao utilizar essas ondas sonoras pra transmitir uma voz melódica e doce, como o creme que faltou em seu café
O pierrot, enfim, encontrou a sua colombina
E eles vão de mãos dadas pelo caminho
Ele diz que a ama e a amará por toda sua vida
E ela desconfia desse amor tão repentino
Mas deixa ele pensar que ela acredita...
Semelhança
Mãos e ouvimos.
Pés, sorrimos e corremos.
Por abraços, somos tantos filhos com saudades.
Cantamos, acordamos e estamos no alto olhando a imensidão verde cheia de silêncio e repleta de profundidades.
Nossa terra, água, fogo, e aves migratórias em curso para outra estação.
Vamos essas vontades e não a outro.
E algum criador vislumbra enquanto me rebelo por acreditar muito mais em mim do que o consigo imaginar.
Me percebe quando me vê tão semelhante a ele.
Quando primeiro já existia sem ainda nem saber acreditar.
